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8 de fev. de 2014

Chico Mendes

Esses dias, trocando de canais ( adoro o inventor do controle remoto ), deparei-me com uma homenagem feita a Chico Mendes no canal Globo News, homenagem aos 25 anos de sua morte.
Infelizmente, quando localizei a matéria, ela já estava na metade. Para minha felicidade, noutro dia, o material exibido foi reprisado.
Eu não conhecia a história dele a fundo.
Não é rotina falar deste seringueiro defensor da floresta.
Eu ouço falar sobre Chico quando procuro no Youtube a música Louvor a Chico Mendes, ou quando surgem essas homenagens em forma de matéria como foi o caso do programa apresentado pela Globo News.
Mas quem foi Chico Mendes, afinal? Merecedor de letras de músicas, programas na TV, homenagens internacionais?
Francisco Alves Mendes Filho nasceu em Xapuri, no ano de 1944. filho de seringueiro, aprendeu a ler com cerca de vinte anos, já que nos seringais, em sua maioria, não havia escolas.
O que não impediu Chico a elevar sua voz e defender com “punhos de ferro”  os seringueiros da Bacia Amazônica, cujo meio de subsistência dependia da preservação da floresta e suas seringueiras nativas.
A partir de 1976, Chico participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento através dos “empates”, ou seja, manifestações pacíficas em que os seringueiros protegem as árvores com seus próprios corpos, “empatando”, literalmente, o desmatamento.
Em várias imagens da época, Chico mostra como extrair o látex das árvores, e o período que se deve dar de intervalos para respeitá-las.
Não posso dizer que a matéria foi tendenciosa, pois não li nenhuma biografia sobre ele, ou me deparei com outro material a respeito de Chico Mendes, mas penso que um homem que narra suas peripécias na mata, reconhecendo e informando ao repórter cada flor, cada planta que naquele solo existem, reconhecendo e imitando o som de cada pássaro, explicando o respeito que temos que ter com a natureza que ela nos devolverá o mesmo respeito, não deve ser um “bandido”, como os assassinos e donos de empresas interessadas no desmatamento da Amazônia, pintaram.
Fico pensando nessas pessoas que, pacificamente, amarram-se às arvores, ou simplesmente ficam em seus galhos para evitarem seu tombamento por máquinas capitalistas. 

Chico foi uma dessas pessoas.
Em Curitiba, neste ano, ocorrerá um manifesto na “Boca Maldita”, contrário à derrubada de duas Araucárias ( símbolos, inclusive, do Paraná ) em um bairro.
Os povos da floresta necessitam da floresta, nós necessitamos da floresta.
Chico foi aos Estados Unidos e Europa pleitear mudanças, denunciou conflitos, deixando a Amazônia sob o foco da pressão internacional.
Na época, os bancos injetavam grandes quantias em dinheiro para desenvolver o Estado, desenvolvimento este que prejudicava diretamente o direito dos seringueiros, e Chico levou esta questão aos Estados Unidos, ele assinou sua sentença de morte.
Os Estados Unidos e a Europa entenderam a questão e apoiaram Chico Mendes, algo que o próprio país onde ele nasceu e por quem ele lutava, não fez.
Logo começaram os ataques, pistoleiros feriam e matavam companheiros de Chico Mendes e os trabalhadores.
Eu fico aqui pensando, em um pequeno espaço de tempo, mais de 30 trabalhadores foram assassinados, a polícia federal cruzou os braços, o governo virou as costas. Estavam à mercê da sorte e de Deus.
O que me faz ter a certeza de que há muito tempo, trabalhadores honestos e pessoas envolvidas diretamente com o desenvolvimento e preservação deste país, não têm valor algum, a não ser para sua própria família.
Muitas pessoas incentivaram Chico a deixar a luta, a ir embora do país para que mantivesse sua vida. Mas ele sempre revidava: “Eu não serei um traidor”.
Chico tinha um ideal, e lutou até o final de sua vida.
Ele foi assassinado em 1988, aos 44 anos,   com tiros de escopeta no peito na porta dos fundos de sua casa,  quando saía de casa para tomar banho. Chico anunciou que seria morto em função de sua intensa luta pela preservação da Amazônia e buscou proteção, mas as autoridades e a imprensa não deram atenção. 


“Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta. Adeus. Foi um prazer”. Trecho da carta escrita por Chico Mendes.

* No final da letra abaixo, segue vídeo do Youtube com a interpretação da música.


Louvor a Chico Mendes

Chico onde houver uma vida
Sua voz será ouvida
Como força de oração
do amor pela terra
Que não se encerra num coração
Sou mais um nessa guerra
Quebrando a serra da devastação

Me abraço à natureza
E a Deus peço axé
Em louvor, a Chico Mendes
Sua luta, sua fé
Homem simples seringueiro
um valente brasileiro

Que ao mundo fez seu manifesto
Um protesto à crueldade e à tirania
das derrubadas das queimadas
É a Amazônia em agonia
que hoje chora a saudade
De Nova York a Xapuri ô ô
Do Oiapoque ao Chuí, xi!
Será que as coisas mudam por aqui?
Na Amazônia
a Amazônia ta virando zona
de liquidação
Sem cerimônia
matam e metem a mão
Na Amazônia
A Amazônia ta virando zona
de liquidação
sem cerimônia
matam sem perdão
um líder

Chico onde houver uma vida
Sua voz será ouvida
Como força de oração
do amor pela terra
Que não se encerra num coração
Sou mais um nessa guerra
quebrando a serra da devastação
A meu verde
Meu verde não é rabo de foguete
Vai tacar fogo no cacete




O porta-retratos

  Foto do google     Era quase uma da manhã, lembro-me que estava inquieta naquela madrugada, talvez pelo vento, que fazia o galho bater...