18 de set de 2017

O outro lado da cegueira

Um dos trechos mais comentados e que mais aprofundam o leitor dos personagens é quando Saramago escreve:  “O medo cega (…) são palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos”(…) “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara”.
Penso comigo quantos, desprovidos da visão física, reparam no próximo muito mais, que nós, que temos a visão perfeita, fisicamente falando, e a história nos leva ao submundo do ser humano, uma pitada de algo animalesco, em que nos despimos de toda moral e bom costume, e mostramos que nem sempre somos fortes a certas situações como queremos mostrar à sociedade.
É bíblico falarmos “ajuda ao teu próximo”, mas quantos o fazem? Quantas pessoas vem e reparam no próximo? Diante de inúmeras diversidades, quantas fazem algo? Quantas saem do comodismo e realmente fazem algo?
Não sei se somos cegos propositadamente ou porque fomos acostumados a sê-lo, há sempre um pouco de comodismo em cada um de nós, que grita mais alto quando se trata de arrancar as vendas dos olhos e ser empático. 
Na história, que retrata a todos nós, aos poucos a natureza humana vai ficando de lado, e o animal surge, pela simples e pura luta por sobrevivência, por um pouco de comida e água.
Analisando a obra acredito que pouco mudou de 1995 para cá. Aceitamos muitas coisas passivamente, fingimos não reparar em outras.
“Se não formos capazes de viver como pessoas, ao menos façamos tudo para não viver inteiramente como animais.”

E como dizia José Saramago: Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.

8 de set de 2017

Devolvam o papel do homem ao homem



Não conhecia a literatura de Martha Medeiros.  Havia assistido ao filme Divã, ótimo roteiro, ótima interpretação de Lilian Cabral, mas não sabia que era uma adaptação da obra literária dessa cronista brasileira, por ignorância, preguiça momentânea ou simples falta de curiosidade, apenas assisti ao filme, sem interesse nos créditos, fato que não é comum, pois  vejo o roteiro e, se é adaptação, procuro saber sobre o autor e obra.
Estava eu na fila do mercado, algo que adoro, por sinal, e deparei-me com o livro “Feliz por nada”, perguntei-me: e por que não? Comprei.
Fazia alguns meses que não abria um livro novo, e estava sentindo falta das folhas entre meus dedos. A leitura digital tem suas vantagens para quem não tem tempo, mas jamais substituirá o prazer de um bom e tradicional livro físico. Trata-se de um livro com várias crônicas, escrita por Martha, em vários momentos de sua vida, todas com o teor do tema: é preciso muito pouco para ser feliz. Entre os textos lidos, o que mais me chamou a atenção foi “Mulheres na Pressão”, as mulheres de hoje não se comparam em nada às mulheres do tempo da minha avó, por exemplo , ou melhor, o único elo comum que ambas têm é que são mulheres. No fundo, apenas mulheres, mas não estou aqui para discorrer sobre nós, mulheres, mas sobre algo que, em uma frase, uma pequena frase, já no final do texto, Martha me fez parar por um momento, fechar o livro, dar um sorriso e exclamar: é isso aí ! “Estou com saudades de ler e ouvir sobre as adoráveis qualidades dos homens. Eles merecem voltar a ser valorizados em seus atributos.”
Pensei na hora: essa gaúcha entende da coisa! Resumiu o que há tempo não se consegue explicar: por que os relacionamentos homem x mulher duram pouco? Por que os homens andam apagados? Por que os homens se sentem tão ameaçados pelas mulheres? Por que os homens não tomam mais iniciativas? Por que há tantas mulheres tomando conta da casa, emprego, filhos, família? Cadê os nossos homens? Refiro-me a todos : namorados, maridos, amigos, irmãos, avôs, tios, primos, pais...Não se vê mais tal espécime na mídia (escrita ou falada).
Antes eu abria uma revista e via uma página inteira referindo- se a eles. Hoje, no máximo, um anúncio de duas frases. Antigamente, o homem fazia seu papel, e muito bem feito, diga-se de passagem.
Hoje, o homem está esquecido, o homem está jogado de lado, está em um canto da sala e fala  quando é convidado pela anfitriã. As mulheres tomaram frente de tudo, inclusive quando ele deve se aproximar e se afastar. Quebrou-se o encanto, esqueceu-se a magia, e o homem encontra-se perdido num mundo moderno, num mundo em que temos mulheres fazendo papel de pai e mãe.
Os mais afoitos e feministas, respirem, contem até três. Não estou  difamando, nós, mulheres. Não estou descartando nosso papel na sociedade, na evolução, nem mesmo esquecendo as coisas boas que trazemos todos os dias, para o mundo, mas creio que devemos deixar o homem voltar ao seu papel: ser homem, ser pai, ser amigo, ser irmão, ser avô, ser tio, ser namorado, ser empregado, ser patrão, ser companheiro. Não há substituto  para o homem, assim como não há para a mulher.
Ficamos tantos anos sendo descartadas, que, quando abriram a porta, avançamos com tanta sede ao pote, e não paramos mais, nem mesmo para tomarmos fôlego, e o pobre homem, acuado, estagnou-se.
Não sei se ainda há tempo para que eles  reencontrem seus papéis na sociedade moderna, mesmo sendo polêmica a frase: vale a pena deixarmos tentarem.

16 de ago de 2017

O Voar do Tempo


Bola de gude, amarelinha, bets, pega-pega, brincadeiras que fizeram parte da infância de inúmeras gerações e, hoje soam como lendas para muitas crianças.
Fico a pensar, enquanto olho à minha volta, até que ponto tanta tecnologia faz bem às nossas crianças nos dias de hoje? Que adultos serão? Quão distantes serão de seus pais ou filhos?
Tudo em demasia faz mal, a tecnologia talvez seja o mal necessário no mundo capitalista, unindo pessoas de vários pontos do planeta.
Esses dias, conversando com alguns amigos, discutíamos justamente isso: saudosismo. Saudades daquele tempo em que o tempo passava mais devagar, quando aproveitávamos mais as conversas durante os almoços de domingo, aproveitávamos mais a companhia da nossa família, quando nos reuníamos nos finais de semana para assistirmos a filmes com pipoca feita na panela. 

Quando lemos histórias de décadas passadas e percebemos que tudo acontecia morosamente, alguns namoros eram por carta, amigos se correspondiam por cartões postais e muitas confidências eram escritas em agendas com direito a cadeados e chaves.
Hoje, o Facebook tornou-se esse diário, cartas e cartões postais ficaram para trás e, em seu lugar entrou o WhatsInstagram e outros veículos mais rápidos.
Não temos mais tempo de esperar a pipoca ficar pronta na panela, colocamos o pacote no microondas e enquanto esperamos os três minutos, lavamos a louça, tomamos banho, mandamos e-mail, respondemos Whats, atualizamos fotos e, quando percebemos, o microondas já está há dez minutos apitando para avisar que a pipoca está pronta.
Às vezes, sinto vontade de ir para um lugar como aquele que nos é mostrado em músicas, descritos em livros ou em algumas telenovelas... a natureza, uma pequena casa e nada mais, sem sinal de telefone, sem televisão, sem conexão com nenhum outro mundo que não seja o meu.
Acredito que é importante fazermos isso para nós mesmos, nos reencontrarmos, nos desconectarmos do mundo externo e reconectarmos nossa alma aos nossos pensamentos.
Não correr atrás de informações, ou tentar abraçarmos o mundo como se tivéssemos capacidade para tanto.
Inúmeras vezes já me deparei com tanto equipamento eletrônico, que eu não sabia qual era qual: TabletNotebookNetbook, computador de mesa, celular, Koobo, sentia-me perdida em meio a tantos caminhos que me levavam para onde eu quisesse, mesmo para dentro de mim mesma.
Hoje, o tempo voa, a vida passa num piscar de olhos, pelo simples fato de não aproveitarmos o que estamos fazendo no momento em que estamos fazendo.
As crianças de hoje conectam-se a jogos, conversas digitais, mas não aos seus pais.
Esses dias uma criança sendo entrevistada respondeu que tinha cerca de dois mil amigos, o que deixou o apresentador boquiaberto, é claro, que o apresentador entendeu do que se tratava, e que ela não tinha dois mil amigos, ela se referia ao Facebook, e ela tinha, sim, dois mil seguidores. Amigos? Pela idade dela, talvez, no máximos seis: seus pais e seus avós.
Esta distorção de amizade acontece há muito tempo, porém muito mais agora, com o Facebook. Quando você atinge um número “x” de “amigos”, não pode mais adicionar ninguém, ou você exclui ou você cria outra página, entretanto, na vida real, tudo é mais complicado, tudo é mais distante, tudo passa longe desse mundo azul ou amarelo.
Essa criança, ainda ingênua, pensa ter dois mil amigos, mas quando o apresentador perguntou se ele poderia ser amigo dela, rapidamente, ela disse:- sim! E deu um longo e demorado abraço nele, é possível perceber ali uma certa carência, e penso ter razão quando disse que, pela idade, talvez ela tivesse, no máximo, seis amigos.
Eu tive uma infância boa, não posso reclamar, conheci muitas brincadeiras feitas em casa mesmo, com o que tínhamos e a diversão era garantida no final do dia, com meus primos e irmãos.
Não sentia falta de um vídeo game, ou um celular de última geração. O nosso telefone era discado e fazia exatamente o mesmo serviço que um IPhone faz: comunicação.
As vizinhas iam às janelas perguntar como estávamos, ou sentávamos nas calçadas para tomar chimarrão. Hoje mandamos emotions.
As crianças saem menos, brincam menos nas ruas e os pais até preferem. Seja pela violência atual ou pelo simples fato deles serem ocupados demais para estarem com seus filhos.  
E a tendência é que o tempo continue a voar, a passar num piscar de olhos.
As tecnologias avançam, descartando cada vez mais brincadeiras caseiras.
A evolução é necessária, principalmente no mundo em que vivemos, mas até onde ela nos torna sadios? Até onde ela não causa danos à nossa saúde física e mental?
Até onde os pais estão preparados para enfrentá-la e saber como agir quando seu filho estiver envolvido em uma teia como o jogo da Baleia Azul, por exemplo?
Vejo discos de vinil e fitas cassetes voltando às prateleiras, penso comigo que não sou apenas eu que sinto saudades dos tempos antigos, que eram bons tempos...
             
Fotos: Google

12 de ago de 2017

Pelo Dia dos Pais

O Naco de Prosa deseja a todos 
         um lindo e feliz
                Dia dos Pais! 

Foto: Google

2 de ago de 2017

Naquele Verão

Lembro-me daquele fim de tarde
O sol se punha devagar, dourando as ondas do mar que salgavam a nossa pele.
Deitados sobre a areia, nada, naquele momento, importava, os batuques feitos nos braços dos violões acompanhavam o vai e vem das ondas que se quebravam sob nossos corpos, o céu estava limpo, a lua enorme e brilhante. Tudo parecia tão perfeito, com um gosto de que nunca iria acabar.
Famílias, amigos, colegas, namorados, jovens apaixonados, todos reunidos, todos felizes. 

Foi apenas um disparo, e tudo se quebrou dentro de nós,
como se fôssemos feitos de cristal, o cristal mais delicado e raro que há, aquele cristal que não há como colar, como consertar, como refazer. 
Acidental ou não, ele era apenas um garoto, jovem, cheio de planos, cheio de sonhos e fantasias,
lembro dele correndo ao nosso encontro quando chegamos. Pulava em nossos braços, entrelaçando suas pernas em nossas cinturas, era tão típico dele aquele gesto, mas nunca nos cansávamos.
Moleque de riso fácil, de dentes espaçados e olhos grandes, dois grandes círculos escuros que brilhavam ao lerem histórias de Robin Hood, o herói que ele iria ser um dia, como ele tanto falava ao fechar o livro em um estalo e pular de um sofá para outro, deixando sua avó em polvorosa.
Apenas um disparo, e mais nada.
O coração já não batucava em seu peito, seus olhos, tão lindos, vidrados em um lugar longe dali,
já não estava mais conosco, na verdade, há tempos ele andava distante.
Tudo foi perdido junto com aquele disparo.
Uma vez assisti a um filme, em um dos trechos, a personagem dizia que quando uma mãe perde um filho, todas as mães do mundo, perdem um pouco também.
E acredito ser verdade.
Ver aquela mãe debruçada sobre aquele menino, salgando seu pequeno corpo com suas lágrimas,
levou um pequeno pedaço de cada um de nós.
Não era para ser assim, era para ser diferente
Tão jovem, tão inteligente, tão bonito, tão esforçado.
Seria talvez um advogado? Um médico? Um professor? Um cientista ou arquiteto?
Ou viveria em seu mundo dos sonhos até despertar para a vida real?
Nada é mais ensurdecedor do que as lágrimas de uma mãe que perde seu filho, as ondas continuavam  indo e vindo, assim como nossos pensamentos.
Às vezes, eles quebram antes de chegar a um destino final, às vezes, quebram sob nossos pés, às vezes, tentamos pegá-los, mas eles fogem de nós... Assim como fugiu do mundo, aquele doce menino.
Fotos: Google



26 de jul de 2017

Sobre os dons das pessoas

Há pessoas que nasceram com dons, outras, acredito eu, que desenvolveram através de técnicas e aulas.
Conheço pessoas que resolvem contas matemáticas quilométricas em algumas horas, contas essas que eu nem imagino por onde começaria.
Outras, quando abrem a boca, parece que há anjos em suas cordas vocais que nos levam para um lindo passeio por entre nuvens e pensamentos saudosistas...
Outras, que afiam seus lápis e canetas, e nos levam a outros mundos, a novas descobertas.
Costumo dizer que não há outra atriz para interpretar Cleópatra que não seja Elizabeth Taylor. Assim como não há outra atriz para Tieta além de Betty Faria. Aqui abro um parênteses, a novela atualmente é reprisada no canal Viva em três horários distintos, incluindo os domingos, e, mais uma vez, alcança um público que supera de longe todas as novelas atuais da rede Globo, e uma das causas principais é justamente Betty Faria interpretando Tieta.
Mas, voltemos aos dons natos. Betty Faria, Elizabeth Taylor, Elvis Presley, Frank Sinatra, Meryl Streep, Albert Eistein, Stephen Hawking, Osvaldo Cruz, Jorge Amado, Clarice Lispector… têm algo em comum: dom. Dom que nos faz suspirar, sorrir, chorar, indagar, viajar, seja nas telonas, telinhas, livros ou CDs.
E, sim, acredito que essa seja a missão deles: nos encantarem com seus dons geniais. Com suas escritas, voz ou atuações.
Hoje, fala-se mundo das crianças índigos, dizem os estudiosos que elas nascem com uma aura azul-indigo e que vieram para trazer a mudança que o mundo precisa, principalmente em relação a reaprender a amar.
Esse é o dom dessas crianças, ensinar ao outro a amar. Todos temos algo intrínseco em nós, seja pequeno ou grande, a mudança sempre aparece em um determinado momento de nossas vidas para mudarmos as nossas vidas e a de outros.
Erroneamente ouço pessoas dizendo “eu não sei fazer nada” ou “eu não nasci com talento para nada”. A questão é: será que essas pessoas estão olhando para o lado certo ou simplesmente desperdiçam seus tempos no mundo esperando o dia de suas mortes, fazendo apenas o básico? 

Sim, porque você ter dom é uma coisa, agora lutar para mostrar ele ao mundo, é muito diferente.
Quantas horas você acha que um ator se prepara para uma simples cena? Quantas palavras negativas e desnecessárias cantores ouviram até chegarem no seu momento atual? Quantos comentários maldosos Clarice Lispector leu a respeito de suas obras?
O preço para demonstrar seu dom nem sempre é baixo, acredito que seja um dos mais altos, pois todo começo exige mais do que podemos imaginar. Há uma cobrança externa e interna. Há dúvidas, medos, anseios, perspectivas até chegar onde se deseja. Até poder demonstrar ao mundo o porquê de você estar aqui.
Essas crianças índigo são exemplos disso: elas falam em amor, em não matar animais, em um mundo capitalista, egoísta e que não se importa com o próximo. Elas são tachadas, discriminadas e incompreendidas. Mas estão ali, aqui, lá, mostrando ao mundo seu dom maior.
Quantas pessoas foram discriminadas em seus inícios? Quantas foram desacreditas? Um deles é Albert Einstein, que foi desmotivado por um dos seus professores a não persistir, a não investir nele mesmo, foi tachado de “burro”, “lento demais”, “sonhador”. Todos temos nossos dons e o momento certo deles aflorarem. Temos que estar preparados o bastante para “aguentar o tranco” que virá junto a esse desabrochar.  Se temos um dom, é porque o mundo o espera. Não teria porque dele existir se não fosse para se mostrar, para arrombar portas e invadir mentes, corações e almas.
Há pessoas que fazem muita diferença em nossas vidas, mesmo sem se darem conta disso, utilizam para isso seus dons. 
Mas, há um dom em especial, que todos têm dentro de si, colocado diretamente pelas Mãos de Deus, e hoje perde espaço para muitas outras coisas materiais: trata-se do amor.
O amor que não mede caminhos ou esforços, o amor que estende a mão, que abraça, que afaga, que sorri e faz sorrir, o amor que preenche, que aquece, que permite. Exatamente o que Deus colocou dentro de nós, mas que muitos já não o percebem mais, e o trancaram em uma caixa e não sabem onde está a chave.
Esse dom maior, que ouso dizer, move todos os outros. E que quando é perdido, a vida se torna fria, as pessoas se distanciam e tudo se torna opaco.
A centelha da vida está em cada um de nós, assim como o amor. Um veio junto com o outro, mas o outro, muitos deixaram de lado.
Os dons movem o mundo, as pessoas, mas o maior de todos precisa ser resgato com urgência. Para que todos os outros não padeçam.
Imagens: Google



12 de jul de 2017

A robotização da massa

Vejo pessoas  robotizadas  pelas ruas, cabeças baixas, dedos deslizando sobre pequenas telas pretas.
Ando pelas calçadas com as mãos nos bolsos, sinto-me invisível,
confesso que até prefiro ser invisível, às vezes.
Pessoas  andam com as cabeças mais vazias, e a língua mais afiada para projetar a maldade, nas pessoas  que atravessam o seu caminho. 


No meu MP4, Zé Ramalho canta “ Admirável Gado Novo”
e penso que, pela primeira vez, prestei atenção nesta letra,
na profundidade e significado de suas palavras, a letra foi inspirada na obra de” Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, a qual foi composta em 1979, como consta em sua biografia, ela foi um protesto à época do governo militar, porém  fico a pensar: em que momento o Brasil saiu do marasmo de estar deitado no berço esplêndido?
Falemos aqui da descoberta do nosso país, quando portugueses, principalmente, tomaram e fizeram das nossas  terras seus celeiros, nos quais guardavam o que há de pior ,
usaram nosso país como cobaia, levaram nossas riquezas,
povoaram-no com pessoas que para eles nem serventia tinham mais, e estas mesmas pessoas que encontro de cabeça  baixa, olhos fixos nas pequenas  telas pretas são as que assumem que não gostam e não querem saber de política.
Como se algo maligno ela representasse.
Mas não é assim! 
A política, em si é boa, desde que feita da forma correta e que os políticos que a representam no momento, sejam cobrados de forma correta, porém, aqui dentro, sinto que,   cada vez que um brasileiro diz: não gosto e não quero saber!
Um político dá gargalhadas, com os bolsos e cueca cheias de dinheiro, cheias com o nosso dinheiro.
Este mesmo, tão suado, que Zé Ramalho canta, este que temos que trabalhar mais e mais para pagar mais e mais impostos.
Aquele que é prometido para a saúde e educação, mas quando nos damos conta ambos  os campos foram maquiados,  meus amigos, digam-me: qual político em sã consciência, hoje, quer um povo saudável e inteligente?
Um povo que não dependa mais deles? Um povo que saiba como decidir, interpretar e entender qual político realmente levará a política a sério?
As escolas  estão doutrinadas para ensinarem o básico, aquilo que convém ao governo,
prova disso foi o livro abolido há pouco tempo, ainda do governo anterior, em que o MEC ( sabendo sem saber ), liberou verba para ser impresso, o qual deixou famílias em polvorosa quanto ao seu conteúdo  sexual e explícito.
E os valores vão se perdendo pelo caminho... como as migalhas de pão do conto infantil de  João e Maria, e quando eles  tentam voltar  percebem que as migalhas já foram comidas, e não há outro final a não ser o enclausuramento.
É justamente isso que percebo em nosso sistema político hoje: vamos deixando migalhas pelo caminho, que são comidas por eles, políticos que são pagos com o nosso dinheiro,
para que assim, não possamos mais voltar e recomeçar.
Lembro um ano em que milhões de brasileiros foram às ruas, queriam  o Brasil de volta para nós...
Por um lado conseguiram, mas... sinto que os brasileiros de bem acordaram tarde demais...
Aquele berço do início, lembram-se? Pois é...
Talvez faça parte do Hino Nacional por um motivo verdadeiro, o gigante acordou por alguns dias, mas voltou a dormir.
Esta é a realidade.
O país está fragmentado por culpa do próprio brasileiro que decidiu escolher” lados”, e não o seu país, pois quando o povo escolhe um lado (esquerdo, direito, centro) para defender, que não seja o seu país, tudo começa a ficar perigoso...
Alguns brasileiros escolheram lados, e não a sua bandeira, símbolo máximo de representação da nação brasileira.
E não percebem que, nos bastidores, esses mesmos políticos que eles defendem, e até brigam por eles, estão sentados em restaurantes luxuosos, fazendo acordos contra estes mesmos brasileiros.
A música de Zé Ramalho, escrita em 79, não era alusiva ao período militar, ela é alusiva a todos os períodos políticos que vivemos, desde sempre.
Ouço muitos falarem: por favor, devolvam o Brasil aos índios!
Mas até eles perderam sua identidade.
Penso como é estranho um país com pessoas de bem, que quando é preciso dão-se as mãos e ajudam ao próximo, mas ser massa de manobra nas mãos de poucos...
O brasileiro provou, inúmeras  vezes, que é capaz de mudar o rumo da história, e talvez ela esteja mudando, mas  como sabemos  nosso país, é imenso... tudo acontece devagar.
A sensação é de nadar contra as ondas  todos  os  dias, e cada vez mais sentir a beira do mar, longe de ser alcançada.

... e elas continuam a andar com a cabeça baixa.
Fotos: Google


2 de jul de 2017

Se eu puder falar...

Quero um dia poder sentar ao lado de uma criança, da mais tenra idade e conversar com ela,
contar como a vida vai lhe pregar peças, mas tudo será para o seu aprendizado, também
contar a ela que sim, muitas vezes ela irá chorar escondido, contar uma mentira ou outra, precisar engolir o orgulho e aprender a se perdoar.
Dizer-lhe que o mundo gira e, ele não pára cada vez que um problema vier a afligir seus dias.
Que as horas já não passam mais, elas voam! E que ela deve aproveitar cada segundo para viver. 

Que ela sentirá uma vontade enorme de ir embora de casa, ficar longe da família, dos pais
Que ela começará a se incomodar em beijar a mãe ou o pai quando for deixada na porta da escola, mas, um dia, quando os anos passarem, o que ela mais vai querer é voltar para casa deles, para abraçá-los e beijá-los.
Que não há nada mais saboroso que a comida da avó, e nem colo mais aconchegante que o dela.
Que ela pode, e deve cometer erros, mas nunca os mesmos!
Que a gente só aprende na dor, no sofrimento, e amadurece e se torna mais forte.
Que a felicidade é passageira e a dor também!
Que homem chora sim, e mulher aguenta o tranco.
Que a vida é mais perfumada quando percebemos os detalhes simples.
Que todas as estações do ano têm seu encanto mesmo que ela deteste calor ou frio, porque
 a natureza faz parte da gente e nunca deve ser destruída, mas sim, cultivada, amparada e admirada.
Que o sorriso de uma criança colore nosso dia,
Que um abraço apertado cura muitas dores, e
que um aperto de mão acalenta o coração,
que troca de olhares, ainda são importantes, mesmo que cada vez mais raros,
diria a ela para nunca perder a centelha de esperança que nasceu com ela, e
que tudo tem seu tempo certo, então não adianta se aborrecer se algo não sair como planejado naquele momento.
Que há um ser maior que tudo que podemos  imaginar, e que ele nos ama exatamente como somos.
Que vale a pena ser bom, mesmo que o mundo, às vezes, nos mostre o contrário.
Que roubar um beijo, fazer uma declaração de amor ou dançar apenas uma música com alguém, pode tornar essa pessoa a sua pessoa especial para toda vida, portanto: arrisque-se mais!
Que no final do dia, sempre devemos agradecer por tudo estar bem, por mais que isso não seja 100% verdade: palavras positivas atraem resultados positivos.
Que devemos reclamar menos e fazer mais.
Que nunca seremos perfeitos, mas somos perfeitos para alguém e alguém será para nós.
Que os estudos ainda serão o caminho certo a seguir, e
que ela deve sempre respeitar a todas as pessoas, mas principalmente a seus pais.
Que ela vai sofrer por amor, mas vai passar...
Que por mais que o dia esteja cinza, quem o deixa colorido somos nós mesmos.
Que a felicidade está dentro de nós, e o sorriso é gratuito e deve ser dado mais vezes.
Que é permitido fugir da dieta, dançar na chuva, andar descalço e sentir a grama sob os pés, mesmo que você já tenha passado dos cinquenta.
Que a vida é um constante recomeço, todos os dias, e nunca será igual, pois
 o passado não volta, e as pessoas que se foram, ficam na lembrança.
Que não haja mágoas, nem ressentimentos, porque ressentir-se é lembrar da mágoa novamente, e que perdão ajuda muito.
Por isso, seja especial na vida de cada um que você encontrar pelo caminho, pois serão as lembranças que elas levarão de você, e não o quanto de riqueza material você deixou.
Imagens Google

17 de jun de 2017

Em tempo de São João

Cresci vendo a fogueira ser montada, ser acesa e queimada, espetáculo que se repete todos os anos com a festa do Padroeiro do bairro São Pedro. Neste ano, será a 82ª. fogueira a ser acesa. Aproximadamente na década de 60, meu pai tinha um caminhão Chevrolet e o Sílvio Melo, filho do seu Romualdo, possuía outro. Os dois dirigiam até o Trabuco, onde meus avós tinham um sítio, havia uma equipe de voluntários que ia junto, para lá cortarem a lenha para a fogueira, eles saiam de casa bem cedinho, levavam comida e passavam o dia no mato trabalhando, tudo acontecia nos finais de semana. Meu avô, Estácio, fez a doação de lenha por muitos anos.Aos domingo, as crianças podiam assistir de longe o trabalho, que era extremamente árduo, porém, recompensador. Meu pai tinha um armazém e ainda trabalhava como marceneiro, sua profissão, entalhava móveis com muita perfeição o que o fez, por vinte e três anos. Na época da fogueira, ele às vezes, não podia estar junto com a equipe, pois precisava ajudar a minha mãe, no armazém, então ele mandava a comida para todos que estavam trabalhando para erguer a fogueira. As varas de eucaliptos eram compradas, mas não eram varas eram troncos enormes, como deviam ser para sustentar tão grande " Colosso". Em certa ocasião, um senhor doou as varas, eram muitas e grossas também, como o tempo estava muito chuvoso as varas ficaram por alguns dias à beira da estrada, no meio do barro. Em um sábado de muito frio e com geada, conseguiram emprestar o trator do Seu Madureira (gerente do banco INCO), foi colocado um reboque engatado no trator, as varas (muito grossas) estavam cobertas de gelo, o trabalho durou muitas horas e quando tudo estava pronto, o dono do trator chegou e recolheu-o, porque ele só admitia que o seu motorista usasse a máquina. É claro que tudo foi desfeito, e meu tio ( Ihor Andrukiu) me contou que a fome era desesperadora, tiveram que arrumar um caminhão e carregar tudo de novo. Já era noite, pois no inverno, o sol vai dormir mais cedo, e todos da equipe sabiam que ainda tinham que descarregar no pátio da igreja, dizem que São Pedro é muito bom, pois quando chegaram, o motorista fez uma manobra rápida, mas no lugar certo, sem ninguém mais sobre o caminhão, aí, arrebentaram-se sozinhas todas as cordas e, num segundo todas as varas estavam no chão. Contaram que todos aplaudiram agradecendo a São Pedro.
A equipe era composta por seu Osni Meyer, Seu Friedrich, Sílvio Melo, Ihor-Ivo Andrukiu, Seu Valdemar( conhecido como Piratuba), Levanir Fagundes, Pedro Celestino,Adelmo Menegasso , Carlos Drosdoski, Seu Ângelo Shwab, e meu querido pai. Tentei não esquecer nomes.
A fogueira começava a ser erguida e quando já estava em uma altura que não dava para alcançar, era passado uma roldana e assim puxada a madeira para cima, ela era toda reforçada com muitos arames, hoje são cabos de aço. O guindaste do batalhão sempre dava uma ajuda, certa vez foi colocado no guindaste uma vara enorme, foi fechado o gancho e começou a subir, a vara era tão alta que se tombasse pegaria muitas casas. De repente, todos perceberam que o gancho abriu, a vara ficou suspensa, o soldado que manobrava não mexeu em nada, ficou paralisado e todos pediram a São Pedro aos brados para que os ajudassem, e quando a vara começou a balançar o gancho se fechou sozinho, agradeceram de joelhos, eu acredito em milagres, mas este eu não presenciei, porém houve muitas testemunhas, até o soldado que manobrava o guindaste ficou sem fala.
Nessa época, a fogueira ganhava altura e chegou a 60 metros, dizem que passou um pouco, foi notícia no Jornal Nacional e no Fantástico.
Ah! Agora vem a peça chave, como acender a fogueira tão alta, o seu Schwab (meu pai sempre dizia que ele sabia fazer de tudo), hoje seria o Magayver, ele criou uma peça com dois fios elétricos que ia até o topo da fogueira, colocava uma resistência rodeada de místico (não é pólvora, seria como o pó do palito de fósforo) e estopa embebida em gasolina, embaixo uma mesa com um interruptor, que era acionado pelo convidado a acender a fogueira, assim ela era acesa.
Nesta foto, Seu Ângelo Shwab, é o que está usando boné, puxava as varas de bracatinga a cavalo, da propriedade do senhor Rafael Sosnowski , próxima à igreja do bairro, as quais eram emendadas para chegar à altura desejada. Todo o trabalho era feito com muita alegria e, em equipe.
As lembranças trazem saudades, hoje por medida de segurança ela fica entre 38 e 40 metros.

Era uma grande equipe e fazia sucesso, como nos dizia Murillo Cintra de Oliveira:-" O segredo de um grande sucesso está no trabalho de uma grande equipe".


30 de mai de 2017

O pequeno livro

Lembro-me que era uma tarde fria de outono, dessas em que as árvores ganham tons amarelados, avermelhados, tons maravilhosos, quando as flores se desprendem delicadamente dos galhos, e caem de uma forma majestosa, sobre as calçadas.
Eu estava sentada em um banco de madeira, pintado de branco o qual, contrastava com as folhas caídas no chão.
Admirava as pessoas nos pedalinhos indo e vindo pelo enorme lago do parque, quando um senhor se sentou ao meu lado. Educadamente pediu licença, colocou seu chapéu no braço do banco, cruzou as pernas e abriu um pequeno livro.
Confesso que fiquei curiosa para saber o título do mesmo, mas a vergonha foi maior, não consegui ir além de um leve consentimento de “ pode sentar, “ com a cabeça.
Fiquei por ali mais uns cinco minutos e decidi ir para casa, o frio estava começando a congelar as pontas dos meus dedos.
No dia seguinte, o sol me acordara cedo, como era sábado, queria aproveitar para fazer algumas coisas que durante a semana não tivera tempo.
O parque cortava caminho e diminuía passos, além das belezas naturais que sempre tiravam o meu fôlego quando parava por alguns instantes para admirar.
Na volta, com algumas sacolas a mais, decidi me sentar um pouco, não havia calculado ao certo o peso de cada uma, e estava cansada.
Alguns minutos depois, enquanto meus olhos se entretinham com patos buscando comida sobre a água, uma voz familiar me cumprimenta pedindo licença para se sentar.
Prontamente trouxe as sacolas para perto do meu corpo, e o conhecido senhor sentou-se, colocando seu chapéu sobre o banco, cruzando as pernas abriu o pequeno livro. O mesmo de ontem.
Olhei de canto de olho, percebi que a capa era branca e o livro era pequeno e fino, pensei comigo: deve ter umas dez páginas.
Mas, minha olhada de canto foi percebida, e sem tirar os olhos do livro o senhor me perguntou: - Conhece o Pequeno Príncipe?
No momento corei, ele havia percebido minha indiscrição. Senti-me tola por não ter perguntado o nome e sim, esperado ele perceber minha curiosidade.
- Já ouvi falar, sim senhor. 

