18 de abr de 2018

Medo da Chuva

Foto da internet



Ela vem chegando mansinho, mas de repente mostra toda a sua força e quando a mostra leva consigo tudo o que encontra pela frente.
A chuva nos é benéfica na medida certa, mas quando ultrapassa o limite traz a desgraça de uma ou várias cidades, pois deixa seu rastro de desolação. Este assunto surgiu logo após uma chuva forte que caiu em nossas cidades, no dia de ontem. Não vamos falar aqui, da interferência do ser humano no trajeto da água como; problema da pavimentação, eliminação da vegetação, desmatamentos das ruas, praças, o excesso de cimento, calçadas, falta de drenagem e outros meios que ajudariam no escoamento da água, sem esquecer a abundância de lixo descartado de maneira indevida.
Então é certo dizer que não respeitamos o ambiente em que vivemos, é triste.
Vamos falar sobre o sofrimento das famílias que vivem a olhar para o alto, quando a chuva parece não querer parar. Assim aconteceu ontem, com uma amiga, que ficou preocupada ou triste com a lembrança da última cheia em nossas cidades.  A ansiedade, o medo e até angústia daqueles que já viveram o drama de uma enchente ainda é presente em sua vida e de seus familiares.
Mesmo que sejamos privilegiados em morar em lugar livre de enchente, sofremos com parentes e amigos que ficam desabrigados de casa, agasalho, conforto do lar, da família, pois muitas são divididas para morar, mesmo que temporariamente com outras pessoas. Quem tem lugar com parentes, quem sabe se estresse menos, mas há os que ficam em escolas, em ginásios, em igrejas, e nem sempre há condições de suprir todas as necessidades.
As pessoas que perdem sua casa mesmo que depois recuperada, qualquer trovão a faz tremer pelo medo do que vai perder. Já dizia Wiliam Feather:
“Algumas pessoas estão fazendo uma preparação tão minuciosa para os dias de chuva que eles não estão aproveitando o brilho do sol de hoje.”
A chuva contínua, que permanece por vários dias, e transforma-se em calamidade, passa a ser uma inimiga, por isso, muitas pessoas não vivem sossegadas. Todos sofrem, e, há ainda os animais. Minha amiga estava muito sentida ainda, depois de tanto tempo passado, porque perdera seu cãozinho de estimação, pois no dia da mudança, com a água chegando ele fugiu de medo, e mesmo com muita procura jamais foi encontrado E, assim há com certeza, muitos casos piores envolvendo morte de pessoas, roubo de alimentos, de cobertores e muitas outras coisas.
Clarice Lispector dizia que as pessoas ficam tão preocupadas com a chuva repentina, a transformam em tempestade, mesmo sendo apenas uma nuvem passageira.
Como não temer a chuva que vem com vento, as árvores se dobram ou se quebram com o impacto de muita chuva, sem falar no granizo, pois este congelado, o vapor de água fica com mais peso do que a nuvem pode aguentar e cai, em forma de pedra de gelo, também fazendo seus estragos em plantações e, às vezes pelo tamanho, acabam matando animais que estão no campo. Quem já passou por momentos tristes devido às chuvas ou enchentes vai ter que com o tempo trabalhar para afastar o medo, pois a chuva virá sempre.


Quem sabe pensar como Raul Seixas:
“Eu perdi o meu medo, o meu medo da chuva.
Pois a chuva voltando pra terra traz coisas do ar.
Aprendi o segredo, o segredo da vida.
Vendo as pedras que choram sozinhas no mesmo lugar.”


