9 de jul. de 2022
07 de julho, Dia Mundial do Chocolate
23 de jun. de 2022
Pinhão a semente da Araucária
28 de abr. de 2022
Medo da nossa finitude
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O medo de pensar
na velhice é o medo da nossa finitude é um fardo enorme para suportarmos. Envelhecer
e morrer está entre os temas que mais nos assustam. Desviamos esses
pensamentos, e nos distraímos com as alegrias e os desafios diários ou buscamos
consolo nas igrejas. No entanto, ao fazer isso, nos privamos do nosso elixir da
vida: quando encaramos a existência da morte e a certeza de que não somos
eternos, valorizamos mais os dias e conseguimos aproveitar a vida em sua plenitude,
vivendo realmente o presente.
Viver é
envelhecer, nada mais. Assim pensava Simone de Beavoir.
Viver apenas? Não, é preciso viver alimentando paixões pelo que nos faz bem, pelo que nos
faz sorrir, gargalhar, cantar, dançar, amar a vida em sua plenitude. “Manter o
olhar curioso e ter a liberdade de sermos nós mesmos – hoje e sempre – apesar
das dores, desilusões ou dificuldades do caminho”.
A velhice
nunca foi tão estudada, e o envelhecimento é vivido de maneira diferente entre
homens e mulheres sem radicalizar. A maioria das pessoas tem medo da morte,
medo da dor, e algumas não se sentem com coragem para enfrentar, as dores, as
rugas, os hospitais, a tristeza. Assim como um dos maiores galãs do cinema
internacional, Alain Delon. Dono de uma situação privilegiada. Teve um (AVC) em
2019. Recuperou-se bem, mas já decidiu que não quer mais viver, simples assim,
não quer mais viver, não quer sentir dor, porque envelhecer é muito difícil
para ele. Mora na Suíça onde a eutanásia é permitida. Ele disse que quer partir
sem dor, sem qualquer sofrimento, simplesmente desligar-se da vida. Disse que
já viveu muito e tem idade para deixar de viver. Escolheu pelo mais fácil. Será
que a idade é um pré-requisito para morrer?
Às vezes, comentamos
sobre o falecimento de uma pessoa. E a resposta é:
- Ah, mas
ele já tinha idade para isso, viveu muito.
Cora Coralina, que teve seu primeiro livro
publicado com quase 76 anos – ela morreu com 96 –, e de uma frase que li e cuja
autoria é remetida a ela: “O que vale na vida não é o ponto de partida, e sim a
caminhada.”
Há muitos
estudos sobre esses assuntos. “Existe um conceito para o temor extremo da
morte: tanatofobia e gerontofobia
é o nome da síndrome que define aversão ou medo patológico de pessoas idosas ou
do processo de envelhecimento.”
Vivemos
grande parte da nossa vida nos protegendo da ansiedade da morte o que nos rouba
muito tempo, quando poderíamos viver com mais alegria.
Muitas pessoas
procuram desesperadamente uma carreira de sucesso, que lhes proporcione fama
duradoura; acumulam cada vez mais coisas para terem a sensação de permanência; o
desejo de ter filhos como uma forma de deixar um legado; passam boa parte do
tempo se ocupando com várias coisas. Tudo isso, de alguma forma, são
estratégias para não lidar com a realidade de que um dia, mais cedo ou mais
tarde, deixarão de existir. E o medo de envelhecer?
- Por que o
ser humano tem medo de envelhecer?
A nossa sociedade enxerga que a velhice está
diretamente associada a doenças, perda de mobilidade, rugas na pele, e por
isso, as pessoas têm receio de envelhecer. A grande valorização da juventude
contribui para o preconceito contra a velhice, e a sociedade é a maior
cobradora.
Os produtos
de beleza estão cada dia mais diferenciados, prometendo grandes milagres, o
desejo de um corpo sempre bonito, valores estéticos cobrados mais que os
valores morais, assim desenvolve e dissemina mensagens em que a beleza externa
nada mais é, do que um reflexo direto da existência de uma beleza interna
correspondente, o que é negativo.
“Você pode viver até os cem anos se você
desistir de todas as coisas que fazem você querer viver até os cem.” Woody Allen
Devemos
trabalhar no sentido de estar de bem com a vida, com a nossa idade. Fazer
coisas novas, conhecer novos lugares, novas pessoas, pois o novo nos
rejuvenesce. “Não se deve viver temendo a morte, nem amar a vida de tal forma
que seja uma tragédia sair dela”.
Todos sem
dúvida querem prolongar a juventude, por isso, negam a morte, nossa cultura faz
isso.
Podemos
voltar e rever porque as mulheres pensam de maneira diferente. Mostram uma velhice cheia de amor próprio.
