12 de jul de 2017

A robotização da massa

Vejo pessoas  robotizadas  pelas ruas, cabeças baixas, dedos deslizando sobre pequenas telas pretas.
Ando pelas calçadas com as mãos nos bolsos, sinto-me invisível,
confesso que até prefiro ser invisível, às vezes.
Pessoas  andam com as cabeças mais vazias, e a língua mais afiada para projetar a maldade, nas pessoas  que atravessam o seu caminho. 


No meu MP4, Zé Ramalho canta “ Admirável Gado Novo”
e penso que, pela primeira vez, prestei atenção nesta letra,
na profundidade e significado de suas palavras, a letra foi inspirada na obra de” Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, a qual foi composta em 1979, como consta em sua biografia, ela foi um protesto à época do governo militar, porém  fico a pensar: em que momento o Brasil saiu do marasmo de estar deitado no berço esplêndido?
Falemos aqui da descoberta do nosso país, quando portugueses, principalmente, tomaram e fizeram das nossas  terras seus celeiros, nos quais guardavam o que há de pior ,
usaram nosso país como cobaia, levaram nossas riquezas,
povoaram-no com pessoas que para eles nem serventia tinham mais, e estas mesmas pessoas que encontro de cabeça  baixa, olhos fixos nas pequenas  telas pretas são as que assumem que não gostam e não querem saber de política.
Como se algo maligno ela representasse.
Mas não é assim! 
A política, em si é boa, desde que feita da forma correta e que os políticos que a representam no momento, sejam cobrados de forma correta, porém, aqui dentro, sinto que,   cada vez que um brasileiro diz: não gosto e não quero saber!
Um político dá gargalhadas, com os bolsos e cueca cheias de dinheiro, cheias com o nosso dinheiro.
Este mesmo, tão suado, que Zé Ramalho canta, este que temos que trabalhar mais e mais para pagar mais e mais impostos.
Aquele que é prometido para a saúde e educação, mas quando nos damos conta ambos  os campos foram maquiados,  meus amigos, digam-me: qual político em sã consciência, hoje, quer um povo saudável e inteligente?
Um povo que não dependa mais deles? Um povo que saiba como decidir, interpretar e entender qual político realmente levará a política a sério?
As escolas  estão doutrinadas para ensinarem o básico, aquilo que convém ao governo,
prova disso foi o livro abolido há pouco tempo, ainda do governo anterior, em que o MEC ( sabendo sem saber ), liberou verba para ser impresso, o qual deixou famílias em polvorosa quanto ao seu conteúdo  sexual e explícito.
E os valores vão se perdendo pelo caminho... como as migalhas de pão do conto infantil de  João e Maria, e quando eles  tentam voltar  percebem que as migalhas já foram comidas, e não há outro final a não ser o enclausuramento.
É justamente isso que percebo em nosso sistema político hoje: vamos deixando migalhas pelo caminho, que são comidas por eles, políticos que são pagos com o nosso dinheiro,
para que assim, não possamos mais voltar e recomeçar.
Lembro um ano em que milhões de brasileiros foram às ruas, queriam  o Brasil de volta para nós...
Por um lado conseguiram, mas... sinto que os brasileiros de bem acordaram tarde demais...
Aquele berço do início, lembram-se? Pois é...
Talvez faça parte do Hino Nacional por um motivo verdadeiro, o gigante acordou por alguns dias, mas voltou a dormir.
Esta é a realidade.
O país está fragmentado por culpa do próprio brasileiro que decidiu escolher” lados”, e não o seu país, pois quando o povo escolhe um lado (esquerdo, direito, centro) para defender, que não seja o seu país, tudo começa a ficar perigoso...
Alguns brasileiros escolheram lados, e não a sua bandeira, símbolo máximo de representação da nação brasileira.
E não percebem que, nos bastidores, esses mesmos políticos que eles defendem, e até brigam por eles, estão sentados em restaurantes luxuosos, fazendo acordos contra estes mesmos brasileiros.
A música de Zé Ramalho, escrita em 79, não era alusiva ao período militar, ela é alusiva a todos os períodos políticos que vivemos, desde sempre.
Ouço muitos falarem: por favor, devolvam o Brasil aos índios!
Mas até eles perderam sua identidade.
Penso como é estranho um país com pessoas de bem, que quando é preciso dão-se as mãos e ajudam ao próximo, mas ser massa de manobra nas mãos de poucos...
O brasileiro provou, inúmeras  vezes, que é capaz de mudar o rumo da história, e talvez ela esteja mudando, mas  como sabemos  nosso país, é imenso... tudo acontece devagar.
A sensação é de nadar contra as ondas  todos  os  dias, e cada vez mais sentir a beira do mar, longe de ser alcançada.

... e elas continuam a andar com a cabeça baixa.
Fotos: Google


2 de jul de 2017

Se eu puder falar...

Quero um dia poder sentar ao lado de uma criança, da mais tenra idade e conversar com ela,
contar como a vida vai lhe pregar peças, mas tudo será para o seu aprendizado, também
contar a ela que sim, muitas vezes ela irá chorar escondido, contar uma mentira ou outra, precisar engolir o orgulho e aprender a se perdoar.
Dizer-lhe que o mundo gira e, ele não pára cada vez que um problema vier a afligir seus dias.
Que as horas já não passam mais, elas voam! E que ela deve aproveitar cada segundo para viver. 

