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27 de fev. de 2014

Será que a curiosidade mata ou ensina ?

Era uma quarta feira à tarde eu estava entre algumas pessoas que acabara de conhecer. A conversa seguia seu rumo normal, quando alguém demonstrou vontade de ir embora para assistir à novela. Eu mais que depressa falei:
- Ah! vá ler um livro!
Ela olhou-me humildemente e respondeu:
- Não sei ler nem escrever.
Com o coração a galope, a mente em ebulição, pus de lado as outras pessoas e me aproximei dela. Eu havia perdido o chão. As palavras, as ideias, os pensamentos estavam estranhos em minha mente. A pergunta fervilhava dentro de mim.
- Como não sabe ler?
Em meu íntimo tinha certeza de que ela estava brincando. ( Ela era uma mulher de trinta e poucos anos ) e disse-me que não sabia ler. E eu não sabia mais falar nada. O momento disse tudo. Resolvi mexer fundo no assunto e fiquei sabendo que havia muitas pessoas próximas a ela que também não sabiam ler, inclusive a mãe dela. Contou-me ela que nem o ônibus conseguia pegar, porque não sabia ler a placa. Que confundia-se com o dinheiro e onde trabalhava estava ficando muito difícil até para anotar números de telefones.
Esta história é recente, triste e eu sou professora, já fui alfabetizadora também.

Nós que estamos sempre afirmando que todos devem estudar, mudar de pensamento, evoluir, ler e ler. Sócrates disse que: "Educar é ensinar a pensar". 
Penso que antes vem a alfabetização e que a aprendizagem, leitura, reflexão devem caminhar juntas.
Sócrates há 25 séculos também disse que aprender é uma condição humana natural. Todos aprendem, só precisamos facilitar o processo de aprender e conduzir o aprendizado para o fim desejado; isto é integrar o aluno à sociedade, desenvolver suas competências para usá-las na construção do todo.
Temos que ensinar a arte de perguntar. Voltando a Sócrates, ele dificilmente respondia, apenas perguntava. Com isso, ele levava os seus alunos a usar a cabeça, isto é, a pensar, refletir, analisar. 
E hoje, podemos perguntar?
Tenho pena dos perguntadores e dos curiosos.
Se perguntam muito são rotulados de mal-educados e impertinentes. Como são vistos como perturbadores são punidos. 
Educar exige paciência, porém é quase impossível no mundo de hoje, termos paciência, pois o mundo está impaciente, veloz, digital, cibernético, inconstante e até podemos afirmar: está louco. 
Podemos afirmar que a paciência ainda existe, mas apenas na consciência do educador. Aquele que realmente educa, pois há professores que não são educadores.
Quem Ama, Educa!, escreveu o psiquiatra e educador Içami Tiba.
" Não se pode forçar a janela: é preciso abri-la com carinho e espantar os corvos da desconfiança que porventura pairem na soleira."
É a mais humana das esperanças, a única que pode responder ao anseio de construir não apenas uma sociedade, mas uma civilização. Parodiando o escritor: quem educa, ama. 

O porta-retratos

  Foto do google     Era quase uma da manhã, lembro-me que estava inquieta naquela madrugada, talvez pelo vento, que fazia o galho bater...