Estudos confirmam que as mulheres têm mais cuidados com a saúde, procuram estar
sempre de bem com a vida, mais saudável, mais exercícios, os homens relutam
mais quando o assunto é cuidar de si. Os grupos sociais auxiliam muito a vida
das pessoas. É extremamente importante termos sempre por perto um amigo, uma
amiga a quem recorrer. Há homens e
mulheres, portanto não vamos generalizar.
Estamos
vivendo mais. Segundo Karpf: “Esses homens e mulheres passam a ser vistos como
um fardo. E, pior, as pessoas não se enxergam como idosos, parece um futuro que
não pertence a elas”. Como vamos lidar bem com o próprio envelhecimento se
olhamos para isso com medo e sem admiração por quem já chegou a essa fase da
vida? “O envelhecer é um processo que começa no nascimento, nunca cessa e
sempre tem o potencial de enriquecer nossa vida”.
O medo de pensar
na velhice é o medo da nossa finitude é um fardo enorme para suportarmos. Envelhecer
e morrer está entre os temas que mais nos assustam. Desviamos esses
pensamentos, e nos distraímos com as alegrias e os desafios diários ou buscamos
consolo nas igrejas. No entanto, ao fazer isso, nos privamos do nosso elixir da
vida: quando encaramos a existência da morte e a certeza de que não somos
eternos, valorizamos mais os dias e conseguimos aproveitar a vida em sua plenitude,
vivendo realmente o presente.
Viver é
envelhecer, nada mais. Assim pensava Simone de Beavoir.
Viver apenas? Não, é preciso viver alimentando paixões pelo que nos faz bem, pelo que nos
faz sorrir, gargalhar, cantar, dançar, amar a vida em sua plenitude. “Manter o
olhar curioso e ter a liberdade de sermos nós mesmos – hoje e sempre – apesar
das dores, desilusões ou dificuldades do caminho”.
A velhice
nunca foi tão estudada, e o envelhecimento é vivido de maneira diferente entre
homens e mulheres sem radicalizar. A maioria das pessoas tem medo da morte,
medo da dor, e algumas não se sentem com coragem para enfrentar, as dores, as
rugas, os hospitais, a tristeza. Assim como um dos maiores galãs do cinema
internacional, Alain Delon. Dono de uma situação privilegiada. Teve um (AVC) em
2019. Recuperou-se bem, mas já decidiu que não quer mais viver, simples assim,
não quer mais viver, não quer sentir dor, porque envelhecer é muito difícil
para ele. Mora na Suíça onde a eutanásia é permitida. Ele disse que quer partir
sem dor, sem qualquer sofrimento, simplesmente desligar-se da vida. Disse que
já viveu muito e tem idade para deixar de viver. Escolheu pelo mais fácil. Será
que a idade é um pré-requisito para morrer?
Às vezes, comentamos
sobre o falecimento de uma pessoa. E a resposta é:
- Ah, mas
ele já tinha idade para isso, viveu muito.
Cora Coralina, que teve seu primeiro livro
publicado com quase 76 anos – ela morreu com 96 –, e de uma frase que li e cuja
autoria é remetida a ela: “O que vale na vida não é o ponto de partida, e sim a
caminhada.”
Há muitos
estudos sobre esses assuntos. “Existe um conceito para o temor extremo da
morte: tanatofobia e gerontofobia
é o nome da síndrome que define aversão ou medo patológico de pessoas idosas ou
do processo de envelhecimento.”
Vivemos
grande parte da nossa vida nos protegendo da ansiedade da morte o que nos rouba
muito tempo, quando poderíamos viver com mais alegria.
Muitas pessoas
procuram desesperadamente uma carreira de sucesso, que lhes proporcione fama
duradoura; acumulam cada vez mais coisas para terem a sensação de permanência; o
desejo de ter filhos como uma forma de deixar um legado; passam boa parte do
tempo se ocupando com várias coisas. Tudo isso, de alguma forma, são
estratégias para não lidar com a realidade de que um dia, mais cedo ou mais
tarde, deixarão de existir. E o medo de envelhecer?
- Por que o
ser humano tem medo de envelhecer?
A nossa sociedade enxerga que a velhice está
diretamente associada a doenças, perda de mobilidade, rugas na pele, e por
isso, as pessoas têm receio de envelhecer. A grande valorização da juventude
contribui para o preconceito contra a velhice, e a sociedade é a maior
cobradora.
Os produtos
de beleza estão cada dia mais diferenciados, prometendo grandes milagres, o
desejo de um corpo sempre bonito, valores estéticos cobrados mais que os
valores morais, assim desenvolve e dissemina mensagens em que a beleza externa
nada mais é, do que um reflexo direto da existência de uma beleza interna
correspondente, o que é negativo.
