15 de mar de 2015

Luto: Gêmeas do Iguaçu

Alguns de vocês eu não cheguei a conhecer, mas muitos eu conhecia, vizinhos em ruas próximas, outros eu troquei acenos e abraços pelas ruas das cidades irmãs. Hoje o céu ficou cinza, a sensação é estranha. Não perdi nenhum parente ou amigo próximo neste acidente, mas as pessoas que foram embora, levaram consigo um pedaço meu. Hoje estou triste. Algumas fotos vão aparecendo no face, vejo ali sorrisos e olhares serenos. Todos com expectativas e anseios que neste sábado foram podados. Deus sabe a hora de agir, não cabe a nós julgarmos. Apenas rezo e peço para que todos encontrem o caminho de luz e descansem em paz. Na certeza, de que ficarão bem e amparando a quem aqui ficou. A dor é pungente.

Homenagem do Blog Naco de Prosa às vítimas do acidente ocorrido neste sábado, 14 de Março, na Serra Dona Francisca, Santa Catarina. 




9 de mar de 2015

Singela Homenagem: Inezita Barroso


Ela partiu num domingo, 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Talvez não tenha sido apenas uma coincidência essa grande mulher despedir-se de nós em um dia cujo foco é voltado à mulher, à força, à coragem, à competência...
Dona de uma das vozes mais lindas do meio sertanejo, respeitada, aclamada e aplaudida por todos. Inezita Barroso fez história, deixou um legado e uma legião de fãs, de todas as idades.
Defensora do sertanejo raiz, seu programa era palco de cantores renomados ou não, mas nem por isso com menos valor. Seu programa era uma das poucas garantias de que o sertanejo puro, simples, do mato, da raiz, continuaria sendo perpetuado pela TV. Hoje, não sei mais como será. Não há outra Inezita. 
Vai com Deus, grande mulher!

8 de mar de 2015

Dia Internacional da Mulher

Apenas Mulher - Pelo dia Internacional da Mulher


 Sabemos que as mídias, imprensa falada e escrita, irão registrar muitos temas sobre “MULHER”, porém em todos os escritos haverá um ponto em comum: a ideia da mudança.
Infelizmente, não há receitas prontas a serem seguidas para que haja 100% de acertos.
Ainda existe a angústia da mulher que se percebe viva, mas, às vezes vive na morte espiritual. E, nós mulheres precisamos descobrir todas as possibilidades de viver bem, de descobrir a nossa essência e, para isso há a necessidade de percorrer todo o caminho.
- Será que todas as mulheres têm acesso ao caminho almejado?
Sabemos que há muitas rotas, as quais levam ao destino proposto de “SER MULHER”. Quem sabe, como definiu Carl Gustav  Jung:
“  ..uma rota só, entrecruzada por todas as demais.”
Hoje, em pleno século XXI, mulheres que não conseguem ”SER”.
Muito já caminhamos, porém a situação da mulher está aquém do que esperávamos que estivesse hoje. Sabemos que nem sempre foi assim, foi pior.
Ainda vivemos muito, as amarras do passado, sempre desejando mudanças para um futuro próximo. Ela ainda hoje, tem muitos deveres e poucos direitos, pois vive a diferença que se faz entre ser mulher.
Há esperança de que mesmo a passos lentos, as mudanças para melhor vão acontecendo, pois as coisas acabam somente quando não há mais esperança – e todos sabemos que ela é a última que morre.
A vida deve ser vivida em todos os seus momentos por que toda a vida não vivida ficará latejando infiltrada em todo o ser e invivida por toda a eternidade. Viver sim, mas uma vida que valha a pena.

E ser Mulher é ter valor para o mundo. 

2 de mar de 2015

Ode ao Capitão Kirk, primeiro oficial aviador .

