28 de abr. de 2022

Medo da nossa finitude

 


 

O medo de pensar na velhice é o medo da nossa finitude é um fardo enorme para suportarmos. Envelhecer e morrer está entre os temas que mais nos assustam. Desviamos esses pensamentos, e nos distraímos com as alegrias e os desafios diários ou buscamos consolo nas igrejas. No entanto, ao fazer isso, nos privamos do nosso elixir da vida: quando encaramos a existência da morte e a certeza de que não somos eternos, valorizamos mais os dias e conseguimos aproveitar a vida em sua plenitude, vivendo realmente o presente.

Viver é envelhecer, nada mais. Assim pensava Simone de Beavoir.

 Viver apenas? Não, é preciso viver alimentando paixões pelo que nos faz bem, pelo que nos faz sorrir, gargalhar, cantar, dançar, amar a vida em sua plenitude. “Manter o olhar curioso e ter a liberdade de sermos nós mesmos – hoje e sempre – apesar das dores, desilusões ou dificuldades do caminho”.

A velhice nunca foi tão estudada, e o envelhecimento é vivido de maneira diferente entre homens e mulheres sem radicalizar. A maioria das pessoas tem medo da morte, medo da dor, e algumas não se sentem com coragem para enfrentar, as dores, as rugas, os hospitais, a tristeza. Assim como um dos maiores galãs do cinema internacional, Alain Delon. Dono de uma situação privilegiada. Teve um (AVC) em 2019. Recuperou-se bem, mas já decidiu que não quer mais viver, simples assim, não quer mais viver, não quer sentir dor, porque envelhecer é muito difícil para ele. Mora na Suíça onde a eutanásia é permitida. Ele disse que quer partir sem dor, sem qualquer sofrimento, simplesmente desligar-se da vida. Disse que já viveu muito e tem idade para deixar de viver. Escolheu pelo mais fácil. Será que a idade é um pré-requisito para morrer?

Às vezes, comentamos sobre o falecimento de uma pessoa. E a resposta é:

- Ah, mas ele já tinha idade para isso, viveu muito.

 Cora Coralina, que teve seu primeiro livro publicado com quase 76 anos – ela morreu com 96 –, e de uma frase que li e cuja autoria é remetida a ela: “O que vale na vida não é o ponto de partida, e sim a caminhada.”

Há muitos estudos sobre esses assuntos. “Existe um conceito para o temor extremo da morte: tanatofobia e gerontofobia é o nome da síndrome que define aversão ou medo patológico de pessoas idosas ou do processo de envelhecimento.”

Vivemos grande parte da nossa vida nos protegendo da ansiedade da morte o que nos rouba muito tempo, quando poderíamos viver com mais alegria.

Muitas pessoas procuram desesperadamente uma carreira de sucesso, que lhes proporcione fama duradoura; acumulam cada vez mais coisas para terem a sensação de permanência; o desejo de ter filhos como uma forma de deixar um legado; passam boa parte do tempo se ocupando com várias coisas. Tudo isso, de alguma forma, são estratégias para não lidar com a realidade de que um dia, mais cedo ou mais tarde, deixarão de existir. E o medo de envelhecer?

- Por que o ser humano tem medo de envelhecer?

 A nossa sociedade enxerga que a velhice está diretamente associada a doenças, perda de mobilidade, rugas na pele, e por isso, as pessoas têm receio de envelhecer. A grande valorização da juventude contribui para o preconceito contra a velhice, e a sociedade é a maior cobradora.

Os produtos de beleza estão cada dia mais diferenciados, prometendo grandes milagres, o desejo de um corpo sempre bonito, valores estéticos cobrados mais que os valores morais, assim desenvolve e dissemina mensagens em que a beleza externa nada mais é, do que um reflexo direto da existência de uma beleza interna correspondente, o que é negativo.

 “Você pode viver até os cem anos se você desistir de todas as coisas que fazem você querer viver até os cem.”  Woody Allen

Devemos trabalhar no sentido de estar de bem com a vida, com a nossa idade. Fazer coisas novas, conhecer novos lugares, novas pessoas, pois o novo nos rejuvenesce. “Não se deve viver temendo a morte, nem amar a vida de tal forma que seja uma tragédia sair dela”.

Todos sem dúvida querem prolongar a juventude, por isso, negam a morte, nossa cultura faz isso.

Podemos voltar e rever porque as mulheres pensam de maneira diferente.  Mostram uma velhice cheia de amor próprio. Estudos confirmam que as mulheres têm mais cuidados com a saúde, procuram estar sempre de bem com a vida, mais saudável, mais exercícios, os homens relutam mais quando o assunto é cuidar de si. Os grupos sociais auxiliam muito a vida das pessoas. É extremamente importante termos sempre por perto um amigo, uma amiga a quem recorrer.  Há homens e mulheres, portanto não vamos generalizar.