“Você pode viver até os cem anos se você
desistir de todas as coisas que fazem você querer viver até os cem.” Woody Allen
Devemos
trabalhar no sentido de estar de bem com a vida, com a nossa idade. Fazer
coisas novas, conhecer novos lugares, novas pessoas, pois o novo nos
rejuvenesce. “Não se deve viver temendo a morte, nem amar a vida de tal forma
que seja uma tragédia sair dela”.
Todos sem
dúvida querem prolongar a juventude, por isso, negam a morte, nossa cultura faz
isso.
Podemos
voltar e rever porque as mulheres pensam de maneira diferente. Mostram uma velhice cheia de amor próprio.
Estudos confirmam que as mulheres têm mais cuidados com a saúde, procuram estar
sempre de bem com a vida, mais saudável, mais exercícios, os homens relutam
mais quando o assunto é cuidar de si. Os grupos sociais auxiliam muito a vida
das pessoas. É extremamente importante termos sempre por perto um amigo, uma
amiga a quem recorrer. Há homens e
mulheres, portanto não vamos generalizar.
Estamos
vivendo mais. Segundo Karpf: “Esses homens e mulheres passam a ser vistos como
um fardo. E, pior, as pessoas não se enxergam como idosos, parece um futuro que
não pertence a elas”. Como vamos lidar bem com o próprio envelhecimento se
olhamos para isso com medo e sem admiração por quem já chegou a essa fase da
vida? “O envelhecer é um processo que começa no nascimento, nunca cessa e
sempre tem o potencial de enriquecer nossa vida”.
31 de mar. de 2022
Leite sem o olhar da vaca
Estava ouvindo uma contadora de histórias, que havia se
voluntariado para atender um grupo pequeno de crianças. Eu por conhecê-las
resolvi ficar no fundo da sala. E a professora estava contando histórias sobre
as diferenças de viver no campo/ roça e na cidade. Começou perguntando se
alguém já havia vivido no campo, dando sequência, perguntou às crianças quem já
havia tomado leite quentinho tirado da vaca. Fez uma introdução relatando como
ela mesma esperava com uma canequinha esmaltada, junto ao vovô, que tirava o
leite. Continuou falando que era muito bom, pois o vovô deixava até uma
espuminha sobre o leite. Era delicioso sentir aquele aroma e sabor frescos, bem
branquinho, era inexplicável. Percebeu que nenhuma criança havia se
manifestado, e estavam com os olhinhos arregalados. Intrigada, ela repetiu a
pergunta. E nada. De repente, ouvimos uma vozinha sumida dizendo:- eu nunca
tomei leite de vaca, só de caixinha, que meu pai compra no mercado. Então as
crianças foram criando coragem e falando:- eu também não, eu também não. Uma
delas completou; na minha casa nem tem vaca, mas tomamos leite sempre, vem na
caixinha ou no pacote. Quieta, porém surpresa percebi que aquelas crianças não
sabiam que o leite vinha da vaca. E que ela não dá leite, pois precisa ser
tirado. Houve um silêncio enorme, e, enquanto a professora dava uma aula sobre
o assunto desconhecido pela maioria das crianças, eu viajei nas minhas
reminiscências da infância. Quando meu avô ordenhava as vacas, era um tempo
bom, esperava para tomar o leite quentinho, meus primos quando iam visitar o
vovô, também aproveitavam o momento maravilhoso, e cada um de nós possuía a sua
canequinha esmaltada, algumas até com o esmalte machucado. Hoje a situação é
diferente. Penso que não há mais esta condição gostosa de tomar leite tirado na
hora. Meu avô, recebia a ajuda de um moço para o trabalho que fazia. Vovô
precisava levantar todos os dias pelas quatro e meia da madrugada, para separar
o bezerro da vaca, pois se os deixasse juntos ele acabaria mamando todo o
leite. Este ritual acontecia sempre, mesmo aos domingos e feriados. É claro que
era reservado o leite para o filhote.
Interessante contar que na hora de tirar o leite, o que era
feito todos os dias, meu avô amarrava as patas traseiras da vaca, para que ela
ficasse bem quietinha, e não desse um coice nele enquanto a ordenhava, fato
curioso na época, e que mexia comigo era que o bezerro ficava amarrado perto da
mãe, um lugar onde ela pudesse vê-lo, porque assim ela soltava o leite,
pensando que era para o filho, mas na verdade ia para o balde. Às vezes, o
bezerro não queria sair, ficava deitado tranquilo, longe da mãe, o que
dificultava que ela soltasse o precioso líquido. Mas logo tudo se ajeitava e o
leite descia.
Meu avô morava próximo de outros leiteiros, e logo um
deles, mas abastado adquiriu ordenhas mecânicas. Fomos convidados para conhecer
a tal máquina que tirava o leite sozinha. Era meio assustador, mas a
modernidade é assim. O vizinho de vovô estava muito feliz, pois tudo ficou mais
fácil. E o dinheiro veio mais rápido.