Ontem, domingo, primeiro de março de 2015, foi realizada em nome da aviação do Exército Brasileiro, uma homenagem, ao patrono, capitão João Ricardo kirk pela passagem de cem anos de sua morte.
Ele nasceu na cidade de Campos Goitacazes, no Rio de Janeiro, no ano de 1874. Foi o primeiro oficial aviador do Exército Brasileiro.Declarado Alferes ao terminar a Escola Militar, em 1891, e capitão post - mortem, em 1915.
Um dos primeiros oficiais a brevetar-se na França, na Escola de Aviação d' Etampes em 22 de outubro de 1912, após 6 anos do histórico voo do 14 bis.
Regressando ao Brasil, o tenente Ricardo Kirk, além das atribuições militares na Escola de Aviação do Exército , contribuiu com a Aviação Civil como Diretor Técnico e instrutor de voo, do Aeroclube Brasileiro.
Marco com busto do Capitão Kirk.
Por ocasião dos conflitos gerados na região do Contestado, no acerto dos limites entre Paraná e Santa Catarina, Kirk foi designado para apoiar com a aviação as operações de reconhecimento da região. Substituiria a tropa de cavalaria devido às dificuldades então existentes no terreno.
Caberia a ele, inaugurar nas Américas o emprego da Aviação em operações de combate.
Em 19 de setembro, de 1914 partiu do Rio de Janeiro, via ferroviária com destino a União da Vitória.
Era seu companheiro, o piloto italiano Ernesto Darioli. Eram cinco aviões cedidos pelo Aeroclube Brasileiro, dois foram destruídos por um incêndio, causados por fagulhas da locomotiva.
Em União da Vitória, com o apoio do Coronel Amazonas, Kirk iniciou a construção de um hangar e pista de pouso.
Do primeiro voo de treinamento, em 4 de janeiro de 1915, os pilotos relataram dificuldades causadas por ventos fortes, nebulosidade e frio intenso.
Uma região montanhosa coberta por mata fechada dificultava a localização dos focos de revoltosos. No dia primeiro de março, data escolhida pelo General Setembrino de Carvalho para chegarem a Santa Maria, Darioli pilotando o " Guarani", mesmo orientado por panos brancos colocados nas copas de alguns pinheiros, inesperadamente, viu-se desorientado e com o motor falhando. Com auxílio da bússola retornou a União da Vitória, porém Ricardo Kirk prosseguiu na missão, pilotando o avião 
"Iguaçu".
Acredita-se que tentando pousar no antigo Caminho das Tropas, na estrada de Palmas, próximo à Colônia de General Carneiro, bateu com a asa na copa de um pinheiro e foi arremessado para fora do aparelho.
Perdia o Exército Brasileiro o seu melhor piloto e dirigente pessoal de construção de outros campos de aviação, como o de Rio Negro e Canoinhas.
Um morador da região, senhor Ricardo Pohl, prestou a primeira homenagem ao aviador, colocando dois dormentes em forma de cruz e escreveu com a ponta de uma faca;" Aqui faleceu de desastre o aviador Ricardo Kirk, 1º de março de 1915".
Seu corpo foi transportado em carroça pelo senhor Miguel Chaicoski até a igreja Matriz de União da Vitória, hoje Porto União, e daí para o Cemitério do mesmo local.
Em outubro de 1943 os restos mortais de Ricardo Kirk foram transladados para o Rio de Janeiro, onde repousa no Mausoléu do Cemitério São João Batista. Também, no Rio de Janeiro, no campo dos Afonsos, em sua homenagem, uma das colinas no vértice nordeste do campo de pouso, recebeu o seu nome.
Nos jardins do Cemitério Municipal de Porto União, local onde seus restos mortais repousaram desde 03 de março de 1915 até outubro de 1943, a Prefeitura Municipal de Porto União e a Academia de Letras do Vale do Iguaçu construíram um Marco contendo placa alusiva à sua missão no Contestado.



Este texto me foi permitido publicar com algumas pequenas mudanças, pela professora Therezinha Wolff, a qual também retirou dados do livro" Pegadas Amigas".(2007)  

A homenagem aconteceu no próprio local do acidente.

22 de fev de 2015

Casamento na roça.

