Apreciadores de Um Naco de Prosa

21 de abr de 2017

Somos sempre bons ?

Ontem assisti a um filme, não é muito novo, porém seu tema é bem atual, chama-se: Um dia de fúria, protagonizado por Michael Douglas.
E o mais interessante é que o tema vem justo no momento em que as famílias estão reunidas falando sobre paz, amor, calma, serenidade, bondade.
Lembro-me que um dia, conversando com uma amiga, falávamos sobre nossos instintos, que com certeza, desconhecíamos do que somos capazes.
Ela, exaltou-se e disse: eu jamais mataria, ou feriria alguém! Aquela velha frase: não mato nem um mosquito. Pois bem, joguei mais lenha na fogueira e indaguei: e se um dia você chegasse em casa e percebesse que causaram algum mal ao seu filho ou sua mãe?
Ela pulou da cadeira de pronto e disse: Aí a história muda!
Eu sorri. Somos seres racionais, mas na hora do aperto, quando a vida testa nossa paciência ao limite, é que descobrimos quem somos de verdade, e mais ainda quando a nossa base de fé em Cristo não é concreta.
Voltando ao filme, em muitos pontos me identifiquei com aquele personagem, não apenas identifiquei a mim, mas a muitos que conheço. Chega um momento em que simplesmente o copo, quase cheio, recebe aquela última gota para transbordar e, aí que vem a força interior para nos segurar ou extravasarmos, o que vai depender de nossa compreensão espiritual.   
Seja no emprego, na escola, no trabalho, em casa... Momento, em que você corre para o médico atual: Google e digita desesperadamente, palavras desconexas atrás de uma “cura” ou “ajuda”. Começa a meditar, respira 30 vezes, toma água, deita de barriga pra baixo, ergue as pernas, quando percebe seu corpo está contorcido sobre o tapete e seus pensamentos ainda estão naquilo ou naquele que  provocou em você, toda a turbulência interior.
E a paz que  você demorou para alcançar, esvaiu-se, e você não consegue recuperá-la tão cedo.
Psicólogos, analistas, remédios, você utiliza de todas as ferramentas que estão fácies, táteis. No momento da raiva, não tem como pensar em algo mais intrínseco, mais religioso. Você quer a solução já e, não esperar o tempo certo. Muitas vezes, quando chegamos ao fundo do poço, ou por esgotamento ou por raiva, não enxergamos o que está em nossa frente e nos aprofundamos em campos que nos fazem sofrer, mas que ao mesmo tempo,  ajuda a nos conhecermos verdadeiramente ou quem sabe conhecer ao outro.
Olhe-se no espelho, olhe bem dentro dos seus olhos e diga: Olá, eu sou o(a) fulano(a), prazer em conhecê-lo(a)!
É incrível, como temos dificuldades em nos olharmos, em nos permitir conhecermos.E isto, só vai acontecer quando algo “romper-se” aí sim, procuraremos nos reencontrar, nos redirecionar e saberemos  que a oração e o perdão são medicamentos infalíveis em todas as ocasiões de nossa vida, por isso,ela deve ser primordial e, a vigilância constante, pois todos somos bons, até o momento em que somos testados. 
Fotos: Google

