9 de out de 2018

Professor



     Professor, aquele que busca a sensibilidade para poder viver em meio a tanta insensibilidade, que vive o seu tempo com consciência da rudeza do mundo, do mal que afeta os pequenos a quem ele como educador dedica sua vida. Ensina, molda, lapida e procura dar sempre o seu melhor em sala de aula, mesmo sem as condições necessárias, que necessita para dar continuidade ao seu trabalho.
    Quem é o professor? Podemos afirmar que ele é um habitante assíduo da escola, onde ensina, pois dedica-se a ela sem perceber que a sua vida está sendo esquecida, mas que está paralelamente sendo aquecida pelos alunos que buscam-no para ouvi-lo, para admirá-lo, enfim para que o educador mostre sua magia, pois com certeza ele é um grande mágico e quem é educador vai entender o significado da palavra mágico. A velocidade da tecnologia não substitui o olhar carinhoso e compreensivo do professor que ao olhar seu aluno conhece o mal que o aflige.
    E, é na figura do professor que ainda hoje buscamos aprender o respeito, o valor das pessoas, o caráter, enfim o professor ainda é o maior.
O professor Nei Alberto Pies em seu texto, abençoada seja a paixão de ensinar, disse:
  Vivemos tempos em que é permitido pisotear flores, ignorar pérolas, subjugar pessoas e a mãe natureza. Mas, em especial, também é um tempo em que é permitido menosprezar aquelas e aqueles que, heroicamente, tecem histórias suas, e de outros, construindo o mundo da vida e da sabedoria. Estes são tempos em que aqueles que cuidam, não são cuidados. Aqueles que educam, não são valorizados. Aqueles que amam, sofrem com o deboche e o desprezo daqueles que não acreditam mais no amor.
A vida daqueles que denominamos mestres, educadores, professores, infelizmente, também é triste e desmotivada. Sim, logo aqueles e aquelas dos quais a sociedade ainda espera muito (saber, sabor e sabedoria). Pouco valorizados e feridos em sua dignidade, estes resistem bravamente. Os educadores e educadoras, como os demais humanos, são movidos por suas utopias e paixões. Mas a realidade cotidiana é sempre dura, reveladora e cheia de contradições. A escola tornou-se um lugar de onde se espera muitas soluções; muitas delas estão muito além das demandas de ensino-aprendizagem e das competências a partir das quais a mesma se organiza.
Os professores não deveriam, mas já acostumaram. Acostumaram a ganhar baixos salários. Acostumaram a ter de trabalhar 60 horas semanais para garantir mais dignidade à sua família. Acostumaram a aceitar todo o tipo de pressão que a sociedade e os governos exercem sobre seu ofício e sobre a escola. E agora, pasmem, alguns já estão se acostumando com a desesperança, que pode ser lida na expressão de seus rostos e de seus olhares. Uma constatação triste, pois sempre foram e são vistos pelos adolescentes e jovens como um alento da esperança.
    Nossos professores e nossas professoras estão doentes e estressados. Cuidaram, encaminharam e salvaram vidas alheias, mas não dedicaram o devido tempo para cuidar de sua própria vida. Como contemporiza a escritora Marina Colasanti, “eu sei que a gente se acostuma, mas não devia. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos que precisa. A gente se acostuma para poupar a vida, que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma”. Apesar de já terem se acostumado com tantas coisas, a maioria mantém firme sua missão de semear esperanças.
“Desistir... eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça” (Geraldo Estáquio de Souza). Ainda que tomados por uma imensa paixão de ensinar e por uma coragem que nem sempre sabem de onde vem, desejam compreensão e apoio para dar conta de grande missão de educar para a vida, para a cidadania, para o conhecimento.
Parabéns a todos os educadores!

25 de set de 2018

Nos tempos da Enciclopédia Barsa

Imagem Google

                            