Que ela sentirá uma vontade enorme de ir embora de casa, ficar longe da família, dos pais
Que ela começará a se incomodar em beijar a mãe ou o pai quando for deixada na porta da escola, mas, um dia, quando os anos passarem, o que ela mais vai querer é voltar para casa deles, para abraçá-los e beijá-los.
Que não há nada mais saboroso que a comida da avó, e nem colo mais aconchegante que o dela.
Que ela pode, e deve cometer erros, mas nunca os mesmos!
Que a gente só aprende na dor, no sofrimento, e amadurece e se torna mais forte.
Que a felicidade é passageira e a dor também!
Que homem chora sim, e mulher aguenta o tranco.
Que a vida é mais perfumada quando percebemos os detalhes simples.
Que todas as estações do ano têm seu encanto mesmo que ela deteste calor ou frio, porque
 a natureza faz parte da gente e nunca deve ser destruída, mas sim, cultivada, amparada e admirada.
Que o sorriso de uma criança colore nosso dia,
Que um abraço apertado cura muitas dores, e
que um aperto de mão acalenta o coração,
que troca de olhares, ainda são importantes, mesmo que cada vez mais raros,
diria a ela para nunca perder a centelha de esperança que nasceu com ela, e
que tudo tem seu tempo certo, então não adianta se aborrecer se algo não sair como planejado naquele momento.
Que há um ser maior que tudo que podemos  imaginar, e que ele nos ama exatamente como somos.
Que vale a pena ser bom, mesmo que o mundo, às vezes, nos mostre o contrário.
Que roubar um beijo, fazer uma declaração de amor ou dançar apenas uma música com alguém, pode tornar essa pessoa a sua pessoa especial para toda vida, portanto: arrisque-se mais!
Que no final do dia, sempre devemos agradecer por tudo estar bem, por mais que isso não seja 100% verdade: palavras positivas atraem resultados positivos.
Que devemos reclamar menos e fazer mais.
Que nunca seremos perfeitos, mas somos perfeitos para alguém e alguém será para nós.
Que os estudos ainda serão o caminho certo a seguir, e
que ela deve sempre respeitar a todas as pessoas, mas principalmente a seus pais.
Que ela vai sofrer por amor, mas vai passar...
Que por mais que o dia esteja cinza, quem o deixa colorido somos nós mesmos.
Que a felicidade está dentro de nós, e o sorriso é gratuito e deve ser dado mais vezes.
Que é permitido fugir da dieta, dançar na chuva, andar descalço e sentir a grama sob os pés, mesmo que você já tenha passado dos cinquenta.
Que a vida é um constante recomeço, todos os dias, e nunca será igual, pois
 o passado não volta, e as pessoas que se foram, ficam na lembrança.
Que não haja mágoas, nem ressentimentos, porque ressentir-se é lembrar da mágoa novamente, e que perdão ajuda muito.
Por isso, seja especial na vida de cada um que você encontrar pelo caminho, pois serão as lembranças que elas levarão de você, e não o quanto de riqueza material você deixou.
Imagens Google

