Apreciadores de Um Naco de Prosa

10 de jan de 2017

A Chama da Liberdade se Apagou... - Texto escrito pelo meu filho, Marcelo José Boldori



Próximo de completar 17 anos de advocacia criminal, depois de ter exercido função pública, depois de participar de organizações políticas, civis, eclesiásticas e conhecer um pouco da esfera militar, visto atuar na defesa de militares de diversas patentes, ouso escrever sobre algumas percepções que tenho, sem nenhuma pretensão de estar correto, mas por necessidade de externar o que vejo e sinto.
As lides forenses me permitiram frequentar palácios a barracos de lona, de ter acesso a ministros e trabalhadores braçais, a estudar e trabalhar nos mais diversos tipos de processos.
Posso dizer que uma das coisas que aprendi é que geralmente, quando algo começa da forma errada, tem uma dificuldade muito grande de sustentação e, este pensamento me remete aos idos de 1889. Podemos dizer que no caso do Golpe Republicano, é muito evidente que os fins justificavam os meios utilizados.
Os ideais de se instituir a República no nosso país eram sem dúvida os mais nobres. Questiono apenas se a decisão foi acertada, ao menos no que dizia respeito ao momento.
Não estávamos preparados para a democracia que veio junto com a República,
nosso momento é delicado, todos sabem que algo está errado, mas não consigo apontar alguém, em nosso país que consiga indicar a direção correta, a ser seguida.


O principal preço que pagamos pelo Golpe, de 1889, é o desmonte institucional do país. Muito pior que subtrações na Petrobrás, BNDS, Correios e tantas outras empresas é, sem dúvida, nosso esvaziamento moral.
Levei aos meus alunos, esses dias, uma manchete da Folha de São Paulo, a qual estampava em sua página principal, que o Tribunal de Contas da União, ignorou uma decisão do Supremo Tribunal Federal; decisões recentes da nossa Suprema Corte violam a Constituição que ele, o Supremo, deveria proteger com carinho e afeição, com unhas e dentes, com a espada e a força. 
Nossa Suprema Corte desfez-se da honradez construída ao longo de sua história. Lembro dos meus tempos de faculdade, quando o Supremo era respeitado, sua decisão era o farol que indicava o caminho para os Magistrados de todo o país. Hoje? Hoje, induz nossos Magistrados ao erro, os conduz para rochedos e recifes de corais.
Pergunto-me, como pode tão forte instituição da nossa República perder tanta credibilidade? E relaciono essa perda de credibilidade apontando para a rejeição da população ao “foro privilegiado”, tecnicamente denominado “foro especial por prerrogativa de função”.
Não deveriam ser os ocupantes dos cargos mais importantes da República, julgados por aqueles melhores preparados, mais isentos, mais incorruptíveis, mais aptos à aplicação das normas constitucionais? Portanto os Ministros do Supremo?
Pois é, ao rechaçarmos o “foro privilegiado”, bradamos que não confiamos na nossa Suprema Corte.
Mencionei sobre o Supremo por ser o órgão “não político” dentro dos Três Poderes.
O descrédito e alto grau de reprovação das instituições políticas é público e notório, sendo desnecessário qualquer comentário.
Se fizermos uma varredura nas instituições que ainda gozam de credibilidade popular, sobram apenas e tão somente, a meu ver, as forças armadas, que devem essa credibilidade aos seus princípios, valores e à rigidez de seus códigos de conduta. São perfeitas? Sei muito bem que não são, são compostas de seres falíveis como qualquer um de nós, mas ainda se mantêm organizadas e com valores norteadores.
É importante percebermos que não apenas as instituições governamentais estão destroçadas, reflitamos, como está a família nos nossos dias, sua importância é devidamente respeitada na sociedade? 
O conhecimento é valorizado?
A leitura?
A Igreja, independente de qual delas, mantém sua importância? Curiosamente nunca mais ouvi ninguém falando de Temor a Deus, nem dentro das igrejas, muito menos fora delas.
Quais são os valores que nossa sociedade tem?
Será que o trabalho, que é a forma de geração de riqueza e progresso ainda tem valor? Ainda é um valor?
Antigamente o trabalho dignificava o homem, hoje me parece que não é visto da mesma forma.
A honestidade é um valor? Ou é a horrível causa da necessidade de trabalho para milhões de brasileiros que, por serem honestos precisam trabalhar?
A atualidade nos presenteia com um grande pensador, a quem eu realmente admiro muito, Leandro Karnal, de quem vejo e assisto às palestras sempre que posso,mas enquanto vejo suas palestras fico admirado com o que ouço, e o que ouço aponta para um nível de degradação absurda.
O historiador Leandro Karnal é aplaudido de pé em palestras nas quais relembra ensinamentos que nos eram repassados pelos padres, por nossos avós e pais, como por exemplo: não pegue nada que não seja seu, seja honesto, cumpra teus compromissos, não fale mal dos outros, seja educado, seja pontual e seja proativo.
Longe de menosprezar o trabalho do Professor Karnal, porém percebamos o quanto nós caímos, alguém que nos manda sermos honestos se torna celebridade, de forma merecida e até necessária.
Nosso conjunto de valores, que também são instituições, sofre imensa degradação. Dentro desse contexto valorativo, temos um líder que mostre o caminho a ser seguido?
Temos alguém que reúna, como as composições de Richard Wagner, força, determinação e pureza para conduzir nossa nau?
Ouço e leio clamores para que as forças armadas voltem a governar o país, a tal “intervenção constitucional militar”, do artigo 142 da Constituição Federal. Passei quase toda minha juventude ouvindo de muitas  pessoas, inclusive algumas que estão fazendo tais clamores, que os militares eram carrascos inescrupulosos, verdadeiros monstros, etc., etc., etc.. Os militares ouviram calados acusações das mais diversas naturezas sobre suas condutas na manutenção da ordem com o objetivo de progresso do nosso país. 
As “vítimas” do Contra Golpe de 64, criaram até a Comissão da (MEIA) Verdade, quando só se dá valor à parte da história contada por um lado, como se só tivessem havido excessos por parte de militares.
Agora clamores são lançados aos militares. 
Na minha modesta opinião, apesar de minha grande simpatia ao estilo militar, não estamos nem perto de vermos configurar-se uma ruptura que autorize uma intervenção militar, então esta não deve acontecer, a menos que as coisas piorem muito.
Quando o povo clama pela volta dos militares a meu ver ele clama pela monarquia, pois ele admite que não tem condições de administrar de forma Democrática a República. E isso não é bom!
Por vezes, tenho a impressão de que o povo brigou pela liberdade democrática, não entendeu como se jogava esse jogo e, agora não quer mais “brincar”. Sei que a volta dos militares não é pretendida de forma unânime, mas é pretendida por uma parcela muito significativa da população, especialmente se considerarmos que vivemos em uma República Democrática. Algo está muito errado!
Quando digo que algo está muito errado, uma imagem me vem a mente de forma muito nítida, a imagem do Panteão da Pátria e da Liberdade em Brasília, onde estive semana passada. Sempre que lá estou procuro contato com nossa história, dessa forma tornei a visitar o Panteão na Praça dos Três Poderes, de onde pode-se contemplar o Palácio do Planalto à direita, o Supremo à esquerda e o Congresso, à frente. No Panteão está guardado o “Livro dos Heróis da Pátria”, um livro cujas páginas são de aço, com os nomes de nossos heróis, dentre eles Tiradentes e Duque de Caxias. 
No complexo do Panteão temos uma torre, na qual uma “chama eterna” simboliza a liberdade do povo e a independência do país. 
Decepcionou-me o fato de tal chama, que devia ser “eterna”, até porque assim se denomina, estar apagada. Parece bobagem em nossa sociedade mecânica atentarmos para esse “pequeno” detalhe, mas o simbolismo disso é imenso. 
Por isso, o título, “A Chama da Liberdade se Apagou” e isto é literal, não é mais no sentido figurado.
Parece que realmente, nada é por acaso!






