28 de abr. de 2020

Mulheres e a história




    Nós, brasileiros, possuímos um patrimônio social na história, na política na cultura e, como acontece em todos os países há a multiplicidade de pessoas, que são agregadas, é claro que no Brasil é assim também.
  Podemos fazer uma analogia com uma colcha de retalhos, pois carrega em sua herança, em cada pedaço a memória social. Neste maravilhoso elenco estão as mulheres, que lutaram e lutam pelos seus direitos e espaços sociais. As mulheres fazem parte da história do Brasil, e muitas ajudaram a fazer esta história, as quais pertencem a numerosas classes sociais.
 Parece impossível, mas nos dias atuais em que as mulheres estão em todas as áreas com sua competência e trabalho, ainda ouvimos a tão desagradável frase: “Só podia ser mulher, “ e outros impropérios.
É grande o universo de mulheres inventoras, e seus trabalhos ainda nos ajudam atualmente. Confira apenas alguns exemplos de criações e trabalhos de mulheres ao longo da história:
Não vamos aqui tecer comentários sobre a mulher no volante, sobre trânsito, é pequeno demais, por isso citaremos algumas mulheres que fizeram história, por exemplo: na tecnologia, são quatro programadoras que fizeram a história e se destacaram no mundo.
   Ada Lovelace é considerada a fundadora da ciência da computação, assim como a primeira programadora do mundo.  
    Margaret Hamilton foi diretora de engenharia de software, que guiou o voo da missão Apollo 11 e levou os primeiros homens à lua.
   Grace Hopper desenvolveu linguagens de programação acessíveis, que usavam palavras e não números para funcionar o computador.
Joan Clarke formada em matemática, ela fez parte da equipe que construiu alguns dos primeiros computadores do mundo.
“Só podia ser mulher! ”
   Se fizermos uma pesquisa com boa dedicação de tempo, com certeza, a lista de mulheres que deixaram sua marca na história será imensa.
   A história nos conta que em épocas de guerras os homens saiam para a luta, e neste período as mulheres tomavam à frente de sua aldeia, eram bravamente desafiadas a enfrentarem o inimigo e dar proteção aos filhos e desvalidos.
  Podemos registrar a bela história que conhecemos desde os bancos escolares, da índia da tribo dos tupinambás, Paraguaçu, esposa de Caramuru, o português Diogo Álvares Correia. Após se converter ao catolicismo, recebe o nome de Catarina do Brasil. Ela esteve junto com Caramuru na fundação de Salvador, abrindo igrejas e cuidando de conventos.
Outra que marcou muito a história do Brasil foi Ana Pimentel Henriques Maldonado, esposa de Martim Afonso de Sousa.
Enquanto o marido estava na missão ela ficou respondendo por seus negócios brasileiros, portanto, foi nesse período que Ana Pimentel deu início ao plantio de cana de açúcar em Cubatão e a criação de gado na Capitania de São Vicente, atual São Paulo.
 Maria Quitéria, foi a primeira mulher a fazer parte do Exército Brasileiro, que se disfarçava de homem para poder lutar.
Participou de várias batalhas, entre elas a Independência do Brasil, recebeu a condecoração da Ordem Imperial do Cruzeiro, pelo Imperador Dom Pedro I.
Temos Narcisa Amália de Campos, que é tida como a primeira jornalista profissional do Brasil.
A paulista Carlota Pereira de Queirós, foi professora, mas depois acabou mudando para medicina. Elegeu-se como a primeira deputada federal do Brasil, quando fez parte das comissões de saúde e educação. É de sua autoria a emenda que cria a casa do jornaleiro e o laboratório de biologia infantil.
Há muito o que registrar sobre tão valorosas mulheres, quem não conhece um bote salva-vidas, pois foi feito por uma mulher, os painéis de energia solar utilizam o trabalho de pesquisa de uma mulher. Há uma mulher por trás da tecnologia do wi-fi e GPS, que é a sigla em português significa “Sistema de Posicionamento Global”.
Temos grandes feitos, registrados ou não, nas páginas de nossa história.
Em nossas cidades o rol de mulheres que fizeram e fazem a nossa história é imenso. Aqui há apenas uma pequena amostra de que sim,
“Só podia ser mulher! ”

