29 de out de 2017

Lembranças...

Dias atrás, uma velha amiga me convidou para ajudá-la a comprar sapatos, adoro isso, ficamos por longo tempo discutindo sobre modelos, preços e onde iríamos comprar. A lista de lojas que vendem calçados é longa, pois juntamos as lojas das duas cidades, o que para nós não altera em nada, pois elas são cidades irmãs.
Percebi, que minha mente estava sendo invadida por lembranças, memórias de minha infância, quando eu ia com minha mãe fazer compras.
Tenho saudades de tantas coisas, saudade do que ficou de bom em minha memória. Será que faz bem sentir saudades? Penso que sim, pois nos leva a lembranças e momentos que foram bons.
Alguém já dizia, “Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum, somente compartilhar as mesmas recordações.”
 E aí, perguntei para a minha amiga:
-Lembra da Casa Damasco?
Ela ficou um tempo pensando e me respondeu:
-Não lembro, pode me contar?
E minha mente voou e foi buscar belas lembranças. Em Porto União, ao lado de onde era o Hospital Nazaré Farah, hoje há um estacionamento, ficava a famosa Casa Damasco, lembro de ir com minha mãe, comprar sapatos, naquela época, só ganhávamos calçados novos no Natal. Minha memória olfativa entrou em cena, e minhas recordações da infância me fizeram retornar ao local da loja de sapatos, ao lado de minha mãe, o cheiro do couro, está vivo em mim, e é bom, pois a emanação da fragrância do couro, trouxe as reminiscências do tempo em que tudo era bom, o chão era de madeira, e na porta um grande degrau de madeira também. Era bom olhar as caixas nas quais vinham os sapatos, uma marca que consigo lembrar com nitidez, porque minha mãe a tudo respondia, talvez pela associação que ela fazia, a marca era Navio, na frente da loja havia uma vitrine pequena, e para protegê-la uma grade de ferro, mas na minha lembrança ainda é como uma cerquinha, muito linda. Ah, e naquela época, já existia o famoso caderninho para marcar e pagar depois, mas esse era um caderno grande, comprido, anotava todas as compras do freguês, penso que havia muita confiança para vender fiado, porque atualmente com tantos cuidados e facilidades não se consegue cobrar de todos.
Também havia outra loja, se minha memória não me engana, poderia afirmar que havia passagem de uma para a outra loja, ela ficava onde hoje é o Lord Cabeleireiro, se fosse hoje, seria chamada de Loja de Departamento, que  é um tipo de comércio que apresenta nos seus locais de venda uma larga variedade de produtos eletrônicos de grande consumo, tais como vestuário, mobiliário, decoração, produtos cosméticos, brinquedos, tecidos, linhas, agulhas, fios, roupas, que fazia parte da mesma loja, mas com sua diversidade de produtos.
A dona Nazaré, carinhosamente, chamada de dona Naza, estava sempre a postos, de avental, quem não lembra dela? Vinha sorridente atender, e ninguém saia sem levar alguma coisa, e não havia como sair sem nada, sendo tão bem recebido com um sorriso e acolhimento gostoso. Seu Miguel Farah é claro, sempre junto.
Falando em seu Miguel, ele começou consertando sapatos, época em que a maioria das pessoas consertava tudo, porque hoje até os calçados são descartáveis. Como era um homem vanguardista tinha suas habilidades, e então começou a confeccionar os calçados, ele cortava usando o molde e dona Naza os costurava, trabalho artesanal, porém árduo, mas feito com muito amor.
Então de consertos de sapato passou a confecção. Houve uma grande feira de calçados, em 1928,”Exposição Agroindustrial”, na qual seu Miguel participou com sua coleção, e o resultado foi vitória para a sua produção seguida de reconhecimento com um diploma de loja industrial. Quem ouviu o ditado popular: “Deus ajuda quem cedo madruga?”
Com certeza, porque madrugando há mais tempo para se organizar no trabalho, para aumentar sua produtividade, e assim era com seu Miguel e dona Nazaré, cedinho já estavam no batente.
Roberto Fraga dizia que:
“Viajar no tempo é reviver reminiscências que ficaram no pensamento. Um momento único em que damos asas a imaginação ao percorremos um distante evento no exato momento de sua criação. O prazer inolvidável que nos acompanhará pela vida afora e proporcionará o prazer de um instante de felicidade que permanecerá pela eternidade.”
Ah! Quanta saudade, e ela é isto mesmo, lembrar e relembrar dos bons tempos por nós vividos, vale a pena ter as nossas memórias rebuscadas, às vezes, pois nos levam a sentir o imenso prazer novamente.

