16 de abr de 2019

Nostalgia e a saudade

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      Nostalgia termo muito usado,mas que muitas vezes lhe damos outro valor descreve muito bem o sentimento de saudade,ligado a um grande desejo de voltar àquele passado,impulsionado por lembranças de momentos felizes e, ou antigos relacionamentos. Associamos o sentimento de nostalgia ao som de uma música do passado,exalamos cheiros,sentimos sabores que nos remetem a momentos que vivemos no pretérito, às vezes fatos irreais, devaneios, que podem acontecer por um mal estar, uma doença, problemas na família,no trabalho ou em relacionamento. Nostalgia difere muito do sentimento de melancolia.
Bem explicado na frase de Carlos Heitor Cony:
“Nostalgia é saudade do que vivi, melancolia é saudade do que não vivi.”
  Podemos dizer que a nostalgia é uma emoção boa,pois nos permite voltar e relembrar os bons tempos que tivemos na infância,juventude,tempo com os filhos,tempo de algo bom que nos fez sentir a felicidade.
  "A nostalgia é uma sensação que se debate entre a tristeza e a plenitude,tristeza pelo que já não existe, já findou, plenitude ao reviver a lembrança do que foi. A palavra vem do grego e significa algo como “dor pela volta para casa”.
“A nostalgia é a pena por se sentir ausente.” Ela já foi considerada uma condição médica no início da Era Moderna por ser associada à melancolia.
   Embora a palavra nostalgia seja de uso comum, ela foi inventada pelo médico Johannes Hofer em 1688. Em sua tese de doutorado, ele analisou os casos de um estudante e um empregado com graves problemas de saúde.
Os dois chegaram a agonizar, mas por diversas razões,cada um foi levado para sua casa para morrer junto com sua família. Milagrosamente ambos melhoraram.
Naqueles tempos,a nostalgia foi considerada um sintoma grave.Se um soldado apresentasse esse sentimento, imediatamente era enviado para casa, o mesmo acontecia com os marinheiros.
   Nas palavras de Milan Kundera,a nostalgia tem uma palavra prima: a saudade.
   Quando sentimos que estamos nostálgicos,significa que estamos lembrando, revivendo momentos que passamos em algum dia de nossa vida,seja o tempo que for,pois ela nos faz bem ao nos dar o poder de experimentarmos novamente através das lembranças, que estão guardadas na memória,e o que está registrado em nosso coração.
  Li esta história sobre o tema, achei-a extremamente interessante e resolvi transcrevê-la, pois nos esclarece que sermos nostálgicos nos deixa mais criativos.
    Uma universidade norte-americana fez uma experiência com 175 participantes. Todos deveriam criar uma história com base em uma lembrança que lhes produzisse nostalgia.
  A história devia incluir uma princesa, um gato, um carro de corrida, ou começar com a frase: “Uma fria manhã de inverno, um homem e uma mulher se espantaram pelo som de um alarme que vinha de uma casa próxima”.
   O resultado foi que todos aqueles que conseguiram evocar um evento nostálgico com maior clareza obtiveram uma pontuação significativamente superior a daqueles que não conseguiram trazer para a memória, um evento que lhes gerasse grande nostalgia. Os pesquisadores concluíram que a nostalgia favorece a criatividade. Isso se deve ao fato de que ela desata sentimentos de segurança, pertencimento e significado, o que constitui um excelente apoio para dar lugar à imaginação.
Quantas vezes nos colocamos a imaginar momentos bons, conversas interessantes,sucesso na vida,e isso nos leva ao devaneio nostálgico.
Segundo Virgínia Wolff:
“Só posso notar que o passado é belo porque a gente nunca compreende uma emoção no seu momento. Ela se expande mais tarde e, portanto, não temos emoções completas em relação ao presente, só em relação ao passado.”