      Lembrando em conversa sobre os tempos em que havia a reunião de colegas da escola para fazer trabalhos de pesquisa, era sempre uma festa, pois havia sempre uma mesa farta com guloseimas que minha saudosa mãe preparava para nós. Tínhamos a Enciclopédia Barsa em casa, eram livros grandes e pesados, porque possuíam conteúdo sobre assuntos de diversas áreas do conhecimento e eram divididas em verbetes organizados em ordem alfabética. Meus pais sempre primaram pelos estudos dos três filhos e seguiam rentes a caminhada para o aprendizado na escola e, a Enciclopédia Barsa sempre foi a grande companheira para os trabalhos, os encontros para estudo nunca foram uma obrigação, mas uma oportunidade a mais, para aprender.
    As pesquisas deviam ser feitas em casa, nos era dado um período para a entrega, assim sendo nos reuníamos em algumas tardes para o estudo, que nos possibilitava uma rica interação com os membros da equipe, não havia discussões para ver quem seria o líder. Uns levavam a sério, outros nem tanto. O assunto dado era lido, discutido dentro do possível e um membro do grupo registrava em um caderno de borrão, como era conhecido na época. É claro que muitos trechos eram fielmente copiados, pois ainda não possuíamos o poder de síntese.
Levávamos muitos dias para concluir um pequeno trabalho de pesquisa, mas Barsa possuía tudo. Ela foi idealizada em 1959, por Dorita Barrett, sua família era dona da Enciclopédia Britânica, a Barsa foi lançada na década de 1960, e sucedeu a Enciclopédia Britânica, tornando-se assim a primeira Enciclopédia brasileira, foi desenvolvida por um corpo editorial brasileiro e tendo o jornalista e escritor Antônio Callado como o redator-chefe da primeira edição.
   Voltando ao assunto da pesquisa, a equipe era formada por cinco alunos, número estipulado pela professora. Havia uma organização muito significativa. Era determinado para cada um, uma função para que o trabalho ficasse excelente.
Um aluno era escolhido para as primeiras anotações, outro para a leitura dos textos selecionados, o terceiro formulava algumas perguntas, os dois últimos tinham o trabalho de finalizar tudo. Usávamos folhas de papel almaço, com margens perfeitas elaboradas com régua de madeira, só podíamos usar a frente da folha, pois a folha de trás ficava marcada com os vincos das letras. Para passar o trabalho a limpo, na folha definitiva precisava ser dono de letra bonita, o que era difícil. O pior era que se houvesse rasuras não havia perdão, era necessário começar tudo novamente. Mas como dizia Aristóteles: "O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra". E, se fosse preciso recomeçaríamos quantas vezes fosse necessário. Penso que esse era um árduo trabalho, pois os demais já estavam se deliciando com os quitutes, e dois apenas suando sobre as folhas brancas. Sem esquecermos a capa, que era uma folha de papel almaço com o título do trabalho, constando nela o nome da equipe.
  No cabeçalho da folha inicial do trabalho, devia constar o nome da escola, nome completo da professora, disciplina, (talvez não nesta ordem) local, data, nome do aluno ou alunos e título bem centralizado.

  Terminado o trabalho, outra tarde era reservada para a conclusão de tudo que foi escrito e aprendido.
   O trabalho de pesquisa parecia imenso, com diversas folhas de papel almaço, um calhamaço, pois o volume era muito significante. Pensávamos, então que com tantas folhas escritas, o trabalho de pesquisa seria digno de nota máxima.
   Finalmente, precisávamos unir todas as páginas, era usado um grande e pesado grampeador, e com muitas dificuldades e várias mãos tudo ficava pronto.
   Com o tempo e com a popularização da internet, as enciclopédias foram sendo esquecidas, mas muitas delas continuam completas e disponíveis, a vantagem está na busca por palavras chave, que fica muito mais fácil usando os recursos da informática.
   E assim:
"Quando você está inspirado por um grande propósito, por um projeto extraordinário, todos os seus pensamentos rompem seus limites"
  Penso que muitos leitores procurarão em suas memórias o tempo em que a Enciclopédia Barsa lhes fez companhia.