Voltei ao presente e fomos comprar um sapato.
Foto: Google

26 comentários:

  1. Mesmo em férias vim te ler pois gosto de teus escritos.Adorei as lembranças e como as temos...Fazem bem! Mexe com a memória, um bom exercício...bjs praianos,chica

    ResponderExcluir
  2. Fabuloso texto, este!!

    Beijo e uma boa semana.

    ResponderExcluir
  3. Sabe Marli,também lembrei agora que quando criança mamãe costumava comprar os nossos sapatos(meu e de minha irmã)em uma loja famosa que ficava no centro da cidade de São Paulo.
    Era uma diversão quando saíamos para fazer compras.
    Belas lembranças.
    Adorei ler.
    Bjs e uma ótima semana.
    Carmen Lúcia.

    ResponderExcluir
  4. As recordações da infância não nos largam nunca...
    Um texto maravilhoso.
    Um beijo.

    ResponderExcluir
  5. Tem coisas que ficam gravadas como filmes na memória.
    Tem coisa melhor do que memória olfativa?


    bjokas =)

    ResponderExcluir
  6. Que delícia de conto.
    Fala como quem diz um verso, canta
    um hino com sua história.

    Vou seguir você, meu anjo. Siga a
    mim também, se quiser.

    Beijos,



    .

    ResponderExcluir
  7. Amiga Marli, um relato muito interessante. Gostei! Amiga, vim agradecer sua visita que amo e o comentário que deixou. Obrigada de coração! Tenha uma semana feliz, com muita saúde e paz, junto aos seus familiares e amigos. Beijos no coração.
    Lourdes Duarte

    ResponderExcluir
  8. Ah, como são boas nossas saudades, saudades sempre são boas, é como se quiséssemos resgatar um tempo que se foi. Lembranças podem ser bem-vindas ou não. Também de vez em quando sinto cheiros do passado. Quando minha mãe faleceu, o cheiro do apartamento dela estava dentro do meu, esquisito isso, nunca havia acontecido.
    Também lembro dessas compras da infância, dá saudade, sim! Um aperto. Teu texto está tão lindo, amiga, li muita ternura aqui hoje! E isso faz bem pra gente.
    Grande beijo, falamos!

    ResponderExcluir
  9. Voltei à sua página para
    revê-la e reler o diário
    de sua vida. Sim, porque
    o seu conto não passa de
    uma viagem no tempo e
    isso me deixa encantado
    pela forma da escrita e da
    narração.

    Um beijo,

    silvioafonso



    .

    ResponderExcluir
  10. Cara amiga Marli, eis um belo texto descritivo sobre este belo período da existência, nossa juventude. Tuas memórias incentivou alguma coisa em mim e também retrocedia a algumas de minhas lembranças antigas, como ao caderno de anotações das vendas fiadas no armazém da minha da minha família, o qual era administrado por minha mãe. Lembro que um irmão dela (meu tio)
    também tinha armazém mas não gostava de vender fiado. No armazém do meu tio, ao lado do alvará fixado à parede havia uma moldura com duas criaturas, uma gorda, rosada, bem vestida e outra esquelética, esfarrapada, e ao pé da moldura duas mensagens; junto à figura robusta: "Vendo a vista" e acompanhando a silhueta miserável: "vendo fiado".
    Um abração. Tenhas um lindo fim de semana.

    ResponderExcluir
  11. Feliz de quem pauta a vida adulta com vida tida na infância. Lindo texto. Gostei. Parabéns! Abraços. Laerte.

    ResponderExcluir
  12. Boa tarde querida Marli! Só sentimos saudade de pessoas e acontecimentos que nos marcaram e foram importantes para nós. Claro que sentir saudade de momentos inesquecíveis de momentos em qualquer fase da vida, são lembranças guardadas com carinho no coração. Lembrar da sua mãe é um presente. Lindo sua narrativa, parabéns amiga. Grata pela visita, volte sempre. Bjus

    ResponderExcluir
  13. Olá, Marli.
    Gostei muito de tua crônica, "Lembranças...". Essa procura de sapatos, vendo vários modelos, lembrou-me de certos dias que acompanhei a Taís, em várias lojas, à procura dos sapatos que queria comprar. Lembranças importantes, tanto da sua amiga como das cidades de Porto União e União da Vitória. Como aconteceu com as Lojas Damasco, muitas outras lojas tradicionais fecharam nos últimos anos, no nosso país. E, pelo andar da carroça, muitas outras logo fecharão.
    Um ótimo domingo.
    Grande abraço.
    Pedro.