Estamos vivendo mais. Segundo Karpf: “Esses homens e mulheres passam a ser vistos como um fardo. E, pior, as pessoas não se enxergam como idosos, parece um futuro que não pertence a elas”. Como vamos lidar bem com o próprio envelhecimento se olhamos para isso com medo e sem admiração por quem já chegou a essa fase da vida? “O envelhecer é um processo que começa no nascimento, nunca cessa e sempre tem o potencial de enriquecer nossa vida”.

 

O medo de pensar na velhice é o medo da nossa finitude é um fardo enorme para suportarmos. Envelhecer e morrer está entre os temas que mais nos assustam. Desviamos esses pensamentos, e nos distraímos com as alegrias e os desafios diários ou buscamos consolo nas igrejas. No entanto, ao fazer isso, nos privamos do nosso elixir da vida: quando encaramos a existência da morte e a certeza de que não somos eternos, valorizamos mais os dias e conseguimos aproveitar a vida em sua plenitude, vivendo realmente o presente.

Viver é envelhecer, nada mais. Assim pensava Simone de Beavoir.

 Viver apenas? Não, é preciso viver alimentando paixões pelo que nos faz bem, pelo que nos faz sorrir, gargalhar, cantar, dançar, amar a vida em sua plenitude. “Manter o olhar curioso e ter a liberdade de sermos nós mesmos – hoje e sempre – apesar das dores, desilusões ou dificuldades do caminho”.

A velhice nunca foi tão estudada, e o envelhecimento é vivido de maneira diferente entre homens e mulheres sem radicalizar. A maioria das pessoas tem medo da morte, medo da dor, e algumas não se sentem com coragem para enfrentar, as dores, as rugas, os hospitais, a tristeza. Assim como um dos maiores galãs do cinema internacional, Alain Delon. Dono de uma situação privilegiada. Teve um (AVC) em 2019. Recuperou-se bem, mas já decidiu que não quer mais viver, simples assim, não quer mais viver, não quer sentir dor, porque envelhecer é muito difícil para ele. Mora na Suíça onde a eutanásia é permitida. Ele disse que quer partir sem dor, sem qualquer sofrimento, simplesmente desligar-se da vida. Disse que já viveu muito e tem idade para deixar de viver. Escolheu pelo mais fácil. Será que a idade é um pré-requisito para morrer?

Às vezes, comentamos sobre o falecimento de uma pessoa. E a resposta é:

- Ah, mas ele já tinha idade para isso, viveu muito.

 Cora Coralina, que teve seu primeiro livro publicado com quase 76 anos – ela morreu com 96 –, e de uma frase que li e cuja autoria é remetida a ela: “O que vale na vida não é o ponto de partida, e sim a caminhada.”

Há muitos estudos sobre esses assuntos. “Existe um conceito para o temor extremo da morte: tanatofobia e gerontofobia é o nome da síndrome que define aversão ou medo patológico de pessoas idosas ou do processo de envelhecimento.”

Vivemos grande parte da nossa vida nos protegendo da ansiedade da morte o que nos rouba muito tempo, quando poderíamos viver com mais alegria.

Muitas pessoas procuram desesperadamente uma carreira de sucesso, que lhes proporcione fama duradoura; acumulam cada vez mais coisas para terem a sensação de permanência; o desejo de ter filhos como uma forma de deixar um legado; passam boa parte do tempo se ocupando com várias coisas. Tudo isso, de alguma forma, são estratégias para não lidar com a realidade de que um dia, mais cedo ou mais tarde, deixarão de existir. E o medo de envelhecer?

- Por que o ser humano tem medo de envelhecer?

 A nossa sociedade enxerga que a velhice está diretamente associada a doenças, perda de mobilidade, rugas na pele, e por isso, as pessoas têm receio de envelhecer. A grande valorização da juventude contribui para o preconceito contra a velhice, e a sociedade é a maior cobradora.

Os produtos de beleza estão cada dia mais diferenciados, prometendo grandes milagres, o desejo de um corpo sempre bonito, valores estéticos cobrados mais que os valores morais, assim desenvolve e dissemina mensagens em que a beleza externa nada mais é, do que um reflexo direto da existência de uma beleza interna correspondente, o que é negativo.

 “Você pode viver até os cem anos se você desistir de todas as coisas que fazem você querer viver até os cem.”  Woody Allen

Devemos trabalhar no sentido de estar de bem com a vida, com a nossa idade. Fazer coisas novas, conhecer novos lugares, novas pessoas, pois o novo nos rejuvenesce. “Não se deve viver temendo a morte, nem amar a vida de tal forma que seja uma tragédia sair dela”.

Todos sem dúvida querem prolongar a juventude, por isso, negam a morte, nossa cultura faz isso.