2 de abr de 2019

Pessoas abnegadas

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      Abnegação significa abrir mão dos interesses próprios em detrimento dos interesses de outros, exemplo de abnegação que experimentamos é nosso amor de pais pelos nossos filhos, quando muitas das vezes abrimos mão de confortos e até de necessidades para suprir as deles, abnegação  é “abrir mão”, “renunciar”.Segundo Carlos Bernardo González Pecotche:
“Do amor verdadeiro nunca estão ausentes a abnegação e o sacrifício.” E Jesus é o nosso maior exemplo de altruísmo e abnegação.
  Pessoas que trabalham pelo bem de outras colocando,às vezes em risco, a própria vida, são as que já ascenderam no caminho do bem, pois a pessoa abnegada nega as suas próprias necessidades e se volta para atender as necessidades dos outros. Assim como em (Coríntios 13.5):
 "Não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal".
  Temos grandes exemplos de pessoas abnegadas, muitos nomes que fizeram e fazem a diferença na vida de muitas pessoas. Podemos citar a catástrofe de Brumadinho, o rompimento da barragem em 25 de janeiro de 2019, que resultou em um dos maiores desastres com rejeitos de mineração no Brasil. A barragem de rejeitos classificada como de "baixo risco" e "alto potencial de danos", a 65 km de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Provocando muito sofrimento ao ser humano, deixando-os em agonia. Há inúmeras tragédias que assolaram muitas pessoas, deixando-as na destruição total.
   Em meio a tanta aflição existem as pessoas altruístas, abnegadas, e entre muitas estão os verdadeiros heróis, os bombeiros, hoje conhecidos como: OS HERÓIS DE BRUMADINHO, que se deslocaram para o local do acidente, e esqueceram-se de suas vidas, entregando-se ao trabalho para ajudar a todos, que mesmo sem conhecê-los não mediram esforços para auxiliá-los.
   Eles são pessoas instruídas, que sabem que a causa do desastre foi o descaso e porque não afirmar que foi a ganância de algumas pessoas, mas ao invés de ficarem com raiva, indignados, submeteram-se  colocando em risco as suas vidas, colocando   seu corpo no meio da podridão, confrontando-se com cenas traumáticas de morte e desespero, para levar um pouco de conforto aos outros, desconhecidos seus, e estas pessoas não se acham especiais ou extraordinárias. São apenas pessoas normais, fazendo o que acham ser o certo a fazer e que não param, pois continuam em outros lugares onde ocorrem catástrofes, possuem quem sabe um grau mais elevado de empatia, a qual está profundamente ligada à abnegação, que os ajuda a compreender a dor e o sofrimento das pessoas ao seu redor, incentivando-os a encontrar mecanismos que façam com que possam ajudá-las de maneira mais assertiva e efetiva.
   São atos semelhantes de pessoas abnegadas que auxiliam na transformação das pessoas e do mundo no qual vivemos. Há muitos heróis na nossa história, mas hoje os aplausos vão para os Bombeiros de Brumadinho. O trabalho foi tão grandioso que ganhou um poema da menina Helena Silva, que foi declamado pelos integrantes da corporação, cada militar fardado ficou responsável por uma estrofe do poema:

  Os Heróis de Brumadinho
Tanta lama
Tanta destruição
No meio de tanto verde
Só ficou poluição

Tristeza é o que todos tem sentido
Mas com a ajuda dos bombeiros
Tudo vem sendo resolvido

Dia e noite eles trabalham
Procurando vítimas
Ajudando famílias
Que esperam por notícias

Ser bombeiro não deve ser fácil
Precisa de força
E muito trabalho

Até para os bombeiros
Existem pessoas boas
Que valorizam seu trabalho
E lavam suas roupas

Os bombeiros são pessoas como nós
Mas salvam muitas vidas
E são realmente verdadeiros HERÓIS


Admiro os heróis abnegados!

13 de mar de 2019

A heroína esquecida

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    Mês de março, ouvimos falar muito a respeito das mulheres. Há tanto a comentar, tanto a homenagear pela bravura que demonstram em seu dia a dia.
 Mulheres que curam com a grandeza do seu coração, mulheres que são cativantes, pois ao seu redor não há tristezas, há mulheres de todos os tipos e há as verdadeiras heroínas, as que ficam invisíveis perante o grande bem que fazem à sociedade.
    Entre tantas heroínas, Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, foi a escolhida para aqui, homenagear a todas as outras mulheres, que como Aracy ainda continuam esquecidas.
    Ela nasceu na cidade de Rio Negro, PR e faleceu em São Paulo em 2011.
Aracy também é conhecida por ter seu nome escrito no Jardim dos Justos entre as Nações, no Museu do Holocausto, em Israel, por ter ajudado muitos judeus a entrarem ilegalmente no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas. A homenagem foi prestada em 8 de julho de 1982, ela é conhecida como “O Anjo de Hamburgo”.
Prestou serviços no Itamaraty, foi uma poliglota brasileira, foi a segunda esposa do escritor Guimarães Rosa.
Aracy, ainda criança foi morar, em São Paulo com os pais. Casou-se em 1930 com o alemão Johan von Tess, teve um filho com ele. Separada  foi morar  na Alemanha com a mãe e irmã. Por falar quatro línguas (português, inglês, francês e alemão), conseguiu uma nomeação no consulado brasileiro em Hamburgo, onde passou a ser chefe da Secção de Passaportes.
No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Aracy ignorou a circular e continuou preparando vistos para judeus, permitindo sua entrada no Brasil. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas. Para obter a aprovação dos vistos, Aracy simplesmente deixava de pôr neles a letra J, que identificava quem era judeu. Nessa época, João Guimarães Rosa era cônsul adjunto. Ele soube do que ela fazia e apoiou sua atitude, com o que Aracy intensificou aquele trabalho, livrando muitos judeus da prisão e da morte.
A heroína permaneceu na Alemanha até 1942, o retorno ao Brasil foi tumultuado, pois ficaram quatro meses sob custódia do governo alemão, e foram trocados por diplomatas alemães.
A famosa obra "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa (1956), foi dedicado a ela.
   Foi companheira de Guimarães por trinta anos, era sua leitora fiel participando de suas decisões, era uma mulher que enfrentava tudo quando percebia as injustiças.
   Perguntaram-lhe certa vez, por que se arriscara ajudando aos judeus, ela respondeu:- “ Porque era justo.”
“Nunca tive medo, quem tinha medo era o Joãozinho. Ele dizia que eu exagerava, que estava pondo em risco a mim e a toda a família, mas não se metia muito e me deixava ir fazendo.” “O Guima tinha um papel fundamental. Era ele que assinava os passaportes.”
Ela sempre o chamava carinhosamente de Guima.
  Pelo seu trabalho em Hamburgo, em 1982 Aracy foi  incluída entre os quase 22 mil nomes que estão no Jardim dos Justos, no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Homenagem e um reconhecimento que o Estado de Israel presta aos “góim” (não judeus) que ajudaram judeus a escapar do genocídio. Entre os mais famosos estão o empresário alemão Oskar Schindler - que inspirou o filme A lista de Schindler, de Steven Spielberg - e o diplomata sueco Raoul Wallenberg. Apenas outro brasileiro, o embaixador Luiz de Souza Dantas (1876-1954), recebeu a mesma honraria, em 2003. "Discreta, sem jamais ter caído na tentação de se promover por ter sido quem foi, Aracy pagou o preço do esquecimento", diz o historiador e escritor René Daniel Decol.
Aracy ficou viúva no ano de 1967 e não se casou novamente. Sofria de Mal de Alzheimer, faleceu em 3 de março de 2011, na cidade de São Paulo/SP, aos 102 anos.
Através de Aracy, nossa homenagem a todas as mulheres!

24 de fev de 2019

Fato inimaginável




      A mesa posta, a pequena família reunida para o café da tarde, a conversa ia longe, mas todos tinham seus afazeres, menos Elisa, que se sentou em um confortável sofá, pegou seu livro para continuar sua deliciosa leitura, era uma devoradora de livros, e as obras escolhidas eram sempre “best-sellers”, tinha necessidade de folhear o livro físico, não havia se adaptado à era digital, e ainda usava um lápis para suas anotações de rodapé. Todas as obras lidas por ela eram repletas de anotações, e quem as lia posteriormente sentia-se no mundo da pesquisa, a qual estava feita.
   Fazia intervalos na leitura, quando usava para refletir sobre o que lia, e o assunto a levou a pensar sobre as coisas inimagináveis do mundo, e assim ela se reportou ao longe, questionando o que poderia ultrapassar o poder da imaginação, os minutos foram longos.
   De repente, ouviu umas batidas insistentes, olhou por todos os lados e nada viu, tudo estava fechado, pois o dia estava nublado e frio, as batidas continuavam, ela constata ser barulho contra a vidraça.
Olha para a janela que está à sua frente e vê um lindo pássaro batendo com o bico no vidro. Pensou logo:- Oh! A avezinha  chocou se contra o vidro. Correu abrir a janela para salvar a pequenina, porém teve um sobressalto, a ave piou fortemente, como se a estivesse admoestando-a, Elisa sentiu-se sendo repreendida pela pequena e leve figurinha, que identificou ser um pequeno sabiá, pela sua cor de ferrugem no ventre. Era comum, todas as manhãs ouvir seu melodioso canto, mas entrar assim em casa e ainda fazer birra? Era estranho. Elisa se afastou da janela para dar passagem a ela, que não perdeu tempo e voou para um vaso, que estava em um canto da sala, nele havia plantado uma pequena árvore ornamental, sua surpresa foi maior ainda, quando percebeu que a avezinha se ajeitou em meio aos galhos e ali ficou. Elisa ficou sem reação, mas aos poucos decidiu descobrir o que estava havendo, caminhou na ponta dos pés e, ao chegar perto do vaso, afastou alguns ramos da árvore e surpreendida vislumbrou um pequeno ninho com quatro filhotinhos.
Pensou muito para decidir o que fazer, pois se o ninho fosse descoberto, todos os moradores do ninho corriam grande perigo, pois a família de Elisa era composta de adultos e duas crianças, sem contar com a gatinha de estimação que vivia dentro da casa. O que fazer?
Enquanto estava ali, parada pensando, sem perceber que a gatinha veio bem devagar e deu uma grande espiada no ninho. Ela então constatou que já se conheciam, era um problema a menos.
Ela resolveu deixar assim, sem comentar com mais ninguém, pois se ela teve tempo para fazer o ninho, botar, chocar e ainda lutar pela sobrevivência dos pequenos, tudo ficaria bem.
  Perdeu a concentração na leitura, mas tentou continuar. Fechou o vidro da janela, pois o frio a perturbava. Passado alguns minutos, novas bicadas contra a vidraça.
   -O que será?
   Pois estava tudo certo no ninho, porém havia outro sabiá querendo entrar, ela ergueu o vidro e ele sem cerimônia voou até o local do ninho.
Deduziu que estavam se revezando para alimentar os filhos, a surpresa foi maior ainda quando sua mãe veio e lhe perguntou por que ela estava com ar de assustada.
   Ela contou e percebeu que a mãe não mostrou surpresa  e curiosa quis saber o motivo. Então a mãe lhe contou que há tempos cuida do casal de sabiá, e que havia acostumado em deixar um pequeno pedaço de madeira na janela para que o vidro não se fechasse totalmente.
-Por que não me contou, mamãe?

