Terça-feira, dia 02 de novembro, dia dos Finados.
Começo minha pesquisa na Internet para trazer a vocês algo meu, juntando aqui e acolá, e montando a minha visão sobre esse momento em nossas vidas.

Nesse mês o ex-presidente da Argentina, Néstor Kirchner, faleceu após uma parada cardíaca.
A fila de pessoas que queriam passar pelo caixão dele era de aproximadamente 03 horas.
Lembrei-me de Evita, Ayrton Senna,Luciano Pavarotti,Michael Jackon, e você lembrou de quantos mais que levaram filas ao seu velório, sem nunca terem tido sequer um contato físico com o morto.
Temos aqui a questão latina, o ‘’sangue latino’’, o apego, o carinho pelo que a mídia nos mostra, de várias formas.
Eu mesma me emocionei com a transmissão da Rede Globo no enterro de Lady Di, quando a mesma filmava aquela montanha de flores, milhares de pessoas carregando cartazes e lágrimas abundantes, crianças que sequer sabiam o que estavam fazendo ali.
Somos induzidos pelo ‘’sangue latino’’ a nos deixar levar pela lágrima, e quando nos perguntam o porquê do choro, apenas apontamos para a tevê e continuamos a chorar.
Somos emotivos, isso é bom, mas penso até que ponto é bom o apego, o não querer deixar ir a pessoa, que já cumpriu sua missão aqui na terra.
Entre tantos textos virtuais, um me tocou profundamente, e repasso ele a vocês.
Após a leitura tomei fôlego, um bom copo com água,e fiquei um tempo a refletir.Penso que ele trará diversas emoções a vocês também.
Boa leitura!
Ode à Morte
Procurava-te agora no anoitecer do meu descanso sem fé tentando apenas a mim enganar nas longas esperas de pé. A mim já não chegam os teus gritos de saudade, ouço apenas o eco do que temo já não ser verdade, sei que me perdoas este não saber o que ao menos fazer, também sei que só tu me sentes e me crês nas vezes que choro sem perder. Escrevo com a alma fechada da alegria que não quero amada como que em gesto turvo sem ser comparada me diz ao soletrar, existe assim, apenas sem amar.
O dia nasce triste sem o sol em riste para me seguir, acordo com a sensação de não ter adormecido que o meu corpo insiste em pedir na esperança que se faça ouvido o louco pedido. Guio-me aos caminhos negros passando rochedos onde não nascem trevos, que os meus o são num verde que deste a conhecer sem as mesmas folhas de sorte. São rosas de ventos desordenados sem os quatro tempos não valem nada, assim caminho apenas num sentido, apenas para Norte saberei que entro sem ser sincera morte.
A caminhada tem início sem ser sacrifício já me sinto a suar, a responsabilidade deste novo ofício que tanto lido com a dor sem nada haver com o perdido amor. A caminho do Norte da procura passeio-me pelos corredores do sofrimento onde encontro tantos lamentos, não olho a alma destes pobres sofridos em todos de nada perdidos que aqui procuram conhecer a calma. Mesmo o louco que me reconhece e me agarra as vestes, pede para o levar, procuro manter-me misterioso que em tudo sou muito vagaroso levando-me apenas a caminhar.
Outras há que não me falam, sem as olhar ouço as rezas tão sentidas que sinto acabar, moribundos desgraçados que quando se sentem no fim procuram tudo menos a mim. Sois tão fraco solene mortal, sentes a linha acabar e voltas acreditar em tudo sem amar. Deves achar-me selectivo que como tu não sou cativo, sou apenas sombra em que me descalço sem no chão tocar, transporto-me bem de leve apenas a levitar.
O dia nasce triste sem o sol em riste para me seguir, acordo com a sensação de não ter adormecido que o meu corpo insiste em pedir na esperança que se faça ouvido o louco pedido. Guio-me aos caminhos negros passando rochedos onde não nascem trevos, que os meus o são num verde que deste a conhecer sem as mesmas folhas de sorte. São rosas de ventos desordenados sem os quatro tempos não valem nada, assim caminho apenas num sentido, apenas para Norte saberei que entro sem ser sincera morte.
A caminhada tem início sem ser sacrifício já me sinto a suar, a responsabilidade deste novo ofício que tanto lido com a dor sem nada haver com o perdido amor. A caminho do Norte da procura passeio-me pelos corredores do sofrimento onde encontro tantos lamentos, não olho a alma destes pobres sofridos em todos de nada perdidos que aqui procuram conhecer a calma. Mesmo o louco que me reconhece e me agarra as vestes, pede para o levar, procuro manter-me misterioso que em tudo sou muito vagaroso levando-me apenas a caminhar.
Outras há que não me falam, sem as olhar ouço as rezas tão sentidas que sinto acabar, moribundos desgraçados que quando se sentem no fim procuram tudo menos a mim. Sois tão fraco solene mortal, sentes a linha acabar e voltas acreditar em tudo sem amar. Deves achar-me selectivo que como tu não sou cativo, sou apenas sombra em que me descalço sem no chão tocar, transporto-me bem de leve apenas a levitar.
João C. Santos