11 de abr de 2017

Naquela Páscoa


Já era sábado de aleluia, a casa estava em festa, as crianças corriam, a alegria era notável, os parentes chegavam, os primos queridos vinham de longe para passar a festa da Páscoa em família. As crianças aguardavam ansiosas o passar dos meses para a chegada  de mais uma data festiva, ocasião em que podiam se reencontrar para matar as saudades.Os preparativos já estavam acontecendo há muitos dias. A avó materna era encarregada da confecção das bolachas, todas pintadas com açúcares coloridos, uma das tias era encarregada de fazer outros doces, e que eram de muitas qualidades. A carne para o assado já havia sido preparada no sábado anterior, os homens da família se reuniram e carnearam um leitãozinho, uma ovelha e ainda algumas galinhas que seriam recheadas para assar. Havia o costume de guardar a banha em uma grande lata junto com pedaços de carne frita, a qual durava muito tempo sem refrigeração.
As crianças só se preocupavam com a vinda do coelhinho, todos tinham que ajudar a fazer a sua cestinha, e quando ficavam prontas podiam brincar com elas o tempo que quisessem, porém se estragassem não mais as teriam, aí vinha o senso de responsabilidade, cuidado e parceria, pois cada um ajudava a cuidar da cesta do outro. Interessante que mesmo vazias, eram preciosas para todos.
À tardinha de sábado de aleluia, todos se reuniam para agradecer a Deus pela fartura de mais um ano. Sempre havia a explicação de um membro da família, o mais experiente que falava sobre o significado da Páscoa.
À noite, o cansaço tomava conta de todos. Os mais velhos com seus deveres cumpridos iam se deitar, recomendando aos pequenos que no dia seguinte, domingo de Páscoa, todos iriam à Igreja , só então é que procurariam as cestinhas . E assim aconteceu.
Anastácia, a empregada que há anos estava junto à família, ficou mais um pouco na sala, tempo suficiente para relembrar uma Páscoa que ficou em sua memória, em seu coração, um passado que lhe trouxe as lágrimas tristes. Ela era muito pequena, mas já sabia das coisas e esperava sua cesta com muitos ovos e coelhos de chocolates, seu irmãozinho, muito pequeno, nada sabia e por isso, apenas ela esperava pelo coelhinho. Sabia, ela que desta vez ele não falharia, porque ela não dera nenhum motivo,fizera tudo certinho, ajudara a mãe, cuidara do irmãozinho, ajudara a pendurar e recolher a roupa do varal, recolhera lenha,arrumara a mesa,  nem brincar com os amiguinhos, tinha ido para não aborrecer a mãe, sendo assim o coelhinho não teria desculpas, como em outras vezes de não lhe trazer nada .
Sua memória parou naquele longínquo ano, naquele sábado de aleluia,quando sua mãe chegou, sentou-a em uma cadeira de palha esfarrapada e falou:
-Nastácia, você foi uma menina má, não me obedeceu, não ajudou, foi brincar na rua, deixou seu irmãozinho chorando sozinho, por isso, o coelhinho não vai lhe trazer nada neste ano, e saiu às pressas, hoje sei que estava chorando.
Hoje ela sabia o quanto sua mãe sofreu para lhe dizer tudo aquilo.
As lágrimas corriam, e continuam a correr, pois hoje ela sabia que seu pai naquele dia ainda estava sem pagamento e o coelhinho não era apenas uma simples fantasia de criança.

Feliz Páscoa a todos vocês, meus queridos amigos!




30 de mar de 2017

Todos merecem perdão (?)

Inicio com umas das frases mais batidas: quem sou eu para julgar alguém?
Pois bem, esta semana assisti ao filme Longford.
Conta a história de MyraHindley, condenada à prisão perpétua pela morte de várias crianças com requinte de crueldade ( filme baseado em fatos reais ).
Fiquei aqui pensando se todas as pessoas merecem perdão, seja ele vindo de Deus, seja ele vindo do homem, consideremos que o homem é quem julga e dá a sentença aqui na terra.
Temos muitos exemplos no mundo, não apenas de Myra. Aqui no Brasil, Francisco de Assis ( o maníaco do parque ), estuprou e matou muitas mulheres.
Ele é um recordista de cartas de amor recebidas no presídio, incluindo muitas propostas de casamento.
Suzane Von Richthofen mandou matar os pais. Guilherme de Pádua matou a atriz Daniella Perez. Alexandre Nardoni jogou sua filha, Isabella, da janela do seu apartamento.
Cito casos de pessoas famosas para que todos possam “visualizar” os crimes cometidos.
Esta semana, li que o goleiro Bruno, acusado de mandar matar sua ex-namorada, Eliza Samudio, assinou contrato com um time da segunda divisão de MG.
E essas vidas que foram ceifadas?
Eu não consigo notar em momento algum remorso nestas pessoas. Ao assistir entrevistas, ou ler notícias a respeito, nunca observei uma lágrima de remorso pela “besteira” cometida. Nunca ouvi um pedido de perdão sincero.
Seja a explicação que eles queiram dar, geralmente, apelam para “vozes do mal que os obrigou, e eles não conseguiam parar”. 