31 de mar de 2018

Aqui passou a boiada


  Houve um tempo em que a boiada passava em frente a minha casa,e tudo era festa,não havia necessidade de reservar lugar, para assistir, pois a porta do armazém dos meus pais,já era meu lugar cativo. Em tempos de chuva, o barro misturado aos tocos das árvores,os quais eram jogados para dar mais firmeza aos cascos dos animais,espalhava-se para todos os lados, paredes e pessoas que se arriscavam a passar perto de onde a boiada passava.Minha mãe estava sempre de olho em mim,na época,eu contava com meus quase três anos,e a passagem da boiada,onde hoje é a avenida João Pessoa, para mim, era o maior show, eu abanava para os boiadeiros, na época, o falecido Romualdo Melo e seus ajudantes. Quando o chicote rodopiava e estalava no ar, eu pulava de alegria, meus pais diziam que eu batia palmas e pedia aos gritos para que eles não surrassem os bois e, é claro eu chorava muito, pois para mim os bichinhos estavam apanhando e, de certa maneira,estavam.O falecido,seu Romualdo,era traquejado no jeito de tocar a boiada,levava os bois pela manhã para o seu açougue,mas antes passavam pelo posto de desinfecção,eu nada sabia,então meu pai dizia que eles iam tomar banho,e à tarde,voltariam limpinhos para dormir.Eu passava o dia perguntando ao meu pai que horas os bois iam voltar, para dormir. E, à noitinha os que sobravam voltavam e iam para um potreiro próximo à igrejinha, que foi demolida há anos.O peão boiadeiro tinha um bom manejo com o berrante,e nem tudo era festa, pois eles sofriam com a mudança do clima,no inverno conviviam com as baixas temperaturas e no verão calor intenso. Em minhas lembranças há também a boiada que vinha de Palmas,e no verão os boiadeiros paravam para dar água aos animais,em uma enorme lagoa,próximo à casa de meus pais. Há tantas lembranças que me fazem querer voltar ao passado e registrar mais fatos que não voltam mais.Às vezes, eu não via a boiada, pois vinham com o escuro do dia,e meus pais não me deixavam ficar na frente do armazém,então quando meu avô estava em casa, e havia reses no potreiro me levava para vê-las. Eu queria ficar bem perto da porteira, e às vezes, havia alguma investida contra nós, e meu avô dizia:-Escapa! Escapa!Ah! quanta saudade!Olho para trás e vejo com olhos de menina a aventura de ver a boiada.Hoje,elas são lembradas através de filmes,poesias, poemas,contos e tantos registros,mas nada como o que tenho registrado em minha mente.Recordo-me bem que um lado da estrada era coberto por vasta vegetação, plantas que hoje muitos nem conhecem, alguns como: mamona, Inhapindá  ou unha de gato, diversos tipos de cipó, pente-de-macaco, eram para nós, crianças brinquedos, fazíamos barquinhos, com eles e jogávamos as sementes para cima para vê-las voando, havia muitos tipos de cipós,flores e amoreiras.E por ali, passava a boiada.Vou encerrar esta crônica com alguns versos de Casimiro de Abreu:“Oh! que saudades que tenho Da aurora da minha vida,Da minha infância querida Que os anos não trazem mais!Que amor,que sonhos,que flores.”



Imagens: Google

13 de mar de 2018

O Equilíbrio na internet



    Recentemente, eu estava fazendo um trabalho em uma instituição e percebi uma garota isolada do seu grupo, parecia ter chorado, e dava-nos a impressão de que apenas queria ficar sozinha.
   Fiz algum comentário com algumas meninas sobre a situação e, elas me responderam:
   - Ah! professora, ela não quer nem conversar, nem brincar, e o que faz é de má vontade.
   Fiquei imaginando o que estaria acontecendo, pois pelo que presenciara nada faltava a ela, naquele maravilhoso lugar.
   Aproximei-me silenciosamente para não perturbar a sua meditação, ao perceber a minha presença, fez menção de sair, ela estava sentada à sombra de uma linda árvore florida. Despistei e sentei em um banco quase ao seu lado. Puxei conversa.
   -Olá! Tudo bem com você? Por que está aqui, sozinha? Não gosta deste lugar?
   A menina ergueu a cabeça e começou a falar, mostrava na voz a sua inquietação, falou que se sentia como uma prisioneira, pois havia horário para todas as atividades, e o pior disse-me ela:
  -Não podemos usar o celular aqui, não consigo viver sem me comunicar.
Fiquei assustada com as palavras dela, foi um desabafo muito triste, porque ela disse que a vida dela dependia de um celular.
Infelizmente, o fato acontece muito com a maioria não só de jovens, mas de muitas pessoas. Para os jovens, principalmente, ficar sem celular é um grande castigo. Em uma época não muito distante, presentear os filhos com um carro, era um presente que mostrava à sociedade o “status”, da família, hoje substituído pelo celular.
   O celular e internet nos trazem muitas facilidades, as quais não há necessidade de nomeá-las, porém há a obrigação do controle, pois tudo que é exagerado traz malefícios à saúde.
   A necessidade de estar sempre conectados gerou uma sociedade de adolescentes obcecados pelo imediatismo, como: esperam por respostas rápidas, conversas ligeiras, encontros nada longos, e, se algo for além do tempo, previsto por eles, gera uma grande ansiedade. E, como as relações virtuais andam juntas com as reais, podemos pensar que é um dos motivos para que os relacionamentos não tenham vida longa. Tudo parece ser descartável, infelizmente, o celular se tornou um item de consumo favorito da população.  Às vezes, nos assusta quando dois jovens, que estão próximos, usam o celular para se comunicar, trocando assim o encontro, o olhar nos olhos, a voz, o sentimento, por mensagens, as quais, muitas vezes acontecem por meio de simples “emoticons”. A preocupação é grande quando os limites desta comunicação deixam de fora a presença física da outra pessoa, causando assim a facilidade de falar sem se preocupar com as reações do seu interlocutor.
  “Mas para manter relações saudáveis, é preciso fazer um uso inteligente dos recursos tecnológicos e evitar os excessos da “dependência da conectividade”. Nesse ponto, a escola e, principalmente, os pais são responsáveis pela educação dos jovens.”
   Penso que deve haver o bom senso para  não ficar conectado o tempo todo, nem há necessidade de fazermos como a França ,mas uma boa dosagem de tempo, cada um deve fazer de acordo com a sua necessidade e consciência, "como empresa a gente se vê obrigado a estar conectado um tempo muito grande na internet, mas os usuários têm de praticar o 'nadismo', desconectar um tempo, passar um tempo descansando fora das telas".
“O verdadeiro perigo não é que computadores começarão a pensar como homens, mas que homens começarão a pensar como computadores” Sydney J. Harris, jornalista e escritor estadunidense.

4 de mar de 2018

Ser Mulher

Ser Mulher

   Subindo o morro com a bacia de roupas para lavar, no riacho de água barrenta vai a cabocla de pé no chão, começar o seu dia de trabalho árduo e desvalorizado, na rua de baixo a quitandeira, com a cesta de docinhos, grita com voz forte: Docinho, docinho, compra um e leva dois. Continua assim até que todos sejam vendidos, e ela possa voltar com a cesta um pouco mais pesada contendo um pacote de arroz, seis bananas e um litro de óleo. Seu sorriso mostra a felicidade de poder colocar comida na mesa para seus filhos e ainda repor na prateleira os ingredientes para os docinhos da próxima venda.
  Não longe dali outra mulher carregada de cadernos, os quais corrigiu à noite, está correndo para não perder o ônibus que a levará para a sua escola, onde leciona em dois períodos, é a professora do bairro.
 Na esquina, próxima ao ponto de táxi, outra mulher vestida de maneira formal, com duas pastas de documentos, caminha apressada para atravessar a rua, é uma advogada a caminho do fórum para defender seu cliente.
Na roça, com a pesada enxada, a mulher vai capinando o mato, preparando terreno para o plantio do milho, trabalha de sol a sol para ajudar o marido na lavoura. Embaixo de um pé de manga o pequeno rádio ajuda a suavizar o calor que sufoca a alma. A voz da mulher, a radialista comenta os fatos do dia, e assim a enxada avança com mais velocidade.
 No hospital, a mulher enfermeira acalenta os doentes que passam por necessidades físicas e espirituais, com sua dedicação, carinho e habilidade deixam o espaço mais humano, enquanto a mulher secretária auxilia com seus serviços profissionais tanto nas empresas e hospitais, a mulher médica deixa seus filhos, sua família e vai prestar socorro onde é chamada.
Os bichinhos de todas as espécies e gostos fazem a nossa vida bem mais feliz e graças a mulher veterinária eles vivem melhor, com mais qualidade de vida.
A estudante apura o passo para não perder a carona com a amiga que também vai fazer o curso para ser dentista, pois ela sabe o seu valor, no bairro onde mora.
Nas grande e pequenas lojas o número de vendedoras aumenta, pois elas com sua diplomacia vão vencendo no mercado de trabalho.
As mulheres contadoras estão sempre a postos, porque não podem deixar passar um algarismo errado, o que seria um desastre, e com sua competência vão mostrando seu valor junto aos cálculos.
Na construção de mais um edifício, na cidade está à frente de todos uma mulher engenheira, a qual trabalha sem esquecer que é mulher.
No mundo da política ela também está, mesmo que não seja presidente ela é política no lar.
A mulher publicitária está pronta para participar de todas as etapas dos projetos que lhe cabem, pois faz parte de seu escopo analisar, preparar realizar, enfim tornar realidade suas grandes ideias. 
“É pelo trabalho que a mulher vem diminuindo a distância que a separava do homem, somente o trabalho poderá garantir-lhe uma independência concreta.”
Há a mulher mecânica, a mulher motorista, a policial, a borracheira, a pintora, a artista plástica, a costureira, a eletricista, a fiel dona de casa, aquela que dizem: não faz nada.
E aquela que gesta, que acolhe que educa, que dá carinho, ensinamentos, direção para a vida, dá-lhe se precisar a sua vida, a única mulher mãe.
E finalmente, sem esquecer alguma mulher de singular importância a Mulher Santíssima Maria, mãe de Jesus e nossa.
“Não se nasce mulher: torna-se.”
E com as palavras de Clarice Lispector, parabenizo a todas as mulheres:
“Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado.”