14 de set de 2018

Cérebro Reptiliano


   
  Um professor fez a introdução de sua aula com a apresentação de um vídeo, mostrando aos seus alunos quanto valor nós damos ao drama.
  Mostra-nos a história de alguns pinguins que saíram de sua colônia em direção à margem gelada do mar, em busca de alimento, mas um deles aguardava que os amigos  se distanciassem para voltar, não para sua colônia, mas  em direção às montanhas, que ficavam a setenta quilômetros  de distância, se calcularmos o tempo que o pinguim levaria para chegar à montanha, poderíamos dizer que seria uma viagem muito demorada e sofrida. Curioso o fato de que podia-se tentar levá-lo de volta ao mar gelado, ele voltava quantas vezes fosse necessário. Um vídeo muito intrigante, pois nos leva a pensar nas dificuldades do pequeno pinguim, a fome, o cansaço, enfim como foi para ele uma aventura tão incerta.
   O educador notou que seus alunos estavam muito interessados no assunto, com expectativa no final da história. As indagações surgiram; será que ele sobreviveu? Achou alimento? Achou outra colônia, na montanha?
    O mundo está desesperado para que alguém continue a história, disse o professor, e que o mundo só se interessa se for drama, pois foram feitos diversos questionamentos sobre o vídeo e mais alarmante, a maioria queria saber sobre o sofrimento do bichinho, e simularam vários finais tristes, nenhum aluno deu um final feliz ao mesmo, e assim é ao nosso redor.
O que é drama?
Originalmente a palavra drama vem do grego "drâma", que significa "ação", e era usada com relação à arte teatral.
Drama é uma expressão usada para designar uma situação comovente, que envolve sofrimento ou aflição, podemos dizer que na vida são os acontecimentos complicados, difíceis, bem como algo que nos cause danos, sofrimento e dor.
      Os noticiários nos mostram tragédias porque elas dão retorno financeiro e, assim não conseguimos enxergar um futuro alvissareiro, começando pela mídia que só nos mostra fatos desanimadores, sabemos que existem repórteres que optam por nos mostrar corrupção, guerras, assaltos, mortes, suicídios deixando de lado os acontecimentos bons, que nos rodeiam.
 Há premiação para jornalistas que cobrem grandes catástrofes, grandes tragédias, enfim dramas.
     Existem muitas pessoas que são viciadas em assistir todas as desgraças do mundo, sabem tudo sobre as últimas tragédias, não só na mídia, mas em sua rua, em seu bairro, em sua cidade. Podemos afirmar que as desgraças afetam nossa vida, nossa mente, nossa maneira de viver. Algumas pessoas dizem acompanhar as notícias para saber o que acontece na realidade, porém o que passa na mídia não é a verdadeira realidade e sim parte do acontecido, às vezes a pior parte dela, e acostumados a isso, vamos esquecendo de ver as coisas boas que há ao nosso redor. Assistimos sobre roubos, sequestros, corrupção, suicídio, e tantas outras tragédias, que se torna difícil enxergarmos o lado bom das coisas, e com certeza há um impacto da negatividade em nós.
   O mundo seria muito melhor, sem dúvida se fosse reservado uma grande porcentagem do jornal, dos noticiários para nos mostrar futuras realizações, projetos para a melhoria na educação, na saúde, objetivos alcançados em vários setores, o otimismo e a segurança falariam mais alto e, a sociedade como um todo seria melhor. Deixaria de lado a tristeza, o medo, a insegurança, deixaria os dramas da vida seguirem sozinhos, sem plateia.
     É muito comum ouvirmos: Eu gosto de ouvir desgraças.
    Hélio Couto pesquisador, escritor e palestrante brasileiro, nos dá uma definição muito interessante do que é complexo reptiliano:
″Sentir compaixão pela dor alheia é um sinal de evolução. Isso seria uma função do neórtex. O cérebro reptiliano é o inverso, para ele tudo é comida. ″
Qual a comida preferida pelo cérebro reptiliano?
Ele possui duas emoções básicas: agressão e medo, diretamente responsáveis pela sobrevivência. Podemos melhorar assistindo a bons filmes, boas leituras, ótimas músicas e conviver com pessoas alegres. “Falam por mim os que estavam sujos de tristeza e feroz desgosto de tudo, que entraram no cinema com a aflição de ratos fugindo da vida, são duas horas de anestesia, ouçamos um pouco de música, visitemos no escuro as imagens, e te descobriram e salvaram-se.” Carlos Drummond de Andrade

2 de set de 2018

Más atitudes não devem ser recompensadas


Imagem do Google

     Na fila do supermercado assisti a uma cena triste, um menino de uns quatro anos deu um show, típico de criança mimada, esperneava literalmente, chorava muito alto. O motivo era um brinquedo enorme, a mãe tentava sem sucesso explicar que não tinha como comprá-lo, mas em vão, os gritos aumentavam, ela teve que sair da fila do caixa para tentar acalmá-lo. Passados longos minutos, nada fez ele ficar quieto. Resultado: ele apareceu com o brinquedo, o choro foi embora, a birra passou e tudo ficou bem. O pequeno já aprendeu como conseguir o que deseja, e com certeza já houve outras vezes.
    Conhecemos, sem dúvida muitas pessoas que mesmo agindo com más atitudes são recompensadas, são pessoas que usam de artimanhas e trapaças para conseguir o que querem. É necessário e bom termos objetivos, porém devemos saber que para atingi-los precisamos ir à luta sem pisar em ninguém, sem usarmos meios ardilosos para conseguir o que queremos.  Pessoas ardilosas, são sagazes, atacam sua vítima conhecendo seu ponto fraco, ferindo também a todos que estão por perto. São dissimuladas, sedutoras, são atores perfeitos, fingem ser do bem, mostram-se poderosos fazendo com que sua vítima fique fragilizada pelo medo.
   Percebemos que na maioria das vezes a pessoa de comportamento errado tem consciência de seus erros e vai em frente. Com uma ação errada muitas pessoas são atingidas, na empresa, no escritório, na igreja ou até mesmo na própria família, há sempre uma consequência, apenas as que a sentem podem mensurar o tamanho do estrago tanto físico como psicológico.
    Sabemos que mesmo as crianças não devem ser premiadas pelo seu bom desempenho na escola ou em casa, pois elas precisam saber que é a sua obrigação agir educadamente, ter disciplina, ser honesto e leal. Muitas vezes os pais recompensam seus filhos por eles arrumarem suas camas, ajudarem com algumas tarefas em casa, serem responsáveis. Primeiramente, a criança deve ter a consciência de que também faz parte dessa casa, e pertence a mesma família e que deve contribuir com as tarefas do dia a dia.
    Pais que premiam os filhos constantemente, querem parecer bons, mesmo que seja uma atitude inconsciente, trará aos pequenos, sérios problemas ao longo de sua vida. Não citamos aqui apenas as crianças, pois há muitos adultos que quando não recebem a recompensa esperada agem de forma triste, são incapazes de adiar o recebimento da recompensa, ficam inquietos, não conseguem enfrentar atitudes novas, mostram acesso de raiva e descontrole, mentem, enganam e na maioria das vezes passam por vítimas, sem perceber que magoam, ferem as pessoas com quem convivem, e na maioria das vezes elas próprias fazem a tempestade acontecer, mas quando a chuva vem, perdem-se no lamaçal que criaram.
    Dizem os estudiosos que essas atitudes, nos adultos são reflexos dos tempos de criança, e que quando crescemos devemos aprender a postergar uma recompensa para atingirmos valorosamente os objetivos, sem os acessos de raiva. Isso acontece, infelizmente a pessoa age de forma errada, prejudica a todos que estão ao seu redor, e quando se espera uma solução assertiva por parte de quem tem o poder, há uma decepção, outro erro, acontece a omissão, alguém passa a mão na cabecinha da "pobre criança crescida”, e lá vai ela em busca de novas recompensas.Há pessoas que fazem escândalo com muitas lágrimas,e aí tudo fica bem, porém esquecem que há outras pessoas que sofrem com acesso de sua agressividade e que também choram, será que as lágrimas dos que agem com maldade são mais valiosas?  
O grande dramaturgo da Grécia Antiga já dizia:
       “Falando a verdade, a maioria dos homens prefere, antes parecer, a SER.”
     E assim aparentemente parece mais fácil usar uma máscara para certas ocasiões da vida, porém esquecem que elas têm data de validade, com certeza, um dia, ela cairá e poderemos observar quem realmente está por trás dela. A atuação por detrás da máscara é perfeita, ganha aplausos e assim os atores continuam no caminho da atuação para conseguir mais e mais recompensas.
       Triste vivermos com atitudes ruins sendo consideradas normais.