17 de jun de 2017

Em tempo de São João

Cresci vendo a fogueira ser montada, ser acesa e queimada, espetáculo que se repete todos os anos com a festa do Padroeiro do bairro São Pedro. Neste ano, será a 82ª. fogueira a ser acesa. Aproximadamente na década de 60, meu pai tinha um caminhão Chevrolet e o Sílvio Melo, filho do seu Romualdo, possuía outro. Os dois dirigiam até o Trabuco, onde meus avós tinham um sítio, havia uma equipe de voluntários que ia junto, para lá cortarem a lenha para a fogueira, eles saiam de casa bem cedinho, levavam comida e passavam o dia no mato trabalhando, tudo acontecia nos finais de semana. Meu avô, Estácio, fez a doação de lenha por muitos anos.Aos domingo, as crianças podiam assistir de longe o trabalho, que era extremamente árduo, porém, recompensador. Meu pai tinha um armazém e ainda trabalhava como marceneiro, sua profissão, entalhava móveis com muita perfeição o que o fez, por vinte e três anos. Na época da fogueira, ele às vezes, não podia estar junto com a equipe, pois precisava ajudar a minha mãe, no armazém, então ele mandava a comida para todos que estavam trabalhando para erguer a fogueira. As varas de eucaliptos eram compradas, mas não eram varas eram troncos enormes, como deviam ser para sustentar tão grande " Colosso". Em certa ocasião, um senhor doou as varas, eram muitas e grossas também, como o tempo estava muito chuvoso as varas ficaram por alguns dias à beira da estrada, no meio do barro. Em um sábado de muito frio e com geada, conseguiram emprestar o trator do Seu Madureira (gerente do banco INCO), foi colocado um reboque engatado no trator, as varas (muito grossas) estavam cobertas de gelo, o trabalho durou muitas horas e quando tudo estava pronto, o dono do trator chegou e recolheu-o, porque ele só admitia que o seu motorista usasse a máquina. É claro que tudo foi desfeito, e meu tio ( Ihor Andrukiu) me contou que a fome era desesperadora, tiveram que arrumar um caminhão e carregar tudo de novo. Já era noite, pois no inverno, o sol vai dormir mais cedo, e todos da equipe sabiam que ainda tinham que descarregar no pátio da igreja, dizem que São Pedro é muito bom, pois quando chegaram, o motorista fez uma manobra rápida, mas no lugar certo, sem ninguém mais sobre o caminhão, aí, arrebentaram-se sozinhas todas as cordas e, num segundo todas as varas estavam no chão. Contaram que todos aplaudiram agradecendo a São Pedro.
A equipe era composta por seu Osni Meyer, Seu Friedrich, Sílvio Melo, Ihor-Ivo Andrukiu, Seu Valdemar( conhecido como Piratuba), Levanir Fagundes, Pedro Celestino,Adelmo Menegasso , Carlos Drosdoski, Seu Ângelo Shwab, e meu querido pai. Tentei não esquecer nomes.
A fogueira começava a ser erguida e quando já estava em uma altura que não dava para alcançar, era passado uma roldana e assim puxada a madeira para cima, ela era toda reforçada com muitos arames, hoje são cabos de aço. O guindaste do batalhão sempre dava uma ajuda, certa vez foi colocado no guindaste uma vara enorme, foi fechado o gancho e começou a subir, a vara era tão alta que se tombasse pegaria muitas casas. De repente, todos perceberam que o gancho abriu, a vara ficou suspensa, o soldado que manobrava não mexeu em nada, ficou paralisado e todos pediram a São Pedro aos brados para que os ajudassem, e quando a vara começou a balançar o gancho se fechou sozinho, agradeceram de joelhos, eu acredito em milagres, mas este eu não presenciei, porém houve muitas testemunhas, até o soldado que manobrava o guindaste ficou sem fala.
Nessa época, a fogueira ganhava altura e chegou a 60 metros, dizem que passou um pouco, foi notícia no Jornal Nacional e no Fantástico.
Ah! Agora vem a peça chave, como acender a fogueira tão alta, o seu Schwab (meu pai sempre dizia que ele sabia fazer de tudo), hoje seria o Magayver, ele criou uma peça com dois fios elétricos que ia até o topo da fogueira, colocava uma resistência rodeada de místico (não é pólvora, seria como o pó do palito de fósforo) e estopa embebida em gasolina, embaixo uma mesa com um interruptor, que era acionado pelo convidado a acender a fogueira, assim ela era acesa.
Nesta foto, Seu Ângelo Shwab, é o que está usando boné, puxava as varas de bracatinga a cavalo, da propriedade do senhor Rafael Sosnowski , próxima à igreja do bairro, as quais eram emendadas para chegar à altura desejada. Todo o trabalho era feito com muita alegria e, em equipe.
As lembranças trazem saudades, hoje por medida de segurança ela fica entre 38 e 40 metros.

Era uma grande equipe e fazia sucesso, como nos dizia Murillo Cintra de Oliveira:-" O segredo de um grande sucesso está no trabalho de uma grande equipe".


30 de mai de 2017

O pequeno livro

Lembro-me que era uma tarde fria de outono, dessas em que as árvores ganham tons amarelados, avermelhados, tons maravilhosos, quando as flores se desprendem delicadamente dos galhos, e caem de uma forma majestosa, sobre as calçadas.
Eu estava sentada em um banco de madeira, pintado de branco o qual, contrastava com as folhas caídas no chão.
Admirava as pessoas nos pedalinhos indo e vindo pelo enorme lago do parque, quando um senhor se sentou ao meu lado. Educadamente pediu licença, colocou seu chapéu no braço do banco, cruzou as pernas e abriu um pequeno livro.
Confesso que fiquei curiosa para saber o título do mesmo, mas a vergonha foi maior, não consegui ir além de um leve consentimento de “ pode sentar, “ com a cabeça.
Fiquei por ali mais uns cinco minutos e decidi ir para casa, o frio estava começando a congelar as pontas dos meus dedos.
No dia seguinte, o sol me acordara cedo, como era sábado, queria aproveitar para fazer algumas coisas que durante a semana não tivera tempo.
O parque cortava caminho e diminuía passos, além das belezas naturais que sempre tiravam o meu fôlego quando parava por alguns instantes para admirar.
Na volta, com algumas sacolas a mais, decidi me sentar um pouco, não havia calculado ao certo o peso de cada uma, e estava cansada.
Alguns minutos depois, enquanto meus olhos se entretinham com patos buscando comida sobre a água, uma voz familiar me cumprimenta pedindo licença para se sentar.
Prontamente trouxe as sacolas para perto do meu corpo, e o conhecido senhor sentou-se, colocando seu chapéu sobre o banco, cruzando as pernas abriu o pequeno livro. O mesmo de ontem.
Olhei de canto de olho, percebi que a capa era branca e o livro era pequeno e fino, pensei comigo: deve ter umas dez páginas.
Mas, minha olhada de canto foi percebida, e sem tirar os olhos do livro o senhor me perguntou: - Conhece o Pequeno Príncipe?
No momento corei, ele havia percebido minha indiscrição. Senti-me tola por não ter perguntado o nome e sim, esperado ele perceber minha curiosidade.
- Já ouvi falar, sim senhor. 