A casa estava com suas passagens congestionadas, apesar de enorme, todos os cômodos  estavam com gente se  vestindo, se arrumando ou apenas descansando.
Era casamento de uma das filhas do casal. Moravam na roça, de onde tiravam quase tudo para o seu sustento, a vida lá era muito árdua. Cada um tinha a sua tarefa, eram em muitos irmãos.
Lídia, a noiva, era a encarregada de ordenhar as vacas, colocar os botijões cheios, na estrada, os quais eram recolhidos e levados à cidade para vender,  em casa era feito o queijo, a manteiga, a nata, os quais eram levadas a cavalo para a cidade onde eram vendidos. Os fregueses eram certos. Soube que muitas vezes de tanto chacoalhar, a nata virava manteiga o que causava problemas, pois muitos estavam à espera da nata, e não da manteiga.
Assim era a vida de Lídia.
Pensava que casando ela iria ter o melhor do melhor, pois iria morar na cidade, pensou nos presentes que iria ganhar, pois haveria uma grande festa, para a qual toda a vila foi convidada. Todos da vila foram ao grande casamento, com seus presentes nas carroças.
Os noivos ganharam porcos, galinhas e até uma bezerrinha a qual, perdera a mãe ao nascer. Pois é, hoje quando somos convidados para um casamento, logo indagamos sobre a lista de presentes. Há uma loja, que os noivos escolhem e lá deixam sua lista. No último casamento que fomos,  a lista estava na internet, escolhíamos o presente e, se aquele já fora comprado, nós não sabíamos, mas fazíamos a compra pelo cartão ( em vezes, é claro rsssssssss) e assim os noivos  escolhiam o que lhes faltava.  Prática boa, não acham ?

Bem, voltemos ao casamento de Lídia.
Os presentes ficaram todos  na chácara onde ela morava com os pais, pois não havia como levá-los na carroça e depois até à cidade, onde pegariam o trem e seguiriam para suas novas vidas.


A viagem foi cansativa, mas quando chegaram  ao destino, o trabalho tinha que ser feito, descarregar, arrumar, lavar, cozinhar. O marido já foi trabalhar, pois já havia deixado tudo ajeitado, ele também era da roça, porém tudo deu errado. Conseguiram outro trabalho em uma fazenda, onde ele fazia o trabalho braçal e Lídia ordenhava as vacas.

8 de fev de 2015

Ações e reações do cotidiano.

 Fui com minha prima fazer compras, sexta - feira,
 mercado lotado, outra cidade. Ela pegou um carrinho pequeno,  percebi que ela comprara poucos produtos, por isso,  perguntei-lhe:-
-Por que não troca pela cestinha ?
Ela não havia atingido o número de itens permitido, então poderíamos ser atendidas com mais rapidez, porém observamos que a fila pretendida estava imensa, isso porque havia muitas pessoas com carrinhos repletos na fila das cestinhas. Pode? Não! Mas havia mais pessoas nesta fila do que na outra de carrinhos.
No caixa preferencial nem pensar, pois estava desativado e nos demais nem caixas havia.
Comecei a ficar nervosa, pois o desrespeito com os clientes era visível, pensei :- Calma, calma, nada se faz com barulho.
Como educadora sei perfeitamente que a educação deve fazer parte de nossa vida sempre. Para passar o tempo, fiquei olhando a estante de livros, ao meu lado, parece coisa combinada, pois o primeiro livro trazia na capa o seguinte pensamento de Nelson Mandela-"A educação é a arma mais poderosa que pode usar  para mudar o mundo."
Todos, creio eu, sabem  que a educação é que possui o poder de mudar um povo, portanto quantas vezes vimos pessoas consumindo alimentos em lugares proibidos, ou até mesmo no supermercado comem e deixam o resto jogado nas prateleiras, eu no entanto não tomo atitude alguma.
Posso perguntar :-
-Que educação eu tenho, quando deixo passar algo que está acontecendo na minha frente e não faço nada?
Em outros tempos já fui mais afoita e não deixava passar nada . Chamavam -me de "revolucionária", o que me deu muita dor de cabeça, por isso, aprendi a ser mais ponderada, pois os erros por falta de educação sempre vão existir.
Lembro-me de Paulo Freire - " Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda."
Precisamos ser educados para entender sobre cidadania e termos pleno respeito às leis, porém isso não acontece,  porque muitos querem tirar proveitos do que lhes é indevido.
Outros estão preocupados com os "heróis", do BBB, com as fofocas da TV, enfim tudo, menos em educação.
Voltando ao assunto, ficamos na fila por muito tempo, olhei para o lado e vi uma jovem fazendo sinal para uma senhora, que estava  em nossa frente, também na fila.
Acreditem se quiserem, ela chamou a jovem, que estava na outra fila para passar com as compras dela. O carrinho dela estava abarrotado de compras, quando percebi o que iria acontecer, fiquei posicionada onde ela teria que passar, porque a cara de pau veio com tudo. Minha prima não entendeu nada no início, a moça pedia para passar e eu me fingia de surda. Atrás de nós, a fila não tinha fim, as pessoas não falavam nada, mas mostravam no rosto seu descontentamento.
Poxa! Já nem sei onde estava a educação, pois minha prima também é educadora.
Perdi a paciência e olhei para trás e disse:-
-Moça, você não acha que está faltando educação aqui? - Educação para saber que o que você está fazendo está totalmente errado? -Dê uma olhada para trás e veja quanta gente de idade, mães com crianças, inclusive havia um bebê que chorava muito.
Aí, a senhora que a chamou, veio em sua defesa, mas eu continuei, falei com educação e muita calma ( não sei de onde tirei a calma, mas enfim) que se todos agissem assim jamais iríamos melhorar e evoluirmos em educação e respeito, pois falamos em povo educado, mas fazemos tudo errado.
Sabem, ela me pediu desculpas, disse que havia agido sem pensar e confirmava o seu erro.
Pensei :- Consegui !
Em seguida ela passou na nossa frente e foi com seu carrinho cheio.