  -Porque você está sempre no trabalho e quando está em casa, tem a companhia de seus livros.
-Mamãe, temos que cuidar para que as crianças não encontrem o ninho.
-Filha, todos aqui, em casa sabem e cuidam.
-Ah!!! Mamãe...
Parou de falar ao perceber que o pequeno pássaro estava de saída, encontrou o vidro aberto e foi sem reclamar.
Então descobriu que estava diante de um fato inimaginável,  dentro de sua própria casa.

9 de fev de 2019

A caixa de sapatos




     Existem tantas coisas que nos deixam perplexos, fatos que são grandemente comentados, às vezes lhes damos valor alto sem ao menos mensurar o seu significado para alguém.
   Há situações que nos tornam muito ricos e felizes, mesmo sem ter o dinheiro nos sentimos poderosos, assim como dizia Immanuel Kant:
“Não somos ricos pelo que temos, e sim pelo que não precisamos ter.”
     Em um tempo repleto de atribulações, catástrofes, acidentes, corrupção, e outros acontecimentos, que nos levam a esquecer de que há algo melhor acontecendo ao nosso redor.
     Em um dia nublado, com temperatura baixa, observei um senhor que estava de bicicleta, no bagageiro de trás havia uma caixa de sapatos, pelo tamanho era de adulto, percebi que o homem, a todo instante olhava para trás para ver se tudo estava bem. Passei a prestar mais atenção nos detalhes, a caixa estava amarrada com elástico, tudo bem atado para que ela não se movesse.
Observei o carinho e cuidado que era dispensado à caixa, o amor era inegável, e o que eu via me deixava feliz, pois com certeza, o que estava na caixa era de muito valor.
Minha mente começou a imaginar muitas coisas, juntamente com a curiosidade, tentei manter minha caminhada para não ultrapassá-lo, pois estava decidida a saber o que havia de tanto valor ali.
  Eu parecia estar sendo exigente comigo mesma, me condicionando ao tempo daquele senhor desconhecido, que até lembrei-me de Clarice Lispector quando disse:- “Amo e adoro tudo o que é simples, tanto que às vezes pareço exigente!”
Não percebia o tempo passar, pois ele estava pedalando muito devagar, e, eu caminhando lentamente, a caixa havia me dado muita inspiração, ela com certeza estava transportando valioso tesouro, algo impagável com dinheiro, tanto carinho, atenção, amor, cuidados, o que seria?
Constatei que eu estava me sentindo feliz, por fazer parte daquele desconhecido acontecimento. Ficou ali, provado que a felicidade é uma condição que independe de dinheiro, eu estava valorizando muito aquele fato, e valorizar e preservar suas conquistas é outro modo de ser feliz. A caminhada e pedaladas continuavam e, a cada instante diminuíam mais, eu sentia que estava sendo indiscreta, que a minha bisbilhotice poderia me causar problema, pois o senhor já havia notado minha curiosidade, o que não o fez cessar com os cuidados com o conteúdo da caixa. Ele continuava muito feliz, dava para ver em suas atitudes. Eu estava pertinho da caixa, mas ainda assim, não conseguia identificar o que era. Uma caminhada e algo tão simples transformaram minha maneira de agir, de pensar, pois até sorri ao me perceber assim. Os momentos foram valiosos para mim, o padre Fábio de Melo falou algo semelhante ao meu pensamento:-
   “Há momentos em que a luz miúda nos revela muito mais que mil holofotes. Chega de vida complicada. Eu preciso é de simplicidade.”
E a simplicidade estava na minha frente, literalmente, me trazendo um momento muito feliz.
A felicidade havia me contagiado, me permiti ser feliz no instante que percebi as demonstrações de carinho do homem para com a caixa,  ou melhor, para com o conteúdo da caixa.
 Pela distância percorrida, deduzi que aquela caminhada ia ser imensa, por isso decidi perguntar o que havia na caixa.
Sabia que não seria mal interpretada, pois o semblante dele era de calma e cuidado.
- Senhor, posso saber o que leva de tão precioso nesta caixa?
Aproximei-me e percebi que a caixa estava cheia de furos para que o ar entrasse. O senhor me olhou e sorriu largamente.
Claro que pode, só não vou abrir, mas pode olhar pelos furos maiores, é um filhote de cachorrinho, acabei de ganhar, vou dar de presente ao meu filho. Ele está doente e este pequeno cãozinho o fará feliz.
Reforcei a ideia de que para ser feliz é preciso espalhar felicidade. Percebi a felicidade nos pequenos detalhes e atitudes do senhor, que pedalava lentamente a sua bicicleta dispensando grande cuidado com um pequeno cachorro, que levava  em uma caixa de sapatos, naqueles detalhes simples, pequenos, mas de um valor incalculável percebi que estava feliz.