Podemos voltar e rever porque as mulheres pensam de maneira diferente.  Mostram uma velhice cheia de amor próprio. Estudos confirmam que as mulheres têm mais cuidados com a saúde, procuram estar sempre de bem com a vida, mais saudável, mais exercícios, os homens relutam mais quando o assunto é cuidar de si. Os grupos sociais auxiliam muito a vida das pessoas. É extremamente importante termos sempre por perto um amigo, uma amiga a quem recorrer.  Há homens e mulheres, portanto não vamos generalizar.

Estamos vivendo mais. Segundo Karpf: “Esses homens e mulheres passam a ser vistos como um fardo. E, pior, as pessoas não se enxergam como idosos, parece um futuro que não pertence a elas”. Como vamos lidar bem com o próprio envelhecimento se olhamos para isso com medo e sem admiração por quem já chegou a essa fase da vida? “O envelhecer é um processo que começa no nascimento, nunca cessa e sempre tem o potencial de enriquecer nossa vida”.

9 comentários:

  1. É fatal que ou vamos envelhecer, ou ficamos pelo caminho, morremos antes disso. Não precisamos nos preocupar com a velhice, ela CHEGA sem convite e traz sua consequências e mostras, rs...
    Gostei de te ler! beijos, tudo de bom,chica

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  2. Boa noite de paz, querida amiga!
    Envelhecer já nascemos com o desafio incluído.
    Se amamos a vida, vamos querer viver muito , mas com qualidade de vida, para ser e fazer feliz aos amados do nosso 💙.
    Tenha um final de semana abençoado com paz!
    😘🕊️💙

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  3. Querida amiga Marli, pois é, tema que nos faz refletir, só nao envelhece quem morre cedo, então a vida tem de ser bem vivida o melhor possível, amo viver, cada dia ao seu dia, assim fica bem mais leve!
    Gostei de sua postagem, sempre com temas para repensar!
    Abraços apertados!

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  4. DEUS SALVE AS MÃES!
    Só mãe dá à luz de amor.
    Ser mãe é ser e ente
    À imagem ao Criador,
    Reproduz – semente.

    FELIZ DIA DAS MÃES! Laerte

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  5. muito bom teu texto sobre a morte e a finitude, algo tão natural e infelizmente não bem aceito por muitos. Teu texto fez pensar mesmo. Gostei do teu blog e te sigo. Te convido a conhecer o meu blog e me seguir, abraços ;) https://botecodasletras2.blogspot.com/

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  6. Querida Marli, e se eu lhe disser que esse seu texto sobre vida e morte, nossa finitude, foi um dos melhores que li até hoje? E como isso faz pensar, amiga!!! O problema maior não é morrer, mas como vamos morrer! E eu penso nisso de vez em quando, sim, principalmente quando acusa uma dorzinha desconhecida e que teima em aprofundar. Rugas, essas coisas não me preocupam, o problema é sentir dor, viver uma tragédia, um drama para morrer!
    Sim, desde que nascemos vamos morrendo, o envelhecimento é o processo. Mas não termina aí, vão acontecendo as coisas…
    Na minha coluna tem uma crônica que chama-se A VELHICE, um velhinho na foto. Ali escrevo sobre isso, também.
    Te confesso, amiga, eu não sou 100% tranquila a respeito disso. Vivo alegre, como é meu espírito, mas sei que um dia parto. E as pessoas geralmente dizem: ‘não pense nisso, viva bem, alegre!’ Sim, mas não mandamos em nossa mente, de vez em quando nos assaltam algumas dúvidas.
    Amiga querida, parabéns por abordar tão bem esse nosso fardo, rsss.
    Um beijinho, muita saúde!
    Saudades.

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  7. Marli Terezinha, creio
    Que a velhice é uma graça
    Divina. Feliz quem passa
    À velhice toda em meio
    À a juventude que veio
    Da sua reprodução:
    Filhos e netos que são
    Uma extensão da gente.
    É dádiva como um presente
    Digno à Celebração.

    Belíssimo texto, Marli! Parabéns! Abraço fraterno. Laerte.

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  8. Viver é envelhecer...
    Mas o pior é sofrer antes de morrer ou ser um fardo para os seus descendentes.
    Já li muitos textos sobre o tema, mas acho que este é o melhor de todos. Excelente, os meus parabéns pelo seu talento.
    Tenha uma boa semana, amiga Marli.
    Beijo.

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  9. Olá, Marli, um excelente trabalho sobre a nossa passagem por aqui. Temos momentos de alegria, felicidade, de alegria e de tristeza. Esse último sentimento pode estar relacionado com a finitude, mas como esta já está agendada, prefiro sempre de lembrar de pessoa com longevidade, como é o caso da professora Cleonice Berardinelli, carioca eleita em 2009 para a Academia Brasileira de Letras, quando contava com 93 anos de idade, hoje com 105 anos. Outro nome que destaco é o arquiteto Oscar Niemeyer que viveu 104 anos. Então, meus parabéns pelo belíssimo trabalho.
    Estamos contente por aqui, Taís e eu, pelo seu retorno ao blog.
    Uma boa semana, com saúde e paz.
    Um abraço.

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