Confesso que não conhecia este lado do Brasil.
Não por ingenuidade, apenas achei que as barbáries feitas
pela ditadura militar já foram suficientemente monstruosas, e nada se igualaria a ela.
Mero engano.
Após assistir a reportagem na TV Record, a respeito do
Hospital psiquiátrico de Barbacena, Minas Gerais, fui atrás de mais informações
desta época que foi totalmente ignorada, principalmente por aqueles que
ajudavam para que ela existisse: os pais e parentes dos internos.
Na época foi feito um curta para denunciar, ou relatar, como
era por trás dos muros do Hospital. O curta chama-se “Em nome da Razão”, feito
em 1979.
Nele encontramos personagens curiosos, que demência nenhuma
demonstram ter. Pelo contrário, por vezes pensei que a “louca” era eu.
Nas livrarias podemos encontrar o livro da jornalista
Daniela Arbex, “Holocausto Brasileiro”, que narra, em suas páginas, maiores
detalhes destes personagens privados de tudo, principalmente afeto e amor.
Após assistir ao documentário, ler o livro, a sensação de um
vazio imenso é inevitável. Quantas pessoas perderam suas vidas dentro de muros
cinzentos, sem ao menos saber pelo que estavam pagando?
Apontamos os dedos para o vizinho, que ele foi o “demônio”,
como pode um homem ter feito “tudo isso”? “Era um verdadeiro monstro este Hitler!”
Sem tirar a culpa de um ou de outro, mas... e o que foram os
políticos, as famílias, os médicos, as enfermeiras, desta época, que foram por
vezes coniventes com este episódio sombrio e sádico do nosso País?
Abaixo, o documentário dirigido pelo mineiro Helvécio
Ratton: