Apreciadores de Um Naco de Prosa

21 de fev de 2017

Amor de pai


 Observei um pai levando seu filho, na bicicleta, ele a empurrava com o garoto sobre ela, para que o pequeno não corresse o risco de cair.
Eu caminhava quase rente aos dois, e para ouvi-los mantive o passo, o sol já estava dando sinal de seus raios, os quais mostravam que iria ser um dia de muito calor.
O pai continuava a conversar com o pequeno, que parecia estar nas séries iniciais, pelo tamanho e pelo simples vocabulário de criança.
O pequeno insistia com o pai que não queria mais ir à escola, disse que não gostava. O pai, calou-se e ficou pensativo, pensei que ele não fosse dizer mais nada, porém quando voltou a falar, foi emocionante a lição de vida que passou ao filho.
-Filho, olhe bem para o seu pai e descreva como me vê, como pareço para você?
-Ah, pai, não sei, mas você me parece um homem velho, de cabelos brancos, roupas surradas, levando sua marmitinha que a mamãe prepara para o senhor, vejo um homem que não sorri , que chega à noite e come rápido para ir dormir, aí acorda muito cedo para me trazer à escola, e só. 

O pai baixou os olhos para esconder as lágrimas que insistiam em cair.
-Pai, você está chorando?
-Ah, filho, há tantos motivos.
-Que motivos, pai?
-Um deles é você não querer estudar, perceba que seu pai mal sabe assinar o nome, porque não tive a oportunidade de estudar,precisei trabalhar quando tinha a sua idade,eu trabalhava fora junto com seu avô, para levar mais dinheiro para casa.
-Pai, você queria estudar?
-Sim, meu filho.
-Sabe, se eu tivesse um pouco de estudo, com certeza eu estaria trabalhando em algo melhor, não estaria empurrando você, nesta bicicleta velha, poderia chegar em casa mais cedo, poderia acompanhar você nos deveres de casa, brincar com você,passear com sua mãe, e aos domingos, teríamos tempo para ficarmos juntos com toda a nossa família, porém como não tenho estudo, preciso aceitar o emprego que me oferecem.
O filho olhou as mãos calejadas do pai, os cabelos em desalinho, e percebeu o quanto o pai sofria por ele não querer aceitar o grande presente, poder ir à escola.
Pensativo o pequeno falou:-
- Pai, vamos mais rápido, porque não quero chegar atrasado para a aula.

O pai sorriu e apressou o passo. 

Fotos: Google

8 de fev de 2017

Hora de mudar

                            
Às vezes, me pego voando com meus pensamentos, vou para outros lugares, vejo outras pessoas, porém o momento mais importante e essencial deste voo é meu encontro com Deus.
Quando, sentada no topo mais alto do mundo, acima das nuvens, consigo observar tudo principalmente, a mim mesma.
Por alguns segundos, fecho meus olhos e O escuto. Sim, Ele fala comigo, assim como fala com você. Seja no cantar de um pássaro, no balançar das folhas nas árvores ou no vento que passa emaranhando os cabelos. 
E, em momentos assim,  tenho a certeza, do quanto Ele nos ama. É fácil sentir este amor, basta abrir os  olhos e observar. Perceber o mundo que ELE fez para nós! Perceber nosso corpo, nossos sentidos, tudo tão perfeito... No entanto, há pessoas que  preferem simplesmente, não enxergar o tamanho do Amor de Deus, por nós.
E se ferem, e ferem aos outros, e se machucam, e machucam aos outros, sem se darem conta de que, com isso, estão machucando a criação mais perfeita para Deus: a si mesmo, pois somos imagem e Semelhança Dele, e precisamos Dele para viver, e esquecemos de que Ele não precisa de nós para existir.
Podemos perceber que muitas pessoas se transformaram em seres egoístas, mimados, mesquinhos, sem amor próprio e quando são convidadas a mudar sua maneira de ser para assim acontecer a mudança do mundo, jogam nas costas de terceiros, afirmando não ser responsabilidade sua, mas sim do governo atual. Sem se darem conta de que não deixarão legado algum à geração futura ou exemplo algum a ser seguido, e não se envolvem, mas reclamam, bradam aos quatro ventos que não há mais sombras de árvores nas ruas, que os peixes não habitam mais determinados rios, e que o céu não é mais azul como antes.
Reclamam que Deus os esqueceu, e vivem  em constante combate consigo mesmos e com o próximo.
E tudo vai se esvaziando, mente, coração... até tornarem-se apenas corpos robotizados, que apenas sabem apertar botões,e não conseguem mais atingir seus próprios corações.
Tenho saudades da minha infância, nas minhas memórias consigo me ver ao lado do meu pai, ele possui em suas mãos uma pequena semente, estamos felizes, eu estou ansiosa, pois embora não entenda ainda que ele segura em suas mãos uma pequena e delicada vida, que crescerá e tornar-se-á uma das árvores mais estrondosas a qual já tive a oportunidade de conhecer e que por anos nos deu sombra e frutos. 
Meu pai não está mais conosco, mas a árvore que ele plantou, sim. E, é ela que hoje acolhe ninhos de pássaros e traz sombra aos seus netos que têm ele em suas melhores lembranças.

Sejamos menos e façamos mais. Sejamos esta mudança!


* fotos Google