A todas parabéns!

19 de fev de 2018

O Tempo



O ano termina e recomeça, e assim sucessivamente, e o termo que já se tornou um clichê “feliz ano novo” “adeus novo velho”, volta a fazer parte de nosso vocabulário, porém se formos analisar até poderemos pensar que o tempo continua igual, quem sabe uma invenção para nos alegrar, nos dar esperanças de um tempo melhor, passa-nos  a impressão de que ele não é literal, porque parece viver em círculos, vai e volta e assim continuamente. Não vou falar do tempo na concepção de físicos como: Einsten ou Newton, mas de como podemos definir o tempo ou quem sabe senti-lo. O calendário é uma bela criatividade, porque nos dá a impressão de que tudo será novo e que tudo terá um novo começo, ledo engano, pois tudo continua igual, mas com a nossa fantasia de que o tempo mudou, ou que o tempo passou...
Quem na verdade sofre mudanças somos nós, e que às vezes, somos enganados pelo tempo, o qual não é linear, e por isso, não percebemos se ele vai ou volta, sem sair do lugar, nós é que mudamos. Devemos então nos questionar o quanto mudamos, o quanto melhoramos neste tempo que parece que passou muito depressa, ou então naquele que aguardamos chegar com muitas novidades, mas na verdade somos nós que fazemos as mudanças e novidades da vida. Ouvimos muito: ah! quando eu completar tal idade, ah! quando o ano terminar, ou no começo do ano vou casar, e nossa metas são grandiosas, no plano físico, no entanto precisamos nos perguntar quais as metas para o nosso corpo espiritual, a nossa alma. O que fiz de bom neste”pseudo tempo”?
O Calendário é apenas um mero sistema para contagem e agrupamento de dias que visa a atender principalmente às necessidades civis e religiosas de uma cultura.” A palavra deriva do latim calendarium, "livro de registro", que, por sua vez, deriva de calendae, que indicava o primeiro dia de um mês romano.”
O relógio, a ampulheta, o calendário, relógio do Sol, relógio de pêndulo, relógio atômico, relógio digital e tudo que possa nos dar uma noção do tempo facilita a nossa vida para obtermos resultados, quando nos programamos  pensando no tempo, mesmo que ele seja uma mera convenção dos homens, para poder contá-lo ou simplesmente medi-lo.
Albert Einsten afirmou: "Para nós, físicos presunçosos passado, presente e futuro são apenas ilusões".

Mesmo que isso seja verdade, vou fazer uso do velho clichê e desejar a todos um ano repleto de realizações, que seja um tempo bom para todos nós!