27 de jan de 2015

A menina que sofria calada

A mãe parada à  porta do armazém, esperava todos os dias a saída dos alunos, pois sabia que em seguida viria a sua filhinha, ficava triste ao ver a menina sempre chegando sozinha sem participar das cantorias e alegres risadas das crianças. 
Menina quieta, magricela, ágil, mas com uma grande mudança no comportamento, passou a ser isolada, muito pensativa e calada. Parecia que não queria que ninguém lhe perguntasse nada.
A mãe sempre lhe questionava:
- Minha querida, o que está havendo, não está gostando de estudar ?
- Nada, mãe, estou só pensando.
- Pensando em quê, minha filha? 
-Ah! mãe, nada, nada. 
E assim passava mais um dia.
Naquela época, não havia a pré escola, era direto na primeira série.
A menina estava sempre sozinha, seus pais a observavam e  quando a interrogavam ela não tinha nada a falar.
As outras meninas eram mais desenvolvidas fisicamente, e a garotinha de 7 anos era mirradinha.
Ela sofria até para carregar a sua maleta com seus cadernos, era quase uma mala. 
A mãe havia pedido ao pai que comprasse uma mochila para que a menina pudesse levar seus livros com mais facilidade, pois eram muitos para levar todos os dias.
O pai comprou uma espécie de mala ou maleta ou valise de couro marrom, era um tipo muito usado pelos viajantes, que a  usavam para vender a sua mercadoria.
Quando o pai apresentou a mala para todos, na cozinha, a mãe quase chorou, a menina não entendeu nada, só pensou:
- Como vou carregá-la até a escola, pois o caminho era muito longo, e quando chovia o barro dificultava mais a passagem.
Naquela época, usava-se uma galocha, um tipo de calçado de borracha que era colocado sobre os sapatos. Hoje, se falarmos sobre as galochas vão rir de nós. Elas eram muito úteis, pois com as poças de água, os pés se conservavam secos e os sapatos limpos.
Certo dia, a menina voltou com os sapatos cobertos de barro, roupa suja e sem as galochas. Os pais ficaram zangados, pois não era fácil manter uma família com conforto, mesmo sendo simples.
-Menina, onde deixou as galochas?
-Mãe, acho que alguém as levou por engano.
-Como por engano,nem todos têm uma igual as que você tem.
- Vamos até a escola para resolver. E foi arrastando a garota pela mão.
Porém já era tarde e a turma da manhã já havia saído para o almoço, era uma "Escola Isolada". A mãe não podia esperar havia muito trabalho à espera dela, em casa.
Naquela época havia os castigos e a menina recebeu o dela, chorou muito, pois sabia que estava sendo castigada injustamente, mas não podia falar nada.
Na manhã seguinte, a garota nem quis saber de ir à escola, foi quase que arrastada pelo pai, que era enérgico.
Talvez a presença do pai, na escola fez com que a menina tivesse uma trégua, porém, na semana seguinte, a chuva resolveu cair sem parar, ela tinha uma capa de plástico, um material diferente era mais grosso, ela ficava uma graça com a sua capinha de chuva.
Na volta para casa, voltou com a capa, mas sem uma manga e ainda toda suja de barro, era um barro de cor avermelhada. 
A mãe quis bater nela, ali mesmo, na rua, mas o pai a impediu.
Sempre acontecem milagres, e não é só nos filmes.
Os pais dela eram donos de um armazém bem sortido, havia de tudo ali, para vender.No exato momento, da discussão chegou o vendedor de bananas, era muito diferente dos dias de hoje, ele era como um empresário, mas que vendia banana. Ele tinha um caminhão de carroceria de cor verde e vinha todas as semanas carregado de cachos de bananas, eram enormes, só eram cortadas em pencas quando o freguês fosse levar.E como vendiam bananas.Mas voltando.....
O vendedor de bananas era muito amigo da família e percebeu o choro da garota e a voz alta da mãe, e perguntou o que havia acontecido.
A mãe desabafou  e colocou tudo de ruim na menina.O senhor muito simpático pediu para que a mãe o deixasse falar a sós com a garotinha.
Ela lhe contou sobre uma aluna, muito " grande" de cor escura, usava longas tranças e era muito ruim, ela maltratava a pequena só por inveja do que a menina tinha. ( Na época, ela não tinha nada, de bens materiais que a deixasse mais ou menos feliz, mas ela tinha a família mais linda da face da terra).
Após aquele senhor contar a história aos pais dela, (que ficaram chocados) orientou-os para que tomassem as  providências cabíveis em relação ao fato, que levassem ao conhecimento da direção da escola e dos pais da agressora.Hoje, sabemos que  naquela época, o bulling já existia, mesmo sem que soubéssemos nada sobre ele, já maltratava (em silêncio) muitas crianças. 