No momento da resposta, veio à tona minha infância, quando desenhos daquele pequeno menino, passava na TV. Eu sempre achei que era coisa de criança, o que me causou estranheza um senhor lendo um livro, supostamente infantil.
- Eu já li esse livro 156 vezes, ele continuou, e sempre que o leio, é uma nova surpresa para mim. Amadurecemos, a visão muda sobre muitas coisas, inclusive sobre uma obra tão rica como essa.
Analisei rapidamente aquele pequeno livro que o senhor tinha entre as mãos. Sem exageros, posso afirmar que as mãos dele eram quase maiores que o livro, que ele dizia ter lido tantas vezes.
- Desculpe-me, eu já ouvi falar, mas sempre pensei que fosse um livro infantil. Lembro-me até dos desenhos que passavam...
- Não, não... engana-se. Este livro é tão profundo que, após lê-lo, mesmo pela 157ª vez, ele causa mudanças em minha forma de analisar, agir e pensar.
Fiquei muda. Não podia crer no que aquele senhor, que me parecia tão culto e vivido falava: um pequeno livro mudar pensamentos de um senhor como ele?! Impossível acreditar.
- Percebo pela sua fisionomia que não acredita em mim. Façamos o seguinte: fique com o livro, daqui a uma semana, encontre-me neste mesmo local e voltamos a conversar.
No momento, eu me neguei a aceitar tal proposta, aquele senhor emprestando seu livro, tão precioso para ele. Mas ele insistiu, deixou-o sobre o banco e partiu.
Eu não sabia seu nome e nem ele o meu. Peguei o livro, abri em uma página qualquer, muitas marcações, palavras destacadas, pensei: - isso será interessante!
Desafio aceito.
Fui para casa, por incrível que pareça no caminho todo em pensava naquele pequeno livro, sem entender ainda como ele transformaria minha vida, ou pensamentos, ou forma de agir.
Arrumei as compras. Olhei o relógio, eram três da tarde. Pelo tamanho do livro, calculei que em meia hora já o teria lido e guardado na sacola para devolvê-lo, no sábado seguinte.
Fiz um pouco de chá, ajeitei-me na poltrona e lá fui eu para a primeira página... e a mágica foi acontecendo, página após página...
96 páginas depois, o livro chega ao fim. Olhei para os lados, a sensação foi de ter saído das profundezas do oceano dentro de mim mesma.
Turbilhão de sentimento, estrelas, rosa, planetas, esperança, amor, saudade... tudo misturado dentro de mim querendo explodir. Eu precisava encontrar aquele senhor, precisava lhe contar tudo isso, precisava mostrar ao mundo do que aquele pequeno livro era capaz!
Eu não queria que ele tivesse acabado, eu queria mais folhas, mais palavras bonitas, mais conselhos, mais verdades, eu queria mais do que o mundo oferecia naquelas poucas folhas.
Foi preciso um estranho se aproximar de mim, para eu conhecer algo tão precioso que estava acessível o tempo todo e nunca fora percebido por mim, talvez por preconceito ou ignorância.
A semana passou, voltei ao parque, voltei ao mesmo lugar para entregar o livro ao senhor desconhecido.
E lá estava ele, no mesmo banco, com o chapéu em suas mãos. Quando me aproximei ele sorriu.
- Não precisa dizer nada, seus olhos mudaram desde a última vez em que eu a vi. Seu rosto, seu semblante está iluminado. O livro funcionou para você.
- Funcionou?
- Eu sempre ando com um exemplar deste livro em busca de pessoas que precisam dele. Percebi que você era uma delas. Mas na primeira vez não teve coragem de se aproximar e, eu respeitei seu espaço. Na segunda vez, percebendo que você estava observando e tentando descobrir a capa, o nome, eu o aproximei de você. Esta é a magia do Pequeno Príncipe, ele convida as pessoas para lerem-no, e transformarem um pouco suas vidas como ele fez comigo e com você.
Fiquei admirada com aquelas palavras. Aquele senhor fazia uma corrente do bem, emprestando o livro para pessoas que, sem perceberem, estavam anestesiadas na vida. Sem a real e total perspectiva.
Estendi a mão para devolver o livro, mas ele recusou e disse:
- Passe-o para outra pessoa ou guarde-o para você. É seu.
Colocou o chapéu, apertou minha mão, sorriu e seguiu seu caminho.
Até hoje não sei o nome dele, mas ele sabe o bem que ele me fez ao me entregar aquele pequeno e tão grandioso livro.



18 de mai de 2017

A existência de Deus

Antoine de Saint-Exupéry, notável escritor que se notabilizou pela sua grande paixão à aviação, sendo destacado para fazer a linha comercial do Correio Aéreo francês. Para Exupéry, tudo que se relacionava ao conceito de religião e divindade era de importância secundária.
Em um de seus voos, em companhia de seu mecânico de bordo, no deserto do Saara, o avião sofreu uma pane e caiu. A primeira noite foi aterrorizante, pois a temperatura no deserto, à noite é baixíssima,ao contrário, durante o dia, o calor é escaldante.
Quando amanheceu, Exupéry já estava conformado à espera da morte, porque não havia possibilidade de vida onde estavam.
De repente, ele viu passar correndo, nas dunas, um pequeno rato do deserto, logo pensou se há um animalzinho aqui, deve haver água e consequentemente vida.