Penso no sofrimento que essas pessoas passaram nas mãos ou a mando desses criminosos, e por motivos tão fúteis, tão banais, que haveria outras formas de serem resolvidos.
Decidiram ir para o caminho mais prático, mais covarde, e ceifaram vidas, como se eles fossem perfeitos, anjos puros enviados por Deus ou por uma força maior divina, para dar um ponto final em suas trajetórias.
Talvez, se eu fosse psiquiatra forense, eu conseguiria entendê-los.
A cada dia, a violência cresce no mundo, crimes absurdos, barbáries que antes só eram presenciadas nos cinemas, eclodem a todo instante em cada esquina, seja de grandes ou pequenas cidades, não há limites.
Neste filme, Longford, a personagem Frank Packenham, fervoroso católico que visita presidiários, e acredita veemente no arrependimento do criminoso, e que todos merecem uma segunda chance, até ter suas crenças colocadas à prova, quando conhece a Serial Killer, Myra.Como perdoar alguém que, enquanto seus pais, seus mantenedores, estão sendo mortos com requintes de crueldade, está sentada na sala do andar de baixo, esperando tranquilamente o “serviço” acabar, e fazer uma festa na piscina no dia seguinte?
Ou que corta a tela de proteção do quarto, pega sua filha de cinco anos, e a joga seis andares abaixo?
Ou que dá voz de assalto para um jovem trabalhador, que entrega seu celular no valor de cem reais, e, mesmo assim, leva um tiro a sangue frio?
Eu ficaria aqui citando exemplos, e preencheríamos várias laudas com eles.
Independe do motivo, eu acredito que sempre há soluções mais plausíveis do que a morte. E quem apela para essa prática, deve pagar; sim,há a justiça na terra e acima dela a justiça divina.
Caso contrário, ficaria muito fácil: mata-se e segue sua vida sendo perdoado, como se nada tivesse acontecido, como um aval para outros crimes.
Há casos e casos, sim. Citei esses, pois se relacionam com o teor do filme.
Eu acredito que muitos que estão na prisão entraram lá por motivos torpes, e são obrigados a conviver no mesmo espaço que estupradores, serial killers, estripadores... e sabemos também que os presídios, principalmente do Brasil, não regeneram ninguém, pelo contrário: alguns são presos por roubarem comida, por estarem com fome, e saem de lá mestres em outros crimes “mais pesados”.
Todos merecem uma segunda chance?Depende o caso.Todos merecem perdão?
É uma dúvida que tenho dentro de mim. Nunca passei por uma situação em que esse meu lado fosse posto à prova. E admiro quando vejo pessoas que perderam seus filhos, perdoando os assassinos.
Fala-se que o perdão faz bem, e que a mágoa traz problemas sérios à saúde. O perdão deve ser praticado, pois é um ato muito penoso, mas perdoar é preciso.
Mas acredito que o caminho para chegar ao perdão é árduo, e só para alguns esse mérito é concedido. 
Fotos: Google

25 de mar de 2017

Olhe para o lado

Era um sábado de sol, o azul do céu cobria a cidade de Curitiba. Um dia propício para almoçar com amigos e compartilhar histórias e risadas.
O almoço em questão fora um pão francês cortado ao meio, com um suculento pedaço de carne. À mesa, uma tigela com diversas frutas à nossa disposição. Pronto, ali estava o nosso banquete.
O dia transcorria, escolhi uma pequena mesa, no canto. Sentei-me, e me preparava para degustar meu almoço, quando ele se aproximou, pedindo para sentar-se comigo. Com um aceno de cabeça, respondi positivamente, pois naquele exato momento mordia um pedaço do meu pão com carne.
Foi quando ele, chamando seu amigo, pediu que ele levasse algumas frutas e um pão com carne a um jovem rapaz que, do outro lado da rua, buscava algum alimento nas latas de lixo.
O senhor, gentilmente, levou pedaços de melancia até o rapaz. Ao voltar, ele sorriu e disse:
- Ele quase levou minha mão junto!
O homem que estava ali sentado ao meu lado, sorriu e seus olhos encheram-se de lágrimas.
Perguntei se estava tudo bem, ele disse:
- Está sim. Sou muito coração mole. Não posso ver pessoas com fome ou com frio. E saber que talvez, esses pedaços de melancia sejam o único alimento que ele tenha o dia todo, me traz desconforto.
Começava ali uma conversa que duraria 4 horas, com frases de otimismo, revelações do passado e volta às origens. Tanto dele quanto minha. 
Foto: Google


