22 de ago. de 2015

A desinformante


O que pode acontecer quando o que falamos não é entendido como deveria ser ? Há inúmeros prejuízos que ocorrem quando a comunicação é falha. Lembrei de um fato extremamente interessante, que aconteceu na época da grande enchente de 83, em nossas cidades. Meu tio, trabalhava como gerente em uma firma local, o rio transbordou, e a água cobriu as ruas, deixando todos sem ter como ir ou voltar, por elas. Então, ele e alguns funcionários que moravam em outras áreas,usavam o meio de transporte que lhes era oferecido, uma draga de puxar areia, e assim atravessavam o rio Iguaçu.

Certa manhã, ele ligou para minha casa ( morávamos ao lado ) e pediu para que a moça que trabalhava em minha casa, desse um recado à minha tia ( esposa dele ).

Ela deu o seguinte recado:

- Dona Iraci, seu marido ligou avisando que quebrou a perna.

Foi um reboliço total, meu pai tentou entrar em contato com meu tio, e com os demais funcionários, ligou para o escritório da firma, para o dono ( amigo dele ), mas não conseguiu obter resposta. A preocupação aumentava, pois meu tio já não era um garotinho e, ficar sem atendimento só poderia causar maiores problemas.

E, assim foi passando o dia, sem informação. O hospital mais próximo da firma também estava sem acesso, devido as águas. Meu pai e tios foram ao outro hospital para ver se havia alguma notícia do tio, com a perna quebrada.

Tornou-se um caos, pois estava anoitecendo, águas escuras, casas alagadas, gente sem teto e meu tio sem dar notícias. E, justamente nesta noite, todos iriam ficar na firma, pois era perigoso voltar com o rio enchendo e, sem saber onde estava o leito do rio. Como estaria meu tio ? Quanta dor, sem ter o que fazer e sem poder voltar para casa. Eu já disse aqui, que acredito em milagres e, à noitinha, conseguiram voltar para casa. Vimos meu tio estacionar o caminhão da firma, ficamos sem saber o que dizer, apenas corremos para saber como ele estava. Meu pai, foi o primeiro:

- Como você está ? E a sua perna quebrada ?

- Perna quebrada ?! Não quebrei nada.

 Aí, a história foi desvendada. Ele disse que havia quebrado a garrafa térmica e, como só voltaria na noite  seguinte, avisou para que minha tia providenciasse outra.

A ligação estava péssima, e aí a confusão de: - Eu quebrei a térmica, para eu quebrei a perna.

William James já dizia:

“ Não existe mentira pior que uma verdade mal-interpretada pelos que a ouvem.”


10 de ago. de 2015

Quando o espetáculo finda...

E a luz apagou.
A passos lentos, dirigiu-se ao camarim.
Margaridas brancas em um pequeno vaso, faziam-lhe companhia.
Sentou-se em frente ao espelho.
Abriu a pequena gaveta.
Em meio a maquiagens e ilusão, pegou um pequeno pedaço de pano.
Aos poucos, a maquiagem foi dando lugar às rugas e marcas do tempo.
Olhou para o relógio, faltavam dez minutos para daqui a pouco.
Depois daquela noite, nunca mais.
De repente, ao se dar conta, percebeu seus olhos marejados
Mas, dessa vez, não pela alergia que a maquiagem causava
Apenas porque o tempo passou
Apenas porque o mundo se tornara mais frio
E as crianças de hoje, já não queriam mais aplaudi-lo no picadeiro
Já não o consideravam mais.
Mas seus olhos brilharam ainda que mais uma vez, ainda que pela última vez
Ao perceber, atrás da coluna de concreto
Um pequenino, com uma bola de plástico vermelha no nariz,

Reverenciando o público imaginário.  