No momento da resposta, veio à tona minha infância, quando desenhos daquele pequeno menino, passava na TV. Eu sempre achei que era coisa de criança, o que me causou estranheza um senhor lendo um livro, supostamente infantil.
- Eu já li esse livro 156 vezes, ele continuou, e sempre que o leio, é uma nova surpresa para mim. Amadurecemos, a visão muda sobre muitas coisas, inclusive sobre uma obra tão rica como essa.
Analisei rapidamente aquele pequeno livro que o senhor tinha entre as mãos. Sem exageros, posso afirmar que as mãos dele eram quase maiores que o livro, que ele dizia ter lido tantas vezes.
- Desculpe-me, eu já ouvi falar, mas sempre pensei que fosse um livro infantil. Lembro-me até dos desenhos que passavam...
- Não, não... engana-se. Este livro é tão profundo que, após lê-lo, mesmo pela 157ª vez, ele causa mudanças em minha forma de analisar, agir e pensar.
Fiquei muda. Não podia crer no que aquele senhor, que me parecia tão culto e vivido falava: um pequeno livro mudar pensamentos de um senhor como ele?! Impossível acreditar.
- Percebo pela sua fisionomia que não acredita em mim. Façamos o seguinte: fique com o livro, daqui a uma semana, encontre-me neste mesmo local e voltamos a conversar.
No momento, eu me neguei a aceitar tal proposta, aquele senhor emprestando seu livro, tão precioso para ele. Mas ele insistiu, deixou-o sobre o banco e partiu.
Eu não sabia seu nome e nem ele o meu. Peguei o livro, abri em uma página qualquer, muitas marcações, palavras destacadas, pensei: - isso será interessante!
Desafio aceito.
Fui para casa, por incrível que pareça no caminho todo em pensava naquele pequeno livro, sem entender ainda como ele transformaria minha vida, ou pensamentos, ou forma de agir.
Arrumei as compras. Olhei o relógio, eram três da tarde. Pelo tamanho do livro, calculei que em meia hora já o teria lido e guardado na sacola para devolvê-lo, no sábado seguinte.
Fiz um pouco de chá, ajeitei-me na poltrona e lá fui eu para a primeira página... e a mágica foi acontecendo, página após página...
96 páginas depois, o livro chega ao fim. Olhei para os lados, a sensação foi de ter saído das profundezas do oceano dentro de mim mesma.
Turbilhão de sentimento, estrelas, rosa, planetas, esperança, amor, saudade... tudo misturado dentro de mim querendo explodir. Eu precisava encontrar aquele senhor, precisava lhe contar tudo isso, precisava mostrar ao mundo do que aquele pequeno livro era capaz!
Eu não queria que ele tivesse acabado, eu queria mais folhas, mais palavras bonitas, mais conselhos, mais verdades, eu queria mais do que o mundo oferecia naquelas poucas folhas.
Foi preciso um estranho se aproximar de mim, para eu conhecer algo tão precioso que estava acessível o tempo todo e nunca fora percebido por mim, talvez por preconceito ou ignorância.
A semana passou, voltei ao parque, voltei ao mesmo lugar para entregar o livro ao senhor desconhecido.
E lá estava ele, no mesmo banco, com o chapéu em suas mãos. Quando me aproximei ele sorriu.
- Não precisa dizer nada, seus olhos mudaram desde a última vez em que eu a vi. Seu rosto, seu semblante está iluminado. O livro funcionou para você.
- Funcionou?
- Eu sempre ando com um exemplar deste livro em busca de pessoas que precisam dele. Percebi que você era uma delas. Mas na primeira vez não teve coragem de se aproximar e, eu respeitei seu espaço. Na segunda vez, percebendo que você estava observando e tentando descobrir a capa, o nome, eu o aproximei de você. Esta é a magia do Pequeno Príncipe, ele convida as pessoas para lerem-no, e transformarem um pouco suas vidas como ele fez comigo e com você.
Fiquei admirada com aquelas palavras. Aquele senhor fazia uma corrente do bem, emprestando o livro para pessoas que, sem perceberem, estavam anestesiadas na vida. Sem a real e total perspectiva.
Estendi a mão para devolver o livro, mas ele recusou e disse:
- Passe-o para outra pessoa ou guarde-o para você. É seu.
Colocou o chapéu, apertou minha mão, sorriu e seguiu seu caminho.
Até hoje não sei o nome dele, mas ele sabe o bem que ele me fez ao me entregar aquele pequeno e tão grandioso livro.



O outro lado da cegueira

Um dos trechos mais comentados e que mais aprofundam o leitor dos personagens é quando Saramago escreve:  “O medo cega (…) são palavras c...