26 de dez de 2016

Um Novo Ano Novo

Tenho a impressão de que o tempo passa num piscar de olhos, e quando percebo lá se foi mais um ano, 366 dias.
Penso comigo, quantos eu aproveitei realmente? Quantos eu vivi por completo?
Em quantos eu fui feliz ou fiz outra pessoa feliz?
Quantos sorrisos ou lágrimas? Quantos abraços e apertos de mãos?
Quantos “obrigada” e com licença falei?
Quantos quilômetros percorri, quantos passos dei?
Final do ano, a TV sempre nos traz retrospectivas sobre os fatos mais acessados e comentados no mundo, e são nestes momentos efêmeros da TV brasileira, que percebo que o tempo não passa num piscar de olhos, nós é que não o aproveitamos como antigamente.
Nós que, ao sentarmos à mesa, com a nossa família, não conversamos mais, não nos olhamos nos olhos, pois eles estão interessados na última postagem do Face ou Instagram.
Isso quando a ceia não é em frente à TV, em que um aponta para o outro ficar em silêncio para ouvir Roberto Carlos...
O tempo não passa mais rápido do que no tempo dos nossos avós, nós é que não o vivemos como nossos avós viveram, e creio que isso, não será mais possível. Todos têm pressa, todos sempre estão alguns minutos atrasados.
Há alguns dias, ouvi na rádio uma música que se encaixa neste texto, em que uma parte dizia justamente isso: “se eu não tivesse parado para cortar o cabelo na hora do almoço, eu jamais teria conhecido você”.
Penso que sim, muitas vezes vale à pena desviarmos da nossa rotina, acredito que sempre há surpresas agradáveis ou não, que nos ensinarão algo e poderão mudar nosso destino. 

Como esse “cara” da música, que, um dia, resolveu não almoçar e ir cortar o cabelo, mudou sua rotina, e encontrou seu grande amor.
Que neste ano que se inicia, 2017, possamos mudar um pouco a nossa rotina, e nos reencontramos com velhos amigos, parentes que há anos não víamos e, o mais importante, com nós mesmos.
Muitas coisas acontecem todos os dias, Deus nos proporciona isso. Desde o nosso nascimento.
E quantas vezes por dia você pára para sentir os pequenos presentes que Deus lhe dá?
O simples acordar, respirar, espreguiçar-se e sentir os raios de sol tocando seu rosto.
Desejo para todos nós, neste novo ano, mais gratidão e menos resmungos.
Sejamos mais gratos e mais amáveis uns com os outros e tudo se transformará a nossa volta. Observe as belezas ao seu redor. Quando for cumprimentar, olhe nos olhos, aperte a mão, beije o rosto. Sinta o outro ser humano que lhe abraça. Não passe por um amigo apenas com um aceno de mão. Pare um segundo, e pergunte como ele está, como está sua família. Perceba seu sorriso, seus olhos.