26 de mar. de 2020

Coronavírus une o mundo





   Sempre se combateu o isolamento social, pois sabemos que se for prolongado produz em excesso, um produto químico no cérebro, que pode aumentar a agressividade e o medo, por isso, precisamos estar atentos à nossa saúde mental.
 E, agora que estamos vivendo esta pandemia, como fazer para nos cuidar, pois sabemos que o Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, pesquisa feita antes da chegada do Coronavírus.
  Toda esta situação tem o poder de afetar a saúde mental das pessoas, aumentando os níveis de ansiedade e medo, pois fatores desconhecidos e incertos fazem com que todos se sintam inseguros, principalmente em casos como este, de nível mundial. Como agir, agora que precisamos nos isolar?
  Li uma matéria com o título “Endurance”, confesso que achei a reportagem extremamente interessante, jamais pensei que fosse usá-la como exemplo para escrever esta crônica, fazendo analogia com o que estamos passando hoje, no mundo inteiro.
A reportagem, a que me refiro acima conta sobre o adestramento pelo qual passavam os militares da Marinha do Brasil. Estranhei a palavra adestramento, mas é correto “adestramento militar”.
  Endurance era lançar o navio ao mar por 30 dias, sem porto próximo, a terra mais perto era o fundo do mar. Era tempo de “full time”, tempo integral de trabalho.
Todos eram monitorados, e a partir do décimo quinto dia o humor de cada um se alterava, uma pequena ação fora do contexto era motivo para grandes brigas, discussões, inclusive tentativa de suicídio.
Hoje, estamos vivendo uma situação semelhante, mas sem adestramento, por isso, precisamos ficar atentos para que todos fiquem bem, pois o menor vestígio de fisionomia feia, é motivo para grandes brigas, desavenças, o estresse tomará conta de todos. Pessoas acostumadas a sair, andar por todos os lugares, livres para se divertirem, de repente passam a viver em confinamento, distanciar-se das pessoas que amam, situação muito difícil, então precisamos mostrar e viver a empatia, pois o mundo chora, sem distinção de idade, cultura, raça e religião, as diferenças ficaram de lado, hoje, somos um só povo, com a mesma dor. E, todos estão sofrendo por medo de se contaminar, com medo de não poder pagar as contas, medo de ficar só, medo de tudo, infelizmente, todos vão sair perdendo algo, durante esta crise. Ninguém está isento, a diferença é que alguns sofrerão mais e outros menos, nem há como mensurar o quanto vamos sofrer de algum modo. Devido a isto precisamos nos unir e aprender a amenizar os sintomas de ansiedade e tentar viver de uma maneira saudável, refletindo sobre os aprendizados que podemos ter com toda esta triste realidade.
O bombardeio de informações deve ser evitado, pois vivemos em tempos de globalização, e nada nos escapa, há ainda as ‘fake news’, que se referem a falsas informações, e nos causam pânico, no entanto podemos organizar o nosso tempo, de acordo com nossas necessidades.
Há inúmeras coisas, que podemos fazer como: ler aquele livro que nos espera há tempo, assistir a estreia da série aclamada, meditar, começar a escrever, e não esquecer da empatia e consciência coletiva, pois elas farão a grande diferença.
    Segundo a coordenadora do curso de Psicologia da Estácio BH, Renata Mafra: "Os humanos já vivenciaram várias epidemias em outros tempos. Faz parte da nossa história". Segundo ela, o rápido e intenso fluxo das informações podem provocar a sensação de que não é possível lidar com a infecção, de caos, aumentando a realidade. "Pensar que a epidemia é uma situação transitória que vai passar e que você está contribuindo positivamente para isso, ajuda a acalmar a mente”.

26 de fev. de 2020

Morte na brincadeira


    
foto do Google
 Quem de nós não lembra com saudade e carinho das brincadeiras,que faziam parte de nossa infância,hoje foram esquecidas e trocadas por aparelhos eletrônicos.
Algumas destas brincadeiras ainda estão vivas em nossa memória,como:
pular amarelinha,esconder o anel,brincar e cantar “escravos de Jó”,esconde-esconde,pular elástico,bolinhas de gude, batata quente,telefone sem fio,corrida do saco,jogar bola eram tantas que precisamos de tempo para recordar, infelizmente algumas foram extintas.Vale ainda acrescentar que havia uma muito “perigosa”,para os pais era o terror, quem não lembra,do famoso rolimã,mas eram brincadeiras sadias e cheias de alegria, com pouco esforço podemos lembrar de alguns destes momentos ao lado dos amiguinhos da escola, e todos eram incluídos,sem preocupação com a cor, sexo ou religião. Tempo de viver como criança, cultivando a ingenuidade,a inocência,que é a característica da criança e por isso,elas são lindas.
   Parece-nos que as brincadeiras estão evoluindo, entretanto com objetivo de machucar o outro. Há vários casos assim muito se falou do caso suicida Baleia Azul, hoje a brincadeira “Quebra Crânio”, estão usando o termo brincadeira,mas com certeza não é, pois é uma atitude que pode levar a morte ou sequelas sérias. Nem vamos falar aqui sobre as consequências dentro da lei.  
    O novo desafio teve início entre estudantes venezuelanos e ganhou destaque na internet,nos últimos dias,e já começou a chegar a algumas escolas brasileiras, gerando preocupação entre pais e professores devido aos perigos da prática da insana brincadeira.
   Chamada de “quebra-crânio”,a brincadeira é realizada com a participação de três pessoas, que ficam lado a lado. Enquanto as duas das extremidades pulam, a do meio, que não sabe como o jogo funciona,pula também,e,é neste momento que os dois aplicam uma rasteira no participante desavisado, causando a sua queda,que pode levar ao
traumatismo craniano,ao coma,e até mesmo à morte, dependendo da gravidade,pois leva-se em conta a altura do salto. Ainda pode haver fratura de punho ou coluna se a vítima tentar se defender,apoiando-se nas mãos para se proteger.
   Essa bizarra ‘brincadeira’ ficou conhecida quando um youtuber irresponsável,brincou com a própria mãe,filmando-a e postando na internet,com isso alcançou muitos jovens e adolescentes.
  Professores,pais,médicos,psicólogos e outros profissionais estão unidos para esclarecer a todos sobre esta nova modalidade de brincadeira que pode matar.
   A conscientização está sendo significativa em nossas cidades e muito singular,começando nas famílias e escolas. Engajada ao trabalho de utilidade pública,a TV MILL apresentou uma matéria esclarecedora sobre o assunto,nesta sexta-feira com Doutor Arthur José Santos da Costa,médico Neurologista,que explicou detalhadamente os danos físicos causados à vítima da tal brincadeira,assim como Marcelo José Boldori,Coordenador do Curso de Direito da Universidade do Contestado,Porto União falou sobre às consequências penais relativas ao assunto. Em algumas escolas,alunos gravaram vídeo alertando sobre o perigo.
  Juntaram-se aos demais,nesta labuta de informação e conscientização o Colégio Visão de União da Vitória,duas alunas gravaram um vídeo,onde pedem a estes adolescentes um basta a esta ‘brincadeira’ de mal gosto.
   Nada precisaria ser dito sobre o perigo deste desafio, se houvesse a noção de responsabilidade na vida destes jovens,lamentavelmente não a possuem,e estão repetindo a sandice em outros os lugares.
O trabalho dos pais passa a ser de extrema importância, pois:
“Sua responsabilidade como pai e como mãe não é poupar o seu filho de sofrer,
mas ensiná-lo a fazer as melhores escolhas. Quando você faz isso, coloca sobre ele a responsabilidade pela própria felicidade”.