Ele me contou muitas histórias, não para se elevar a nível de santo, nada disso... tenho certeza de que Deus manda pessoas para nós, com as palavras e frases certas, quando estamos fragilizados. E foi o que aconteceu. Aquele senhor me contando seu passado pobre, as perdas que teve e que, mesmo assim, jamais perdera a fé. Que a ajuda deve sempre existir, seja material, seja em palavras, seja em abraços ou apenas em olhares compadecidos.
Quantas vezes apenas passamos pela vida sem deixar marcas positivas? Quantas vezes apenas levantamos e não agradecemos a Deus por mais um dia de vida? Quantas vezes observamos seres vivos nas ruas, com frio, com fome, mendigando por algo, qualquer coisa, e simplesmente passamos reto, com olhar de desdém?
Aquele senhor, com os olhos marejados, sentado ao meu lado, não precisava fazer coisas assim. Ajudar pessoas a quem ele não conhece e que, provável, jamais receberá um “muito obrigado”. Mas ele aprendeu que a vida é um ciclo. E o fazer o bem sem olhar a quem tem o seu retorno positivo, leve o tempo que levar, mas o retorno virá. Quantas vezes eu me doei a outra pessoa, nesses anos de vida? Quantas vezes deixei meus afazeres, ou pequenos prazeres para socorrer um amigo? Quantas vezes separei um pouco da minha comida e dei a outra pessoa? Quantos abraços de carinho, olhares de afeto ou sorrisos eu dei às pessoas?
E Deus coloca pessoas em nossa vida com suas histórias, com seus exemplos para abrir nossos olhos e ouvidos. E a sensação daquela conversa ainda perdura e, com certeza, algo se modificou dentro de mim.

7 de mar de 2017

Pelo Dia Internacional da Mulher

Comemora-se este mês o dia internacional da mulher, e quero falar um pouco sobre isso com vocês: mulheres pelo mundo. Há pouco li uma matéria a respeito de mulheres sírias, que vivem em uma colônia, e foram libertadas do ISIS pelas forças democráticas da Síria e, puderam, por fim, tirar o véu. Penso aqui comigo: quantas
mulheres no mundo não têm motivos para comemorar? As que são mutiladas, as que são caladas, as que são violentadas, as que são escondidas por trás de panos pretos... O dia internacional da mulher deve ser de conscientização, e acredito que o seja, porém, no dia seguinte, tudo se normaliza, e as culturas dos países voltam a agir da forma de sempre. Mas, volto à matéria lida, nessa colônia, elas foram autorizadas a mostrar seus rostos, suas expressões, seus olhos e sorrisos. Qual o significado em ceifar isso dessas mulheres? Muitos respondem com a já famigerada frase: é a cultura deles. Será que podemos denominar cultura quando pessoas são obrigadas a seguir certos passos, contra sua própria vontade? Afinal, TODOS nascemos livres, até alguém nos prender. O fato de tirar o véu vai muito além de poder respirar por fim, o ar da liberdade. Dignifica a mulher, a faz ter um rosto, o qual, há muitos anos, era escondido. É notório que ela mereça ser tratada com respeito e dignidade, não sendo vista apenas como um
sexo reprodutor, pois ela vai muito além disso e, é uma pena que os homens precisem de uma Lei para se dar conta de que elas merecem conquistar seus espaços e não ficar à mercê dos caprichos masculinos. Dia internacional da mulher, daquela que luta em silêncio diariamente, que é escondida em buracos porque seu período menstrual é visto como algo demoníaco, que possui partes de seu corpo mutilado para que não sinta prazer, que são vendidas ainda crianças para homens mais velhos, que são prostituídas por troca de um prato de comida... A mulher merece ser vista com olhos sensíveis, delicados e corretos, e que sejam colocadas no pedestal que elas merecem estar. Mulheres são diferentes dos homens, sim! Como já escreveu John Gray: Homens são de Marte e Mulheres são de Vênus. Como compará-los? Impossível. Mas, cada qual, deve ser respeitado e valorizado. A mulher possui um dia especial, um dia internacional para ser homenageada e respeitada, mesmo que seja à força. Mas, no fundo... Eu preferia que este dia não existisse, mas, que sim, todos os dias ela fosse celebrada envolvida por amor, respeito, dignidade e carinho seja por seus amigos, companheiros, colegas de trabalhos, filhos e chefias.