14 de jan de 2015

A palmeira solitária

Quando eu era criança, meu bairro chamava-se Tócos. Meu pai foi um dos primeiros moradores entre poucos a construir aqui. A estrada que hoje é uma avenida movimentada, já foi barrenta, o lamaçal era tão intenso que os galhos e muitos tocos de árvores eram jogados para auxiliar a passagem nos dias chuvosos. Por aqui, passava a boiada também, (da qual já falei anteriormente, em postagens anteriores).
Do outro lado da rua havia, além de uma enorme valeta, com água limpíssima, muitas árvores, pinos, cipós era um verde muito denso e variado. Difícil atravessar, os meninos tinham campo de futebol, que ficava totalmente encoberto por vários tipos de mata. Era lindo. Eu e outras crianças gostávamos de brincar com os chamados pentes de macaco. Fazíamos até barquinhos com eles. Ah! Naquela época, havia uma quantidade enorme de bugios ( um tipo de macaco de cor avermelhada, gritavam muito).
Havia muito ingá, uma fruta que eu gostava de comer e me associava aos macacos (risos). 
Nem tudo, permanece igual para sempre, pois vem o progresso e, aos poucos, o meu paraíso foi se transformando. 
Hoje, o meu bairro, o querido (Tócos ), é o mais populoso do município,  não faltam os comércios, dos quais precisamos. A escolinha é hoje um grande colégio, temos posto de saúde, farmácia,supermercado, barzinhos, igreja  enfim, há o básico para não haver a necessidade de irmos ao centro para quase nada.
A velha estrada barrenta virou uma avenida importante, a avenida João Pessoa. 
O canteiro central com grama, flores, pés de hortênsias ( adoro este tipo de flor ), enfim para um canteiro de avenida estava muito bonito. Estava, eu disse, pois é, porque hoje, transformaram este canteiro central em puro asfalto, no qual o sol escaldante dá para perceber a fumaça de calor subindo e, com certeza, tirando um pouco mais da umidade do ar. 
A ideia de substituição do canteiro central por asfalto já estava sendo cogitada há tempos, meu querido pai ( ainda vivo ), estava sempre cuidando para que isto não acontecesse. Penso que se ele ainda estivesse aqui, quem sabe, o canteiro central, também permanecesse intacto. 
Todos nós sabemos que um simples canteiro de grama é de vital importância, pois a temperatura é mais baixa porque melhora a qualidade do ar. 
Hoje, o canteiro central da avenida é de puro concreto, falta ainda uma tela que será colocada para proteção. 