26 de jan de 2019

Ano Novo, Novo Eu





   E um novo ano começou, há tantos projetos de vida nova, momentos diferentes, promessas, as quais fazemos a nós mesmos. No calendário acontece literalmente a mudança, mas nem sempre se ajusta à nossa vida.
  Podemos com certeza, afirmar que teremos um momento de trégua, neste intervalo de tempo e de mudanças, quando poderemos aproveitar para fazermos um balanço dos nossos acertos, nossos erros, nossas decepções.
Lendo Rossandro Klinjey, que disse que na maioria das vezes ficamos na esperança de que tudo mude com a virada da folha no calendário, que a partir daquele momento os problemas deixarão de existir, sobrando só fatos bons e positivos, no entanto ignoramos que toda a mudança acontece em nosso interior. Então quando nos conscientizarmos que a  mudança deve ser  íntima, que o que a gente quer é uma vida proativa, devemos então aprender a  observar a vida, tornarmos  autor do próprio destino,  desenvolvendo uma nova interioridade, entendendo que as quedas acontecem e que crescemos com elas, em consequência o respeito estará presente em todos os relacionamentos, assim como o amor próprio será maior. Saberemos com certeza, seguir um objetivo e alcançar o sucesso que nos fará bem e, em consequência fará o bem ao próximo. Após tanto crescimento interior, a transmutação servirá para questionarmos quais mudanças nos farão ter o conhecimento pessoal.
  Sentiremos que a metamorfose aconteceu e começamos a perceber que obtivemos poder, e com ele passamos a ser um novo ser, com este maravilhoso resultado podemos vislumbrar um:- Um “Eu Novo”.
  Um Eu Novo que não se submete a pessoas, assuntos, passeios que sejam entediantes, mudam o foco e não procuram mais fora de si as pessoas que nada acrescentam, é quando não se importam mais se a festa aconteceu em grande estilo ou em uma pequena mesa com uma cadeira de plástico, e, é capaz de agradecer com alegria as pequenas coisas da vida, pois têm ao seu lado o que mais necessita, as pessoas que ama.
   Um Eu Novo que comemora o que é essencial, pessoas que aprenderam a olhar o simples, a olhar e perceberam o que é amar, aprenderam a olhar a vida com serenidade necessária para viver em paz.
   Quando surge o “Eu Novo”, este não vai se importar de não ter participado da festa de “reveillion” em um lugar espetacular, rodeado de muitas pessoas, pois lhe bastará a sua pequena família. Poderemos ser novas pessoas em qualquer momento da nossa vida, poderá ser no início, meio ou fim de ano, o sol vai surgir e sempre poderemos ser pessoas novas, com interior repleto de certeza de que mudamos que nos tornamos melhores, que nosso interior está repleto de luz, porém, precisamos nos conscientizar  de que precisamos mudar assim como o calendário, e para obtermos bons resultados em todos os nossos projetos, precisamos ter a consciência do que queremos para então fazermos o melhor, lutar e vivenciar a paz para que ela não seja apenas utopia do “Eu Novo”. Saberemos nos desafiar para não nos tornarmos repetitivos seguindo a rotina, e que o tempo deste “Eu Novo” consiga apaziguar todas as desavenças, que ”talvez” existam nas famílias, na sociedade e no mundo. Que o equilíbrio seja presente, pois assim, com o poder que adquirimos poderemos controlar nossas emoções mantendo sempre a harmonia em torno de todos que convivem conosco, pois a vida é quase que exclusivamente convivência, se fizermos com que esta convivência  seja ruim, com certeza, a nossa vida não poderá ser feliz.
   Segundo Carlos Drummond de Andrade, para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
    Estamos iniciando um “Novo Ano”, desejamos ter conseguido sermos um “Novo Eu”, parafraseando Rossandro Klinjey:-
- Desejo a todos um Feliz Eu Novo!