8 de ago. de 2015

Pelo Dia dos Pais

Desejo a todos os pais,  um feliz Dia dos Pais!
Não tenho mais o meu,  mas seus ensinamentos, a lembrança do seu abraço, do seu beijo estalado na bochecha e suas frases em ucraniano me acompanham e são fortes aqui dentro.
E acho que é isso, que vale a pena a vida de alguém, as coisas boas que a pessoa deixa em nós.
Meu querido pai, mais um dia se vai e não posso ouvir suas histórias ou ter a sua presença no almoço e nas tardes de outono.
Quero que saiba, através desse humilde espaço, que a saudade ainda perdura, e continuará porque não tem como não sentirmos saudades, não sentirmos falta do que nos fez bem, e do amor que trouxe para a nossa vida.
Obrigada por tudo!
E que hoje, seja um dia feliz para todos nós, mesmo para os que não têm mais seus pais presentes, como eu, porque a felicidade deve existir pelo simples fato de que eu tive um dos melhores pais do mundo, que fez de mim a mulher de fibra, guerreira, honesta e trabalhadora que sou.
Só tenho a agradecer pelo tempo que passamos juntos, pelas experiências que o senhor me trouxe, pelas  histórias que o senhor atravessava a madrugada me contando.
Obrigada, pelas noites de risadas, pela mesa sempre farta, pela proteção constante, pelo seu amor incondicional e por ser, simplesmente, o meu pai.

Hilário Andrucho

29 de jul. de 2015

O amor está fadado ao fracasso?

Parei um tempo para olhar a chuva escorrendo pelo vidro da sala. Através dele, percebi um casal sob o guarda-chuva, esperava para atravessar a rua. Ele, com o braço entorno da cintura dela, tentando protegê-la dos pingos incessantes. Peguei minha caneca de chá, o dia estava frio, segurei com as duas mãos para esquentá-las um pouco. Comecei a divagar... 
Será que o amor está fadado ao final, ao fracasso ? Quantos casais vivem juntos por 50 anos ou mais ? Quantos enfrentam a vida a dois juntos ? Quantos tentam consertar ao invés de jogar fora ? 

Os relacionamentos hoje me parecem tão superficiais. Talvez pela correria, ou pela frieza que as feridas da vida tornam nosso coração. Ou pelos tombos que levamos e deixamos, com isso, a desconfiança toma nosso coração e pensamento. A superficialidade de uma transa e depois o adeus. Apenas para contar pontos com os amigos. Não há mais o namoro, o conhecer, o mistério de descobrir, aos poucos, o sabor do beijo, se o abraço será capaz de aconchegar o outro corpo e protegê-lo. Hoje, a velocidade chegou nos relacionamentos também. Onde o ter, é mais importante que o descobrir. Talvez por isso não dure... Primeiro a cama depois a gente vê como fica. Mas aí, você começa a descobrir que ele ou ela não gosta de Neruda, tem pavor de andar de mãos dadas e adora filmes de terror. Tudo o que você não quer para a sua vida, ao seu lado, está ali, bem na sua frente, e você já não acha mais graça nas piadas sobre banalidades, e você não sente mais falta quando ele ou ela não manda mais mensagem, e você começa achar aquele perfume doce demais. 
E o encanto começa a desaparecer, e os detalhes começam a incomodar, e você já não deixa pra lá como antes ou, simplesmente, não liga se ele ou ela não aparecer no final de semana com mais um filme da série Jogos Mortais. Pelo contrário, você respira com alívio. Já não se enfeita como antes, e coloca qualquer coisa só porque não pode andar sem roupa. 
E o tempo passa... e o distanciamento é tão inevitável que, quando se dá conta, não há mais ninguém em sua vida. E você não sabe onde errou, onde começou a dar errado. E hoje, sob a chuva, segura o guarda-chuva só. Sem um braço entorno do seu corpo, sem um sorriso quando seus olhares se cruzam e, estranhamente, você se sente bem, feliz. E tudo vai tomando novas cores, novos aromas. Retoma os contatos antes deixados de lado, os sonhos esquecidos. 
Acho que não é o amor que está fadado ao fracasso mas, sim, aquele sentimento que não agrega valor ao seu... tomo um gole de chá, sorrio sozinha. Abro meu Neruda: " Um homem só encontra a mulher ideal quando olhar no seu rosto e ver um anjo e, tendo-a nos braços, ter as tentações que só os demônios provocam..."

15 de jul. de 2015

Por Tudo



O dia estava cinza, chuvoso...
Eu havia me perdido de mim mesma inúmeras vezes
Eu havia perdido tudo, antes da última chance
Agora estava só
Tentei ser forte, tentei não chorar
Foi quando você apareceu
E você olhou para mim
De uma forma que ninguém jamais olhara antes
E você apareceu
Segurou minha mão
E não se foi após o nascer do sol
Eu olhei em seus olhos e me reconheci neles
Sem mover os lábios, você me prometeu nunca mais me deixar
Que nasceria ali algo que seria para sempre, além do além
E, pela primeira vez, eu não quis correr
Eu apenas apertei sua mão contra a minha
E pedi para que você ficasse
E você acenou
E sorriu com o olhar, tão terno...
E eu acreditei num futuro
E as sombras foram embora
Você foi o presente que eu tanto pedira
E eu sei, eu tenho certeza, ninguém irá nos separar
As sombras foram dissipadas
A dor se foi
Tudo porque você segurou a minha mão quando eu mais precisei
Tudo porque você aceitou ficar

... até a eternidade. 