Andou por muito tempo atrás do bichinho, e o encontrou em uma duna fixa, de um lado havia muita umidade e muitos gravetos, lugar e clima propicio para uma colônia de caracóis, junto à uma  comunidade de ratinhos. Exupéry permaneceu ali, o dia todo, e percebeu que os ratinhos se alimentavam dos caracóis velhos, deixando os jovens vivos, com isso, a alimentação não acabaria e assim a vida teria continuidade, no deserto do Saara.
O jovem gritou de alegria – Deus existe! Ao sair correndo avistou seu mecânico acenando com sua camisa, e disse a Exupéry que teve o instinto de girar a hélice e ao fazê-lo, o avião funcionou, disse o mecânico: - Parece um milagre. Chegaram a Dacar, são e salvos.
Deus existe! Basta olharmos para alguns animais ou bichinhos, seus instintos eles vão nos responder sim, Deus existe.
Qual foi o engenheiro que ensinou ao João de barro a construir sua casa de maneira que as intempéries não matem os seus filhotes?
Qual foi o farmacêutico que passou ensinamentos ao cão sobre as ervas para a cura de suas indisposições?
Qual arquiteto estabeleceu as linhas mestras aos pássaros para entrelaçarem seus ninhos com segurança?
Quem ministrou aulas de paciência à pantera para ter êxito em suas caças?
Qual maestro deu aulas de técnica vocal às aves?
Quem informou às tartarugas que nascem nas areias escaldantes, a procurarem se salvar nas águas do mar?
Qual aviador deu lições ao condor, à águia a planar, envergar as asas e fazer voos rasantes?
Deus que tudo faz. Deus que tudo provê!
Fotos: Google

10 de mai de 2017

Ode às mães

Há tanta coisa bonita a ser dita, porém tudo se torna redundante, porque todos os poetas já proclamaram em verso e prosa o nome "Mãe".Palavras bonitas,versos rimados,mas será que em algum poema veremos registrado o dia em que a mamãe ficou sem almoçar porque o bebê chorou muito, a dor era grande e, ela chorou também, ou será que em algum lugar encontraremos a mamãe escondendo as lágrimas, para manter-se firme diante de uma posição tomada?
E, quando nos perguntarem:
Quem é aquela mulher ajoelhada aos pés da cruz de Jesus?
É uma Mãe que pede pelo seu filhinho que nasceu com paralisia cerebral.
Quem é aquela mulher com as mãos sujas de barro aos pés do morro?
É uma Mãe que procura pelo seu filho, sob os escombros do deslizamento , após as chuvas .
Quem é aquela mulher correndo pela rua, em meio à multidão?
É uma Mãe que saiu do trabalho, e se atrasou para pegar seu filho, na creche do bairro.
Quem é aquela mulher, sentada à beira da estrada?
É uma Mãe cansada do trabalho da roça, e que ainda vai trabalhar em casa.
Quem é aquela mulher  chorando,  à porta do hospital?
É uma Mãe que precisa que seu filho seja atendido pelo médico, mas não há vaga no hospital.
Quem é aquela mulher  desesperada  contando moedas?
É uma Mãe que conta seu dinheiro, para saber quantos pãezinhos poderá comprar para seus filhos, com o que ganhou  com seu trabalho, na feira.
Quem é aquela mulher  atrapalhando a fila, no mercado?
 É uma Mãe que está devolvendo mercadorias, porque seu dinheiro é pouco para pagar.
Quem é aquela mulher, à porta do colégio, olhando o relógio?
É uma Mãe que espera que seu filho se adapte ao primeiro dia de aula, para poder  deixá-lo e ir trabalhar.
Quem é aquela mulher, de salto alto, às pressas pela calçada?
É uma Mãe, advogada que vai enfrentar mais uma difícil jornada de seu trabalho, com a justiça.
Quem é aquela mulher  carregada de livros que caminha apressada?
É uma Mãe professora, que está indo cumprir mais uma jornada de trabalho, em outra Unidade Escolar. 

Quem é aquela  mulher  com vassoura, na rua?
É uma Mãe gari ,que faz seu trabalho na limpeza da cidade.
Quem é aquela mulher que está aguardando em frente à loja ?
É uma mãe que trabalha como balconista para auxiliar na renda de casa.
Quem é aquela mulher de boné com baldes e pás?
É uma Mãe servente de pedreiro, e também é  chefe de família.
Quem  é aquela mulher maravilhosa, de braços abertos  querendo abraçar a todos nós, como se fôssemos seus filhos?
Aquela é Maria, a Mãe de Jesus e nossa Mãe, foi escolhida por Deus para ser a Mãe do Mestre Divino, e Ele quando na cruz disse a todos nós:
- Eis aí, sua Mãe!
Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.
 Maria Santíssima, nossa Mãe espiritual.

Fotos: Google

Que o Mestre Divino abençoe a todas as mães!


7 de mai de 2017

Como deve ser

Certo dia, resolvi mudar de rota, voltei para casa por outro caminho, lembro-me que era um final de tarde lindo, daqueles em que o céu está rosa e os pássaros, com movimentos perfeitos de ballet, dançavam sobre minha cabeça.
Naquele momento ouvia uma música desses ritmos que nos deixam alegres, para cima, pois tudo se encaixava perfeitamente, sentia-me parte da natureza, como deve ser.
Foi quando observei ao lado, sentada sobre os trilhos do trem (que hoje não mais apita), uma mulher com as pernas contra o corpo, olhando para cima, sorria. 