Lembrei do Lima Duarte que falou: E o olhar da vaca? E o amor da vaca ao soltar o leite? Perdeu-se
com nosso modo de viver. Bebemos o leite sem o amor da vaca.
Nem precisam do bezerro, aplicam hormônio natural, e ela
libera o leite. Sabemos que ainda existem muitos leiteiros que fazem a ordenha
manual, não é proibido, mas não haverá mais adultos, que tenham uma história
linda da canequinha com leite cheio de espuma, tirado na hora. Porém, ainda
existe o “camargo”, a origem deste nome falaremos em outra oportunidade.
Os gaúchos da Serra, certamente, já ouviram falar sobre a
bebida deliciosa chamada camargo. O assunto sempre volta quando os dias frios
chegam. Ele é a combinação do café quente com o leite tirado direto da vaca. O
resultado é uma bebida forte e saborosa, que pode não agradar a todos os
gostos, mas que, segundo os adeptos da tradição, garante um calorzinho nas
manhãs congelantes do inverno. “Uma das principais características da bebida é
ser preparada e consumida logo de manhã cedo, na primeira ordenha do dia. Faz
bastante sentido: o trabalho no campo exige uma opção rápida e que forneça
energia.”
Com certeza sem a canequinha esmaltada e sem o olhar da
vaca.
17 de mar. de 2022
Jornalista Lulu Augusto
Queridos amigos, estou voltando depois de uma longa ausência. O motivo foi tratamento de saúde, ainda estou em recuperação de uma cirurgia, mas me sentindo bem para visitar seus espaços. Gratidão a todos!
Minha crônica é uma homenagem a amiga jornalista, que fundou o Jornal Caiçara em União da Vitória, e batalhou muito por ele.
Escrever
sobre pessoas é uma tarefa extremamente difícil, principalmente se ela veio
para fazer a diferença no mundo e fez, entregando algo a mais do que lhe foi
pedido, realizou mais do que deveria, e surpreendeu a todos com seu exemplo de
missão. Minha homenagem é para esta grande mulher, Maria da Luz Augusto, a
nossa querida Lulu, mulher que não vivia em sua zona de conforto, pois sua
batalha era maior para que ficasse sem ação, vivendo despreocupadamente.
Tarefa árdua
escrever sobre tão importante mulher, mas gratificante pelas vitórias de lutas
travadas pelo bem e pela justiça.
Interessante
lembrar o que Clarice Lispector disse sobre a mulher.
O destino de
uma mulher é ser mulher. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de
mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. Quando eu
ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.
E Lulu era uma representante da mulher. Mulher
que o tempo ensinou. Ensinou a amar a vida e jamais desistir de uma luta, se
preciso fosse recomeçava na derrota, e seguia em frente para sentir o sabor da
vitória. Lulu aprendeu a viver em tempos rudes. Conviveu com muitas
contradições, viveu-as como lições de vida e as usou como muita sapiência.
Sofreu por
ser mulher em um tempo em que tudo era em favor do homem, e ela viveu à frente
de seu tempo, uma vanguardista.
Lulu possuía
uma enorme parcela consciente e combativa, ideias de justiça. Foi pioneira
desbravando arduamente caminhos da cultura, do teatro, da novela, do
jornalismo, da poesia. Para ela não existia a palavra impossível. Era sinônimo
de esforço e determinação.
Sempre tive
grande admiração por ela, seus conhecimentos iam além em vários assuntos.
Frequentemente eu a visitava para degustarmos um saboroso cafezinho, o qual era
regado com boas conversas sobre seus poemas, seus desenhos e suas pinturas,
gostávamos de falar sobre seus projetos, suas dificuldades em realizar certas
coisas, que eram de grande importância para a população de nossas cidades. Por
ser mulher, solteira, batalhadora, guerreira sentia o ciúme de certas
“mulheres”. Infelizmente, hoje ainda existem mulheres que se abalam com o
sucesso da outra. O que deveria ser motivo de união, inspiração e garra para que
com sua força auxiliar a companheira quando fosse necessário. Lulu não se
abalava com essas pequenezes, e sempre dizia: na boca das recalcadas sinto-me
poderosa, e era. Lulu nunca foi princesa, pois trocou a coroa por uma couraça.
Quando eu a questionava sobre tantas dificuldades para realização de certas
situações ela respondia:- construí uma couraça a minha volta, nada me derruba.
