22 de mai de 2016

O perdão de uma mãe

Domingos são típicos para aproveitarmos ao lado da família, regados com bom papo e filmes. Principalmente, domingos cinza e frios, como estão sendo ultimamente em minha cidade.
No final do dia, aproveito para ver o que está passando no canal aberto. SBT, programa Eliana, um quadro me chamou a atenção.
Claro que o efeito de programas assim é utilizar-se ao máximo do recurso que os apresentadores, já escolados, têm em suas mãos: o sensacionalismo.
Mas, dessa vez, o apelo foi baixo.
Uma personagem, com os braços abaixados e mãos cruzadas, narrava sua juventude sofrida no interior da Bahia.
Parei para prestar atenção. Sempre aprendemos um pouco.
Num determinado momento, revelou-se o que aquela senhora, cujos olhos demonstravam toda tristeza, e um vazio imenso, buscava no programa: o reencontro com seus quatro filhos.
Devido a um marido machista, ele a expulsou. Mandou-a embora, sem nada, sem seus filhos.


E os anos passaram, ela voltou à Bahia algumas vezes, atrás de informações, mas foi como se eles virassem fumaça.
30 anos depois, Eliana, consegue ajudá-la, e encontra seus filhos. Porém, um deles não quis ir ao programa e conhecer sua mãe.
Claro, é aceitável, só Deus sabe o que o pai falou sobre a mãe biológica a eles.
Mas, pensei comigo... e se fosse o inverso? Eu tenho certeza,de que a mãe não pensaria duas vezes para tomar seus rebentos em seus braços, perdoá-los e viverem todos juntos, em harmonia, retomando a vida que lhes fora negada por terceiros.
Aí surge a dúvida: Por que para os filhos é mais difícil perdoar às suas mães? Já que o oposto não ocorre?
Mistérios divinos?
Uma vez li que mãe é um anjo que Deus manda à Terra para proteger Seus filhos.
Pois bem, se assim for, justifica-se que toda mãe perdoa. Que toda mãe ama incondicionalmente “seu pedacinho”.
Acredito que seja esse o papel principal: amar, amar e amar.
Quantos machucados já foram curados através do abraço de uma mãe, ou um beijo, ou apenas um afago?
Mãe nasce com essa fagulha a mais, com esse toque divino, porque deve ser assim.
Por isso, a poucas é dado tal privilégio.
Muitas colocam filhos no mundo ( vezes por um descuido ), mas poucas são mães.
Mas, voltado ao programa, no final, os três filhos que foram ao encontro daquela senhora, apenas uma, a filha caçula a abraçou com carinho e saudade. Os outros dois, ainda machucados, abraçaram aquela mulher como abraçariam a outra senhora qualquer, por educação.
O que também me fez pensar: que direito aquele pai teve em fazer isso com seus filhos? Que amor é esse que, por vaidade, pune a seus rebentos?
Ele construiu uma imagem monstruosa, que fez com que os corações dos seus filhos congelassem em relação à mãe biológica. E como reverter isso?
A mãe deles já sabe e demonstrou: amando-os incondicionalmente.
No momento certo, o amor os unirá, e dissipará toda mágoa e angústia que há ali. E os danos serão reparados.

O amor sempre dá um jeito de refazer, remontar e curar. Principalmente o de uma mãe.  

15 comentários:

  1. Que tocante e emocionante história, claro, tirando os lances de sensacionalismo que são usados. Mas mostra o amor imenso que uma mãe tem no coração! Ótima semana! bjs, chica

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  2. Teresinha o amor de mãe é inexplicável,mesmo que o pai tenha colocado na mente dos filhos que ela não era àquilo que eles pensavam,eu creio que essa mãe jamais terá esquecido desse filhos e um dia quem sabe,se reencontrarão.
    Lindo texto,apesar de triste.
    Bjs e uma ótima semana.
    Carmen Lúcia.