Ela estava tão encantada que parei por alguns minutos.
Busquei com os meus olhos o que os olhos dela fitavam e a faziam sorrir, afinal sorrir faz bem e, eu também queria buscar um pouco daquela sensação.
Avistei, no céu, um casal de pássaros, pequenos, acredito serem sabiás.
Eles iam e vinham, suas asinhas desenhavam algo invisível no céu
e, naquele momento, meus lábios sorriram, mas foi algo tão espontâneo, tão puro, que a minha vontade era convidar a todos que passavam ali para, assim como ela e eu, parassem por alguns minutos e observassem como a natureza é perfeita em seu conjunto: animais, floresta e nós.
A harmonia, a boa convivência... Tudo poderia ser sempre assim
Tirei os fones do ouvido, precisava ouvir o canto daqueles seres tão pequenos e, ao mesmo tempo, tão grandes
Pensei comigo: corajosos, esses pequenos! Desde quando nascem têm que enfrentar este mundo todo, imenso, infindo...
Nós ainda temos auxilio, muitos de nós, até longa data... já, algumas espécies, nascem sozinhos e correm para o mar... tão pequenos e frágeis. Alguns não conseguem chegar ao seu destino final, outros chegam e têm que enfrentar outros desafios no fundo do mar...
E, me senti frágil diante de tais pensamentos.
Naquele momento, confesso, entendi o quão frágeis podemos ser... Muitos animais vivem só por anos e se defendem muito bem, e sobrevivem e vivem, porém nós sozinhos, não somos uma ilha, necessitamos uns dos outros para vivermos, pois sozinhos, não sei ao certo até onde aguentaríamos.
Se sobreviveríamos, o sol já dera espaço à lua.
Coloquei o fone, e continuei meu caminho para casa, pensando que tudo estava exatamente no seu devido lugar e, era como deveria ser.
Fotos: Google




2 de mai de 2017

O que terá acontecido a Belchior ? ( Postado em 07/01/2014 )

Ele nasceu em Sobral, no Ceará. Seu nome: Antônio Carlos Belchior Fontenelle Fernandes, ou apenas Belchior.
Aos 67 anos, após inúmeros sucessos musicais, Belchior mantém um enigma à sua volta.
Tudo começou em 2005, quando o artista conheceu Edna Assunção de Araújo, produtora cultural e militante de organizações de extrema-esquerda.
Eles se apaixonaram, iniciaram um namoro e Belchior terminou seu casamento de 35 anos com Ângela, mãe dos dois dos quatro filhos que o cantor tem.
Afastou-se dos amigos, deixou de fazer shows e, em 2009, desapareceu sem deixar rastros.
Nem os amigos mais próximos esperavam tal atitude. Ele abriu mão de todo seu patrimônio ( quadros, roupas, documentos, carros, apartamentos ), além da agenda de shows. O sumiço transformou Belchior em uma figura “cult”. A pergunta “Onde está Belchior?” ecoou na internet e teve repercussão internacional. Campanhas pedindo a volta do músico. Suas músicas que antes tinham cerca de cinco mil acessos, hoje ultrapassam 500 mil.
Mas o sucesso virtual não trouxe nenhum benefício material ao cantor. Ele vive escondido em Porto Alegre com Edna, escondendo-se da polícia. Contra ele há dois mandatos de prisão pelo não pagamento de pensões alimentícias.
Além disso, Belchior abandonou todos os seus compromissos e não paga mais aos seus credores. O ex-secretário particular de Belchior, Célio Silva, ganhou um processo trabalhista contra ele no valor de R$ 1 milhão. Não há mais como recorrer. As contas de Belchior estão bloqueadas e os imóveis que tinha foram comprometidos. Sem dinheiro, ele já se abrigou numa instituição de caridade no Rio Grande do Sul e morou de favor na casa de fãs que nem conhecia.
O que intriga a todos, é que o cantor, aparentemente, não agiu movido por depressão, dívidas ou golpes publicitários, como todos acreditavam. Alguns amigos tentam justificar o comportamento do artista: “Edna não conseguiria sozinha virar a cabeça de alguém inteligente como Belchior. São dois sonhadores, juntaram suas utopias. Deixaram de acreditar neste mundo materialista, objetivo e mesquinho e partiram para um caminho de desapego”. Belchior é um artista com vasta cultura, domina cinco idiomas, conhece filosofia e gosta de física quântica. Até os anos 2000, lançava em média um disco por ano. “Ele era uma máquina, chegava a fazer três shows por noite. Era uma pessoa completamente dedicada à carreira”, diz o parceiro e ex-sócio Jorge Mello.
Depois que conheceu Edna, Belchior percorreu uma trajetória descendente em que, aos poucos, se despojou de todos os bens e obrigações. No final de 2006, ainda com a carreira aquecida, pediu que o empresário Jackson Martins parasse de agendar novos shows. Pretendia passar um tempo se dedicando à pintura e à tradução do poema Divina comédia, de Dante Alighieri, para uma linguagem popular. No início do ano seguinte, deixou o apartamento em que vivia com Ângela, mas continuou morando em São Paulo com Edna, num flat alugado. Desde então, a família diz não ter mais notícias dele.
Belchior continuou em São Paulo até 2009, quando deixou o flat sem quitar os últimos meses de aluguel.  Na garagem, ele largou um segundo carro e, em seu apartamento ficaram roupas, rascunhos de música, cartões de crédito e o passaporte. Belchior também abandonou tudo na casa alugada onde funcionava seu escritório: coleção de quadros, discos, documentos e o computador onde estava parte da tradução da Divina comédia, projeto que lhe consumira três anos. 


