A expressão “complexo de vira-lata”, que
define a falta de autoestima dos brasileiros foi criada por Nelson Rodrigues em
1950, quando o Brasil foi derrotado pela Seleção Uruguaia de Futebol na final
da Copa do Mundo em pleno Maracanã. Nelson Rodrigues foi um teatrólogo, jornalista, romancista,
folhetinista e cronista de costumes e de futebol brasileiro, e tido como o mais
influente dramaturgo do Brasil. Em relação a expressão, muitos usam a palavra
complexo ou síndrome, mas há diferença entre elas, pois síndrome não é uma doença, mas uma
condição médica, um conjunto de sinais e sintomas que define as manifestações
clínicas de uma ou várias doenças e pode ter vários fatores envolvidos.
Complexo é um termo da psicologia para descrever um desvio ou um comportamento
patológico.
Esta
expressão é usada nos dias atuais, talvez por ela ser reforçada por nós,
brasileiros, que desdenhamos o que temos em nosso país sem ao menos conhecer os
problemas de outros países ou de seu povo, é uma expressão forte, que às vezes
nos causa espanto, mas existe.
Ouvimos "Este lugar não é bom"
logo chegamos à conclusão, de que quem assim fala viveu ou vive em outros
lugares, pois não é possível se fazer comparações sem possuir um parâmetro, e
há anos que tentam reverter a tal expressão, vários estudiosos e intelectuais pensaram em como resolver o danoso "complexo
de vira-lata" dos brasileiros. Entretanto, apenas um chegou próximo, foi o
historiador cearense Capistrano de Abreu, quando propôs a substituição de todos
os artigos da Constituição Federal por apenas um: "todo brasileiro é
obrigado a ter vergonha na cara". Não vamos aqui, exagerar ou generalizar,
pois nem todos agem desta forma.
Frases como: “É só no Brasil” ou “Só podia ser
no Brasil” apenas rebaixa o que temos como visão de mundo; não é só aqui que há
dificuldades, e há muitas complicações para resolvermos certos problemas.
Nelson
Rodrigues disse:
Por
“complexo de vira-latas” entendemos a inferioridade em que o brasileiro se
coloca voluntariamente, em face do resto do mundo. Sendo assim estas atitudes
nos tolhem as possibilidades de lutar e conseguir o que precisamos como
brasileiros. Chegará o dia em que
poderemos ler notícias positivas sobre nosso país, aceitando que isso também
acontece aqui e não apenas em outros países. Com a união de todos, com boa
vontade, pois somos uma grande nação, acontecerá a mudança, que depende de nós.
Interessante notar que na literatura também existe este complexo, pois a
produção literária nacional muitas vezes é desprezada pelo simples fato de ser
nacional, há muitos exemplos nas escolas pelos livros exigidos. Percebemos em muitos
alunos, a falta de interesse, que surge da inexistência de identificação do que
foi proposto durante as aulas sobre clássicos nacionais, o mesmo acontece também,
em filmes e séries; por não conseguirem situar o momento em que vivem, dentro
de um contexto político e social, concluem e consequentemente generalizam:
“Todos são ruins e nada disso faz sentido”. Com este pensamento em relação aos
clássicos, já conhecidos pelo público, mensuremos então, a literatura
contemporânea, pouco conhecida. Assim
notamos, que a expressão não se limitou ou limita apenas ao futebol, ela está
sendo usada em várias áreas.
Certo jornalista falou: Talvez a predominância
da grande mídia, é ver um Brasil dependente em certas áreas, o que reflete uma
situação confortável, ouseja mais que o complexo de vira-lata, é a pessoa se
achar pequena, ou até mais que isso, é querer ser pequena.
Temos todas as condições de retirar do nosso
vocabulário essa expressão, a qual assusta a muitos, sabemos que aqui, em nosso
país o povo trabalha e conscientemente deseja uma nação estável, dando-nos boas
condições de vida, precisamos entender
que é um erro continuar usando essa expressão, que teve sentido em 1950, além de entender isso, é
preciso que reconheçamos de uma vez por
todas, que o real problema não é o Brasil, e sim, os brasileiros; porque a
mudança depende de nós.
Será que o “Complexo de Vira-Lata “já nos
pertence?









