19 de jan de 2016

Heróis da atualidade

Dia desses, trocando de canal, decidi deixar um pouco no Jornal Nacional. Apesar das matérias, em sua maioria, mostrarem corrupção e impunidade, o que nos indigna e nos mostra o quão impotente somos, quis manter-me informada.
Quando vejo o cantor sertanejo, Zezé di Camargo, abraçado e tirando uma selfie com um rapaz, até aquele momento, desconhecido para mim.
Conversa vai, entrevista corre tranquilamente, quando o repórter “solta” uma frase que me deixou incomodada: nosso herói, e a câmera foca no rosto daquele desconhecido.
Zezé, ainda abraçado ao herói, diz: esse é o verdadeiro herói brasileiro.
Pensei, na minha ingenuidade: deve ter fundado uma Ong, ou ajudado crianças, ou resgatado animais, ou visitado asilos, ou salvo alguma grávida de risco, ou doado aparelhos auditivos, como fez o ator Johnny Deep, quando de passagem em nosso País.
Aos poucos, descobri que se tratava de Wendell Lira, que ganhou  o título, por ter feito, o gol mais bonito.
Sentei-me no sofá, em frente à TV, para terminar de ver a matéria, ainda achei que eles mostrariam o heroísmo, conforme descrito no dicionário.
Como a maioria esmagadora dos jogadores de futebol, do Brasil, Wendell veio de uma família muito pobre, e já começa a ajudar seus familiares com o que recebe. Porém, isso, para mim, não é digno de ser colocado no roll de heróis, nada mais é do que uma obrigação pelos que muito fizeram por ele.
Não, o herói utilizado pelo repórter e pelo cantor foi devido ao gol mais bonito. E, mais uma vez, percebi o quanto os valores estão invertidos no Brasil e, provável, no mundo.
Herói, para mim, é aquele que se dedica ao próximo e o salva. É quem ampara doentes, mesmo não tendo laços consanguíneos, é aquele que aceita  trabalhar embrenhado-se nas matas para salvar animais da extinção, que vai aos lugares mais inóspitos desse país para dar um pouco de conforto aos enfermos. Que faz bolinho de barro e finge comer, junto a crianças famintas,que é escorraçada de lugares apenas por pedir um pedaço de pão, para outros famintos, e não se dobra diante das dificuldades. Que assiste a milhões sem cobrar nem um centavo, e o que recebe doa.
Herói, é aquele pai de família, que consegue manter-se honrado apesar das dificuldades encontradas. Herói, é aquele que, apesar de ter perdido o emprego, não vai pelo caminho mais fácil e obscuro, batalha e conquista, sem tirar nada do outro ou a vida do semelhante.
Herói, é aquele professor que leva “borrachada” nas costas, e noutro dia, está na sala de aula para educar os filhos daquele mesmo que o atacou.
Como muitos, Wendell vem de uma cidade do interior, esteve desempregado por um tempo, após o término do campeonato carioca, ajudou o pai para ganhar um pouco de dinheiro descarregando caixas em supermercados, “foi muito difícil para mim”, afirmou Wendell.

Pela sorte e talento, Wendell é um exemplo de superação, não de heroísmo. 


10 de jan de 2016

Esperança

Todos sabemos e conhecemos a palavra Esperança, está sempre atual e de notória relevância, percebe-se que pouco se escreve sobre ela, fala-se nela mais no sentido cristão, juntando-a com a fé e o amor. 
Os filósofos pouco se detiveram na virtude Esperança, muito se falou e escreveu sobre a prudência, a justiça e a amizade. Ela era relegada ao plano dos rituais sagrados, para uma vida melhor após a morte do corpo físico. 
Talvez, por ser pouco valorizada é que muitos perderam a esperança na vida, na família, na sociedade e, em um mundo melhor. 
É como se a Esperança, coubesse no tempo futuro. Jesus, Mestre Divino, no Sermão da Montanha, já há dois mil anos, nos deixou palavras e atitudes de esperança. 
" Não se pode confundir esperança do verbo esperançar com esperança do verbo esperar. Aliás, uma das coisas mais perniciosas que temos neste momento é o apodrecimento da esperança; em várias situações as pessoas acham que não têm mais jeito, que não têm alternativa, que a vida é assim mesmo..." Paulo Freire. 



A robotização da massa

Vejo pessoas  robotizadas  pelas ruas, cabeças baixas, dedos deslizando sobre pequenas telas pretas. Ando pelas calçadas com as mãos nos ...