    ResponderExcluir
  14. Olá querida Marli
    Que crônica empolgante permeada de recordações afáveis que trouxe ao coração a alegria de reviver momentos ímpares da infância com requinte de detalhes evocada pela necessidade premente de comprar sapatos
    Beijos e uma linda semana

    ResponderExcluir
  15. É apanágio dos artistas resgatarem lembranças e as trasbordarem de luzes, beijos

    ResponderExcluir
  16. Bom dia. Independentemente das suas publicações que li atentamente e que mais tarde comentarei com mais detalhe, informo que fiz-me seguidor do seu muito bonito e criativo blogue, e linkei o linke na lista dos blogues a visitar. Gostaria que, se possível, houvesse reciprocidade.
    .
    O meu blogue
    .
    https://brincandocomaspalavrass.blogspot.pt/
    .
    Abraço e ...
    Feliz inicio de semana
    .

    ResponderExcluir
  17. Oi Marli! Ao ler o teu belo e bem coordenado texto, lembrei-me de uma baboseira que escrevi e diz o seguinte: “Quando a pessoa sente saudades de algo, é porque em algum momento da vida já foi feliz. Pior é aquele que não tem o porquê, ou por quem sentir saudades.”

    Abraços e uma ótima semana para ti e para os teus.

    Furtado

    ResponderExcluir
  18. Marli
    Sentir saudades, sem ser saudosista, de natureza é salutar. Lendo a tua bela crónica, até recordei, duas ocasiões, ambas antes dos meus dez anos, uma em que fui com a minha mãe, outra em que fui com o meu, ambas com história. Por isso e porque sou bastante emotivo, senti enorme prazer na sua leitura.
    Beijos

    ResponderExcluir
  19. Olá, querida Teresinha!

    Grata por sua visita e cordiais palavras.

    Um texto mto bem escrito e mega natural. Quem não lembra dessas boas e velhas recordações, da juventude, sobretudo e da cumplicidade, que havia entre amigas e amigos? Havia casas especializadas em tudo e muito afamadas.

    Era tão bom ir às compras com amigas, que dão seus pareceres, observamos e "criticamos" tudinho e depois vamos tomar nosso lanchinho, carregadinhas de sacos.
    Seu post me fez lembrar dos tempos da faculdade. Amei!

    Beijos e boa semana.

    ResponderExcluir
  20. Olá, durante a vida existem acontecimentos que nos marcam para serem recordados, como diz o povo com toda a razão, (recordar é viver,) suas recordações levaram os seus sentimentos o que faz parte da sua vida, assim como, o Miguel e a dona Nazar, também a Casa Damasco, certamente outras boas recordações vai recordar.
    Continuação de boa semana,
    AG

    ResponderExcluir
  21. As lembranças são como as cerejas, basta puxar uma e surgem logos mais umas quantas...
    Um belo texto, parabéns.
    Bom resto de semana, amiga Marli.
    Abraço.

    ResponderExcluir
  22. Maravilha, Texto gosto de ler. Alguma coisa combinas mais do que mulheres e sapatos? rs rs. Tirando a brincvadeira, recordar é tudo de bom. Beijos e parabéns.

    ResponderExcluir
  23. amiga, acho super saudável lembrar do passado, dos bons momentos da vida!
    Fazer comprar também é muito saudável rsrsrsrsr
    Bjos no coração,querida1
    http://www.elianedelacerda.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. .

      Marli, querida,
      a saga continua, tá?
      Segunda-feira darei
      continuidade aos contos
      da vida privada. Contos
      que elas não teriam coragem
      de comentar e eles muito
      menos.

      Venha conferir e tomará comigo
      um gelado refresco de pitanga
      com bolinhos de chuva. Degustação
      para finos lábios.

      Um beijo,

      silvioafonso



      .

      Excluir
  24. Nada como viajar no tempo, não é, Marly? Principalmente quando nos faz lembrar de momentos particularmente agradáveis. Belo post, amiga; boa semana!

    ResponderExcluir

Empatia

  Empatia é a habilidade mais importante que devemos praticar. A palavra empatia se originou da fusão de duas palavras gregas, com seu...