E quando tentam me derrubar, me equilibro para cair em pé, jamais vou sucumbir
perante nenhuma limitação. Ela era assim, forte e cabeça erguida, passou por
grandes tribulações, sempre pela justiça. A história de vida desta grande
mulher é às vezes, intrigante, vale a pena saber tudo. Um fato muito chocante
foi quando ela escreveu a novela “O crime do Iguaçu”, ocorrido em uma zona de
meretrício, episódio real, que envolveu presumidamente pessoas influentes das
cidades. Lulu em cada capítulo colocava um pouco da verdade, ocorrida na
ocasião em que a menina Zilda foi morta. No último capítulo, tudo mudou, e ela
foi ameaçada e proibida de colocar a novela no ar, estavam prontos para
prendê-la.
Porém, algo
extraordinário aconteceu, muitas meretrizes se uniram em torno da rádio onde
estava sendo transmitida a novela, e não deixaram que a prendessem. Foi um
marco nessa história, porém o último capítulo foi proibido de ir ao ar. E assim,
era a nossa valorosa Lulu, abriu muitos caminhos para o reconhecimento de sua
capacidade. Foi protagonista na execução de todos os seus projetos e sempre
foram e continuarão sendo garantias da construção de uma sociedade justa,
fraterna e igualitária.
Primava
sempre “Pela liberdade de expressão, por uma sociedade menos desigual e em repúdio
a intolerância e ao preconceito”.
Todas as
histórias da Lulu, foram consagradas e são dignas de conhecimento geral.
Interessante frisar que nossa jornalista possuía uma certa semelhança com
Virgínia Woolf como podemos observar neste texto.
“Tranque as
suas bibliotecas se quiser; mas não há nenhuma porta, nenhum cadeado, nenhum
ferrolho que você pode colocar sobre a liberdade da minha mente”.
Lulu Augusto merece todas as homenagens a ela destinadas.
29 de out. de 2021
Quantas pessoas ainda vivem assim
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| Imagem do google |
À tardinha
de um dia com muito sol, resolvi fazer uma caminhada, pois a pandemia me deixou
quieta em casa, por muito tempo.
Agora, como
tudo parece estar mais calmo decidi que devia voltar a caminhar.
Gosto desta
atividade, pois me dá muita liberdade para admirar toda a beleza da natureza.
Percebi que sentados na grama havia uma família bem unida literalmente, estavam
dividindo alimentos. O pai cortava em quatro pedaços o pequeno pão que tinha em
suas mãos. Chocou-me muitíssimo aquela cena, prestei mais atenção. Depositada
na grama estavam uma bolsa de lona suja e um cão, o qual também ganhou um
bocadinho de pão. Após todos comerem, o pai retirou da sacola quatro bananas
bem maduras, cada um ganhou a sua, o cão ganhou um pedaço de biscoito. Era a
sobremesa e, havia mais, todos ganharam um pouco de refrigerante, que deveria
estar quente devido ao calor, no mesmo copo descartável cada um tomou o
suficiente. Ah, o cão tinha uma latinha com água, que foi tirada de uma garrafa
pet.
E todos
estavam surpreendentemente felizes.
Parei para
conversar com eles, lindos e unidos. Quis saber a sua história. O nome do
marido era Altamiro, ele então me contou que trabalhava cuidando de cinco
grandes jardins, e sua esposa dona Neide trabalhava como diarista em quatro
casas, das quais ele cuidava dos jardins. Contou-me que ganhavam razoavelmente
bem. Continuou falando, mas muito emocionado, nossos dois filhos estavam na
escolinha. Tudo ia muito bem até a chegada da pandemia. Meus patrões me
dispensaram, pois, a época era de muitas mortes, minha esposa também teve que
parar com seu trabalho, nossos filhos ficaram em casa. Tínhamos uma casa,
alugada, mas confortável, a esperança era de que tudo logo ficasse bem. Tínhamos
dinheiro para um bom tempo sem passarmos necessidades, porém o tempo foi maior,
que o esperado, e hoje estamos sofrendo as consequências da pandemia.
A dona da
casa, na qual morávamos nos determinou um tempo para que a desocupássemos.
Parecia um pesadelo, os poucos parentes tentaram nos acolher, mas não tinham
condições. Sabe, moça tenho até vergonha de falar tudo que passamos para
sobreviver, só não roubamos.
Pedíamos
comida, falávamos a verdade. Caso nos dessem um serviço, ficaríamos contentes
em fazê-lo por um prato de comida.
No início
até as contribuições eram generosas, mas aos poucos cada um se fechou no seu
mundo. Hoje só isso que conseguimos para comer. Tenho vergonha por ser um homem
forte e não ter serviço para mim. Já fiz um pouco de tudo, mas sempre é por
pouco tempo. Percebi que tinham algumas roupas e, até mesmo um pedaço de
colchão. Ele explicou que sempre procuram um lugar seguro para dormirem, o cão
estava sempre atento.