Belchior e Edna perambularam durante todo esse período de hotel em hotel – várias vezes, sem pagar a conta. Amigos culpam Edna pela iniciativa. O primeiro hotel em que isso aconteceu foi o Gran Marquise, em Fortaleza. Os dois ficaram hospedados ali ainda em 2006. Saíram sem pagar dois meses de estadia, no valor de R$ 8 mil. Depois, repetiram a prática em pelo menos quatro locais. No Icaraí Praia Hotel, em Niterói, deixaram uma conta de R$ 4 mil. “Alguns funcionários tiveram de arcar com parte da dívida, já que permitiram que ele ficasse hospedado mais de uma semana sem pagar a conta”, diz o atual gerente, Germano Lopes. No Royal Jardins Boutique, em São Paulo, a conta pendurada foi de R$ 12 mil. “Eles deixaram um cheque caução, mas não tinha fundos”, diz Elly Shimasaki, gerente na ocasião.
O caso mais recente foi no hotel Cassino, na cidade de Artigas, no Uruguai, onde o casal se hospedou entre julho de 2011 e novembro de 2012. Os últimos meses ficaram sem pagamento, restando uma dívida de R$ 35 mil. Lá, Belchior deixou para trás roupas e um laptop.
Em Porto Alegre, Belchior e Edna ficaram inicialmente hospedados num hotel simples no centro, pago com ajuda dos funcionários do Tribunal de Justiça, primeira porta em que o casal bateu quando chegou à capital gaúcha. Depois, foram abrigados no Centro Infanto juvenil Luiz Itamar, instituição de caridade na região metropolitana. Dali, foram levados ao advogado Aramis Nacif, ex-desembargador do Estado, que poderia ajudar Belchior com os processos. “Ele dizia que um agente apareceria, mas nunca apareceu”, diz Nacif. Durante um mês, o casal ficou abrigado na casa de praia do filho dele. “Eles não tinham dinheiro algum. Edna apresentava um sentimento de perseguição muito grande, parecia ter algum distúrbio psicológico”, diz. Foi nesse momento que Belchior conheceu o advogado Jorge Cabral, na casa de quem se hospedou por quatro meses.
Em julho deste ano, Cabral pediu que o casal saísse, dado que Belchior e Edna não davam sinal de acabar com aquela situação de total dependência.
Belchior foi visto pela última vez na entrada do prédio, um edifício moderno num bairro de classe média de Porto Alegre, em frente a uma avenida bastante movimentada. Carregava uma pequena mala nas mãos e material de pintura debaixo do braço. Estava, como sempre, ao lado de Edna.
Informações fornecidas pelo site da revista Época – Marcelo Bortoloti.
Resolvi publicar esta informação pois estou inconformada. Temos perdidos tantos artistas maravilhosos ao longo dos anos, não sei se Belchior tem o direito de nos privar de seu brilhantismo desta forma... mas, talvez, ele tenha encontrado o que tanto buscava ao lado de Edna...
Por enquanto o que me resta é o alento de suas letras já gravadas e regravadas. E, ao ouvi-las, penso que, talvez, ele já estivesse dando seu recado há muito tempo, e hoje colocou-o em prática.

“... e no escritório em que eu trabalho, e fico rico, e quanto mais eu multiplico, diminui o meu amor”...


 
Fotos: Google






21 de abr de 2017

Somos sempre bons ?

