Vejo pessoas robotizadas
pelas ruas, cabeças baixas, dedos deslizando sobre pequenas telas
pretas.
Ando pelas calçadas com as mãos nos
bolsos, sinto-me invisível,
confesso que até prefiro ser
invisível, às vezes.
Pessoas andam com as cabeças mais vazias, e a língua
mais afiada para projetar a maldade, nas pessoas que atravessam o seu caminho.
No meu MP4, Zé Ramalho canta “
Admirável Gado Novo”
e penso que, pela primeira vez,
prestei atenção nesta letra,
na profundidade e significado de
suas palavras, a letra foi inspirada na obra de” Admirável Mundo Novo”, de
Aldous Huxley, a qual foi composta em 1979, como consta em sua biografia, ela
foi um protesto à época do governo militar, porém fico a pensar: em que momento o Brasil saiu
do marasmo de estar deitado no berço esplêndido?
Falemos aqui da descoberta do nosso
país, quando portugueses, principalmente, tomaram e fizeram das nossas terras seus celeiros, nos quais guardavam o
que há de pior ,
usaram nosso país como cobaia,
levaram nossas riquezas,
povoaram-no com pessoas que para
eles nem serventia tinham mais, e estas mesmas pessoas que encontro
de cabeça baixa, olhos fixos nas
pequenas telas pretas são as que assumem que não gostam e
não querem saber de política.
Como se algo maligno ela
representasse.
Mas não é assim!
A política, em si é boa, desde que
feita da forma correta e que os políticos que a representam no momento, sejam cobrados de forma correta,
porém, aqui dentro, sinto que, cada vez que um brasileiro diz: não gosto e
não quero saber!
Um político dá gargalhadas, com os
bolsos e cueca cheias de dinheiro, cheias com o nosso dinheiro.
Este mesmo, tão suado, que Zé
Ramalho canta, este que temos que trabalhar mais e mais para pagar mais e mais
impostos.
Aquele que é prometido para a saúde
e educação, mas quando nos damos conta ambos os campos foram maquiados, meus amigos, digam-me: qual político em sã
consciência, hoje, quer um povo saudável e inteligente?
Um povo que não dependa mais deles?
Um povo que saiba como decidir, interpretar e entender qual político realmente
levará a política a sério?
As escolas estão doutrinadas para ensinarem o básico,
aquilo que convém ao governo,
prova disso foi o livro abolido há
pouco tempo, ainda do governo anterior, em que o MEC ( sabendo sem saber ),
liberou verba para ser impresso, o qual deixou famílias em polvorosa quanto
ao seu conteúdo sexual e explícito.
E os valores vão se perdendo pelo
caminho... como as migalhas de pão do conto infantil de João e Maria, e quando eles tentam voltar
percebem que as migalhas já foram comidas, e não há outro final a não
ser o enclausuramento.
É justamente isso que percebo em
nosso sistema político hoje: vamos deixando migalhas pelo caminho, que são
comidas por eles, políticos que são pagos com o nosso dinheiro,
para que assim, não possamos mais
voltar e recomeçar.
Lembro um ano em que milhões de
brasileiros foram às ruas, queriam o
Brasil de volta para nós...
Por um lado conseguiram, mas...
sinto que os brasileiros de bem acordaram tarde demais...
Aquele berço do início, lembram-se?
Pois é...
Talvez faça parte do Hino Nacional
por um motivo verdadeiro, o gigante acordou por alguns dias, mas voltou a
dormir.
Esta é a realidade.
O país está fragmentado por culpa
do próprio brasileiro que decidiu escolher” lados”, e não o seu país, pois
quando o povo escolhe um lado (esquerdo, direito, centro) para defender, que
não seja o seu país, tudo começa a ficar perigoso...
Alguns brasileiros escolheram
lados, e não a sua bandeira, símbolo máximo de representação da nação
brasileira.
E não percebem que, nos bastidores,
esses mesmos políticos que eles defendem, e até brigam por eles, estão sentados
em restaurantes luxuosos, fazendo acordos contra estes mesmos brasileiros.
A música de Zé Ramalho, escrita em
79, não era alusiva ao período militar, ela é alusiva a todos os períodos
políticos que vivemos, desde sempre.
Ouço muitos falarem: por favor,
devolvam o Brasil aos índios!
Mas até eles perderam sua
identidade.
Penso como é estranho um país com
pessoas de bem, que quando é preciso dão-se as mãos e ajudam ao próximo, mas
ser massa de manobra nas mãos de poucos...
O brasileiro provou, inúmeras vezes, que é capaz de mudar o rumo da
história, e talvez ela esteja mudando, mas como sabemos
nosso país, é imenso... tudo acontece devagar.
A sensação é de nadar contra as
ondas todos os
dias, e cada vez mais sentir a beira do mar, longe de ser alcançada.
... e elas continuam a andar com a
cabeça baixa.
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Fotos: Google |