Não passe pela vida como um trem desgovernado. Viva, sinta, agradeça e seja muito feliz neste novo ano! 


Fotos: Google

20 de dez de 2016

O Natal

3 de dez de 2016

Que cor tem o seu mar?


Domingos são típicos para almoços em família e descansar para a semana que começará noutro dia.
A noite chegou, e queria distrair meus pensamentos após um pouco de leitura. Liguei a TV, trocando de canais, atrás de algo que prendesse minha atenção, parei no canal da Cultura, na tela, Tim Maia começara a cantar Azul da cor do mar...
E, pela primeira vez, nestes anos todos que ouvi essa letra, eu entendi seu real significado.
É muito além de um poema musicado, é uma inspiração, é um recado a todos nós, pois todos nós passamos ou passaremos pelo que Tim cantou ali, mas a parte que mais me chamou a atenção foi a seguinte: “ E na vida a gente tem que entender, que um nasce pra sofrer enquanto o outro ri”.
A partir do momento em que compreendemos o que Tim Maia quis dizer neste pequeno e tão importante trecho de sua composição, a vida tornar-se-á melhor para você, e, consequentemente, para todos à sua volta.

Desde pequenos somos ensinados a sermos melhores do que nosso coleguinha de escola e, mais tarde, do que nosso colega de trabalho.
Desde pequeno somos ensinados que, se o teu vizinho tem a melhor casa do bairro, você também pode ter, sim!
Porém, esquecemos neste momento que tudo tem um propósito, e que nem sempre a grama do vizinho é mais verde do que a sua. Isso não quer dizer que não devemos lutar, melhorar, progredir, podemos e devemos sim, mas sem agourar ou invejar o alheio.
Entendamos que há motivos, há razões para pessoas serem e terem exatamente como as vemos.
Passamos tanto tempo tentando consertar as coisas, que deixamos a nossa vida de lado, e quando resgatamos, muitas vezes, já é tarde demais.
Tudo é passageiro, e, assim como Tim Maia fala: a gente tem que entender.
Como? Amadurecendo.
Claro que não devemos fechar os olhos para tantas catástrofes, mas, no final de tudo, percebemos que sempre houve motivo para esse ou aquele fato acontecerem, e exatamente como aconteceram.
Ao escrever Azul da cor do mar, Tim Maia abriu seu coração, e quis dividir com o mundo aquilo que já tinha aprendido ao longo da vida, e, talvez, repassando um pouco o que aprendeu, pessoas não cometessem o mesmo erro... porém, a natureza humana é tão incrível, que não tem como você saborear o néctar de uma fruta se ela não estiver madura. E assim é a nossa essência, para nos experimentarmos, precisamos amadurecer.
Quantas vezes nos deparamos com jovens cometendo erros tolos, com consequências, muitas vezes irreparáveis, mesmo após horas de discursos de seus pais?
O que pode ser explicado facilmente; quando jovens, nos achamos invencíveis, que nada vai nos afetar, que se aconteceu com meu pai e mãe, não vai acontecer comigo. E vou fazer sim, porque ninguém manda em mim! E ainda fazíamos “bico” e batíamos o pé.
Jovens, uma das fases desse amadurecimento, tão crucial para chegarmos ao fim, e podermos cantar ao mundo qual a cor tem o nosso mar.

Fotos: Google

20 de nov de 2016

O lado desnecessário do ser humano

Moro em uma cidade peculiar: de um lado da linha do trem temos o estado de Santa Catarina e do outro o Paraná, eu moro do lado catarinense da história.
Num raro final de semana de sol, fui à rodoviária buscar uma amiga que estava vindo nos visitar, enquanto a aguardava, sentada no banco dentro da rodoviária, pude observar famílias que iam e vinham pela plataforma, embarcavam e desembarcavam dos ônibus. Do outro lado, a rodoviária da cidade vizinha, tinha o mesmo movimento, pessoas desembarcando e embarcando e outras vendendo mercadorias. Taxistas aguardavam em seus carros, a próxima corrida.
Costumo dizer que temos na nossa região uma natureza privilegiada, com muito verde e cachoeiras, onde pássaros estão sempre “dançando” pelos céus e cantando nos galhos.
Voltando à rodoviária, observei um passarinho que entrara pela porta, atrás de insetos que ficavam presos nos cantos das grandes janelas, acima da minha cabeça e com sucesso,  conseguiu algumas moscas que se debatiam no vidro tentavam escapar, em vão. 
Olhei novamente para a frente, enxerguei os taxistas, crianças com seus pais, uma senhora vendendo doces. Quando um pombo decidiu descer do telhado da rodoviária do lado paranaense da história, provavelmente atrás de comida. Ficou um tempo andando pela grama. 