Contou-me
que um senhor lhe arrumou um serviço para ele limpar seu jardim, mas só para o
final de semana seguinte, após passarem as chuvas. Minha mente estava confusa,
um turbilhão de pensamentos me deixava sem saber o que fazer.
Como ajudar?
E quantas
pessoas estão vivendo nestas condições?
No momento
em que estávamos conversando, um casal se aproximou, notei que já se conheciam.
A mulher
começou a falar.
Altamiro,
nosso vizinho tem um barracão em ótimo estado, arrumamos tudo, e o deixamos em
condições de vocês morarem por um tempo lá.
Muitos amigos
nos ajudaram, ganhamos um fogão, instalamos uma pequena cozinha, tem um
banheiro, que fazia parte do local, improvisamos quartos e camas para vocês. O
chuveiro foi instalado há pouco. Uma loja local doou algumas roupas. O material
de higiene foi doado por uma drogaria, para o momento vocês têm o que precisam
para ter uma vida um pouco melhor, que às ruas. Percebi que as lágrimas
escorriam em todos os rostos, eu que já estava crente de que nada mudaria com a
pandemia, que a empatia tão citada não era real, porém eu estava registrando
com meus olhos a bondade de um grupo de pessoas ajudando seu próximo.
O casal
encaminhou a família para o carro, mas antes seu Altamiro fez questão de se
despedir de mim e me agradecer. Não sei o porquê do agradecimento, mas fiquei
feliz por eles.
Sabemos que
muitas famílias ainda passam por esta amarga situação. Muito triste.
Queridos amigos, justifico aqui a minha ausência. Fiz um procedimento cirúrgico no olho esquerdo, só agora estou aos poucos voltando a escrever. Saudades de todos.
26 de set. de 2021
Vamo falar de "Good Girls"
Enquanto a chuva cai lá fora e respinga na janela da sala, mexo minha colher de chá lentamente, misturando o líquido ao açúcar, enquanto penso se todo o vício é maléfico. Serei mais específica, vício em artes é maléfico? Como vício em séries e filmes? Talvez quando você exclui a sua vida social por eles, sim. E a desculpa sempre aparece no mesmo tom: “mas está tão boa, só mais este pedaço e desligo”. E, quando percebemos, entramos de madrugada com os olhos e ouvidos vidrados na telinha. Não me considero uma viciada em séries ou filmes, (ainda), mas confesso que já maratonei algumas vezes. A última, que não faz muito tempo, foi com a série” Good Girls”. Série que você acha que não vai dar em nada, que é mais um amontoado de besteiras, porém se surpreende quando se vê torcendo por este ou aquele personagem. Costumo dizer que no episódio dois já me considero da família, e tenho os meus afetos e desafetos. Mas voltando à série, “Good Girls” foi uma grata surpresa, que tem seus encantos, sim. Talvez tenha dado certo pela química entre as personagens principais, ou pelos estresses nos bastidores (revelados nas redes sociais). A questão é que, mesmo sem continuação (já declarada pela Netflix), ela vale as horas assistidas. A história, nada muito surpreendente, narra a vida de três pacatas donas de casa que bolam um roubo ao supermercado local para sair do sufoco da vida, a falta de dinheiro e conquistar a independência. Puritanismo à parte, você se pega torcendo por elas, seja pela simpatia, seja pelo espelho. E daquele pequeno roubo a um mercado local, a teia vai apenas emaranhando ainda mais a vida daquelas três mulheres, algo que elas nunca puderam imaginar. E como toda e boa série que, para nos prender não pode manter o foco apenas em um fato, para não se tornar monótona, ela desenrola vários relacionamentos: marido e mulher, pais e filhos, amigos. Levanta várias questões, nos faz refletir e, algumas vezes, um leve nó na garganta surge. Lembro que comecei assistindo meio sem querer, o botão do controle subindo e descendo várias vezes, nada que fizesse meus olhos pararem. Interrompi a procura e fui à cozinha buscar algo para comer, e levar embora meu tédio, mas quando voltei, na tela passava a propaganda da série, e foi ali que ela me ganhou. “Good Girls” é uma série despretensiosa, foge do glamour hollywoodiano, até mesmo pelos atores que interpretam os papéis principais e secundários, o que é muito bom, por sinal, abre o nosso leque de opções de atores, e nos faz conhecer o que antes era desconhecido ou pouco valorizado (até por questões de cachês) nos grandes filmes. E, sim, mesmo tendo apenas quatro temporadas e um final sem pé nem cabeça (na certeza de que eles queriam continuar), vale muito à pena, e não apenas para um sábado à tarde para quem não tem nada para fazer. Olhando atentamente e prestando atenção, dá para tirar um bom proveito da série, “Good Girls”. Fica o gostinho da curiosidade.
27 de ago. de 2021
O mais doce perfume
14 de jul. de 2021
Origem da palavra OK
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| Imagem Google |
Conhecemos várias palavras que devido ao seu uso foram
incorporadas no idioma formal.
