12 de nov. de 2019

Buscando ser feliz




    A grande busca do ser humano ainda é a felicidade, estamos sempre correndo para encontrá-la, já fazem parte de nossos desejos sejam eles quais forem.
Poucos sabem que ela não existe lá fora e sim dentro de cada um de nós,tudo que fazemos pelo outro,quando sentimos empatia,quando conseguimos arrancar um sorriso de alguém que esqueceu de sorrir, a felicidade aparece.
    Gosto da citação de Clarice Lispector- “As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.”
   Quantas vezes já ouvimos:- Se eu ganhar na loteria serei a pessoa mais feliz do mundo, se eu encontrar o companheiro ideal para minha vida, serei feliz, se eu tiver a casa dos meus sonhos, o carro do ano, casa na praia ou no campo, se......e a conjunção condicional, neste caso leva a culpa da ausência da tão sonhada felicidade.
 É extremamente fascinante perceber que não só nós, os adultos, nos preocupamos com a tal felicidade. Os pequenos também a valorizam, porém também seguem o exemplo de que ela está em outro lugar ou em outra pessoa.
   No dia do professor, que aconteceu no dia 15 de outubro, eu fiz companhia para minha amiga que foi buscar filha e netinha na escola, houve festa, por isso, a mãe estava lá.
  Quando as duas entraram no carro, a minha amiga que estava ao volante percebeu a tristeza no rostinho da neta, virou para trás e perguntou:    
- O que houve, minha querida, você chorou?
 Sussurrando  ela respondeu:- sim vovó, estou muito triste, e se encolheu no ombro da mãe.
- Conte o que houve, podemos ajudá-la?
Ela mais que depressa se afastou da mãe, ergueu os olhinhos cheios de lágrimas e disse:
- Mamãe, quando eu crescer você me ajuda a achar um marido, para eu ser feliz?
   A mãe, meio chocada olhou para a pequena e respondeu
Valentina, você ainda é muito pequena para pensar em se casar, em ter um marido, por que isso agora?
Valentina, muito corajosa ergueu o queixo e disse:
Descobri o porquê da tristeza da minha professora, ela é triste porque não tem marido.
  Nós três, nos olhamos e sem saber o que dizer ficamos quietas, mas intrigadas com a afirmação dela, tão pequena e já sentia as emoções de quem ela gostava muito, a tristeza da professora, será que alguém saberia responder?
  Sim, foram feitas diversas pesquisas com este tema,” A visão das crianças sobre a felicidade”, e aqui transcrevo um pequeno resultado de uma delas:
  “ Com relação à primeira questão, sobre o que é ser
feliz, as respostas analisadas permitiram a emergência de
dez categorias excludentes: sentimentos e estados positivos
(rir, felicidade, alegria), self positivo e altruísmo (ser legal,
repartir, ajudar, amar), lazer (atividades físicas e divertidas,
brincar), satisfação de necessidades básicas e desejos (ter
casa, comida, ganhar presentes), família (referências à família), amizade (referências aos relacionamentos com os
pares), não-violência (não ser ator nem expectador de violências), escola (referências à escola), outras respostas.”
  Os dias transcorreram normalmente, todos da família já sabiam da história e o motivo da tristeza da pequena, mas não sabiam o que dizer ou fazer.
  Certa tarde, fomos buscar Valentina na escolinha, ela veio contente, jogando os bracinhos para o ar, e sua pequena mochila batia em sua cabeça, mas ela nem percebia, nós a observávamos, e houve um comentário da avó.
-Ufa! Hoje tem notícia boa, vamos aguardar.
Valentina entrou resfolegando, ajeitou-se ao lado da mãe e bradou:
-Mãezinha, minha professora voltou a ser feliz.
Olhamo-nos sem entender, mas teríamos que esperar a respiração dela ficar calma para ela nos esclarecer.
-O que houve, desta vez?
-Minha professora está muito feliz, pois arrumou um marido.
Rimos com ela, elogiamos a emoção da pequena, só não entendemos se a professora era casada, mas estava separada ou o motivo da tristeza era outro, porém para Valentina a felicidade estava atrelada a possuir um “bom marido”.
Ver e sentir a alegria no rostinho dela mostrava o quanto estava feliz, e não era o momento de explicar à Valentina que a felicidade da professora não estava no marido, e sim dentro dela.