Fotos: Google

21 de fev de 2017

Amor de pai


 Observei um pai levando seu filho, na bicicleta, ele a empurrava com o garoto sobre ela, para que o pequeno não corresse o risco de cair.
Eu caminhava quase rente aos dois, e para ouvi-los mantive o passo, o sol já estava dando sinal de seus raios, os quais mostravam que iria ser um dia de muito calor.
O pai continuava a conversar com o pequeno, que parecia estar nas séries iniciais, pelo tamanho e pelo simples vocabulário de criança.
O pequeno insistia com o pai que não queria mais ir à escola, disse que não gostava. O pai, calou-se e ficou pensativo, pensei que ele não fosse dizer mais nada, porém quando voltou a falar, foi emocionante a lição de vida que passou ao filho.
-Filho, olhe bem para o seu pai e descreva como me vê, como pareço para você?
-Ah, pai, não sei, mas você me parece um homem velho, de cabelos brancos, roupas surradas, levando sua marmitinha que a mamãe prepara para o senhor, vejo um homem que não sorri , que chega à noite e come rápido para ir dormir, aí acorda muito cedo para me trazer à escola, e só. 

O pai baixou os olhos para esconder as lágrimas que insistiam em cair.
-Pai, você está chorando?
-Ah, filho, há tantos motivos.
-Que motivos, pai?
-Um deles é você não querer estudar, perceba que seu pai mal sabe assinar o nome, porque não tive a oportunidade de estudar,precisei trabalhar quando tinha a sua idade,eu trabalhava fora junto com seu avô, para levar mais dinheiro para casa.
-Pai, você queria estudar?
-Sim, meu filho.
-Sabe, se eu tivesse um pouco de estudo, com certeza eu estaria trabalhando em algo melhor, não estaria empurrando você, nesta bicicleta velha, poderia chegar em casa mais cedo, poderia acompanhar você nos deveres de casa, brincar com você,passear com sua mãe, e aos domingos, teríamos tempo para ficarmos juntos com toda a nossa família, porém como não tenho estudo, preciso aceitar o emprego que me oferecem.
O filho olhou as mãos calejadas do pai, os cabelos em desalinho, e percebeu o quanto o pai sofria por ele não querer aceitar o grande presente, poder ir à escola.
Pensativo o pequeno falou:-
- Pai, vamos mais rápido, porque não quero chegar atrasado para a aula.

O pai sorriu e apressou o passo. 

Fotos: Google

8 de fev de 2017

Hora de mudar

                            
Às vezes, me pego voando com meus pensamentos, vou para outros lugares, vejo outras pessoas, porém o momento mais importante e essencial deste voo é meu encontro com Deus.
Quando, sentada no topo mais alto do mundo, acima das nuvens, consigo observar tudo principalmente, a mim mesma.
Por alguns segundos, fecho meus olhos e O escuto. Sim, Ele fala comigo, assim como fala com você. Seja no cantar de um pássaro, no balançar das folhas nas árvores ou no vento que passa emaranhando os cabelos. 
E, em momentos assim,  tenho a certeza, do quanto Ele nos ama. É fácil sentir este amor, basta abrir os  olhos e observar. Perceber o mundo que ELE fez para nós! Perceber nosso corpo, nossos sentidos, tudo tão perfeito... No entanto, há pessoas que  preferem simplesmente, não enxergar o tamanho do Amor de Deus, por nós.
E se ferem, e ferem aos outros, e se machucam, e machucam aos outros, sem se darem conta de que, com isso, estão machucando a criação mais perfeita para Deus: a si mesmo, pois somos imagem e Semelhança Dele, e precisamos Dele para viver, e esquecemos de que Ele não precisa de nós para existir.
Podemos perceber que muitas pessoas se transformaram em seres egoístas, mimados, mesquinhos, sem amor próprio e quando são convidadas a mudar sua maneira de ser para assim acontecer a mudança do mundo, jogam nas costas de terceiros, afirmando não ser responsabilidade sua, mas sim do governo atual. Sem se darem conta de que não deixarão legado algum à geração futura ou exemplo algum a ser seguido, e não se envolvem, mas reclamam, bradam aos quatro ventos que não há mais sombras de árvores nas ruas, que os peixes não habitam mais determinados rios, e que o céu não é mais azul como antes.
Reclamam que Deus os esqueceu, e vivem  em constante combate consigo mesmos e com o próximo.
E tudo vai se esvaziando, mente, coração... até tornarem-se apenas corpos robotizados, que apenas sabem apertar botões,e não conseguem mais atingir seus próprios corações.
Tenho saudades da minha infância, nas minhas memórias consigo me ver ao lado do meu pai, ele possui em suas mãos uma pequena semente, estamos felizes, eu estou ansiosa, pois embora não entenda ainda que ele segura em suas mãos uma pequena e delicada vida, que crescerá e tornar-se-á uma das árvores mais estrondosas a qual já tive a oportunidade de conhecer e que por anos nos deu sombra e frutos. 
Meu pai não está mais conosco, mas a árvore que ele plantou, sim. E, é ela que hoje acolhe ninhos de pássaros e traz sombra aos seus netos que têm ele em suas melhores lembranças.