30 de jun. de 2015

Em tempo de São João

Cresci vendo a fogueira ser montada, ser acesa e queimada, espetáculo que se repete todos os anos com a festa do Padroeiro do bairro São Pedro. Neste ano, será a 80ª. fogueira a ser acesa. Aproximadamente na década de 60, meu pai tinha um caminhão Chevrolet e o Sílvio Melo, filho do seu Romualdo, possuía outro.Os dois dirigiam até o Trabuco, onde meus avós tinham um sítio, havia uma equipe de voluntários que ia junto, para lá cortarem a lenha para a fogueira, eles saiam de casa bem cedinho, levavam comida e passavam o dia no mato trabalhando, tudo acontecia nos finais de semana. Meu avô, Estácio,  fez  a doação de lenha por muitos anos. No domingo, as crianças podiam assistir de longe o trabalho, que era extremamente árduo, porém, recompensador. Meu pai tinha um armazém e ainda trabalhava como marceneiro, sua profissão, entalhava móveis com muita perfeição o que o fez, por vinte e três anos. Na época da fogueira, ele às vezes, não podia estar  junto com a equipe, pois precisava ajudar a minha mãe, no armazém, então ele mandava a comida para todos que estavam trabalhando para erguer a fogueira. As varas de eucaliptos eram compradas, mas não eram varas eram troncos enormes, como deviam ser para sustentar tão grande " Colosso". Em certa ocasião, um senhor doou as varas, eram muitas e grossas também, como o tempo estava muito chuvoso as varas ficaram por alguns dias à beira da estrada , no meio do barro. Em um sábado de muito frio e com geada, conseguiram emprestar o trator do Seu Madureira ( gerente do banco INCO), foi colocado um reboque engatado no trator, as varas( muito grossas) estavam cobertas de gelo, o trabalho durou muitas horas e quando tudo estava pronto, o dono do trator chegou e recolheu-o, porque  ele só admitia que o seu motorista usasse a máquina. É claro que tudo foi desfeito, e meu tio ( Ihor Andrukiu) me contou que a fome era desesperadora, tiveram que arrumar um caminhão e carregar tudo de novo. Já era noite, pois no inverno, o sol vai dormir mais cedo, e todos da equipe sabiam que ainda tinham que descarregar no pátio da igreja, dizem que São Pedro é muito bom, pois quando chegaram, o motorista fez uma manobra rápida,mas no lugar certo, sem ninguém mais sobre o caminhão, aí, arrebentaram-se sozinhas todas as cordas e, num segundo todas as varas estavam no chão.Contaram que todos aplaudiram agradecendo a São Pedro.
A equipe era composta por seu Osni Meyer, Seu Friedrich, Sílvio Melo,Ihor-Ivo Andrukiu, Seu Valdemar( conhecido como Piratuba), Levanir Fagundes, Pedro Celestino,Adelmo Menegasso , Carlos Drosdoski, Seu Ângelo Shwab, e meu querido pai. Tentei não esquecer nomes.
foto da fogueira do bairro São Pedro.
A fogueira começava a ser erguida e quando já estava em uma altura que não dava para alcançar, era passado uma roldana e assim puxada a madeira para cima, ela era toda reforçada com muitos arames, hoje são cabos de aço.O guindaste do batalhão sempre dava uma ajuda, certa vez foi colocado no guindaste uma vara enorme, foi fechado o gancho e começou a subir, a vara era tão alta que se tombasse pegaria muitas casas. De repente, todos perceberam que o gancho abriu, a vara ficou suspensa, o soldado que manobrava não mexeu em nada,ficou paralisado e todos pediram a São Pedro aos brados para que os ajudassem, e quando a vara começou a balançar o gancho se fechou sozinho, agradeceram de joelhos, eu acredito em milagres, mas este eu não presenciei, porém houve muitas testemunhas, até o soldado que manobrava o guindaste ficou sem fala.
Nesta época, a fogueira ganhava altura e chegou a 60 metros, dizem que passou um pouco, foi notícia no Jornal Nacional e no Fantástico.
Ah! Agora vem a peça chave, como acender a fogueira tão alta, o seu Schwab ( meu pai sempre dizia que ele sabia fazer de tudo), hoje seria o Magayver, ele criou uma peça com dois fios elétricos que ia até o topo da fogueira colocava uma resistência rodeada de místico ( não é pólvora, seria como o pó do palito de fósforo) e estopa embebida em gasolina, embaixo uma mesa com um interruptor, que era acionado pelo convidado a acender a fogueira, assim ela era acesa.
As lembranças trazem saudades, hoje por medida de segurança ela fica entre 38 e 40 metros.
Era uma grande equipe e fazia sucesso, como nos dizia Murillo Cintra de Oliveira :-" O segredo de um grande sucesso está no trabalho de uma grande equipe".
A foto tirada à noite, no exato momento em que foi acesa.