Alguns minutos se passaram, e um daqueles taxistas que estava sentado à espera de passageiro, saiu do seu veículo, andou alguns passos, abaixou-se, pegou algo no chão e atirou contra o pombo que estava um pouco longe dele, pois buscava comida na grama. Depois da proeza, o homem se virou, voltou ao táxi e sentou-se, ainda a esperar.
Fiquei pensando o que motivou aquele homem a se dar o trabalho de sair do seu carro, caminhar, buscar algo no chão e atirar contra aquela ave? Qual o prazer desse ato? O que ele levou ou ganhou com isso? Será que no fim do dia, ao chegar em casa, ao jantar com a família e, seus filhos perguntarem: como foi o dia, pai? Ele iria responder com ar de satisfação: foi ótimo! Atirei pedras em um pombo que buscava comida!
Talvez você esteja pensando: mas quanta baboseira em um pedaço de papel! Ledo engano, meu amigo, minha amiga, ledo engano. São nos pequenos gestos que conhecemos as pessoas. Seja ao ajudar um idoso usando bengala, a atravessar a rua ou dar uma rasteira na bengala dele, e vê-lo se estatelar no chão. Não! Não há diferenças. Todos somos seres, todos merecemos o mesmo respeito.
Atirar pedras em outro ser não demonstra a sua superioridade, demonstra a sua imbecilidade.
Seja ele um pombo, um cachorro ou um senhor com bengala.
O mundo está cada vez mais afundado em atos de maldade. Sejam eles pequenos ou grandes, o que me leva a refletir até quando iremos nos suportar um ao outro? Até quando o pavio irá queimar antes de explodir a bomba? 

Homens destroem, homens causam catástrofes, homens fazem outros homens chorarem, homens matam outros homens.
A cada dia, assistimos a atos assim: homens apedrejando outros seres, seja com um objeto seja com palavras.

E, acredite, este texto não é apenas pela pomba que foi privada do seu momento de buscar comida. Está muito além disso...


Fotos: Google

4 de nov de 2016

Quanto eu valho?


foto do Google
Certa ocasião, um professor  falou a  seus alunos que anotassem na agenda a data para uma prova final, a mais importante do ano letivo, quando   mostrariam  seu conhecimento adquirido  durante o curso..
No dia marcado, alunos estavam nervosos e ansiosos, o professor entra  na sala com as provas à mostra, dizendo: vocês são especiais e  estão de parabéns. 
-Como assim, professor?
-Porque muitos que começaram o curso, desistiram antes de chegar ao final, porém vocês persistiram e aqui estão, por isso, merecem um presente.
- Presente?
-Sim todos que aqui estão merecem um presente, e disse : com uma nota cinco, todos vocês estão aprovados, com uma nota cinco todos vocês passam de ano, por isso quem não quiser fazer a prova receberá o cinco  e pode sair da sala.
Muitos alunos duvidaram da proposta do professor, porém, aos poucos foram erguendo a mão, recebendo  o  seu cinco e saindo. 
Para os que ficaram, o mestre colocou em suas carteiras uma prova com o conteúdo virado, e pediu que eles não mexessem nela, enquanto ele não desse o comando e, continuou  falando, vocês são incríveis, pois não aceitam nada que não seja o melhor, para  cada um de vocês.
-Podem começar!
Quando os alunos viraram a prova, nela  estava escrito apenas uma frase:-
foto do Google
-Parabéns, você acaba de tirar um dez!
Um pequeno relato que nos leva à reflexão e à pergunta:- 
-Quanto eu valho?
Quanto eu valho perante  à sociedade, perante minha família, perante meus vizinhos, quanto eu valho perante  Deus e, quanto valho perante a mim mesmo?
Parece-nos muito simples, porém quando refletimos e tentamos mensurar o valor que temos perante nosso próximo, torna-nos difícil responder, pois qual seria  a resposta se a pergunta fosse  feita ao nosso irmão de caminhada, qual seria a resposta se  a pergunta fosse feita a Deus? E, se a fizermos a nós mesmos?  Há quanto tempo estamos nos contentando com menos, há quanto tempo paramos de lutar, de irmos em busca de nossos sonhos, há quanto tempo estamos satisfeitos com a menor nota? E assim, nos tornamos meros seres hipócritas que fingem ser o que na realidade, é pura utopia, e acreditam nesta vida fantástica de ilusão. 
Deus, nos quer felizes, e  a felicidade acontece, também, quando fazemos outras pessoas felizes e,  há tempo para aprendermos e buscarmos substituir a utopia, a simples quimera pela realidade, e com certeza, nosso valor será nota máxima.

Quando pudermos ouvir de nós para nós mesmos: parabéns, sua nota é dez, aí, a certeza de quanto valemos, será real. 


14 de out de 2016

Dia do Professor


Foto do Google

Dia 15 de outubro, sábado, é celebrado o "Dia do Professor", interessante porque, como em todas as outras datas celebradas em nosso país, ele é lembrado e festejado "APENAS" neste dia, salvam-se raras exceções quando alguns ex-alunos, no decorrer de sua vida, lembram e relembram de seus mestres. Ao ler diversas matérias, que já ocupam páginas de revistas e jornais a respeito dos professores, observei quanto ainda temos que caminhar para a valorização real deste que, é pilar para os profissionais de hoje, e não falo apenas de valorização monetária, falo mais de valorização humanitária. Vejo professores sobrecarregados, estressados, desmotivados, sem tempo para a vida pessoal, fora as cobranças feitas por alguns pais, que exigem que seus filhos sejam educados por eles, impondo uma função que é exclusivamente da família, deixo mais claro: ensinar matérias e criar pilares para que o cidadão se torne um bom profissional, é função do professor, e termina aí. O que resta, é função dos pais. Vejo fotos de professores, principalmente no interior do Norte e Nordeste do país, dando aulas em situações precárias, muitas vezes, em salas improvisadas onde se juntam alunos das mais diversas idades, cujas faixas etárias são, às vezes, de até dez anos de diferença. Aí, o professor precisa identificar cada aluno, com seu grau de aprendizado e dificuldade e parear o ensinamento para que todos ali presentes, entendam e não sejam prejudicados. Há anos, isso acontece, e não vejo uma organização por parte do governo para melhorias. Em grandes centros, o problema é outro, com o
fotos do Google
crescimento na área tecnológica e o aceso fácil a celulares e tabletes, o professor precisa usar toda sua criatividade para prender a atenção do aluno e desviá-lo de Whats e Faces, tarefa não muito fácil, visto que a educação esperada que os pais assumam já não se encontra com facilidade como há alguns anos. Acredito que este dia 15 de Outubro, não deva ser de flores à porta ou abraços pelas ruas das cidades mas, sim, uma profunda análise de todos em como podemos melhorar a educação em nosso país, o caminho é fácil, mas é preciso dar o primeiro passo e, este primeiro passo, está na casa de cada criança que vai à escola, que saiba respeitar o profissional que está lá na frente, repassando conhecimentos. Valorizam-se médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, dentistas, mas se esquecem que, se não fosse o professor, que muitas vezes enfrentou dificuldades imensas para chegar até a sala de aula, todas as outras profissões seriam falhas ou não existiriam.