20 de ago de 2018

O Poder do Fogo



  Ao sentarmos diante da lareira, observando o início do fogo, o estalar da lenha queimando, pequenas fagulhas que se desprendem e vão se espalhando sobre a lenha acendendo outras madeiras, que em seguida levam o fogo a toda lenha, o que faz com que o calor se expanda sem perder nada do seu corpo de chamas, calor e luz. Interessante observar que o fogo vai se avolumando, repartindo sua força com tudo que está à sua frente, a lareira fica repleta de fogo, luz e principalmente calor. Percebemos que ele, doa-se e não diminui ,mas propaga-se mais,e nos dá uma bela lição de compartilhamento, pois existem coisas que quando compartilhamos ficamos sem a parte doada, exemplo: quando temos um copo com refrigerante ao compartilharmos a metade ficaremos com menos líquido, se ao repartimos com alguém uma nota de cem reais,  ofertando-lhe  a metade, ficaremos apenas com cinquenta reais, ao repartirmos o pão também ficaremos sem a parte doada. Assim, poderíamos elencar vários exemplos de partilha e seu resultado, que será sempre menos no sentido real. Menos água, menos refrigerante, menos dinheiro, menos pão. E, quanto ao conhecimento, a cultura, o saber, em suas várias áreas, quando os repassamos, também não os perdemos, a cultura, as muitas habilidades que possuímos, porém fogem da parte física, não têm vida própria sendo assim, diferente do fogo. O fogo é “físico”. Interessante notarmos que o fogo é tão físico quanto o dinheiro, a água, o refrigerante, o pão, porém ele não diminui quando se alastra para todos os lados, podemos dividi-lo quantas vezes quisermos sem o risco de perdê-lo porque, algo acontece de maneira diferente com o fogo,” fenômeno que consiste no desprendimento de calor e luz produzidos pela combustão de um corpo; lume.” O fogo é um ser material, semelhante ao pão, ao refrigerante, e a tudo que podemos definir como um corpo material, mas o que nos deixa reflexivos é que ele pode ser partilhado de muitas maneiras e intensidade,e não diminui.
 Vamos citar alguns exemplos: Se estivermos em uma sala escura, com uma velinha acesa em um canto, a sala toda se iluminará ao acendermos nessa vela, centenas de outras. A luz do fogo se expandirá, mas sem perder nada de seu corpo de luz ou calor, assim apenas somaremos, ganhando mais dessa mesma velinha e haverá mais fogo, mais luz. Aí, está a beleza da doação do fogo. Os cientistas dizem que o fogo surgiu na Terra há 400 milhões de anos. Podemos imaginar uma caverna escura sendo iluminada por várias tochas que foram acesas em um único ponto, ou uma tocha, fogueiras, alimentos cozidos, calor e mais e mais fogo. Produzir e saber controlá-lo foram grandes conquistas da humanidade. Com ele, o ser humano conseguiu afugentar os animais ferozes e não temer mais o frio ou a escuridão. Quando houve o conhecimento do fogo, nos primórdios da humanidade, o homem aprendeu como usá-lo, novos  inventos foram vislumbrados pela humanidade,  houve grande impulso para o desenvolvimento da civilização, e o conhecimento não ficou apenas, em como acender o fogo, mas também o seu poder de além, de acender, iluminar, gerar força, e também, infelizmente de destruir, ele é um elemento primário, mas com grande poder de transformação.
“Somente o Fogo manifesta-se em interação com outros elementos. Esta característica é explicada pelo fato de que ele é a primeira manifestação do elemento primordial que se evidencia como algo que une o universo em um único todo, em patamares mais altos, e em níveis próximos ao nosso mundo, se manifesta como fonte da vida.”
Podemos dizer que o fogo é solidário, nos doa seu calor, sua chama, sua luz e continua forte.