21 de jun. de 2015

O mal necessário

Ontem constatei o que muitos já me falaram , filmes bons passam na madrugada, e foi o que aconteceu na madrugada de ontem. 
Assisti a um filme que nos mostra como seriam as pessoas e suas rotinas caso a mentira não existisse. Todas as personagens falam apenas a verdade, e muitas vezes, são sinceras até demais. Observando diálogos e atitudes, fiquei pensando até onde a verdade, a sinceridade faz bem às pessoas. Percebi o que a verdade causava às pessoas, digo que ela não faz tão bem assim... já me perguntei sobre a sinceridade, muitas vezes ela chega a magoar a pessoa a quem é dirigida. No filme, isso ficou explícito, quando um dos personagens, não aguentando mais as verdades ditas sobre a sua vida frustrada, comunica a um vizinho que tentará se matar até o fim do dia. É perceptível que, num primeiro momento, o vizinho cheio de problemas, não se importou muito com o que acabara de ouvir, mas por um momento, num click de consciência, ele mentiu. Disse àquele estranho que ele era muito importante sim. E o futuro daquele rapaz sem esperança foi reescrito. Quando a mentira vem para ajudar, vem para fazer o bem, vem para evitar um ato desesperado, ela vale a pena, e no filme foi feita a dosagem correta. A mentira, no filme não veio para denegrir, humilhar ou prejudicar alguém. Ela foi usada no momento certo, nem sempre a pessoa precisa ouvir a verdade, há situações que a omissão dessa verdade fará bem a ela. É preciso saber a dose, é preciso saber quando usar. Há pessoas que simplesmente não estão prontas para ouvir, ou não querem ouvir. Na maioria das vezes, sabemos qual a real situação em que nos encontramos e perguntamos algo justamente para ouvir o contrário, algo que maquie um pouco, para que nos sintamos melhores, menos desconfortáveis, para que, de uma forma estranha, a coragem apareça para enfrentarmos a vida. 
Sim, às vezes, mentir faz bem!

Segue um trecho do filme ( O primeiro mentiroso ): 


17 de mai. de 2015

Tempo, tempo

Hoje, visitei um armazém, bem no interior, também conhecido pelo nome de bodegão, bodega, lugar onde antigamente podíamos encontrar de tudo, desde o querosene até o fumo em corda. Lembro com muita saudade do armazém que meus pais tinham no bairro São Pedro. Quem precisasse corda para amarrar o gado, fumo em corda, banha solta, bacias de todos os tamanhos, baldes, doces e margarina para o pão que  vinham em latas grandes, ia até o armazém.No teto ficavam pendurados os baldes, as vassouras, linguiça, toucinho, eram muitos produtos. O cheiro de tudo era muito bom. Era muito sofrido trabalhar ali, mas eu trabalhava, filha mais velha é bem assim. Eu era magrinha, mas fazia todo o serviço que me era destinado. Como eu não alcançava a balança ( que era de colocar pesos em um prato e no outro o alimento ), meu pai colocava uma caixa de velas ( era de madeira ) para eu subir e conseguir pesar. Havia muita rigidez no trabalho. Eu, com meus poucos anos, já conhecia quais os alimentos que deveriam ser vendidos antes, como o feijão, fubá,banana e outros produtos.
Lembro que um dia precisei medir e cortar um metro de corda para um freguês, ninguém me ajudou, penso que meu pai queria me ver aprender e me arranjar sozinha e consegui. 
Aos sábados, eu aprontava quase todos os pedidos que deviam ser entregues em casa. Não havia mercado, nem condução para entregar as compras.
Meu pai tinha uma bicicleta daquelas que levavam carga na frente e atrás, era enorme, mas eu conseguia fazer todas as entregas.
Pela manhã, eu já deixava muitos alimentos prontos, pesados e marcados com um lápis de carpinteiro do meu pai.
Eu pesava muitos quilos de arroz, feijão, sal, trigo, fubá em pacotes de papel grosso e de cor marrom. Posso dizer que eu fui vanguardista, pois naquela época eu já fazia como hoje é nos mercados, bastava pegar o pacote pronto na prateleira. 
Ah! Nós tínhamos uma linda cadela da raça buldogue a qual meu pai fazia-me acompanhar. Sendo assim, eu podia deixar a bicicleta onde o acesso era ruim e ela tomava conta de tudo, até eu voltar com o dono das compras.
Voltando às minhas lembranças vi que, no interior ainda existe a cadernetinha para marcar o que se compra a prazo. Duas, uma para freguês e outra para o dono da bodega. 
Lembro com tristeza, a caixa de cadernetas que ficou na casa dos meus pais, cadernetas cujos donos compraram mas nunca pagaram. 