17 de set de 2016

Certos dias...

E, naquele dia, ela só queria chegar em casa, tirar seus sapatos velhos e gastos e sentar-se no sofá.
A semana tinha sido daquelas em que quase nada dá certo, e a pessoa não sabe como seguir em frente,  parece perder as forças,
foi até a cozinha, ferveu um pouco de água, pegou um saquinho de chá de camomila, colocou na xícara, despejou a água,
a fumaça embaçou seus óculos.  

Olhou pela janela, a árvore balançava suas folhas como num balé, vezes arranhando sua janela convidando-a para dançar.
O sol já estava indo, na verdade, naquele dia, quase não aparecera, ficara entre nuvens, deixando o dia ainda mais cinza.
Pegou o açucareiro, despejou três colheres e mexeu, sem pressa, divagando ainda nas folhas que dançavam na árvore a sua frente
Voltou a se concentrar no momento, pegou a xícara, ligou a TV, sentou-se na poltrona.
Notícias trágicas não eram o que ela queria, foi percorrendo os canais, trocando-os aleatoriamente, porém, parecia que o mundo todo estava em guerra: mortes, assaltos, estupros, sequestros, bombas, tornados, furacões, ela só queria descansar os olhos.
Desligou a TV. Foi até a lareira, ajeitou alguns pedaços de lenha que ainda restavam, ateou fogo e voltou a sentar-se na poltrona com a sua xícara de chá. 

Entre um gole e outro, podia ouvir o som que o fogo causava enquanto queimava a madeira, de uma forma estranha trazia-lhe conforto,  fazia-lhe viajar no tempo e voltar para os dias de sua infância, quando, ali mesma, sentada no colo de sua mãe, enquanto ela lhe contava histórias, ouvia aquele  mesmo som.
Hoje, a casa ficara enorme e, mais vazia para ela. O som da madeira queimando era mais estridente, o eco propagava-se.
Olhou para cima, a escada de madeira levava para os cômodos e banheiros, antes ocupados pelos irmãos, avós e pais.
Hoje, trancado pois não precisava mais, de tantos cômodos.
Amizades que se perderam no tempo, parentes que foram embora, o o tempo passou tão rápido que ela não se deu conta de cuidar da sua vida, que ela não se deu conta de se preparar para a solidão que ela encararia, todos os dias, naquela casa enorme onde foi criada com tanto amor e tantas pessoas...
O chá havia acabado, sobrando apenas um pouco de açúcar no fundo e o saquinho, já ressequido. Ela olhou para a parede, fotos penduradas, lembranças emolduradas.
Sorriu sozinha e balançou a cabeça para espantar a lágrima que teimava em rolar por sua face.
Levantou-se, deixou a xícara na pia. Olhou pela última vez os galhos e as folhas da árvore ainda dançando. Do outro lado, um pequeno gato, com pelos manchados ou talvez sujos, miava enquanto olhava para os lados. Talvez, alguém o tenha abandonado e ele não sabia como voltar para a sua casa. 
Sentiu-se como aquele gato, perdida, solitária, pedindo por socorro sem ser notada. Abriu a porta da frente, abraçou-se ao próprio corpo, estava frio naquele fim de tarde. O gato não se moveu. Aproximou-se, abaixou-se, e acariciou sua cabeça. 
Levantou-se e voltou os passos em direção à sua casa.
Quando ia fechar a porta, ele voltou a miar, sentado em seu tapete de boas vindas.
- Entre, “senhor”! Venha aquecer-se comigo.
Ela iria pensar em um nome para o seu novo amigo posteriormente, agora só queria repousar e conhecer seu visitante. Na certeza, de que tudo vem na hora certa, e de que ela não estaria mais sozinha. 
O gato aninhou-se em seu colo, ronronando suavemente como forma de gratidão. 