6 de ago de 2018

Empatia


  Empatia é a habilidade mais importante que devemos praticar.
A palavra empatia se originou da fusão de duas palavras gregas, com seus respectivos significados:
-in – para dentro;
-pathos – sentimento.
“É muito comum ver as pessoas confundirem empatia com simpatia. Simpatia tem o mesmo radical de empatia (o termo grego pathos), mas difere pelo início sym que significa união.” Batson (1997) cita uma variedade de pesquisas que sustentam a afirmação de que a preocupação empática evoca motivação altruísta. O altruísmo é compreendido como “a ajuda com intenção de auxiliar outra pessoa sem expectativa de qualquer compensação (senão o bom sentimento resultante)”                         
   A empatia é a capacidade de enxergar-se, sentir-se no lugar de outra pessoa, com vontade de compreendê-la, sem julgá-la em nada. Já a simpatia está relacionada com o sentir a emoção junto de alguém. Como sua origem grega prenuncia, simpatia é a união dos sentimentos.
Podemos afirmar que empatia é sentir a dor do outro, projetar-se nele e, em suas emoções. Apenas pela empatia podemos sentir as emoções do outro. Neste mundo egoísta, é fácil ‘fechar a porta das ternas compaixões’ e desconsiderar as necessidades dos outros.
Podemos afirmar que um exemplo puro de empatia começa com nossos filhos, sentimos cada dor junto ao filhinho que chora, nos colocamos no lugar dele, seja em que idade for, a dor, angústia ou outro problema, vivemos e sentimos juntos.
Às vezes, conhecendo e amando o nosso próximo não temos a habilidade de sentir a aflição do nosso irmão, e ajudá-lo a aliviar a sua dor. Quando nossa habilidade de sentirmos empatia é bem desenvolvida o nosso sentimento de compaixão é elevado. Jesus viveu a empatia com todos nós, sentiu a dor de cada um. Em um trecho do evangelho, quando houve a partilha dos pães, Jesus preocupou-se com a multidão que ali se reunia, o que eles iriam comer, pois na época a fome também aniquilava o povo, preocupou-se não apenas com a fome física, mas também com a fome do espírito. O menino que trazia em sua cesta cinco pães de cevada e dois peixes, poderia ter se negado a dar o seu farnel, pois cada um deveria ter pensado em trazer o seu alimento, mas ele o ofertou para que Jesus fizesse a distribuição.
Atualmente, sofremos com a fome que assola os pobres, não tanto pela falta de dinheiro, mas pela má distribuição e muito mais com o desperdício, precisamos nos colocar no lugar de quem tem fome, pois
quando formos inteiramente capazes de nos colocar no lugar do outro, sentir a dor dele, quase que literalmente, poderemos afirmar que temos compaixão. O apóstolo Paulo recomendou-nos ‘a se alegrar com os que se alegram; chorar com os que choram’. E acrescentou: “Tende a mesma mentalidade para com os outros como para com vós mesmos.”
O mundo seria melhor se as pessoas fossem empáticas, pois elas aceitariam  o outro como ele é, sendo assim não teriam  preconceito de espécie alguma, porque colocando-se no lugar do outro sentiriam  a mesma angústia, e o  entendimento geral de tudo que acontece ao nosso redor seria tranquilamente aceitável, pois  a partir do momento que você começa a praticar a empatia, verá rapidamente os benefícios provocados por ela.
Certamente, há poucas pessoas que nascem com a empatia desenvolvida, porém para os demais, há possibilidades de reforçar essa habilidade tão proclamada.   A empatia é uma das qualidades do ser humano ligadas à inteligência emocional e pode, portanto, ser desenvolvida.
Numerosos estudos apontam a importância de exercermos a empatia, pois essa habilidade nos auxilia em todos os processos da vida e desiquilíbrios sociais. É de extrema importância podermos contar com alguém, podermos depositar tudo que atinge nossa alma, nossa estrutura emocional, a qual nos leva a perdermos a capacidade e o equilíbrio da paz.
“Segundo Titchener, assim como para Lipps, ter empatia é perceber através de uma imitação interna o que sente o outro. Somente através da empatia pode se penetrar na consciência do outro.”
“Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro, e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele”.    Carl Rogers.                                                                                                                       