7 de fev de 2018

Somos Intolerantes




Ontem em uma roda de conversa boa, o assunto foi sobre sentimentos, alguns ruins, que nos causam mal, e o maior deles, o ódio. E acabamos falando sobre uma palestra, com o tema “Intolerância”, a qual foi proferida por Haroldo Dutra Dias, ele é juiz de direito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, escritor, tradutor, e conferencista brasileiro.
 Há muita intolerância hodiernamente, tudo se torna intolerante a nós, e
infelizmente, ainda somos estimulados a ter ódio, o assunto da conversa tomou um rumo muito interessante, pois acabamos lembrando de fatos de famílias que foram destruídas devido ao ódio reinante por muitas gerações.
Nelson Mandela já dizia:
Ninguém nasce a odiar outra pessoa devido à cor da sua pele, ao seu passado ou religião. As pessoas aprendem a odiar, e, se o podem fazer, também podem ser ensinadas a amar, porque o amor é mais natural no coração humano do que o seu oposto.
A única voz que o orgulho respeita é a humildade, para a violência, a paz e a brandura.
O ódio nunca ouve o ódio, e para acabar com a intolerância é muito mais fácil  exterminá-la nos outros, pois a nossa própria intolerância nos parece invisível. Atualmente, em qualquer lugar ou em qualquer roda de amigos, se você não tiver ódio de algum político, iniciativa política, ou de alguma pessoa bem sucedida, fica mais difícil de entrar nesta roda. Até parece que é chique ter ódio em algum momento de nossa vida.
Será que o ódio nos dará oportunidade de mudarmos para melhor, fazermos nova política, um novo país? Sentimos ódio por gênero, por pessoas de cor, por falta de conhecimentos, por falta de bens materiais, enfim, execramos o nosso próximo por ele ser apenas diferente de nós.
Precisamos estar vigilantes e mensurar o nosso grau de intolerância. Todos temos escolha, temos que respeitar a maneira de como o outro vive. Amar é respeitar o outro, o nosso próximo. Alguém disse:
-Mas se eu não concordar com o outro?
Basta respeitá-lo, não precisamos concordar com as atitudes dele, pois podemos nos posicionar quanto ao certo ou errado, porém sem ódio, seguindo os ensinamentos de Jesus, que nunca agiu com ódio. Vivemos tempos obscuros, o valor de uma vida é pequeno ou inexiste, a política um caos, a integridade física desmerecida, enquanto que a intolerância e o ódio estão sendo disseminados ao nosso redor.
Falta-nos o ato de nos colocar no lugar do outro, pois rir, aplaudir, acusar é mais fácil que parar para refletir que muitas vezes nos igualamos aos que acusam, ou aos que destilam o ódio através de palavras ou ações. O respeito constrói a paz, constrói o novo.
“Se a sociedade está doente, é porque nós estamos”. Jamais, em todo o mundo, o ódio acabou com o ódio; o que acaba com o ódio é amor.


“Nenhuma qualidade humana é mais intolerável do que a intolerância.”

27 de jan de 2018

Amor e Guerra

As duas garotinhas com passos apressados, seguiam pela estrada barrenta, cada uma com um pequeno embrulho em papel pardo, parecia que protegiam um tesouro, eram muito pequenas para estarem com tão grande responsabilidade, eram irmãs com pouca diferença de idade, 6 e 7 anos.
Vestiam roupas rotas, calçados surrados, meias remendadas e um gorro, o pescoço enrolado em um pedaço de manta surrada, o gelo estalava sob seus pezinhos gelados, a neve cobria seus ombros, e suas roupas pouco ajudavam para proteger do frio, eram tempos difíceis.
O pai foi levado para o campo de batalha, a mãe fazia o possível para manter os filhos fora de perigo, pois tudo era controlado.
O ruído das bombas, mesmo distantes passavam o terror que todos viviam em tempo de guerra. As pequenas, acostumadas a enfrentar o perigo em busca de comida, andavam apressadas, levantavam muito cedo, ainda com a escuridão da noite e saiam como se fossem garimpar tesouros escondidos, e assim que conseguiam algo, elas voltavam esfuziantes, cheias de esperança de mais um dia de vitória. Entraram correndo, a mãe precisou fazê-las  fecharem a boca.
-Mãe, conseguimos comida.
-O que temos hoje, vamos ver?
Ana, a mais nova abriu o seu embrulho e com um largo sorriso, mostrou seu tesouro.
-Veja, mãe, consegui duas batatas e a Marta um bom pedaço de toucinho, teremos uma ótima refeição, não é mamãe?
A mãe esconde as lágrimas, pois há dias tentam sobreviver com o mínimo.
-Como vocês conseguiram tão boa comida, minhas filhas?
-Ah,mãe, o padre estava distribuindo para algumas pessoas e quando nos viu, entregou estes pacotes e nos pediu para guardá-los bem, até que chegássemos em casa, e aqui estamos. A primeira refeição do dia foi excelente, mesmo sendo pouca foi a melhor.
Cada uma tinha suas tarefas e mesmo sem tempo de escola, tinham deveres já estipulados pela mãe.
O bombardeio continuava com seu barulho infernal, a luz era de um toco de vela, a lenha acabara e o fogão estava gelado, assim como toda a humilde casa. Não havia muito o que fazer para se aquecerem.
-Mãe, quando a guerra vai acabar? Não sei, Ana.
-Por que a guerra existe?
A mãe ficou pensativa, pois nem ela sabia o porquê das guerras, sempre soube que existiam, mas não sabia o real motivo de povos fazerem guerra para matar tanta gente, e gente igual a todos, a pequena insistiu na pergunta, e a mãe teve a resposta.
-Filha, a falta de amor, a falta de respeito com o próximo e a falta de igualdade é que levam os povos a fazer a guerra, a matar as pessoas, porém, com certeza, um dia, espero que esteja próximo, todos nós viveremos em paz, o amor reinará em todos os lugares e não haverá lugar para o ódio e nem para a guerra.