Queridos amigos,estou demorando para visitá-los e publicando menos.Sei que irão entender,estou em um trabalho voluntário desde o ano passado,dou aulas para 25 meninas de famílias carentes,estou me dedicando ao máximo e me sentindo feliz. Tenho passado na corrida para ler suas postagens,mas às vezes não consigo deixar meu comentário. 
Grande abraço a todos!


21 de jan. de 2020

Elevador constrange as pessoas





   Todos sabemos o que é um elevador,mas poucos param para pensar sobre ele e suas funções.Podemos até fazermos analogias sobre ele e a vida.
“A vida é como um elevador.Em seu caminho para cima,às vezes você tem que parar e deixar algumas pessoas saírem”. Pensando assim,entrei no elevador,apertei o botão para descer, mais pessoas foram entrando,em cada andar e os botões iam sendo usados.Notei que todas as pessoas ao entrarem se transformavam,pareciam estátuas do mais duro mármore. Um casal entrou,mas parecia que a distância faria bem a eles.Era nítido que haviam brigado,e a briga não terminara,porém tiveram que ficar feito múmias caladas.Os olhos da mulher soltavam faíscas contra o homem,que provavelmente era seu marido. Eu estava inquieta,pois dava para notar que logo iria haver uma explosão entre eles.
    Quando o elevador parou no andar onde iriam ficar ela saiu,olhou para trás e percebeu que o marido decidira ficar,ela grosseiramente o puxou pela manga da camisa,a qual rasgou,e ele foi forçado a sair.Assustadora atitude.
    Surgiu naquele momento a ideia de escrever uma crônica sobre as pessoas e o elevador.Porém,surgiu uma dificuldade, como abordar um assunto tão corriqueiro e difícil ao mesmo tempo.Teria que ser uma crônica no estilo de Luís Fernando Veríssimo.
   Pensei,pensei,pensei mais e começaram a fluir ideias, mas como Veríssimo ou Marta Medeiros descreveriam as pessoas fechadas em uma caixa metálica sem sequer olhar uma para a outra,pois elas simplesmente fixavam os olhos aos botões ou aos números correndo no placar, sobre a porta, outros que só ficam olhando para os próprios pés,outros ainda ficavam cutucando as unhas com alguma chave que tinham nas mãos. Observei tudo e achei muitíssimo engraçado. Voltei meu pensamento na crônica,e concluí que Veríssimo escreveria que o morador do 12º andar, estava apressado, pois cuidava também do relógio,diferente do morador do 11º,que nem se importava com o ruído apavorante que o elevador fazia.
   O vizinho da esquerda estava com a cabeça erguida e olhos grudados ao placar de andares,enquanto o vizinho da direita se abanava sentindo um calor que não existia. O outro ao lado ficou o tempo todo se olhando no grande espelho na parede do elevador.
   A vizinha do andar de baixo,com seus mais de 70 anos, implicava com o menino ao seu lado,que carregava um cãozinho que estava um pouco sujo,ela fazia cara de nojo e gesticulava,mas o garoto nem lhe dava atenção.
E, em relação ao casal briguento,que  também não falavam nenhuma palavra, mas que provavelmente eles desceram em um andar,que não era o desejado,mas sim,para continuarem a discussão, percebia-se que  estavam no auge da raiva, pois antes da porta do elevador se fechar já se ouviam vozes alteradas e ofensivas dos dois, pois  estavam a pouca distância .
    Percebi o quanto a pequena viagem até o térreo do edifício,era dolorosa para a maioria das pessoas.
    Uma parada, um soco do elevador e voltei a escrever a crônica em minha mente.
   Lembrei o quanto é engraçado ficar parado junto com outras pessoas e não emitir nenhum som. Chega a ser constrangedor,estar em um lugar e não poder ou não querer dizer nem uma palavra,será que é uma regra imposta pela sociedade?
   Pelo menos, poder responder um belo bom dia,boa tarde, como vai,dar um belo sorriso seria elegante e educado.
      Ideia para várias outras crônicas.