Ontem assisti a um filme, não é muito novo, porém seu tema é bem atual, chama-se: Um dia de fúria, protagonizado por Michael Douglas.
E o mais interessante é que o tema vem justo no momento em que as famílias estão reunidas falando sobre paz, amor, calma, serenidade, bondade.
Lembro-me que um dia, conversando com uma amiga, falávamos sobre nossos instintos, que com certeza, desconhecíamos do que somos capazes.
Ela, exaltou-se e disse: eu jamais mataria, ou feriria alguém! Aquela velha frase: não mato nem um mosquito. Pois bem, joguei mais lenha na fogueira e indaguei: e se um dia você chegasse em casa e percebesse que causaram algum mal ao seu filho ou sua mãe?
Ela pulou da cadeira de pronto e disse: Aí a história muda!
Eu sorri. Somos seres racionais, mas na hora do aperto, quando a vida testa nossa paciência ao limite, é que descobrimos quem somos de verdade, e mais ainda quando a nossa base de fé em Cristo não é concreta.
Voltando ao filme, em muitos pontos me identifiquei com aquele personagem, não apenas identifiquei a mim, mas a muitos que conheço. Chega um momento em que simplesmente o copo, quase cheio, recebe aquela última gota para transbordar e, aí que vem a força interior para nos segurar ou extravasarmos, o que vai depender de nossa compreensão espiritual.   
Seja no emprego, na escola, no trabalho, em casa... Momento, em que você corre para o médico atual: Google e digita desesperadamente, palavras desconexas atrás de uma “cura” ou “ajuda”. Começa a meditar, respira 30 vezes, toma água, deita de barriga pra baixo, ergue as pernas, quando percebe seu corpo está contorcido sobre o tapete e seus pensamentos ainda estão naquilo ou naquele que  provocou em você, toda a turbulência interior.
E a paz que  você demorou para alcançar, esvaiu-se, e você não consegue recuperá-la tão cedo.
Psicólogos, analistas, remédios, você utiliza de todas as ferramentas que estão fácies, táteis. No momento da raiva, não tem como pensar em algo mais intrínseco, mais religioso. Você quer a solução já e, não esperar o tempo certo. Muitas vezes, quando chegamos ao fundo do poço, ou por esgotamento ou por raiva, não enxergamos o que está em nossa frente e nos aprofundamos em campos que nos fazem sofrer, mas que ao mesmo tempo,  ajuda a nos conhecermos verdadeiramente ou quem sabe conhecer ao outro.
Olhe-se no espelho, olhe bem dentro dos seus olhos e diga: Olá, eu sou o(a) fulano(a), prazer em conhecê-lo(a)!
É incrível, como temos dificuldades em nos olharmos, em nos permitir conhecermos.E isto, só vai acontecer quando algo “romper-se” aí sim, procuraremos nos reencontrar, nos redirecionar e saberemos  que a oração e o perdão são medicamentos infalíveis em todas as ocasiões de nossa vida, por isso,ela deve ser primordial e, a vigilância constante, pois todos somos bons, até o momento em que somos testados. 
Fotos: Google

11 de abr de 2017

Naquela Páscoa


Já era sábado de aleluia, a casa estava em festa, as crianças corriam, a alegria era notável, os parentes chegavam, os primos queridos vinham de longe para passar a festa da Páscoa em família. As crianças aguardavam ansiosas o passar dos meses para a chegada  de mais uma data festiva, ocasião em que podiam se reencontrar para matar as saudades.Os preparativos já estavam acontecendo há muitos dias. A avó materna era encarregada da confecção das bolachas, todas pintadas com açúcares coloridos, uma das tias era encarregada de fazer outros doces, e que eram de muitas qualidades. A carne para o assado já havia sido preparada no sábado anterior, os homens da família se reuniram e carnearam um leitãozinho, uma ovelha e ainda algumas galinhas que seriam recheadas para assar. Havia o costume de guardar a banha em uma grande lata junto com pedaços de carne frita, a qual durava muito tempo sem refrigeração.
As crianças só se preocupavam com a vinda do coelhinho, todos tinham que ajudar a fazer a sua cestinha, e quando ficavam prontas podiam brincar com elas o tempo que quisessem, porém se estragassem não mais as teriam, aí vinha o senso de responsabilidade, cuidado e parceria, pois cada um ajudava a cuidar da cesta do outro. Interessante que mesmo vazias, eram preciosas para todos.
À tardinha de sábado de aleluia, todos se reuniam para agradecer a Deus pela fartura de mais um ano. Sempre havia a explicação de um membro da família, o mais experiente que falava sobre o significado da Páscoa.
À noite, o cansaço tomava conta de todos. Os mais velhos com seus deveres cumpridos iam se deitar, recomendando aos pequenos que no dia seguinte, domingo de Páscoa, todos iriam à Igreja , só então é que procurariam as cestinhas . E assim aconteceu.
Anastácia, a empregada que há anos estava junto à família, ficou mais um pouco na sala, tempo suficiente para relembrar uma Páscoa que ficou em sua memória, em seu coração, um passado que lhe trouxe as lágrimas tristes. Ela era muito pequena, mas já sabia das coisas e esperava sua cesta com muitos ovos e coelhos de chocolates, seu irmãozinho, muito pequeno, nada sabia e por isso, apenas ela esperava pelo coelhinho. Sabia, ela que desta vez ele não falharia, porque ela não dera nenhum motivo,fizera tudo certinho, ajudara a mãe, cuidara do irmãozinho, ajudara a pendurar e recolher a roupa do varal, recolhera lenha,arrumara a mesa,  nem brincar com os amiguinhos, tinha ido para não aborrecer a mãe, sendo assim o coelhinho não teria desculpas, como em outras vezes de não lhe trazer nada .
Sua memória parou naquele longínquo ano, naquele sábado de aleluia,quando sua mãe chegou, sentou-a em uma cadeira de palha esfarrapada e falou:
-Nastácia, você foi uma menina má, não me obedeceu, não ajudou, foi brincar na rua, deixou seu irmãozinho chorando sozinho, por isso, o coelhinho não vai lhe trazer nada neste ano, e saiu às pressas, hoje sei que estava chorando.
Hoje ela sabia o quanto sua mãe sofreu para lhe dizer tudo aquilo.
As lágrimas corriam, e continuam a correr, pois hoje ela sabia que seu pai naquele dia ainda estava sem pagamento e o coelhinho não era apenas uma simples fantasia de criança.

Feliz Páscoa a todos vocês, meus queridos amigos!




A robotização da massa

Vejo pessoas  robotizadas  pelas ruas, cabeças baixas, dedos deslizando sobre pequenas telas pretas. Ando pelas calçadas com as mãos nos ...