Há muitas pessoas que dizem estar bonito, mais limpo, porém, penso que tudo isso é  apenas uma questão de conscientização de que somente, nós mesmos poderemos mudar esta situação. 
"O desafio ainda é compreender que há vida em todo lugar e que ainda há muito a ser feito". 
Eu tive uma conversa com o senhor prefeito de Porto União, ele gentilmente me esclareceu que a grama e as demais plantas prejudicavam o asfalto, pois aconteciam infiltrações e, que o gasto para manter a grama aparada, também era alto. 
Perguntei a algumas pessoas que entendem mais que eu, e elas me disseram que o asfalto bem feito tem estrutura para aguentar a infiltração da água, pois já se previne antes disso acontecer. O senhor prefeito me disse: - A única árvore que havia permaneceu lá.
Pois é ficou a palmeira solitária em um quadradinho de grama. Como explicar que não é pela palmeirinha, que eu estava falando mas por uma avenida que cruza a cidade e, era coberta de verde. Hoje é coberta de pedra.
Ouvi, há pouco, os músicos Sá e Guarabyra: - O sertão vai virar mar, dá dó no coração / o medo que algum dia, o mar também vire sertão. 
Nós temos que aprender a pensar no nosso jardim.
"Quando olho para a América e também para a minha terra natal, América do Sul, muitas florestas sendo cortadas se tornaram uma terra que não pode mais dar vida. Esse é o nosso pecado: explorar a Terra e não permitir que ela nos dê aquilo que ela pode nos dar." Papa Francisco.  

6 de jan de 2015

Duas cadeiras para Odilon Muncinelli


Estou novamente enfrentando uma situação difícil, árdua até, pois escrever sobre um  advogado, escritor, colunista, historiador e que faz parte da Academia de Letras  (ALVI), já nos deixa quase no campo da exaustão com as palavras .
No momento, estou tentando fazer o melhor  para homenagear  “ novamente” o grande amigo, Dr. Odilon Muncinelli,  que indicado e aclamado, integra “ mais “ uma cadeira na área das Letras. Li em uma matéria do dia 16 de dezembro, à página 08, que o nosso nobre colunista, o qual assina há 11 anos a coluna “ Milho no Monjolo”, no Jornal “ O Comércio”, disse estar caminhando para o ponto final, não entendi como esta ideia de ponto final foi parar na matéria, pois Odilon é Homem das vírgulas , isto é, após cada vírgula vem mais palavras,  assuntos, textos, matérias e quem sabe, podem vir até mais cadeiras. Sem ironias e com sua permissão faço uso de tal português, o nobre escritor é o “ Cara das Letras.” Sinto-me no perigo ao escrever para homenageá-lo,  pois tenho que ter o cuidado de colocar tudo no lugar certo, para que ele sinta seu real valor ao ser o nosso escritor. Até Clarice Lispector disse ter medo de escrever, e, eu o que posso dizer a respeito de tanta responsabilidade em citar Odilon Muncinelli, aqui. Ele foi indicado pelo amigo, Rubens Tarcísio da Luz Stelmachuk. Após a indicação nada mais foi necessário, pois Muncinelli  teve sua entrada triunfal no Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. Aconteceu no dia 09 de dezembro, em sessão solene, às 17horas.
Odilon Muncinelli  já é imortal, pois viverá para sempre na memória, na cultura da nossa terra e da nossa gente. Emocionante, hein!
Olavo Bilac costumava dizer que os imortais estavam sempre de mau humor, brincava dizendo que os acadêmicos eram chamados de “ imortais” porque não tinham onde cair mortos.” Piada, dele é claro.” Oposto disto, Odilon está sempre de bom humor e pronto para uma longa prosa e como  dono de duas cadeiras, já é imortal pela gratificação de seus registros  nos oferecendo duas vezes por semana muito conhecimento  e prazer com o registro de suas pesquisas.
Nós, reles mortais, seus leitores sabemos da felicidade do “nosso imortal,” pois ele tem a certeza, de que suas obras não morrerão jamais.
Odilon traz o sangue de escritor, penso ser sua vocação nos dar a cada dia maiores conhecimentos, os quais garimpa, registra e nos dá de presente.


Parabéns, amigo escritor, Odilon Muncinelli que possui a imortalidade da escrita, à Beira do Iguaçu.


31 de dez de 2014

Feliz 2015!!

O Naco de Prosa agradece a todos os amigos e amigas que em 2014 estiveram juntos lendo ou comentando, ou lendo e comentando os textos publicados aqui. A parceria continuará em 2015, com novos textos, abordagens e curiosidades de nosso vasto mundo.
Aqui fica o desejo de paz, amor e união para todos, que 2015 brilhe e traga boas colheitas do plantio de 2014.



FELIZ ANO NOVO!!




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