23 de dez de 2018

Natal com Jesus



    Na residência dos Smith, Laura trabalhava sem parar,pois,a dona da casa pedira a ela que apressasse tudo,porque uma empresa viria fazer a ornamentação de Natal.Laura trabalhava ali há muito anos,e sempre prometia a si mesma que um dia iria poder enfeitar a sua casa com um lindo pinheirinho, um presépio com o menino Jesus.Tinha três filhos,que criava sem o pai,ele morrera em um acidente,não recebera nada e por isso,só tem tempo para o trabalho, cuida sozinha dos filhos adolescentes,sempre esperando um Natal melhor. O trabalho continuava em um ritmo acelerado,a casa estava muito movimentada com os preparativos para o Natal.
  Ali tudo recendia o aroma de festa, portanto nada lembrava o espírito natalino.
Sem deixar o trabalho começou a rememorar sua vida de menina,quando o Natal era época de união,de oração,quando a família se reunia para preparar as bolachas pintadas com açúcares coloridos,o simples pinheirinho coberto com pedaços de algodão e alguns pirulitos.A alegria era enorme,as crianças vinham de outras casas para se confraternizarem juntas,cada família trazia algum alimento caseiro para juntar-se à grande mesa,que era montada na varanda,mas o menino Jesus não era esquecido, porque sabíamos que Ele é o aniversariante do Natal.
   Foi interrompida pela voz de um funcionário que precisava de alguma informação,sobressaltada voltou à realidade.
No final do dia,a volta para casa era demorada e cansativa, mas preferia assim para ficar perto dos filhos.
   Ao passar por uma loja,como era seu costume parou para admirar as árvores natalinas e os presépios,eram maravilhosos, ainda tinha esperança de um dia poder comprar o mais belo Menino Jesus,pensando assim, continuou a caminhar apressando o passo. Em sua casa,os filhos já adiantavam alguma coisa para comer,eram solícitos e ajudavam em que podiam.Eles sabiam que a mãe,em cada Natal sonhava em ter um presépio,ter Jesus em sua casa.
 Na manhã seguinte,a rotina do trabalho se intensificava,muitos parentes da família dos Smith estavam chegando,ela não vencia fazer tantas coisas ao mesmo tempo,mesmo tendo mais empregados na casa,era a ela que todos se dirigiam.Cansada, mas nem percebeu a hora passar,a caminho de casa,não conseguiu como de costume admirar os presépios da loja, queria chegar e deitar um pouco antes de fazer alguma tarefa,ficou feliz ao ver que tudo estava pronto,seus filhos que já estavam em férias escolares  se revezaram nas tarefas,assim ela agradecida pode descansar tranquilamente.
  Os dias estavam voando e o Natal chegando. A casa dos patrões estava lotada,havia uma equipe preparada para atendê-los durante as festas,e assim Laura ficaria uns dias com seus filhos.
Naquele finalzinho de tarde,ao chegar em casa teve um sobressalto,pois as luzes estavam apagadas o silêncio era geral,ao abrir a porta chamou pelos filhos,a luz se acendeu e no meio da sala estava uma linda árvore coberta com pedaços de algodão, como era a árvore de sua infância.Seus filhos sabiam da história dos natais da mãe e fizeram lhe uma surpresa.
Laura quase sem fôlego sentou-se e ficou calada admirando estupefata aquela pequena árvore repleta de algodão,era a visão mais linda que tivera nos últimos dias.Então quase sem querer e soluçando ela disse baixinho:
-Filhos,e o menino Jesus?
Os três se ajoelharam diante dela e disseram:
- Mamãe,Jesus está no mais lindo presépio, ele está em nosso coração.
Ela então concordou,pois Jesus não precisa de lugar melhor que nosso coração.
Há tantos natais que passam e muitos nem sabem o verdadeiro motivo das festas, as crianças ganham seus brinquedos, seus presentes,mas não conhecem o significado deste dia santo.
 Que possamos ser a morada definitiva do Mestre Jesus,e que sua manjedoura seja o acolhimento de todas as famílias,que haja paz e amor neste dia maravilhoso.
Feliz Natal com Jesus!

16 de dez de 2018

Façamos a diferença



      Segundo Mahatma Gandhi precisamos ser a mudança que queremos ver no mundo e nas pessoas. Para que isso aconteça é preciso termos muita coragem, mas não a coragem de luta, de força, mas a que vem do coração. Precisamos ser a diferença ao invés de sermos apenas quem a faz.
    “Você deve fazer diferença na vida. Passar pela vida e viver. Participar da Criação e contribuir com alguma coisa.”
Para isso não precisamos ser um político, um grande cientista ou superdotado, pois cada um de nós tem sua forma de contribuir e atuar positivamente na vida.
    "Não existe a realidade pronta, existe no homem, a capacidade de realizar!"
   Há inúmeras histórias que conhecemos e sabemos que fizeram a diferença na vida de alguém. Ouvindo um discurso, guardei esta mensagem proferida pela pessoa que estava sendo homenageada:
Meu pai sempre dizia:
- Para fazer a diferença você precisa ser persistente e possuir coragem senão acaba sendo como uma bananeira que deu cacho, pois a bananeira só produz um cacho e, é cortada.
  Vou registrar um trecho de uma história que com certeza, muitos a conhecem, mas que ilustra bem quando se é o causador da mudança. Não indiquei o autor por não saber, pois só a conheço oralmente.
   Professora Teresa no seu primeiro dia de aula parou em frente aos seus alunos da quinta série primária e, como todos os demais professores, disse-lhes que gostava de todos igualmente. No entanto, ela sabia que isto era quase impossível, já que na primeira fila estava sentado um pequeno garoto chamado Ricardo. A professora havia observado que ele não se dava bem com os colegas de classe e muitas vezes suas roupas estavam sujas e cheiravam mal.
   No início do ano letivo a ficha escolar dos alunos era lida para saber como eram nos anos anteriores.
Quando Tereza leu a ficha de Ricardo ficou surpresa
   A professora do primeiro ano escolar de Ricardo havia anotado o seguinte: Ricardo é um menino brilhante e simpático. Seus trabalhos sempre estão em ordem e muito nítidos.
   A professora do segundo ano escreveu: Ricardo é um aluno excelente e muito querido por seus colegas, mas tem estado preocupado com sua mãe que está com uma doença grave e desenganada pelos médicos, por isso sua vida deve estar sendo muito difícil.
  Do terceiro ano constava a anotação seguinte: a morte de sua mãe foi um golpe muito duro para ele, procura fazer o melhor, mas seu pai não tem nenhum interesse e logo sua vida será prejudicada se ninguém tomar providências para ajudá-lo.
   Do quarto ano escreveu: Ricardo anda muito distraído e não mostra interesse algum pelos estudos. Tem poucos amigos e muitas vezes dorme na sala de aula.
 Tereza se deu conta do problema e ficou terrivelmente envergonhada.Naquele dia, depois que todos se foram, a professora  chorou, e em seguida, decidiu mudar sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Ricardo.Com o passar do tempo ela notou que o garoto só melhorava.
  Ao finalizar o ano letivo, Ricardo saiu como o melhor da classe. Um ano mais tarde Tereza recebeu uma notícia de Ricardo, que lhe dizia que ela era a melhor professora que teve na vida.
  Seis anos depois, recebeu outra carta de Ricardo contando que havia concluído o segundo grau. As notícias se repetiram até que um dia ela recebeu uma carta assinada pelo dr. Ricardo Stoddard, seu antigo aluno, mais conhecido como Ricardo.
Mas a história não terminou aqui. A professora recebeu outra carta convidando-a para seu casamento. Ela aceitou o convite, e no dia do casamento estava usando a pulseira que ganhou de Ricardo anos antes e também o perfume. Quando os dois se encontraram, abraçaram-se por longo tempo e Ricardo lhe disse ao ouvido:
- Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, mostrando-me que posso fazer a diferença.
Mas ela, com os olhos banhados em pranto sussurrou baixinho: -Você está enganado, foi você que me ensinou que eu podia fazer a diferença.
Sempre é possível fazer a diferença na vida de alguém, com uma palavra, um abraço, um poema ensinado com amor, enfim podemos fazer a diferença com o que possuímos.