Agora vamos dormir, pois não temos como vencer o frio, e amanhã teremos um dia lindo.

12 de jan de 2018

A Merenda

A garotinha caminhava vagarosamente,
Pois estava com fome
Tinha que chegar à escola
Sua esperança era poder comer
Na sua casa não havia nada
O estômago roncava
Dava para ouvir
O barulho, no silêncio
Da estrada empoeirada
A barriga doía,
A cabeça girava, pois
A fome apertava
Caminhou, apressou o passo
Quase chegando
Ah! sentia o cheiro da sopa
Dona Margarida
Cozinhava muito bem
Melhor que sua mãe
Ufa! Chegando
Foi direto para o refeitório
Nem lembrou que havia aulas
Apenas queria comer
Que triste!
Não tem merenda hoje?
Nada de merenda
O ladrão levou tudo
Mesmo, dona Margarida?
Sim querida,
Por quê?

Você está com fome?

3 de jan de 2018

Papai Noel existe

A pequena menina, estava cansada, mas precisava chegar a tempo para entregar as bolachas que a mãe fazia, ela ajudava como podia, para que a mãe pudesse ganhar mais para conseguir pagar as contas. Ela tinha apenas 8 aninhos, era mirradinha, talvez por deficiência na alimentação, pois sempre viveu com dificuldades junto com seus dois irmãos, mais novos.
O pai estava acamado fazia muito tempo, sofrera um acidente, e como aconteceu fora do trabalho, não teve direito a receber nada, além do devido. A mãe trabalhava limpando as casas, porém após o acidente, precisou ficar em casa para cuidar do pai. Então começou a fazer bolachas para vender, tinha uma boa freguesia, ela era boa com as massas. Ana, a menina, ajudava a entregar as encomendas, o que fazia sempre após as aulas. Às vezes, Aninha mal tinha tempo de comer direito, pois sua mãe, já estava com os pacotes prontos para a entrega, e ela tinha que se agilizar para que tudo fosse entregue antes da noite cair. Era época de Natal, e a freguesia aumentava, o que era bom, mas ela sozinha quase não dava conta de tanto andar. Pensava que se tivesse uma bicicleta poderia fazer tudo com mais rapidez, tinha o sonho de trabalhar sem parar e comprar uma bicicleta para facilitar as entregas, enquanto o sonho não se tornava realidade, tinha que gastar a sola do sapato.
No final da tarde, cansada e com fome, resolveu tomar um pouco de água na igreja, pois conhecia muito bem o padre da paróquia. Entrou e foi direto à sacristia, tomou água, e ainda comeu uns biscoitos que estavam à disposição, não havia ninguém, o silêncio era confortador.
Ana, resolveu sentar em uma poltrona, na sacristia, para descansar um pouquinho, seria por alguns minutos, pois sabia que sua mãe estaria preocupada, caso ela não chegasse no horário de costume. A menina, sem querer pegou no sono, foi um sono profundo e muito bom. Sonhou que seu pai, por milagre da medicina estava curado, e que uma bela e forte bicicleta a aguardava, era reforçada e com bagageiro, própria para carregar pacotes, sua mãe tinha uma ajudante, pois o comércio das bolachas aumentara, em seu sonho até o Papai Noel, apareceu e lhe disse:
-Ana, acorde! Sua mãe a espera, já é tarde, volte para casa!
Ela teve um sobressalto e acordou assustada. Nossa, dormi demais, já está ficando escuro, mamãe deve estar doida atrás de mim. Que horas devem ser?
De repente, ela ouve um barulho, era o padre chegando de uma visita aos doentes, e ficou surpreso com a presença da menina, ali.