   

23 de dez. de 2019

Religião e espiritualidade

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   À tardinha de um dia muito quente,estavam sentados sob uma frondosa árvore duas crianças judias,que ouviam atentamente o que sua avó lhes contava.
    Judite e Tobias,ela com sete anos e ele com cinco, ficavam horas junto a avó,a qual perdera seu marido, e passou a morar com o filho,a nora e os netos. Os pais seguiam a religião do Judaísmo,a qual era imposta também aos filhos,mas a avó professava o cristianismo e,portanto, seguia os ensinamentos de Jesus.
Assim,sempre que podia, evangelizava os netos por meio de lindas histórias de amor,de caridade e perdão.
   Os pais desconfiavam de que ela estava incutindo ideias sobre Jesus,aos pequenos, mas nunca puderam confirmar, pois as crianças quando questionadas, lhes respondiam que a avó apenas lhes contava muitas histórias lindas. E assim, seguiam-se os dias.
   Certa vez, a história contada pela avó foi sobre o anjo guardião,ou ainda aquele que fora nomeado por Deus para nos proteger. Na verdade,há muitas denominações para ele: espírito de luz,ou ainda,amigo espiritual. Entretanto, sendo este ou aquele nome,ele é o nosso anjo da guarda.
     Assim,por meio de belas histórias,foi passado às crianças a existência de um ser que cuida de cada um de nós.
    Com o tempo,o hábito de agradecer ao anjo tornou-se uma atitude linda entre os dois pequenos,aprenderam que a gratidão e o perdão eram armas poderosas,e desta forma, foram crescendo e conhecendo o Mestre Jesus.
     Em certa ocasião,o menino Tobias precisou submeter-se a uma pequena cirurgia,ele não estava com medo,mas mesmo assim, pediu ao anjo da guarda que o protegesse. Pediu a Jesus que guiasse as mãos dos médicos,para que tudo saísse bem.
    Os pais, mesmo sabendo que o risco era pequeno, não arredaram pé do lado do filho.Os dias de internação pós cirurgia correram bem e, aos poucos, o menino ficava melhor.A avó o visitava sempre e,certo dia,ao ficar sozinha com o neto, aproveitou para saber se ele não havia esquecido os ensinamentos,que ela lhe havia passado. Ele mais que depressa contou à avó que pedira a Jesus para que o abençoasse.Ao ouvir as palavras do neto,ela deu um largo sorriso e continuaram falando sobre a doutrina do Mestre.
    De repente, os pais entraram e da antessala conseguiram ouvir a palavra Jesus.Eles,muito curiosos e apreensivos, indagaram a avó sobre o assunto.Não houve jeito de esconder do que se tratava a conversa,e por este motivo ela ficou proibida de falar com os netos.Aquela era sem dúvida,uma situação triste para todos. Porém aquela proibição veio tarde,pois mesmo sem uma religião definida, os dois pequenos já possuíam uma religiosidade avançadíssima, e nada mais podia abalar a sua fé.
      Aquela situação seguiu daquela forma por muito tempo, as crianças iam à sinagoga com os pais,mas à noite se reuniam no quarto da avó para novas lições sobre Jesus Cristo.
      Os anos passaram rápidos e logo Judite e Tobias se tornaram adolescentes.Naquela época já sabiam qual religião seguir, pois já se sentiam cristãos. A partir de então, os pais vivenciaram muitas surpresas com seus filhos,que deixaram de ser crianças,mas não deixaram de ser cristãos.
   Eles perceberam por meio dos filhos que a religião que cada um professa deve ser de sua livre escolha,e que seus filhos estavam no caminho do bem.Por esta razão,permitiram que seguissem os ensinamentos de Jesus, porém mantinham-se afastados.
     Certo dia,ao se encontrarem,após o culto de cada um, o pai rendeu-se e falou:
    - Filhos,vamos para casa fazer juntos a ceia de Natal, que a avó de vocês preparou para festejarmos o nascimento do Menino Jesus.
       Judite e Tobias perceberam a mudança de seus pais e sorriram.

Desejo a todos um Feliz e Santo Natal, que 2020 venha repleto de bênçãos!