Fotos: Google


12 de set de 2016

O valor das pequenas coisas.

foto do google
Na semana que passou recebemos algumas pessoas em nossa casa.O dia começou com um lindo céu inteiramente azul. Havia muita comida, pois como eram pessoas conhecidas de todos os membros da família, cada um trouxe um prato com sua especialidade na cozinha, era tanta comida que não haveria tempo para comê-la.
As crianças brincavam com seus companheiros da mesma idade, já faziam seus grupinhos, meninas longe de meninos, pois é , enquanto são pequenos ficam distantes, após um pouco de idade é um grupo apenas. Como o barulho e brigas estavam ficando intensas entre as crianças, a mãe de uma delas resolveu dar lições de moral  em todos os pequenos. Chamou-os, sentou com eles na grama e falou sobre o respeito, o valor das pessoas mais velhas, a importância do silêncio, o valor da amizade que havia entre eles e, a qual permaneceria para toda a vida , se assim o quisessem, repetiu muitas vezes a importância das palavrinhas mágicas, como: Obrigado! Com licença! Por favor! Desculpe, e outras. As crianças ouviam com muita atenção.Em seguida, ela contou uma pequena estória, para ilustrar crianças educadas e outras nada educadas, fez com que todos percebessem a grandiosidade que há em respeitar a todos com igualdade de direitos.Vou chamá-la de Marta, a mãe de uma pequena menina, muito linda, ela chamou sua filha e a testou com um questionário oral, para mostrar a todos o valor de suas palavras, inclusive nós, só a voz dela era ouvida e acatada. Foi muito interessante quando Marta pediu a sua filha que fosse buscar um copo de refrigerante, e que o solicitasse à dona da casa. Sob os olhares de todos, a menina foi, pediu com muita educação e, no exato momento em que virou-se para voltar, lembrou-se de que não havia agradecido, então o fez com muita alegria. 
Ao entregar o copo para sua mãe, foi elogiada e todos perceberam que a lição foi aprendida e apreendida.
A festa continuou com muita alegria e paz. 
À noite chegou, mas a festa continuou, muitos copos foram quebrados, os cacos foram colocados em uma caixinha de papelão para que fosse recolhido pelo  caminhão de lixo,pois mesmo sendo final de semana , ele passaria . Comentei, que eu sempre colocava um papel bem grande, no qual eu escrevia " VIDRO QUEBRADO". Expliquei que era para que os funcionários da coleta não cortassem a mão, pois às vezes, não recolhiam por medo de atingir os outros desavisados. 
O lixo foi colocado fora da casa, todos ajudaram a colocar a bagunça em ordem. 
De repente, as crianças gritaram, olha o caminhão do lixo! E como se fosse um acontecimento corremos para fora. Um funcionário uniformizado foi pegando as sacolas e entregando ao outro que estava dentro do caminhão, quando pegou a caixa com os cacos de vidro, teve o cuidado de abrir e mostrar ao colega o conteúdo da mesma, o qual  fechou-a e colocou mais ao lado, a filha de Marta bateu palmas e gritou contente:-
-Obrigada, moço!
- Por nada !
Marta, ficou vermelha como um tomate e disse:- filha o que é isso? Ele é apenas um lixeiro.  
foto do google

27 de ago de 2016

... e o tempo leva.

Os anos passam, e já não nos lembramos mais da ardência do merthiolate nos joelhos ralados, da dor das lágrimas derramadas pela perda de um ente querido ou de um amor não correspondido.
Com o tempo, dissipam-se sonhos e aumentam-se receios. Já dizia, Bruno Rapfael da Cunha Dobicz:- "A dádiva do tempo é nos fazer perceber que amadurecimento não significa idade, mas sim, acúmulo de sorrisos, que passaram a existir depois de muitas lágrimas derramadas."
Isso é viver a vida em sua totalidade, entregar-se sem máscaras, pois tudo faz parte do amadurecimento, do crescimento mental, físico e espiritual.
Esses dias, no Face, li uma frase que dizia que a decepção com outras pessoas em quem acreditávamos nos torna mais apreensivos,
é natural.
O não natural é você deixar de acreditar em todos, e viver em uma redoma criada em sua mente, generalizando e tendo a certeza, de que ninguém mais é confiável. 
A vida é um constante errar e acertar, cair e levantar, rir e chorar.
E, no final, o que importará mesmo, é o aprendizado que você tem na bagagem.

Foto: Google

22 de jul de 2016

O tempo que nos é dado

Fico pensando quanto tempo perdemos em nossas vidas esperando para sermos felizes apenas nos finais de semana. Com certeza, você já ouviu um colega de trabalho, um amigo, ou até um estranho na fila do mercado dizendo, com o tom de resmungo, num final de domingo: “ah, amanhã já é segunda-feira?” Esperamos um determinado tempo para sermos felizes, o problema é que não pensamos que este tempo pode não chegar. É nítido, num ambiente de trabalho, o humor mudando conforme a semana corre. Na sexta-feira, o clima de festa contagia a todos! Sorrisos, brincadeiras, músicas e até colegas pulandinho na cozinha, enquanto esperam o café ficar pronto. Porém, e se esta for a sua última sexta-feira? E você sempre espera pela próxima, esquecendo que todos os dias devem ser vividos, sentidos ao máximo. E se, na próxima sexta-feira, você se encontrar acamado, em um hospital, ela ainda será mágica? Devemos ter a consciência de que não somos eternos aqui na Terra e que, de pronto, sem esperarmos, somos levados daqui para o plano espiritual. E, nos é arrancado lar, família, posses e aquele café que tomávamos na cozinha sexta passada. Não sei se é algo cultural, mas o final de domingo e a segunda-feira sempre foram vistos como tediosos, deixando as pessoas mais caladas, mais introspectivas e menos “felizes”. Cantemos, dancemos todos os dias. Celebremos algo que nos foi emprestado e que será tomado de volta a qualquer momento: a vida terrena. Não deixemos de sonhar e ansiar o futuro bom, mas vivamos a realidade do agora, que para muitos, não existe mais. Glorifiquemos as horas, os instantes e todos os dias... sejam segundas, terças ou sextas. Todos têm sua magia, pois ela depende apenas de nós mesmos. Deus nos dá novas chances todos os dias.