8 de mai. de 2015

Ser Mãe

Hoje, pela manhã, à espera na fila do banco, ouvi duas amigas que falavam sobre os filhos. Elas os enalteciam tanto que quase interrompi a conversa para falar a respeito dos meus filhos, os quais são maravilhosos. Percebi que não há mãe no Universo que não encontre todas as qualidades para descrever o seu rebento.
Pensei logo, no Dia das Mães, domingo dia 10 de maio. Falar ou escrever sobre elas é repetir frases lindas, feitas e portanto já conhecidas, pois filósofos da antiguidade já falavam sobre as mães.O que mais nos resta repetir?
Uma mãe só passa a existir no momento em que um filho nasce, pois antes era mulher, filha, esposa, mas não mãe. Li em algum lugar algo semelhante ao que escrevi.
São pelos filhos que nos tornamos mães.E tenho a certeza de que todas sofreram, sofrem e sofrerão pelos seus filhotes.Transformam-se em lobas para defender sua cria.
Mas as mães morrem...., não deviam pois são nosso esteio, nosso aconchego nas horas tristes. 
Já dizia Carlos Drummond de Andrade:- 
-Por que Deus permite que as mães vão-se embora?
Elas deveriam ser eternas, pois com elas não há nada de ruim que nos ameace e ela sem medir esforços retira forças do invisível para proteger a sua prole. Todas as mães sabem disso. Nossa Mãe é um presente caríssimo que Deus nos deu.
Percebi que é muito difícil falar sobre as mães, pois elas representam o tudo em nossas vidas e quando ela nos falta nos sentimos sem chão, sem orientação e sem amor, aquele amor incondicional .
Elas são nosso porto seguro em todas as etapas da nossa vida, seremos sempre crianças para ela. 
Já ouviram uma mãe dizer sobre uma filha, que já é casada e tem filhos também?
- Esta é minha menina mais velha.É assim que somos para as mães, crianças crescidas.
Eu ainda continuava na fila do banco e ouvia o quanto as mães falavam a respeito de seus filhos. Percebi que ali, elas estavam falando como todas as mães fariam, pois todas são iguais, só mudam de endereço.





26 de abr. de 2015

Ser Mulher

E ela nasceu mulher Com data e horário premeditados Concebida sob a luz do holofote vermelho Não conhecera seu pai Nem seus avós Tinha apenas o braço de sua mãe para aquecê-la nas noites frias de inverno Naquele pequeno casebre Dividindo espaço com ratazanas e incertezas E ela cresceu de um jeito desengonçado e estapafúrdio Seu físico não a permitiu muitos namorados Seu intelecto não lhe permitiu anos de estudo E pras ruas seguiu seu rumo Entre salto alto, blush e batom barato Cabelos desgrenhados e manchas de lápis sob os olhos E ela se fez mulher Entre travesseiros e lençóis Entre decepções e deleites imperfeitos E nunca mais se olhara no espelho E nunca reconhecera seu reflexo E nunca se amara E suas perspectivas foram se apagando... Junto aos tocos de cigarros arremessados ao mar E sua vida nunca pode ser vivida E a sombra do seu passado ainda estaria presente, Em cada lágrima, em cada olhar, em cada macha de batom em seus lábios.






O porta-retratos

  Foto do google     Era quase uma da manhã, lembro-me que estava inquieta naquela madrugada, talvez pelo vento, que fazia o galho bater...