4 de dez. de 2019

Campanha do bem

imagem do google



     Interessante,mas não estranho,as grandes campanhas de solidariedade para auxiliar irmãos menos favorecidos.
O número de pessoas que estão sendo beneficiadas vem crescendo,e não apenas em nossas cidades,mas em outros lugares.
   E hoje há a consciência de que quando somos solidários, os primeiros beneficiados somos nós.
Claro que ainda existe muita falcatrua ao que se refere a campanhas solidárias, mas penso que podemos afirmar, que a maioria age com honestidade.Devemos sim, ficarmos atentos a quem nos pede ajuda.
Atendi a um menino com 8 anos, estava vendendo uma rifa, muito educado me ofereceu um número,estava indo de porta em porta.
Fiz-lhe diversas perguntas,as quais ele respondeu sem pestanejar, parecia ter decorado o texto, fiquei ouvindo,e pensando na boa oratória do garoto.
Curiosa, antes de ver o papel perguntei o preço e o que era o prêmio.
Mais que depressa ele respondeu:
-Dois e cinquenta cada número, e o prêmio é uma ovelha (viva).
Eu muito admirada, falei -ah! viva?
  -Sim, pois quem ganhar não precisa matá-la pode continuar a criá-la, foi o senhor Jonas que tem criação de ovelhas que nos deu para a rifa.
Comecei a simpatizar com aquele menino tão decidido, e perguntei para que seria o dinheiro da rifa?
  -Tenho um amigo, que estuda na minha sala, mas agora está só no hospital, e precisa de um grande tratamento e também para ajudá-lo nas  viagens, que faz para fora da cidade onde faz outros tipos de tratamento, ele tem as plaquetas muito baixas “plaquetopenia se caracteriza por qualquer distúrbio em que há uma quantidade anormalmente baixa de plaquetas no sangue, que são as células responsáveis pela coagulação sanguínea. Por isso, as plaquetas baixas podem estar associadas a sangramentos anormais e qualquer batida ele sangra muito.” A família dele não tem condições de custear tudo e por tanto tempo, assim tive esta ideia, que dividi com meus amigos, e agora muita gente está ajudando.
 Perguntei como estavam as vendas e a aceitação da rifa. Ele me contou que muita gente rejeitava, não o deixava nem ao menos explicar o motivo da mesma. Sendo assim,ele vendia nos locais que havia conhecidos e parentes.
    Pedi para ver a folha da rifa, estava tudo bem certinho, ele me contou que a prima havia auxiliado para que tudo ficasse bem transparente, e uma Instituição, que se engajou à campanha havia cedido seu carimbo, na folha. Havia todas as explicações ali.
   Percebi a empatia que havia nas pessoas envolvidas,e resolvi ajudar um pouco mais, chamei pelo interfone a minha vizinha, e assim fui fazendo com o celular, falei com muitas pessoas da redondeza e ele foi aos lugares certos.
  No final da tarde, tive a grata surpresa de vê-lo em minha porta novamente. Ele estava sorridente, e me contou que todas as pessoas que eu indicara a ele, haviam comprado mais que o esperado, sendo assim ele estava com uma nova lista quase completa, a felicidade irradiava luz em seus pequenos olhos.
Perguntei se ele havia voltado para casa, ele respondeu que não. Percebi que o pequeno nem havia almoçado, considerando-o já um grande amigo, convidei-o a entrar,ele meio inseguro sorriu e entrou, servi um pequeno lanche a ele, tomou o refrigerante de um gole só,estava sedento. Ficamos conversando muito.
Ele me contou onde estudava, contou sobre as dificuldades da família,que tinha mais irmãos,que necessitavam de muitas coisas.
Pensei - o que faz um menino,que também precisava de muitas coisas fazer o que ele se propôs e com coragem e determinação.
Percebi que o simples fato de ajudar nosso semelhante nos faz feliz, nos deixa bem, e nos proporciona a cura de males emocionais.
  “Segundo os preceitos de Dalai Lama, uma atitude altruísta tem poder de cura. Em A medicina do altruísmo, um de seus ensinamentos, o líder espiritual do budismo tibetano afirma que muitas doenças podem ser curadas pela medicina do amor e da compaixão,que são a base estrutural da felicidade humana.”
   Parabéns a todas as pessoas que estão engajadas na luta do bem!