Sejamos menos e façamos mais. Sejamos esta mudança!


* fotos Google

10 de jan de 2017

A Chama da Liberdade se Apagou... - Texto escrito pelo meu filho, Marcelo José Boldori



Próximo de completar 17 anos de advocacia criminal, depois de ter exercido função pública, depois de participar de organizações políticas, civis, eclesiásticas e conhecer um pouco da esfera militar, visto atuar na defesa de militares de diversas patentes, ouso escrever sobre algumas percepções que tenho, sem nenhuma pretensão de estar correto, mas por necessidade de externar o que vejo e sinto.
As lides forenses me permitiram frequentar palácios a barracos de lona, de ter acesso a ministros e trabalhadores braçais, a estudar e trabalhar nos mais diversos tipos de processos.
Posso dizer que uma das coisas que aprendi é que geralmente, quando algo começa da forma errada, tem uma dificuldade muito grande de sustentação e, este pensamento me remete aos idos de 1889. Podemos dizer que no caso do Golpe Republicano, é muito evidente que os fins justificavam os meios utilizados.
Os ideais de se instituir a República no nosso país eram sem dúvida os mais nobres. Questiono apenas se a decisão foi acertada, ao menos no que dizia respeito ao momento.
Não estávamos preparados para a democracia que veio junto com a República,
nosso momento é delicado, todos sabem que algo está errado, mas não consigo apontar alguém, em nosso país que consiga indicar a direção correta, a ser seguida.