19 de jul de 2016

Ter ética e ser feliz.

Os verdadeiros amigos, nos fazem bem, sabemos disso com certeza, pois quem tem amigos pode se considerar dono de um tesouro imensurável.
Ouvindo o grande professor e historiador, Leandro Karnal, pelo qual tenho grande admiração, em uma palestra ele citou várias vezes, a importância de uma grande amizade, porém enfatizou a importância de termos ética. Achei muito pertinente, pois ele disse que quem tem ética é muito mais feliz, pois tem amigos, diferente de quem não a possui sendo assim, não tem amigos, tem cúmplices.
Amigos são poucos e raros, mas sentem-se bem, pois possuem ética, enquanto os maus apenas temem um ao outro. Penso que nada  faremos de mal, ao nosso amigo e, nem ele a nós, pois há um sentimento de honradez entre amigos leais, diferente, dos que são apenas cúmplices, e desperdiçam seu valioso tempo sendo aliado para tudo, por exemplo: se lhe for pedido para realizar um ato ruim, um ato criminoso, com certeza o fará, pois terá que provar a sua cumplicidade para mostrar-se "amigo". Vivenciamos muitos fatos relacionados a isso. Portanto, o amigo leal ficará conosco, em todas as fases da nossa vida, diferente do interesseiro que, de acordo com o que temos ou perdemos, ele vai se afastando.
Cícero já dizia:
- "Este é o primeiro preceito da amizade: pedir aos amigos só aquilo que é honesto, e fazer por eles apenas aquilo que é honesto" .
Sem dúvida a ética, nos trará mais felicidade e consciência tranquila, junto a muitos amigos leais.

6 de jul de 2016

O silêncio eterno.

Foto do Google
Hoje,a tristeza veio me visitar, lembrei com muita saudade de uma amiga muito próxima, na minha adolescência e juventude. Ela era muito bonita e vivia com muito entusiasmo pela vida. Estudamos juntas até o curso superior, aí, ela casou e assim ficamos mais distantes, porém eu sempre estava bem informada sobre a vida dela, assim como ela sobre a minha. 
Ela era professora em duas escolas, fazia os três períodos, dizia que logo diminuiria as turmas, pois ela já tinha um bebê, mas nunca conseguiu diminuir o número de aulas, pois outro filho nascera. O marido não dava conta de tudo sozinho, ela nunca reclamava, porém já não vivia com entusiamo de outrora.Certa vez, viajei para a cidade dela, marcamos um café, foi maravilhoso, pudemos falar e relembrar muita coisa juntas.Os filhos já estavam na faculdade, mas ela ainda continuava a trabalhar nos três períodos, estava feliz pois faltavam apenas, dois anos para sua aposentadoria, tinha mil planos. Ainda gostava de falar sobre tudo. Disse-me ela que os filhos eram maravilhosos, mas também gostavam de chamar sua atenção quando ela falava demais à mesa, riu muito.... disse-me ainda, que sentia vergonha quando pediam que ela não falasse sobre alguns assuntos, como doenças, mortes e outros assuntos, que a eles não interessavam,aí,ela riu e me disse:- Pior é que estes são os assuntos que me restam, e acabou rindo muito, talvez para não chorar. Perguntei a ela,qual foi a atitude perante isso? Ela me respondeu que agora ela come junto com a família,todo final de semana, o que ela mais gosta, mas fica calada, ou fala o essencial. Meu peito parecia doer demais depois que ouvi a história da minha amiga, ela precisava desabafar e o fez comigo, fiquei muito triste,ela nem percebia o quanto estava sofrendo calada.
Houve as despedidas. Fui caminhando e analisando a situação,ela, uma mãe dedicada, professora exemplar, esposa esforçada e que estava aos poucos se calando,devido a proibição velada dos filhos. Uma mulher cheia de energia, nunca deixou faltar nada aos filhos, ela que estava sempre de bom humor, sorria cheia de vida, estava ficando quieta, comigo ela desabafou, porém parece que ela aceitava como normal não poder falar o tanto que gostaria, participar mais da vida dos filhos, das conversas, das risadas. 
Os almoços de domingo, com todos à mesa, não podia faltar, pois era neste dia que as conversas eram divertidas e todos participavam das notícias. 
E, assim passou mais um tempo, quando recebi o telefonema de que a minha amiga havia falecido. Fiquei chocada, paralisada, lembrei da nossa conversa, dos planos, e nem chegou a se aposentar. Pensei: Será que a tristeza recolhida na alma, ajudou a minha amiga a ir embora, antes de realizar seus sonhos?
Cheguei quase  atrasada para o enterro, o caixão já estava sendo levado. 
Conseguiram calar a minha amiga para sempre.
Será que eles têm noção disso?
foto do google