12 de nov. de 2019

Buscando ser feliz




    A grande busca do ser humano ainda é a felicidade, estamos sempre correndo para encontrá-la, já fazem parte de nossos desejos sejam eles quais forem.
Poucos sabem que ela não existe lá fora e sim dentro de cada um de nós,tudo que fazemos pelo outro,quando sentimos empatia,quando conseguimos arrancar um sorriso de alguém que esqueceu de sorrir, a felicidade aparece.
    Gosto da citação de Clarice Lispector- “As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.”
   Quantas vezes já ouvimos:- Se eu ganhar na loteria serei a pessoa mais feliz do mundo, se eu encontrar o companheiro ideal para minha vida, serei feliz, se eu tiver a casa dos meus sonhos, o carro do ano, casa na praia ou no campo, se......e a conjunção condicional, neste caso leva a culpa da ausência da tão sonhada felicidade.
 É extremamente fascinante perceber que não só nós, os adultos, nos preocupamos com a tal felicidade. Os pequenos também a valorizam, porém também seguem o exemplo de que ela está em outro lugar ou em outra pessoa.
   No dia do professor, que aconteceu no dia 15 de outubro, eu fiz companhia para minha amiga que foi buscar filha e netinha na escola, houve festa, por isso, a mãe estava lá.
  Quando as duas entraram no carro, a minha amiga que estava ao volante percebeu a tristeza no rostinho da neta, virou para trás e perguntou:    
- O que houve, minha querida, você chorou?
 Sussurrando  ela respondeu:- sim vovó, estou muito triste, e se encolheu no ombro da mãe.
- Conte o que houve, podemos ajudá-la?
Ela mais que depressa se afastou da mãe, ergueu os olhinhos cheios de lágrimas e disse:
- Mamãe, quando eu crescer você me ajuda a achar um marido, para eu ser feliz?
   A mãe, meio chocada olhou para a pequena e respondeu
Valentina, você ainda é muito pequena para pensar em se casar, em ter um marido, por que isso agora?
Valentina, muito corajosa ergueu o queixo e disse:
Descobri o porquê da tristeza da minha professora, ela é triste porque não tem marido.
  Nós três, nos olhamos e sem saber o que dizer ficamos quietas, mas intrigadas com a afirmação dela, tão pequena e já sentia as emoções de quem ela gostava muito, a tristeza da professora, será que alguém saberia responder?
  Sim, foram feitas diversas pesquisas com este tema,” A visão das crianças sobre a felicidade”, e aqui transcrevo um pequeno resultado de uma delas:
  “ Com relação à primeira questão, sobre o que é ser
feliz, as respostas analisadas permitiram a emergência de
dez categorias excludentes: sentimentos e estados positivos
(rir, felicidade, alegria), self positivo e altruísmo (ser legal,
repartir, ajudar, amar), lazer (atividades físicas e divertidas,
brincar), satisfação de necessidades básicas e desejos (ter
casa, comida, ganhar presentes), família (referências à família), amizade (referências aos relacionamentos com os
pares), não-violência (não ser ator nem expectador de violências), escola (referências à escola), outras respostas.”
  Os dias transcorreram normalmente, todos da família já sabiam da história e o motivo da tristeza da pequena, mas não sabiam o que dizer ou fazer.
  Certa tarde, fomos buscar Valentina na escolinha, ela veio contente, jogando os bracinhos para o ar, e sua pequena mochila batia em sua cabeça, mas ela nem percebia, nós a observávamos, e houve um comentário da avó.
-Ufa! Hoje tem notícia boa, vamos aguardar.
Valentina entrou resfolegando, ajeitou-se ao lado da mãe e bradou:
-Mãezinha, minha professora voltou a ser feliz.
Olhamo-nos sem entender, mas teríamos que esperar a respiração dela ficar calma para ela nos esclarecer.
-O que houve, desta vez?
-Minha professora está muito feliz, pois arrumou um marido.
Rimos com ela, elogiamos a emoção da pequena, só não entendemos se a professora era casada, mas estava separada ou o motivo da tristeza era outro, porém para Valentina a felicidade estava atrelada a possuir um “bom marido”.
Ver e sentir a alegria no rostinho dela mostrava o quanto estava feliz, e não era o momento de explicar à Valentina que a felicidade da professora não estava no marido, e sim dentro dela.

Imagem Google

5 de out. de 2019

Ditados populares


Imagem tirada do Google.


   Existem muitas expressões ou ditados populares, que às vezes não são entendidos, principalmente pelas crianças.
Os ditados populares fazem parte do povo. Todos têm um significado do qual podemos tirar uma moral que nos serve como conselho, pois nos transmitem sabedoria e ensinamentos. 
   Podemos dizer que muitos ditados populares nos remetem à poesia, muitos deles foram usados ou criados há muito tempo, enquanto outros por brincadeiras e para fazer graça, e hoje são usados para transmitir algo que queremos dizer em poucas palavras. Os ditados populares são didáticos, e, é extremamente interessante ensinar às crianças o significado deles, ou de alguns mais usados no dia a dia, pois com eles, a criança aprenderá sobre temas diversos e também, o emprego das metáforas e da linguagem figurada.
 Existem alguns mais usados como:
    Acabou em pizza, empregada quando algo errado é julgado sem que ninguém seja punido.
  Voto de Minerva, também conhecida como “voto de desempate” ou “voto de qualidade”.
 Ficar a ver navios é uma expressão popular que significa ser enganado.
   Dar de mão beijada - A expressão “dar de mão beijada”, usada para se referir ao ato de dar algo de forma espontânea e gratuita.
   Engolir sapos- credita-se que a expressão tenha se originado a partir dos relatos bíblicos das pragas que atingiram o Egito no tempo de Moisés.
   Tirar o cavalo da chuva – Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!
  Há muitas destas expressões, mas vou me ater em uma especificamente por ter presenciado o fato, além de interessante passou a ser cômico. Criança sempre nos dá muitas razões para rir.
Domingo, à tarde fui visitar um parente que estava acamado, fazia dias que estava em um tratamento intensivo.
Estávamos reunidos com outros membros da família, a conversa sempre muito boa, apesar do doente.
Havia primos, que não via há tempo, que trouxeram seus filhos pequenos.
   Minha prima, tem uma filhinha de 5 anos, uma graça, além de inteligente é muito peralta, pois estava sempre aprontando alguma, por isso os pais não podiam se descuidar dela, e estava sempre sob os olhares de algum adulto.
A roda da conversa aumentava, todos queriam saber das novidades e notícias de algum parente ausente.
Após um delicioso café, todos voltamos para continuarmos o gostoso bate-papo.
Um pouco mais tarde, chegou uma tia, que viera para passar uns dias junto à família para ajudar nos cuidados com o doente.
Mesmo antes de vê-lo, foi logo perguntando:
-Como ele está hoje?
E aí, alguém começou a falar, mas como estava com a voz um pouco alta foi alertada.
-  Fale baixo, pois aqui as paredes têm ouvidos.
A conversa continuou por um bom tempo.
   De repente, minha prima sentiu falta da sua filhinha, onde foi parar a menina? Todos começaram a procurar por ela, a casa era grande, muitos cômodos.
Todos chamando por ela, e nada de respostas.
Repentinamente, alguém gritou:
- Ela está aqui, no quarto dos fundos. Corremos todos.
Minha prima enlouquecida falou:
Minha filha, o que está fazendo aqui, longe de nós, já avisei a você que não a quero longe de minhas vistas.
A pequena bem depressa e muito contrariada falou:
- Estou procurando os ouvidos nas paredes, já procurei em quase todas elas, e até agora não vi nenhum ouvido.
Não entendemos nada. Então minha prima ajoelhou-se na frente da filha e falou:
-Explique para a mamãe, por que você está procurando ouvido nas paredes?