Algumas palavras em inglês que o brasileiro adotou no dia a
dia:
Air bag, Baby doll,
Backup, Bad boy, Bike, Blazer, Botox, Check-in, Chip, Coffee break, Crush,
Delivery, Design,
Diesel, Download, Drinks, Drive-thru, Email/e-mail, Facebook,
Fake, Fashion, Gospel, Hamburger, Hobby, Email/e-mail.
A palavra E-mail surgiu
junto com o início da internet, e hoje em dia é até estranho usar a expressão
“correio eletrônico”. No entanto, há um termo talvez mais expressivo, que é
a palavra OK “mais falada e escrita do planeta”,
parecia ser apenas mais uma piada. Foi usada como uma brincadeira a expressão
“O.k.”, "OK" (ou "okay") que designava “tudo certo” e que
se propagou a ponto de ser reconhecida hoje em qualquer parte do mundo. Ok é
uma expressão de origem desconhecida e etimologia bastante discutida. Apareceu
pela primeira vez no dia 23 de março de 1839 no jornal "Boston Morning Post",
cuja autoria é atribuída ao seu editor Charles Gordon Greene. São muitos e
muitos anos de uso deste vocábulo. Mesmo sendo o americanismo mais usado no
mundo, sua origem é confusa.
A trajetória e a origem são objeto de um estudo publicado
nos Estados Unidos, Allan Metcalf, um linguista e autor do livro “OK”, disse
que é a palavra mais espetacular da língua inglesa, e é difícil explicar por
que faz tanto sucesso, sua obra com o título O.K. foi lançada no ano de 2010. O
linguista descreve nada mais, nada menos que 18 versões diferentes sobre a
origem da expressão – que hoje ainda ganha um neologismo bem popular nas redes
sociais no Brasil: “talquei?”.
Essa história do termo, reforçada pelo livro de Metcalf, já
foi comprovada por diversos estudos nos Estados Unidos. Mesmo assim, ao longo
dos mais de 180 anos em que O.k. é usada, não faltaram pesquisas a divulgar
versões alternativas para o surgimento da palavra. “A história é tão simples
que às vezes, parece insultar nossa inteligência. Faz com que precisemos de
algo mais interessante, mesmo que não seja verdadeiro”, justifica o linguista.
Metcalf apresenta as 18 versões desse termo, não apenas nos
Estados Unidos, mas em outros idiomas também. Falou sobre a sua surpresa de uma
que dizia que O.K. era uma variação de “okeh”, termo indígena usado pela tribo
choctaw como “está certo”, no final das frases. Versão que enganou muitos
professores de renome.
Na escrita é OK, ou
okay e, informalmente, fala-se também okey-dokey ou okey-doke. A palavra pode
ser usada também como verbo regular, significando “aprovar”, “endossar”.
O termo mundialmente conhecido, surgiu no século XVIII, na
campanha para a reeleição do Presidente Martin Van Buren (1782-1862), nos
Estados Unidos. O apelido dele era Old Kinderhook, em 1840, as iniciais O.K. se
popularizaram como lema de sua campanha para indicar que, com Old Kinderhook
como presidente, tudo estaria ótimo. De forma humorística, também se dizia que
OK era sigla para “orl korrect” – all correct -, ou seja, “tudo correto”.
Outra versão, a expressão A-OK, significando “excelente”,
que vem da era espacial. Foi usada pela primeira vez na década de 1960 pela
NASA, nos Estados Unidos, para indicar que todos os sistemas estavam em
perfeitas condições – All systems OK (abreviada para A-OK). Há várias
definições para O.K. Muitos afirmam que a palavra O.K. é de origem alemã,
outros, que é africana, outros, de origem grega. Muitos historiadores argumentam
que a expressão pode ter
surgido durante a Guerra Civil dos Estados Unidos. Quando
não havia baixa nos campos de batalha anotava-se "0 killed" (nenhum
morto), corresponde a 0K. Sinal que se assemelha um "O" formado com
os dedos polegar e indicador se encostando nas pontas em forma de círculo, e
supostamente formando um "K" com os demais dedos levantados.
Apesar de tantas etimologias existentes sobre o surgimento desse termo, passados 180 anos, vários estudiosos confirmam a origem da palavra, no jornal de Boston.
Um século depois, com a chegada da informática, a sentença transformou-se em comando no computador o que a fez ganhar prestígio e força cada vez mais.
22 de jun. de 2021
Lamartine Babo e Dr. Voronoff
Sempre me causou curiosidade a letra da música de Lamartine Babo, principalmente estes versos:
"Seu" Voronoff...
"Seu" Voronoff...
Numa grande operação
Faz da tripa o coração.”