29 de nov de 2018

A consciência do bem e do mal


   

      Hoje, em uma roda de amigos, o assunto foi sobre as decisões erradas que tomamos e o mal que causamos às pessoas, muitas vezes inconscientemente, pois nem sempre temos consciência para diferenciar se é bem ou mal.
    Conceituação de bem e mal: em religião, ética e filosofia, o bem e o mal referem-se à avaliação de objetos, desejos e comportamentos através de um espectro dualístico, onde, numa dada direção, estão aqueles aspectos considerados moralmente positivos e, na outra, os moralmente negativos.
Podemos analisar a frase que ouvimos diversas vezes e até fazermos uma analogia com o tema.
A Luz não existiria se não houvesse a Escuridão
  Estamos em luta pessoal diariamente, o que nos mostra que há dois exércitos, o do mal e o do bem, e que às vezes a nossa consciência decide assumir um deles em certa altura da vida, e assim temos a certeza de que o bem e o mal têm potencial igual. Será que fazemos o mal?
Então vem a pergunta: o que é considerado errado, o que é considerado como o mal, o qual nos leva para o lado sombrio?
Há infinitos atos que praticamos e, sequer imaginamos ser algo que cause o mal às pessoas.
A manipulação emocional, a acusação fútil, a injúria, a maledicência, a inveja, humilhação, luta pelo poder, preconceito, discriminação, impaciência, preguiça e tantos atos que praticamos como se fossem normais, esquecemos dos ensinamentos de Jesus.
   Atualmente, percebemos que muitas pessoas sentem vergonha em falar sobre Jesus, mas se dizem cristãos, há aqueles que vão à igreja com frequência, mas apenas por uma questão social, pois não praticam o que foi ensinado por ELE.
Muitos estão cegos, igualmente como ficou o apóstolo Paulo, cujo nome original, era Saulo de Tarso, escritor do cristianismo primitivo, foi o maior perseguidor dos cristãos. Certa vez, quando Saulo fazia a sua perseguição, caiu do cavalo e ficou cego. (Discute-se muito se ele caiu do cavalo, mas o que nos interessa é que ele caiu, e teve uma visão de Jesus, envolto numa luz incandescente.)
Foi conivente com o assassinato do protomártir Estêvão, que morreu por apedrejamento.
Protomátir =Primeiro mártir de uma religião ou de um ideal político.
Jesus lhe perguntou: - Por que me persegues? Após o acontecido, Saulo se converteu ao cristianismo e passou a seguir com Jesus.
Também podemos cair, porém não devemos ficar de rosto colado ao chão, sem enxergar nada, às vezes não sabemos como agir, basta nos perguntar:- Jesus, qual seria o seu jeito?
No início do século XX, nos Estados Unidos, foi lançado um livro com o título:
"Em meu lugar o que Jesus faria?" Devemos aprender a ouvir, no silêncio da alma, a resposta que está em nossa consciência.
   Temos aulas de oratória para nos ensinar a falar melhor, a convencer e a persuadir, mas não aprendemos a ouvir, não nos ensinaram. Então como podemos ouvir Jesus?
   Quando aprendermos a ouvi-LO, saberemos ouvir o outro,( nosso próximo).Só nós  podemos fazer isso por nós mesmos, eu até posso pedir que rezem por mim, portanto somente cada um de nós, vai aprender "de" Jesus, porque sobre Jesus aprendemos nos livros, nos filmes, nas palestras, mas só aprendemos "de" Jesus, com ELE. Ninguém aprende, vive ou sofre em nosso lugar.
Vamos aprender a ouvir, a enxergar, para sabermos distinguir em qual exército devemos permanecer para lutarmos ativamente, exército do bem ou o exército do mal, e o conflito, com certeza não está entre o bem e o mal, mas entre o conhecimento e a ignorância.