Então, ela meio chorosa disse:
-A vovó falou para a titia falar baixo porque aqui, as paredes têm ouvidos, eu só queria vê-los.
    Sem muito pensar todos puseram-se a rir.
A expressão: “As paredes têm ouvidos”, foi levada literalmente, ao pé da letra pela pequena, que não sabia nada sobre ditados populares.

11 de set. de 2019

Criança diz sempre a verdade




    Fui convidada por minha amiga para a festa de aniversário da netinha dela, podemos afirmar,festa de criança exige muito serviço, muita dedicação,estava tudo sendo preparado no salão de festas do prédio onde minha amiga mora. O corre-corre estava longe de parar.
  Havia muito parentes,os priminhos da menina já estavam aguardando o momento da festa, havia muita gente cuidando para que os pequenos não sofressem nenhum acidente, e muitos estavam brincando na piscina,trabalho dobrado para todos.
   Minha amiga percebeu que sua netinha estava tendo um desentendimento com o irmãozinho menor que ela, e a menina é osso duro de roer, não deixa nada passar em branco, e ela sabia que não iria demorar muito para o tumulto se instalar em todo o ambiente. A discussão dos dois pequenos era devido a escolha de algum brinquedo, ela queria dar a última palavra, isso significava que a decisão seria dela. O irmãozinho também queria ter seu quinhão de razão, e as vozes já estavam alteradas.
    Minha amiga usando a sua psicologia chamou a netinha, e a convidou para ir junto ao quarto ajudá-la a escolher uma roupa, como a menina não se interessou, continuou insistindo e disse:
- Venha Eduarda, com a vovó,vou deixar você usar meus cremes.
Nem precisou terminar a frase,a menina já estava agarrada à sua mão.
-Vamos vovó!
  As duas foram caminhando lentamente,parecia que a vovó da pequena estava pensando em alguma solução rápida para que a garotinha esquecesse o tal brinquedo.
 A avó, pegou algumas roupas e foi espalhando sobre a cama, enquanto a menina estava abrindo os potes de creme, que eram os preferidos da minha amiga.
Para tirar a atenção dela, dos potes de creme, disse:
- Querida, você acha que a vovó está gorda?
-O que acha desta roupa em mim, hein?
A netinha fixou os olhos na vovó, colocou as mãozinhas na cintura e respondeu:
- Foi aquele meu primo,intrometido que falou isso de você?
Aí, parece que os ânimos se exaltaram,minha amiga ficou sem reação, se refez, tomou fôlego e respondeu que não, que seu primo nada tinha a ver com a sua pergunta,e disse:-quero saber a sua opinião, pois você sabe que gosto muito de comer docinhos e sou gulosa nas festas,e quero a sua ajuda, pois se me acha gorda não vou comer muito.
Mais calma, mas ainda com as mãozinhas na cintura, a pequena respondeu:
- Ah! Está bem,então o que você quer saber,vovó?
-Se estou gorda,minha querida.
A menina olhou bem para ela e disse:
-Você já é vovó,então não tem problema,pois as avós trocam de pele.
Minha amiga, teve que se sentar para segurar a sua estrondosa gargalhada,e pensou:- estou mudando de pele, posso comer tudo que quiser.
Ficaram mais um tempo na conversa e deu tempo de rir muito.
Chamaram-nas para a festa,todos já estavam ao redor da grande e bela mesa.
Minha amiga estava rindo sozinha,e disse-me:
-Você, não pode comer docinhos,depois te conto o porquê,e riu muito.
Durante o café,os convidados adultos ficaram perto para poderem conversar.
Aí, minha amiga,contou-nos a história hilária,no momento que ela falou que avós podem comer doces e podem engordar porque trocam a pele, as gargalhadas foram estupendas. Em seguida pediu a todos que já eram avós que levantassem a mão, e todos o fizeram, menos eu.
Então ela complementou:
-Todos podem comer de tudo,inclusive muitos doces,pois nada fará mal,se somos avós vamos trocar de pele. Muitas risadas.
Apontou o dedo para mim,e rindo muito disse-me:
- Amiga, você não é avó,por isso, se comer muito e provar os docinhos vai engordar e não trocará a pele, e gargalhou,e continuou, está escrito na grande sabedoria infantil,da minha amada neta,quem não é avó não troca de pele.
Mas mesmo assim eu comi muitos doces,e sem culpa alguma.