Para entendê-los precisamos saber de onde saíram tais versos, e o porquê de alguns compositores usarem o Dr. Voronoff como inspiração.
Serge Voronoff foi fisiologista e cirurgião francês de origem russa e ganhou fama por sua técnica de enxerto de tecido testicular de macaco nos testículos de homens para fins supostamente terapêuticos, enquanto trabalhava na França nas décadas de 1920 e 1930.
Mundialmente famoso como um expert em cirurgias de enxertos e pelas séries de experimentos glandulares para melhoria de raças de ovinos e equinos.
Foi um dos primeiros cientistas a acreditar na relação entre atividade hormonal e o envelhecimento. Pesquisou sobre atividades sexuais no homem e melhoria no desenvolvimento mental em crianças por transplantes de glândulas de macacos.
Morou no Cairo (1896-1910) quando observou que os eunucos eram obesos, sem pelos, pélvis alargadas, músculos flácidos com movimentos letárgicos, então concluiu que a falta dos testículos envelhecia e que sua presença rejuvenescia.
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o Doutor Voronoff trabalhou atendendo soldados franceses feridos. Várias averiguações e pesquisas nessas ocasiões, mostraram que Voronoff fez transplantes de ossos em soldados servindo-se de material procedente de combatentes, que tiveram seus membros amputados durante as batalhas e, que, Voronoff transplantou um osso de chimpanzé em um soldado ferido em 1915 , que essa cirurgia lhe deu a ideia de transplantar o testículo de um macaco em um homem.
Segundo ele (1928), o xenotransplante glandular permitiria uma produção constante de hormônio e que não haveria a necessidade do uso frequente de injeções. Houve numerosos fracassos, mas nada o desestimulou de prosseguir e seu crédito aumentou em toda a Europa
Afirmava ainda que o enxerto da glândula tireoide de macaco dava resultados superiores aos daqueles enxertos, em que eram utilizadas glândulas humanas, porém a sustentação para o transporte desses órgãos ou mesmo hospitais e profissionais especializados continuavam na esperança futurística. Voronoff confiava que em pouco tempo, os avanços da mentalidade e das leis alcançariam a evolução da ciência. E, que as pessoas deveriam entender que poderiam servir a humanidade mesmo depois de mortas.
“Para ele, a doação de um enxerto qualquer por um prisioneiro prestes a ser executado, por exemplo, poderia transmitir ao paciente características perversas do doador. “O macaco, por ser semelhante ao homem e com ele aparentado pela escala evolutiva, por ter um corpo forte e boa qualidade de órgãos e saúde, deveria ser o animal utilizado na melhoria dos seres humanos”, assegurava Voronoff, segundo os historiadores, que também dizia fazer uma seleção prévia baseada em um minucioso estudo sanguíneo de doador e hospedeiro, sem revelar detalhes.”
O excêntrico cirurgião operou 40 homens (engenheiros, intelectuais, arquitetos, advogados, professores universitários, um pintor, em suas clínicas particulares. E mesmo com a maior parte das operações tendo resultado em fracassos, o entusiasmo do cientista não diminuía, nem o número de seus admiradores. No final da década de 40, mais de 45 cirurgiões aderiram às técnicas de Voronoff e cerca de dois mil xenotransplantes foram realizados entre primatas e indivíduos em vários países, como Estados Unidos, Itália, Chile e Índia.
Em 1928, o médico Serge Voronoff veio ao Brasil para divulgar nas Jornadas Médicas seus curiosos xenoimplantes glandulares. Para os idosos, a novidade representava esperanças de rejuvenescimento. Já entre jovens gerou zombarias e piadas, além de marchinhas de carnaval.
Seu Voronoff
Composição de João Rossi/Lamartine Babo
Toda gente agora pode
Ser bem forte, ser um "taco"
Ser bem ágil como um bode
E ter alma de Macaco.
A velhice na cidade
Canta em coro a nova estrofe,
E já sente a mocidade
Que lhe trouxe o Voronoff
"Seu" Voronoff...
"Seu" Voronoff...
Numa grande operação
Faz da tripa o coração
Operado foi na "pança"
Um velhote com "chiquê"
Ele vai virar criança
Das cartilhas do A.B.C
Um sujeito que se operou
Voronoff desculpou-se
Logo, após, sentiu-se mal.
Voronoff desculpou-se
.. que houve troca de animal
Noel Rosa o cita em versos da canção “Minha viola”.
“Eu tive um sogro cansado dos rega-bofe, que procurou o Voronoff, doutô muito creditado, e andam dizendo que o enxerto foi de gato, pois ele pula de quatro miando pelos telhados...”
Cantou Noel Rosa em alusão ao polêmico médico russo.
Dr.Veronoff morreu rico, mas sem reconhecimento.
O porta-retratos
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