-Ana, o que faz aqui, aconteceu alguma coisa com seu pai?
Rapidamente, e muito nervosa ela contou o que houve.
O padre disse que iria acompanhá-la até em casa, pois estava ficando muito escuro.
Durante o trajeto contou ao bom vigário o sonho que teve, enquanto dormia. E ainda riu, dizendo:
-E nem acredito em Papai Noel.
O padre, olhou para a menina e disse:
-Sabe, Ana, às vezes, não acreditamos em muita coisa que está ao nosso redor. E seguiram, cada um com seus pensamentos.
 Ao avistarem a casa, de longe perceberam muita luz, coisa que não acontecia, porque cuidavam muito, pois tinham que economizar, a mãe foi ao encontro deles sorrindo, fato que nunca acontecia, pois ela nem tinha tempo para sorrir.
Surpresa, Ana pergunta.
- O que houve, mãe, você está alegre, e a casa parece em festas?
-Ana, aconteceu um milagre, uma equipe médica de uma clínica doou a seu pai, um tratamento novo, que com certeza, vai devolver a mobilidade das pernas dele, e tem mais um senhor de barbas brancas, entregou uma bicicleta especial para seu tamanho e idade, com dois cestos acoplados para colocar os pacotes de bolachas, disse que foi seu pedido.
E, mais a vizinha cedeu a filha para me ajudar na produção de bolachas, e o pagamento que pediu foi: aprender a fazer bolachas.
Todo o sonho de Ana, havia tornado realidade.
Atônita, Ana não conseguia falar, olhou para o padre e disse:

-Eu não acreditava em Papai Noel! 

19 de dez de 2017

Natal com Jesus

              
Natal com Jesus

Dezembro, lojas repletas
 Coloridos em todas as partes,
Luzes fazendo caminho pela cidade,
Papais Noeis, em todas as portas,
Chamando a freguesia,
 A tristeza acontece,
Pois já não é mais o dezembro que lembro
Será que alguém, além de mim lembra
O que representa este mês?
Crianças com ares de adultos
Fazendo listas impossíveis e absurdas
Ao velhinho do Natal,
Triste aquelas crianças, que sequer sabem
Que de nada adianta, mil listas escrever, pois o Papai Noel,
Já tem endereço marcado.
Olhando o céu, recordo vivamente,
Que em uma noite de dezembro
Uma estrela cruzou os céus de Belém,
 Belém de Judá,
No tempo do rei Herodes
A estrela riscou o firmamento
Parou em frente a uma manjedoura
Onde o Messias nascia,
Era o rei Jesus, que ali dormia,
Do Oriente vieram três reis magos,
Melquior, Baltasar e Gaspar, eram magos, pois conheciam as estrelas,
E uma estrela, a mais bela lhes mostrava
Onde nasceria o menino Jesus, o Messias
Deram-lhe presentes, incenso, mirra e ouro.
Ouro para o rei dos judeus
Incenso pela sua espiritualidade
Mirra, pela imortalidade.
A festa acontecia junto aos animaizinhos,
Festejavam a chegada do Mestre Jesus,
E de maneira diferente acontecia
Nas mansões, regalias, grandes presentes
Sequer sabem o porquê do banquete,mas
Ainda há esperança
De que o Papai Noel, não seja a razão da festa
De que um dia, o Natal seja de verdade
E celebrará apenas a data
Em que Maria trouxe ao mundo


O Salvador, Cristo Jesus!



O Blog Naco de Prosa deseja a todos os amigos deste espaço literário, um feliz e Santo Natal!

Medo da Chuva

Foto da internet Ela vem chegando mansinho, mas de repente mostra toda a sua força e quando a mostra leva consigo tudo o que enco...