27 de jul de 2018

Intervenção


  Em conversa com amigos, durante um agradável café, comentamos sobre o assunto Intervenção. Interessante notar que muito se fala sobre o assunto, mas sequer sabemos o significado do termo, primeiramente deveríamos estudar ou buscar o que ele representa, não no sentido etimológico, que seria a origem e história do vocábulo, passando para como aconteceu a sua evolução, no mundo da gramática, mas no seu sentido real, na existência dentro de nossa vida, nossa comunidade e no meio social.
Dependendo de como é empregada, essa palavra apresenta diversos significados.
Intervenção é o substantivo feminino que significa o ato ou efeito de intervir e indica uma intercessão ou mediação em alguma situação adversa, e intercessão significa literalmente mediar e defender a causa do outro, ser um elo.
 Precisamos de uma Intervenção?
Certamente, nós brasileiros precisamos com urgência de uma Intervenção na Educação, investimento no treinamento e capacitação de mais professores ou na modernização das escolas, alteração do currículo escolar e pessoas preparadas para os desafios cada dia maiores, bem como melhorias nas condições de trabalho dos professores e todos aqueles envolvidos na Educação.
Atualmente, a questão da Educação no Brasil vem mostrando um relevante crescimento no que diz respeito ao analfabetismo. O Brasil não conseguiu atingir a sua meta, sendo assim, o nosso país continua descumprindo a própria Constituição, a qual diz que todos têm direito à cidadania, mas como ser cidadão sem saber ler nem escrever? Temos que garantir que não haja mais novos analfabetos. Segundo Rui Aguiar, gestor da UNICEF- “Não há como resolver o problema do analfabetismo se não alfabetizarmos as crianças na idade correta.” Nosso país somente será uma nação quando os nossos governantes se conscientizarem de que um futuro promissor está intimamente ligado a uma educação digna e de qualidade. Essa necessidade  e preocupação deve acontecer em todos os níveis da Educação.
 Podemos também falar de Intervenção na Saúde Pública, que necessita de políticas mais efetivas, isto é, que promovam melhores condições de vida e diminuam o número de doenças. Fazer com que a saúde seja uma das prioridades do ser humano.
A população brasileira não está conseguindo levar a saúde para o topo da lista. O direito à saúde decorre do princípio da dignidade da pessoa. “Não é uma concessão da sociedade ou do Estado. Apesar disso, no Brasil, o direito à saúde e outros direitos só foram reconhecidos como direitos universais a partir da Constituição de 1988, como fruto de muita luta popular. A saúde, juntamente com a previdência e a assistência social e auxílio desemprego constituem a seguridade social.” (Blog - Tudo sobre a saúde).
Precisamos também de Intervenção Cultural.
Intervenção na Cultura é empregada em várias áreas, pois não há uma única definição para o termo, o termo cultural abrange diversos setores culturais.
Muitos brasileiros, infelizmente, hoje estão vivendo a exclusão cultural, pois estão inseridos em um meio, de difícil acesso a museus e teatros. Segundo Fernanda Montenegro:-“Nossa deformação cultural nos faz pensar que cabe a um segmento da sociedade levar cultura a outro. Nós temos que buscar a cultura no povo, dando condições para que ela brote.” A falta de integração e acessibilidade impossibilita o acesso de grande parte da população.” Isso deve-se, principalmente, ao não incremento dos subsídios aos municípios, de maneira a deixar as ferramentas culturais restritas aos grandes centros urbanos”. A maioria da população não tem condições financeiras para fazer parte desse grupo, que é privilegiado com a cultura em seus diversos campos.
A intervenção pode haver em qualquer área, que esteja necessitando dela, um exemplo muito sensível é a intervenção humanitária, que acontece quando há acidentes naturais,quando a pobreza é ameaça à vida, e o melhor, o intervencionismo pode ser de um estado para outro, e aí podemos notar a grande mobilização de todos para ajudar em tudo que for preciso para que a vida siga dentro da normalidade. Importante saber que há diferença entre Assistência Humanitária e Intervenção, pois quando um país se recusa a auxiliar o outro, a intervenção o obriga. É claro que existem vários fatores que implicam aqui, mas é um assunto para outra ocasião.
Importante saber que em algum tempo e, em algum setor haverá a necessidade de uma Intervenção.

11 de jul de 2018

A velhice nos torna conscientes ou covardes?