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  3. Oi, querida Marli, só amor de mãe é incondicional: nem do pai e nem dos filhos. Mãe perdoa, releva. Filhos entram na adolescência e pensam em si, nos seus projetos, nas suas amizades, nas suas viagens. A coisa mudará o dia em que forem mães ou pais - esse com menos intensidade. Ou não, depende. Meu pai era espetacular. Preocupado com a família.
    Essa história emociona, sim, pena eu não ter visto. Gosto de ver a complexidade do ser humano.
    Grande beijo, querida.

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  4. Um sentido texto sobre o amor que só as mães sabem sentir. Gostei imenso.
    Beijos.

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  5. De mãe até o impossível se espera . Como pode renegar a vida que gerou? Transmissora de vida , isso a torna sempre imensa
    Bji

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  6. Soneto-acróstico
    O bebê

    Deitado neste ambiente escurinho
    Eu me acho confortável, relaxado
    Neste que assemelha o meu ninho
    Tenho o que quero, muito obrigado!

    Reconheço que saio daqui um dia
    Onde me encontro e fui concebido
    Depois enfrento da vida a correria
    Ocluso certamente algum sentido.

    Viver à luz do mundo meu destino
    Então que se cumpra esse caminho
    Não importa se menina ou menino.

    Também impossível algum jeitinho
    Resta apenas bem viver, imagino
    Esperar de minha mãe só carinho.

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  7. Emocionante!!

    O que falta no mundo é perdão é amor. Toda historia tem dois lados, e os dois precisariam serem ouvidos.

    bjokas =)

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  8. Li e fiquei emocionada, com uma lágrima a cair!
    Parabéns pelo texto!

    Beijos de boa noite
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  9. Amor de Mãe é inigualável e imensurável!
    Grande abraço e muito sucesso!!

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  10. Marli,
    Esse tema, que envolve pais e filhos, principalmente mãe e filhos, seerá sempre oportuno à vista que que temos em nosso país de abandono de crianças, violência contra a mulher etc. Gostei muito do seu artigo sobre o reencontro entre mãe e filhos, separados por tantos anos injustamente.
    Abraço.
    Pedro.

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  11. Olá, Marli.
    Como mãe a mulher sabe as piores das dores - a rejeição, a incompreensão, o egoísmo, a insubmissão desenfreada, o mau-trato, enfim...
    Mãe perdoa sim, sempre. Mas não deve perdoar sempre, há filhos que têm maldade suprema, que ferem, que usam desse amor para apenas suprir suas necessidades de forma egoísta. Há filhos que mentem a olhar nos olhos de quem os ama, há filhos que roubam a quem os alimenta, há filhos que agridem, há filhos que abandonam, sem olhar para trás, na hora em que quem os criou e nunca lhes faltou mais precisa. Perdoar sempre? Por vezes é preciso dizer basta. Amar e perdoar não basta para formar um bom filho, infelizmente.
    Tema duro que nos trouxe, Marli.

    um bj amg

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  12. Desculpe a demora na resposta, querida, mas nas últimas semanas tenho viajado por esta Europa fora sempre em trabalho. Contudo, espero brevemente retomar a normalidade do meu blogue.

    Beijinho!

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  13. OI MARLI!
    COMO JÁ HAVIA LIDO TUA ÚLTIMA POSTAGEM E GOSTO MUITO DO QUE ESCREVES, VIM LER ESTA QUE NÃO CONHECIA.
    VERDADE, UMA MÃE JAMAIS DEIXARÁ DE PERDOAR UM FILHO O OPOSTO NEM SEMPRE ACONTECE, CREIO EU, QUE UM POUCO PELA FALTA DE AMADURECIMENTO DOS FILHOS OU COMO DEDUZISTE, POR UM MAU JUÍZO ALIMENTADO POR UM PAI QUE PREJUDICOU MUITO A ESSES FILHOS.
    COMO SEMPRE UM ÓTIMO TEXTO.
    ABRÇS
    http://zilanicelia.blogspot.com.br/

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  14. Te dejo mi blog de poesia por si quieres criticar gracias.
    Me gusta mucho el tuyo.
    http://anna-historias.blogspot.com.es

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