Podemos reafirmar junto a Platão: "A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento."   

13 de nov de 2018

Complexo de Vira-Lata


       A expressão “complexo de vira-lata”, que define a falta de autoestima dos brasileiros foi criada por Nelson Rodrigues em 1950, quando o Brasil foi derrotado pela Seleção Uruguaia de Futebol na final da Copa do Mundo em pleno Maracanã. Nelson Rodrigues foi um teatrólogo, jornalista, romancista, folhetinista e cronista de costumes e de futebol brasileiro, e tido como o mais influente dramaturgo do Brasil. Em relação a expressão, muitos usam a palavra complexo ou síndrome, mas há diferença entre elas, pois síndrome não é uma doença, mas uma condição médica, um conjunto de sinais e sintomas que define as manifestações clínicas de uma ou várias doenças e pode ter vários fatores envolvidos. Complexo é um termo da psicologia para descrever um desvio ou um comportamento patológico.
Esta expressão é usada nos dias atuais, talvez por ela ser reforçada por nós, brasileiros, que desdenhamos o que temos em nosso país sem ao menos conhecer os problemas de outros países ou de seu povo, é uma expressão forte, que às vezes nos causa espanto, mas existe.
    Ouvimos "Este lugar não é bom" logo chegamos à conclusão, de que quem assim fala viveu ou vive em outros lugares, pois não é possível se fazer comparações sem possuir um parâmetro, e há anos que tentam reverter a tal expressão, vários estudiosos e intelectuais  pensaram em como resolver o danoso "complexo de vira-lata" dos brasileiros. Entretanto, apenas um chegou próximo, foi o historiador cearense Capistrano de Abreu, quando propôs a substituição de todos os artigos da Constituição Federal por apenas um: "todo brasileiro é obrigado a ter vergonha na cara". Não vamos aqui, exagerar ou generalizar, pois nem todos agem desta forma.
    Frases como: “É só no Brasil” ou “Só podia ser no Brasil” apenas rebaixa o que temos como visão de mundo; não é só aqui que há dificuldades, e há muitas complicações para resolvermos certos problemas.
Nelson Rodrigues disse:
   Por “complexo de vira-latas” entendemos a inferioridade em que o brasileiro se coloca voluntariamente, em face do resto do mundo. Sendo assim estas atitudes nos tolhem as possibilidades de lutar e conseguir o que precisamos como brasileiros.  Chegará o dia em que poderemos ler notícias positivas sobre nosso país, aceitando que isso também acontece aqui e não apenas em outros países. Com a união de todos, com boa vontade, pois somos uma grande nação, acontecerá a mudança, que depende de nós. Interessante notar que na literatura também existe este complexo, pois a produção literária nacional muitas vezes é desprezada pelo simples fato de ser nacional, há muitos exemplos nas escolas pelos livros exigidos. Percebemos  em muitos  alunos, a falta de interesse, que  surge da inexistência de identificação do que foi proposto durante as aulas sobre clássicos nacionais, o mesmo acontece também, em filmes e séries; por não conseguirem situar o momento em que vivem, dentro de um contexto político e social, concluem e consequentemente generalizam: “Todos são ruins e nada disso faz sentido”. Com este pensamento em relação aos clássicos, já conhecidos pelo público, mensuremos então, a literatura contemporânea, pouco conhecida.  Assim notamos, que a expressão não se limitou ou limita apenas ao futebol, ela está sendo usada em várias áreas.
   Certo jornalista falou: Talvez a predominância da grande mídia, é ver um Brasil dependente em certas áreas, o que reflete uma situação confortável, ouseja mais que o complexo de vira-lata, é a pessoa se achar pequena, ou até mais que isso, é querer ser pequena.
    Temos todas as condições de retirar do nosso vocabulário essa expressão, a qual assusta a muitos, sabemos que aqui, em nosso país o povo trabalha e conscientemente deseja uma nação estável, dando-nos boas condições de vida, precisamos  entender que é um erro continuar usando essa expressão, que  teve sentido em 1950, além de entender isso, é preciso que reconheçamos  de uma vez por todas, que o real problema não é o Brasil, e sim, os brasileiros; porque a mudança depende de nós.
     Será que o “Complexo de Vira-Lata “já nos pertence?

Nostalgia e a saudade

imagem do Google         Nostalgia termo muito usado,mas que muitas vezes lhe damos outro valor descreve muito bem o sentimento de...