17 de jul de 2011

Eu @ Eu

Lendo algumas matérias em revistas destinadas ao comportamento humano, percebo que a cada dia estamos mais sós.
Não sei até onde isso é bom, ou ruim. Não sei até onde nós somos os culpados, ou somos induzidos a sê-lo.
Hoje, as pessoas buscam seus futuros ‘’amores’’ em sites de relacionamentos, desabafam em salas de bate papos com estranhos para, talvez, preservarem-se das críticas que algum amigo real o fizesse.
Não queremos mais saber o nome dos nossos vizinhos, não queremos ser incomodados na ida e volta do trabalho dentro dos ônibus, no máximo um ‘’bom dia’’ ou ‘’boa tarde’’ no elevador.
Não ficamos mais horas sentados à mesa junto com nossa família para, assim, fugirmos das perguntas às quais nem mesmos nós sabemos as respostas.
Ligamos a televisão e passamos horas à frente da mesma, o celular toca identificando ser seu amigo, mas você não pode perder a estreia do programa que você esperou por  uma semana.
Vamos ao cinema sozinhos, e depois entramos no MSN para correndo contar ao amigo, poderíamos tê-lo convidado.
Perdemos muito da companhia alheia, do crescimento, da troca de informações.
Mandamos e-mails com correntes e palavras de melhoras há muitos amigos e colegas, mas não procuramos mais o ombro amigo físico para nos consolarmos.
A solidão tornou-se comum e impositiva.
Talvez por este motivo os relacionamentos reais durem tão poucos, qualquer mínimo de aborrecimento ambos decidem que é melhor dar um tempo ou um ponto final.
Não somos mais seres preparados para lutar pelos nossos ideais, pois o inimigo ao qual estamos acostumados é virtual, e não há como tocarmos no virtual.
A cada dia somos menos capazes de nos doarmos ao outro, a nós mesmos ou aos nossos amigos.
Perdemos o contato com o mundo real, com as dores, com as ilusões, com as frustrações e alegrias, pois nos chats, ou redes sociais podemos não ser nós mesmos, e utilizarmos as máscaras que melhor nos convêm.
Estamos a cada dia mais desconfiados e menos carinhosos.
Desacreditados do nosso semelhante, sem percebermos que os ‘’sem credibilidade’’, dessa história, somos nós mesmos.
Tornou-se um ciclo sem fim.

8 comentários:

  1. Assino embaixo e a cada dia me dou mais em conto como temos que cuidar com isso...adorei! bjs

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  2. Excelente seu post. As pessoas não se conhecem mais. Tudo é superficial. Diante de uma pequena dificuldade, se afastam. E acabamos, mesmo, sozinhos. Aquele compartilhamento do encontro entre amigos, das reuniões familiares, estão ficando, infelizmente, no passado.

    Bjs.

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  3. Cláudia,realmente precisamos tomar cuidado com o relacionamento que temos com as pessoas,sejam elas próximas ou não.Obrigada pela sua visita.Um grande beijo!

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  4. Marilene,você tem toda a razão com sua afirmativa.Saudades dos tempos em que nossos avós sentavam-se com os vizinhos para simplesmente conversar e quem sabe tomar um chimarrão.Todos se ajudavam,até nas colheitas se revezavam para ajudar cada vizinho.Hoje,a caixinha (TV) nos deixa sem tempo para saber quem é o nosso vizinho.Que bom que podemos nos comunicar através deste espaço.Um grande abraço!

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  5. Post de muita devoção que me remeteu a um passado não muito distante que deu vasão ao mundo virtual... hoje acompanhamos a modernidade, mas não podemos deixar pra trás os valores que já nos foram caros ao coração... Adorei!

    bjs meus!

    Catita

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  6. Marli,
    Na década de setenta, o conceito de "aldeia global", criado pelo psiocólogo canadense Marshall McLuhan, já dizia que o progresso tecnológico estava reduzindo todo o planeta à mesma situação que ocorre numa aldeia, mas que, apesar disso, nossos "vizinhos" de aldeia se tornariam estranhos por que perderíamos contato físico com eles. Parece que McLuhan tinha uma bola de cristal, não é mesmo? Gostei do teu blogue, parabéns.

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  7. Catita,carinhosamente,realmente é necessário que cuidemos para que não se percam os valores a nós passado com tanto empenho pelos nossos pais e avós.Cabe,quem sabe a nós relembrarmos disso e passarmos adiante.Um grande abraço!

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  8. Jair,com certeza,McLuhan é um vanguardista destas ideias e acontecimentos que estamos vivendo hoje.Porém é extremamente triste que seja uma verdade.Gostei de seu comentário,obrigada e um grande abraço!

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