Imagem Google

13 comentários:

  1. Interessante a noção de felicidade,que varia de pessoa a pessoa e essa visão da criança ficou diferente e engraçada... Há que deixar o tempo passar pra Valentina entender a felicidade...Está dentro de cada um! Gostei! bjs, chica, tudo de bom!

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  2. Parabéns pelo texto, muito bonito!! AMEI! :)

    -
    Sou o desejo dum tempo que não existe
    Beijo e um excelente dia!

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  3. Olá:- É como dizer-se que o dinheiro não dá felicidade. Mas ajuda tanto, tanto, tanto. É que ser pobre e sem dinheiro, não existe ninguém neste muindo, que seja feliz.
    .
    POEMA ** Ardo em lume brando **
    .
    Desejando um dia feliz

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  4. Bem assim. A felicidade é um jardim interior, que fazemos ou não florir. Não dá para terceirizar essa tarefa. Com os outros, sem os outros ou apesar dos outros, ser feliz é uma construção íntima.

    Te convido para ler: 😎 Flores de Deus.
    Um abraço. Tudo de bom.

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  5. Voltei pra dizer que adorei tua participação lá! Coloquei link e aviso que participaste nos comentários.Obrigadão! bjs, lindo feriadão! chica

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  6. Olá, querida Marli, linda essa história da menina, mas tem de crescer para dar a real dimensão às coisas. Fico pensando nas pessoas que não querem casar, sentem-se felizes solteiras, não foram feitas para o casamento, tem essas, também.
    A verdade, penso eu, que a felicidade nossa não depende de ninguém, não pode depender, afinal, colocar nossa felicidade nas mãos dos outros é um risco!
    Muito boa crônica, querida, e dá muito pano pra manga, dá o que pensar...
    Beijo, um bom feriado!

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  7. As crianças, e a crianças que ainda somos, acredita nas mil razões da felicidade. E que possamos não castrar nunca o que cresce mais livremente do que com intervenções humanas. beijos

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  8. Há coisas tão simples, que ensinam imenso. Achei este texto uma dessas coisas, foi bom de ler, leva a refletir. Beijinho

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  9. Boa tarde de Domingo, querida amiga Marli!
    Muito bela a conclusão da criança, porém mais ainda é a nossa comp adultos, uma não prescinde da outra, penso e sinto eu que sou feliz com meu amado, se não o tivesse, seria muito mais triste, certamente!
    Mas a felicidade é um prêmio de Deus impagável.
    Ele no-la concede para nosso bem maior.
    Muito linda sua prosa, como sempre.
    Adoro ver você discorrendo ideias por aqui.
    Tenha uma nova semana abençoada e feliz!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

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  10. Olá, querida Marli!

    As suas histórias são sempre mto interessantes.

    Valentina não entende ainda o conceito de felicidade, com ou sem marido, mas pra ela, é importante arrumar marido para ela, daqui a uns tempinhos, e para sua professora, o k veio a acontecer. Que garotinha, essa!

    Novo post por lá. Esperando você há imenso tempo, né -rs?

    Beijos e boa semana.

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  11. As crianças têm uma ideia de felicidade diferente da dos adultos. Mas todos sabemos que a felicidade é feita de pequenos momentos felizes que guardamos no coração… Gostei do texto.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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  12. Adorei o texto, disse tudo, a realidade é bem assim, mesmo...
    Beijinhos com carinho!!!

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  13. Boa tarde, Marli!
    Gostei muito desta sua crônica, que tem por tema de fundo a busca da felicidade. Também gostei do que disse a nossa de Clarice Lispector, citada por você. Essa busca da felicidade é fundamental mesmo para todos os seres humanos, pois sem ela a vida fica vazia, fica trista, fica aborrecida. Muitas pessoas não sabem dessa importância, mas outras buscam ser felizes a partir da fase escolar, quando fazem planos para o futuro, o que é o princípio dessa importante busca. Parabéns!
    Um abraço, Marli.

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