11 de jun de 2016

Viver a solidão

O dia amanheceu com a temperatura baixa, dois graus negativos.
Eram cinco horas da manhã,
o sol ainda não havia despertado,
e ainda estava escuro.
O cheiro do pão assando no forno,
a manteiga sobre a mesa,
na parede de madeira, um quadro pendurado mostrava um casal.
Na velha geladeira, um pequeno crucifixo escondia a ferrugem da porta,
o silêncio imperava.
Sentou-se à mesa,
o pão recém saído do forno, emanava um delicioso aroma, e trazia a ela boas lembranças, lembranças
de um tempo que não voltaria mais,
de um tempo em que as crianças corriam em casa, e adultos conversavam em volta do fogão à lenha.
Aqueles domingos intermináveis, que o tempo não fazia questão de passar, e a chuva era bem vinda para irrigar a plantação.
Hoje, apenas lembranças... e o pequeno pão sobre a mesa...
Cortou uma fatia, um pouco grossa,
abriu o pote de manteiga, a qual
devido ao frio, estava um pouco dura,
mas a fatia quente derreteu quase instantaneamente aquele pedaço amarelo,
o bule de café já não precisava mais ser tão cheio, junto à
pequena caneca de esmalte, com alguns pedaços descascados.
Enquanto levava a pequena caneca à boca, a fumaça embaçava seus óculos, 
e ela se perguntava:- Como o tempo passou tão rápido, tão de repente?
A casa ficara tão grande, o assoalho tão silencioso
Sentia falta da companhia, sentia falta de um bom dia, sentia falta das risadas.
Levantou-se, enrolou o pão numa pequena toalha branca,
guardou-o dentro do forno,
retirou o bule da mesa, levando-o novamente para o fogão .


O sol já aparecia entre os morros
Logo, o galo cantaria e, mais um dia começaria
Mais um dia, a mesma rotina solitária.
Por onde andariam seus filhos, seus netos?
Por onde andariam àqueles que um dia tanto a alegraram?
A casa já não tinha mais tanto viço,
os dias já não eram mais tão esperados,
eram apenas mais um dia.
Agasalhou-se bem, pegou o pequeno balde com milho e foi alimentar a criação ,
que, já ansiosos, esperavam a pequena senhora, próximos à porta.
A passos lentos, chinelo de pano, forrado, arrastou-se pelo terreno
Milhos voavam pelo céu, caindo aleatoriamente pelo chão,
e,assim era seu dia.
Desde que eles partiram...
Quanto tempo mais seria assim?
Ela não sabia.
Há tempo perdera a esperança.


O dia escureceu. Trocou os chinelos e fechou a porta, ligando o velho rádio.


22 de mai de 2016

O perdão de uma mãe

Domingos são típicos para aproveitarmos ao lado da família, regados com bom papo e filmes. Principalmente, domingos cinza e frios, como estão sendo ultimamente em minha cidade.
No final do dia, aproveito para ver o que está passando no canal aberto. SBT, programa Eliana, um quadro me chamou a atenção.
Claro que o efeito de programas assim é utilizar-se ao máximo do recurso que os apresentadores, já escolados, têm em suas mãos: o sensacionalismo.
Mas, dessa vez, o apelo foi baixo.
Uma personagem, com os braços abaixados e mãos cruzadas, narrava sua juventude sofrida no interior da Bahia.
Parei para prestar atenção. Sempre aprendemos um pouco.
Num determinado momento, revelou-se o que aquela senhora, cujos olhos demonstravam toda tristeza, e um vazio imenso, buscava no programa: o reencontro com seus quatro filhos.
Devido a um marido machista, ele a expulsou. Mandou-a embora, sem nada, sem seus filhos.


E os anos passaram, ela voltou à Bahia algumas vezes, atrás de informações, mas foi como se eles virassem fumaça.
30 anos depois, Eliana, consegue ajudá-la, e encontra seus filhos. Porém, um deles não quis ir ao programa e conhecer sua mãe.
Claro, é aceitável, só Deus sabe o que o pai falou sobre a mãe biológica a eles.
Mas, pensei comigo... e se fosse o inverso? Eu tenho certeza,de que a mãe não pensaria duas vezes para tomar seus rebentos em seus braços, perdoá-los e viverem todos juntos, em harmonia, retomando a vida que lhes fora negada por terceiros.
Aí surge a dúvida: Por que para os filhos é mais difícil perdoar às suas mães? Já que o oposto não ocorre?
Mistérios divinos?
Uma vez li que mãe é um anjo que Deus manda à Terra para proteger Seus filhos.
Pois bem, se assim for, justifica-se que toda mãe perdoa. Que toda mãe ama incondicionalmente “seu pedacinho”.
Acredito que seja esse o papel principal: amar, amar e amar.
Quantos machucados já foram curados através do abraço de uma mãe, ou um beijo, ou apenas um afago?
Mãe nasce com essa fagulha a mais, com esse toque divino, porque deve ser assim.
Por isso, a poucas é dado tal privilégio.
Muitas colocam filhos no mundo ( vezes por um descuido ), mas poucas são mães.
Mas, voltado ao programa, no final, os três filhos que foram ao encontro daquela senhora, apenas uma, a filha caçula a abraçou com carinho e saudade. Os outros dois, ainda machucados, abraçaram aquela mulher como abraçariam a outra senhora qualquer, por educação.
O que também me fez pensar: que direito aquele pai teve em fazer isso com seus filhos? Que amor é esse que, por vaidade, pune a seus rebentos?
Ele construiu uma imagem monstruosa, que fez com que os corações dos seus filhos congelassem em relação à mãe biológica. E como reverter isso?
A mãe deles já sabe e demonstrou: amando-os incondicionalmente.
No momento certo, o amor os unirá, e dissipará toda mágoa e angústia que há ali. E os danos serão reparados.

O amor sempre dá um jeito de refazer, remontar e curar. Principalmente o de uma mãe.