Imagem da Internet



Ouvindo Lendro Karnal falar sobre o tema “A Consciência nos torna covardes”. Em sua fala sempre muito filosófica parei para refletir, quando falou:
-Quanto mais eu envelheço, mais eu tenho medo. A consciência nos torna covardes.
Quando envelhecemos jamais viajamos sem nosso arsenal de medicamentos, casaco, óculos extra, até um bom pedaço de papel higiênico, no caso de não encontrar onde eu precisar dele, o guarda-chuva se faz presente com mais frequência, objeto que não vemos nas mãos de um jovem. Dá-nos a impressão de que o guarda-chuva revela que somos velhos, se chover, o jovem com certeza, irá escapar rapidamente da chuva sem sofrer nenhum pingo.
Sendo assim a ignorância é uma bênção, “quanto menos eu soubesse dos riscos do mundo, melhor eu faria.”
Sem ser prepotente e discutir as palavras do “respeitável Leandro Karnal”, mas cabe aqui uma pequena opinião.
A vida tem riscos e sempre terá, tropeçamos muitas vezes, sofremos e aprendemos, por isso não diria que nos tornamos ignorantes e covardes, porém diante da maturidade adquirida pelas diversidades da vida nos tornamos mais cautelosos. Ignorante seria eu, com mais idade sem ser um bom nadador, sem ser um bom conhecedor das piscinas, jogar-me em um belo salto como se tivesse dezoito anos. O corpo mudou, a resistência já não é a mesma. E sim, devemos temer os perigos que hoje nos são claros. “Envelhecer é como velejar, você não pode parar o vento, mas, pode direcionar a vela para que o vento lhe seja favorável.” E, vamos velejando com cuidado para que o vento não nos leve para o perigo, e, como envelhecer não é algo fácil, com a maturidade conseguiremos manter a vela sempre bem direcionada. A velhice é o nosso comprovante de experiência, a qual poderemos usar em qualquer situação, onde seja necessária. É normal que tenhamos medo de envelhecermos, porém com o passar da idade adquirimos tanta sabedoria, experiências em todos os campos da vida, e mais, conscientes de tudo que nos rodeia, e seria inoportuno afirmar que nos tornamos covardes por termos esta consciência.
Clarice Lispector já dizia:
- “Eu tenho medos bobos e coragens absurdas.”
Podemos com o passar da idade possuir muitos medos, naturais pelo processo do tempo que vivemos, mas a coragem nos fará grandes e absolutos.
Karnal diz que nos tornamos covardes com a velhice, e Ghandi diz:
“O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não.

2 de jul de 2018

A Dor do Abandono


   
Foto: Google

  Hoje, um dia lindo, domingo com a família, almoço demorado,longas conversas. Todos os dias do ano deveriam ser assim,muita paz junto à família. Mas nem tudo é paz para muitos,principalmente aqueles que passam por abandono.
Na BR, pela qual passamos quase que diariamente, vemos muitas coisas, nem há necessidade de citar frequentes acidentes, caminhão tombado, cargas saqueadas, mas há outro fato que se tornou corriqueiro, o abandono de cachorros à beira do asfalto, os pobrezinhos ficam desesperados, primeiro ficam quietos para ver se o “dono” vai voltar, depois de algum tempo percebem que estão por conta própria e, aí, a situação se agrava. Hoje, assistimos a mais uma cena triste, um pequeno cachorrinho de cor preta, à beira da estrada, em estado lastimável, foi visto por estar caminhando, à procura de comida, pois sua cor se confundia com o asfalto. Provavelmente, havia sido abandonado há dias, pois estava bem desidratado.
    O que fazer? Há tantos casos iguais todos os dias, mas se pudermos fazer a diferença para um, já valeu a pena ter passado nesse lugar, na hora certa. Sem a intenção de igualar o abandono de um animalzinho com o de um ser humano, porém sabemos que o abandono dói para todos, e vai muito além disso, é como esquecer, não dar importância, penso que seja a falta mais cruel da humanidade. O sentimento de abandono deve ser um dos mais difíceis de ser trabalhado. Nos asilos há muitas pessoas que lá são deixadas e após abandonadas. Já ouvi filhos dizendo:- Meu pai está melhor no asilo que em casa, lá ele está bem cuidado, há horário certo para tudo, sequer percebem que seu pai adoraria estar perto dos netos, e com sua família.
   Em uma visita a um asilo, uma senhorinha me pediu várias vezes, que pedisse ao seu filho para visitá-la. O recado foi dado, porém o filho nunca foi vê-la, a tristeza faz com que os abandonados  deixem de ter alegria na vida. Os idosos não foram abandonados porque ficaram velhos, mas sim porque perderam o interesse por ele, triste assim.
     Há diversos tipos de abandono e todos têm punições previstas no Código Penal. No entanto podemos notar que muitos abandonos não são vistos ou quem sabe ignorados.
    Sabemos que muitas crianças são abandonadas ao nascer, ou simplesmente, descartadas em qualquer lugar,pessoas com necessidades especiais também são rejeitadas por aqueles que se denominam família.
    Filhos que afastam seus pais do convívio familiar por estarem dependentes, por não saberem mais como se portar à mesa.
    Deveríamos seguir o exemplo da China e Japão onde a velhice é sinônimo de sabedoria e respeito, sua família é o seu abrigo seguro.
    No século XVIII, o idoso era tido como patrimônio e não encargo, quem sabe possamos voltar a esse passado, pois hoje só lhe resta a exclusão e a marginalização.
    O filósofo Confúcio (551-479 a.C.), profundo conhecedor da alma humana, que externou conceitos de moral e de sabedoria, sempre aconselhou o amor na família e o respeito com os idosos.
    Segundo Silvana Sidney Costa Santos, Professora da faculdade de Enfermagem N. S. das Graça, o amor dos filhos aos pais envelhecidos, a assegurar-lhes maior proteção e segurança na última idade do seu processo de viver, compreende uma das mais sublimes ações do ser humano para consigo mesmo e para com a sua espécie, ou seja, para com a sua geração e para as gerações futuras, perpetuando assim, o amor intenso e especial entre pais e filhos.
     No Ocidente, infelizmente é assim que a sociedade vê o envelhecimento, “Quão penoso é o fim do ancião! Vai dia a dia enfraquecendo: a visão baixa, seus ouvidos se tornam surdos, o nariz se obstruí e nada mais pode cheirar, a boca se torna silenciosa e já não fala. Suas faculdades intelectuais se reduzem e torna-se impossível recordar o que foi ontem. Doem-lhe todos os ossos. A ocupação a que outrora se entregara com prazer, só a realiza agora com dificuldade e desaparece o sentido do gosto.” (Beauvoir, 1990).