O principal preço que pagamos pelo Golpe, de 1889, é o desmonte institucional do país. Muito pior que subtrações na Petrobrás, BNDES, Correios e tantas outras empresas é, sem dúvida, nosso esvaziamento moral.
Levei aos meus alunos, esses dias, uma manchete da Folha de São Paulo, a qual estampava em sua página principal, que o Tribunal de Contas da União, ignorou uma decisão do Supremo Tribunal Federal; decisões recentes da nossa Suprema Corte violam a Constituição que ele, o Supremo, deveria proteger com carinho e afeição, com unhas e dentes, com a espada e a força. 
Nossa Suprema Corte desfez-se da honradez construída ao longo de sua história. Lembro dos meus tempos de faculdade, quando o Supremo era respeitado, sua decisão era o farol que indicava o caminho para os Magistrados de todo o país. Hoje? Hoje, induz nossos Magistrados ao erro, os conduz para rochedos e recifes de corais.
Pergunto-me, como pode tão forte instituição da nossa República perder tanta credibilidade? E relaciono essa perda de credibilidade apontando para a rejeição da população ao “foro privilegiado”, tecnicamente denominado “foro especial por prerrogativa de função”.
Não deveriam ser os ocupantes dos cargos mais importantes da República, julgados por aqueles melhores preparados, mais isentos, mais incorruptíveis, mais aptos à aplicação das normas constitucionais? Portanto os Ministros do Supremo?
Pois é, ao rechaçarmos o “foro privilegiado”, bradamos que não confiamos na nossa Suprema Corte.
Mencionei sobre o Supremo por ser o órgão “não político” dentro dos Três Poderes.
O descrédito e alto grau de reprovação das instituições políticas é público e notório, sendo desnecessário qualquer comentário.
Se fizermos uma varredura nas instituições que ainda gozam de credibilidade popular, sobram apenas e tão somente, a meu ver, as forças armadas, que devem essa credibilidade aos seus princípios, valores e à rigidez de seus códigos de conduta. São perfeitas? Sei muito bem que não são, são compostas de seres falíveis como qualquer um de nós, mas ainda se mantêm organizadas e com valores norteadores.
É importante percebermos que não apenas as instituições governamentais estão destroçadas, reflitamos, como está a família nos nossos dias, sua importância é devidamente respeitada na sociedade? 
O conhecimento é valorizado?
A leitura?
A Igreja, independente de qual delas, mantém sua importância? Curiosamente nunca mais ouvi ninguém falando de Temor a Deus, nem dentro das igrejas, muito menos fora delas.
Quais são os valores que nossa sociedade tem?
Será que o trabalho, que é a forma de geração de riqueza e progresso ainda tem valor? Ainda é um valor?
Antigamente o trabalho dignificava o homem, hoje me parece que não é visto da mesma forma.
A honestidade é um valor? Ou é a horrível causa da necessidade de trabalho para milhões de brasileiros que, por serem honestos precisam trabalhar?
A atualidade nos presenteia com um grande pensador, a quem eu realmente admiro muito, Leandro Karnal, de quem vejo e assisto às palestras sempre que posso,mas enquanto vejo suas palestras fico admirado com o que ouço, e o que ouço aponta para um nível de degradação absurda.
O historiador Leandro Karnal é aplaudido de pé em palestras nas quais relembra ensinamentos que nos eram repassados pelos padres, por nossos avós e pais, como por exemplo: não pegue nada que não seja seu, seja honesto, cumpra teus compromissos, não fale mal dos outros, seja educado, seja pontual e seja proativo.
Longe de menosprezar o trabalho do Professor Karnal, porém percebamos o quanto nós caímos, alguém que nos manda sermos honestos se torna celebridade, de forma merecida e até necessária.
Nosso conjunto de valores, que também são instituições, sofre imensa degradação. Dentro desse contexto valorativo, temos um líder que mostre o caminho a ser seguido?
Temos alguém que reúna, como as composições de Richard Wagner, força, determinação e pureza para conduzir nossa nau?
Ouço e leio clamores para que as forças armadas voltem a governar o país, a tal “intervenção constitucional militar”, do artigo 142 da Constituição Federal. Passei quase toda minha juventude ouvindo de muitas  pessoas, inclusive algumas que estão fazendo tais clamores, que os militares eram carrascos inescrupulosos, verdadeiros monstros, etc., etc., etc.. Os militares ouviram calados acusações das mais diversas naturezas sobre suas condutas na manutenção da ordem com o objetivo de progresso do nosso país. 
As “vítimas” do Contra Golpe de 64, criaram até a Comissão da (MEIA) Verdade, quando só se dá valor à parte da história contada por um lado, como se só tivessem havido excessos por parte de militares.
Agora clamores são lançados aos militares. 
Na minha modesta opinião, apesar de minha grande simpatia ao estilo militar, não estamos nem perto de vermos configurar-se uma ruptura que autorize uma intervenção militar, então esta não deve acontecer, a menos que as coisas piorem muito.
Quando o povo clama pela volta dos militares a meu ver ele clama pela monarquia, pois ele admite que não tem condições de administrar de forma Democrática a República. E isso não é bom!
Por vezes, tenho a impressão de que o povo brigou pela liberdade democrática, não entendeu como se jogava esse jogo e, agora não quer mais “brincar”. Sei que a volta dos militares não é pretendida de forma unânime, mas é pretendida por uma parcela muito significativa da população, especialmente se considerarmos que vivemos em uma República Democrática. Algo está muito errado!
Quando digo que algo está muito errado, uma imagem me vem a mente de forma muito nítida, a imagem do Panteão da Pátria e da Liberdade em Brasília, onde estive semana passada. Sempre que lá estou procuro contato com nossa história, dessa forma tornei a visitar o Panteão na Praça dos Três Poderes, de onde pode-se contemplar o Palácio do Planalto à direita, o Supremo à esquerda e o Congresso, à frente. No Panteão está guardado o “Livro dos Heróis da Pátria”, um livro cujas páginas são de aço, com os nomes de nossos heróis, dentre eles Tiradentes e Duque de Caxias. 
No complexo do Panteão temos uma torre, na qual uma “chama eterna” simboliza a liberdade do povo e a independência do país. 
Decepcionou-me o fato de tal chama, que devia ser “eterna”, até porque assim se denomina, estar apagada. Parece bobagem em nossa sociedade mecânica atentarmos para esse “pequeno” detalhe, mas o simbolismo disso é imenso. 
Por isso, o título, “A Chama da Liberdade se Apagou” e isto é literal, não é mais no sentido figurado.
Parece que realmente, nada é por acaso!