20 de ago. de 2019

Rir e chorar

Imagem do Google



     Ontem ganhei o dia, como se costuma dizer quando algo bom nos acontece.
  Conheci a dona Jandira,uma senhora robusta que trabalha como diarista.
  Ela estava muito exaltada, e contava a sua rotina a uma senhora que estava no ponto de ônibus. Dizia que levantava todos os dias às 5h da manhã, preparava o café para os dois filhos, tomava um gole rapidamente e corria para pegar o ônibus. Ela precisava pegar duas conduções para chegar ao trabalho, às vezes atrasava, pois dependia da vontade do motorista em parar, pois se o carro estava lotado nem fazia questão, aí precisava ficar esperando o próximo, sua patroa não se zangava, pois sabia da situação de sua funcionária.
  Naquele finalzinho de tarde, dona Jandira estava se superando na raiva. Disse que saíra um pouco antes porque precisava chegar em casa mais cedo para ir à missa de sétimo dia de sua prima Zina, que falecera em um acidente, quando estava voltando de bicicleta para casa, e foi jogada longe por um motoqueiro. A história era triste, mas ouvindo-a contar parecia uma narrativa cômica.
  E, bem neste dia a sua condução estava muito atrasada. Ela falava e estava esbaforida, era até engraçado vê-la falando, gesticulando e gritando. Parecia que todos ali, tinham culpa pelo atraso do ônibus.
  Ela carregava duas sacolinhas de mercado, uma blusa, uma sombrinha e sua bolsa. Dizia estar cansada por passar todos os dias pela mesma situação, e assim andava de um lado para o outro, abanando as sacolinhas.
De repente, vi que um ônibus se aproximava e todos que estavam na fila foram em sua direção, foram segundos, e ele se foi, neste instante ela gritou feito doida, falou coisas impróprias para descrevê-las, ela havia ficado falando suas tristezas e não percebeu que sua condução chegara e partira rapidamente.
  Ficou transtornada, parecia que o mundo estava desabando, eu de longe observando aquele alvoroço.
-Pensei- Tomara que não sobre para mim.
Quando terminei meu pensamento ela veio, aproximou-se de onde eu estava e lançou suas barbaridades sobre mim. A princípio não disse nada, fingi que estava lendo. Ela mostrava sua falta de educação, e, eu não tinha como retrucá-la. Fiquei sem graça, pois as pessoas que passavam pensavam que ela estava brigando comigo.
Resolvi me afastar e fui a uma lanchonete, que ficava próxima, tomar um suco.
    A fila estava se formando novamente para o próximo ônibus, e ela continuava xingando sem cessar. O pessoal que foi chegando estava meio arredio, pois não entendia o motivo de tanta gritaria.
  Dona Jandira sempre foi reclamona, diziam alguns que já a conheciam, mas nesta tarde estava irreconhecível.
 Começou a falar com todos que estavam na fila, sem receber resposta foi andando até o final da fila e dizia:
-Desta vez, ninguém me fará perder o meu ônibus, pois tenho que rezar pela minha prima que morreu,pobre da Zina, e, eu aqui atrasada para a missa.
Todos da fila estavam visivelmente cansados e sequer davam atenção a ela, estavam sim, querendo chegar em casa o mais rápido possível.
 O pior que eu observei que ela não estava na fila, e a cada minuto aumentava, todos cuidando do seu lugar para entrar no ônibus.
  De repente, ela como se acordasse com a situação da fila, percebeu que não estava em nenhum lugar, sendo assim ela ficaria em último lugar o que provavelmente a faria ter que esperar pelo próximo ônibus, porque com certeza, havia muita gente para embarcar neste.
Ela ficou histérica, andava de frente para trás procurando onde pudesse “furar “a fila, mas ninguém deu abertura para ela.
Fiquei apenas observando, estava curiosa para ver o que ela iria fazer.
Percebi que o ônibus se aproximava e, ela estava fazendo o máximo esforço para embarcar neste.
O ônibus parou e todos foram entrando rapidamente, quando ela viu que a chance de entrar estava acabando, deu um pulo, a porta se fechou, mas coitada, a sua sombrinha ficou imprensada na porta, ela ficou com o cabo nas mãos e o restante ficou para fora. Com o vento ela se abriu como um paraquedas, e todos gritavam:
-Dona, olha a sombrinha!

Mulheres e a história

      Nós, brasileiros, possuímos um patrimônio social na história, na política na cultura e, como acontece em todos os países há a ...