26 de jun de 2018

A Síndrome do Isolamento



       Atualmente, muito se fala sobre isolamento das pessoas, e a cada dia há um aumento assustador de indivíduos que preferem viver isolados a terem que enfrentar seus medos fora de casa. Há a situação inversa também, as que preferem ficar sozinhas, quem de nós já não preferiu somente a nossa companhia, para meditar, sentir saudades, ouvir uma boa música, ler um livro, mas sem a companhia de outra pessoa, podemos dizer que isso é normal e nos faz bem, porque precisamos de um tempo só nosso, porém, precisamos tomar cuidado quando o isolamento social possa refletir doenças, como depressão, bullying, doenças que devem ser analisadas e medicadas.
    O isolamento social também conhecido por “social withdrowal”, de forma,às vezes  até involuntária, a pessoa acaba se afastando cada vez mais, até ficar totalmente excluída do convívio social.
   Certa noite na TV Cultura, assisti a um capítulo da série TERRADOIS, apresentada pela Maria Fernanda Cândido, série que une dramaturgia e psicanálise. Em um certo momento ela falou sobre a Síndrome de Hikikomori. No Japão, significa literalmente a síndrome do isolamento em casa. Parece algo tão distante de nós, portanto, até terminologia para os sintomas já existem. O termo Hikikomori, foi designado pelo Doutor Tamaki Saito, no ano de 2000, para indicar pessoas, no Japão que se isolaram completamente, de tudo e de todos, não saem de casa para nada. Convivem, se assim podemos dizer apenas no mundo virtual e fazem tudo através dele, jogos, compras, conversação, e para isso mudaram sua rotina de vida, passaram a dormir de dia e passar acordados à noite, usam sua casa como uma prisão, no entanto sem estarem presas.
   Foram feitos vários questionamentos, será que a pessoa não deseja mais sair de casa ou simplesmente não consegue por alguma razão que ela desconhece.
     Essa síndrome foi percebida primeiro no Japão, mas com a explosão da mídia, outros países estão sendo afetados. Na França “ Síndrome do Isolamento Social Agudo”. Os espanhóis, descrevem como a “Síndrome da Porta Fechada”. Muitos pais preocupam-se com seu filhos fechados em seus quartos, a síndrome da porta fechada, muito comum entre alguns jovens . Muitos pais reclamam que seus filhos não fazem as refeições à mesa, junto à família, e quando a refeição é deixada do lado de fora da porta, fica a dúvida se estão se alimentando, porque nota-se que alguns vão às aulas com muita resistência, e ainda mais não fazem a higiene pessoal, e ao voltar da escola correm se fechar novamente. Passam a demonstrar dificuldades para acompanhar os estudos, ficam alienados, pois não conseguem tomar decisões e assim começam a se afastar cada dia um pouco mais.
Para sair do isolamento social é muito importante que as pessoas se abram a novas experiências, conheçam novas pessoas, façam amizades, porém torna-se muito difícil que uma pessoa o faça por vontade própria. Acima foi citado o isolamento de jovens, no entanto, isso reflete o mundo de pessoas de todas as idades.
   Os nossos jovens estão se direcionando para o mesmo caminho ou quem sabe já estejam nele, pois quanto mais tempo permanecem nas redes sociais, mais aumenta o risco de se habituarem ao isolamento.
Há épocas em que precisamos nos isolar para nos sentirmos livres, mas precisamos estar bem conscientes desse estado.
De acordo com a página in·tel·li·gent·si·a - CIÊNCIA E ALÉM-
“A tecnologia digital está aumentando nossa tendência de isolamento há tempos, mas hoje em ritmo sem precedentes. Na década de 1990, estudiosos passaram a chamar a contradição entre a maior oportunidade de manter contato com outros e a real ausência de contato humano de “paradoxo da Internet”.
    É um paradoxo visível, pois atualmente, até podemos observar casais de namorados  almoçando juntos e se comunicando através de mensagens com o celular.
    “John Cacioppo, diretor do Centro para Neurociência Cognitiva e Social da Universidade de Chicago, o principal especialista mundial em solidão, diz em seu livro Lonliness, lançado em 2008, que a epidemia de solidão está afetando as funções básicas da fisiologia humana.”
    A responsabilidade de soluções para que haja mudança, nesse quadro, pertence não apenas aos pais, mas a todos que estão preocupados com a solidão social.

Professor

     Professor, aquele que busca a sensibilidade para poder viver em meio a tanta insensibilidade, que vive o seu tempo com consciência...