22 de abr de 2016

Lygia de Azevedo Fagundes Telles.



Lygia de Azevedo Fagundes Telles, completou 93 anos de vida, no dia 19 de abril de 2016.
Ganhou o Prêmio Jabuti 1966, 1974 e o Prêmio Camões em 2005. Recebeu no início deste ano (2016), a indicação para o Prêmio Nobel de Literatura.
São muitas as suas obras, mas Ciranda de Pedra, As Meninas, As Horas Nuas, são consideradas Magnum Opuses.
Em minha humilde opinião, Ciranda de Pedra é uma Magnum Opus. Presenteio a todos os amigos do Naco de Prosa, com um conto desta grande escritora brasileira.           
" Foi na França, durante a Segunda Grande Guerra. Um jovem tinha um cachorro que todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta a casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava a correr todo animado atrás dos mais íntimos para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe. Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo? Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um relógio preso à pata, voltava ao seu posto de espera. O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando àquela hora ele disparava para o compromisso assumido, todos os dias. Todos os dias. Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros amigos. Só o cachorro já velhíssimo (era jovem quando o jovem partiu) continuou a esperá-lo na sua esquina, com o focinho sempre voltado para aquela direção."

9 comentários:

  1. Lindo conto e merecida por demais a homenagem! bjs, lindo fds! chica

    ResponderExcluir
  2. Muito bem! Uma merecida homenagem.

    Votos de um excelente sábado!
    Beijos

    Coisas de Uma Vida 172

    ResponderExcluir
  3. Nunca li "Ciranda de Pedra". Hei-de ver se o faço. Uma bela homenagem à escritora Lygia de Azevedo Fagundes Telles. Parabéns.
    Beijo.

    ResponderExcluir
  4. Maravilhosa homenagem a essa grade escritora!
    Obrigada Teresinha pela visita e comentário.
    Bjs com carinho.
    Carmen Lúcia.

    ResponderExcluir
  5. Amiga, que bom que estás de volta, amei ler aqui o belo conto, sua homenagem é linda!
    Os cães são mesmo os melhores amigos do homem, os amo e muito, esse conto nos faz reforçar esse amor!
    Abraços linda amiga, obrigada pelo carinho da visita!

    ResponderExcluir
  6. Uma grande escritora. Ela merece o prêmio e estaremos todos torcendo para isso. Você lhe fez uma bela homenagem. Bjs.

    ResponderExcluir
  7. toda una vida entregada a los demas , mis saludos Teresinha . jr.

    ResponderExcluir
  8. Marli,
    Um conto belíssimo esse do cachorrinho e seu dono, morto na guerra. Aí está uma pequena amostra do grande talento da nossa Lygia Fagundes Telles, quem sabe, o nosso primeiro prêmio Nobel. Parabéns.
    Abraços.

    ResponderExcluir
  9. Comovente...
    Vamos aguardar pelo resultado, quanto ao Nobel! Que seja alguém que escreva a nossa língua!
    Bjo, amiga :)

    ResponderExcluir

Em tempo de São João

Cresci vendo a fogueira ser montada, ser acesa e queimada, espetáculo que se repete todos os anos com a festa do Padroeiro do bairro São Pe...