5 de nov de 2010

Um pouco sobre nós mesmos...

Na verdade eu já havia assistido ao filme O Amor é Cego centenas de vezes.
Mas ontem foi diferente, ontem eu assisti ao filme com os olhos que o diretor e o roteirista quiseram passar: o que vale mesmo é o que está dentro de cada um de nós.
Talvez alguns me achem hipócrita, afinal a beleza dita nossos passos nos dias de hoje, mas observem: a mulher ou o homem que está ao seu lado, ou namorado, namorada que suporta suas TPM’s, seus momentos de fraquezas, é esse ‘’padrão’’ de beleza ditado no mundo?
A vida deixa marcas, a maturidade faz questão de dizer que bateu à nossa porta. Rugas contam nossas histórias, e a coloração dos cabelos brincam com o vento que passa por eles.
Quem somos nós para descartarmos esse ou aquele pela sua estética, cor da pele, altura...
Quem somos nós para aceitarmos ou não ao próximo?
E é cada vez mais gritante a solidão do ser humano, que prefere fazer filas em salas de bate papos da internet, a ir bater um papo com o vizinho de apartamento, ou de casa ( que com certeza ele ainda não sabe o nome ).
Como disse o Caetano sabiamente em uma de suas canções: ‘’É que Narciso acha feio o que não é espelho’’, mas não falemos aqui apenas da beleza física, mas também daqueles que possuem algum tipo de deficiência ou dependência, que se encontram hoje nas ruas, becos, esgotos.
Você já olhou nos olhos de um homem sujo, maltrapilho, deitado na rua, sob um papelão?
Você já parou para ouvir o quão rica pode ser sua história de vida, e que ele só quer uma mão amiga?
Embaixo da sujeira acumulada das andanças pelas ruas, das roupas rasgadas, do chinelo havaina remendado com um prego, da meia furada, há um ser humano. Há um alguém, um ser vivo, como você, como eu.
E por muitas vezes passamos por eles como se não existissem, até para as pedras damos importância, para que não machuquem nossos pés caso tropecemos em alguma, e porque não valorar o próximo?
Não falo aqui em religião.Falo no conceito puro de SER HUMANO.
Desgasta a TV anunciar que mais um marginal foi preso por tráfico, ou um chinês que tentava exílio em outro país para não ser morto, desgasta ver pessoas fechando o vidro dos seus carros quase apertando as mãos miúdas que são extendidas em troca de qualquer coisa.
Magoa o coração ao saber que algum amigo foi reprovado, mesmo tendo competência para o cargo, por ser negro.
Decepciona, e muito, você saber que sua amiga não foi aceita em tal loja por estar acima do peso.
Onde vamos parar?
O que estamos construindo e deixando para nossos jovens?
Um mundo de mesquinharias, de valores insanos, de impurezas, um mundo no qual não se sabe o que é ter e ser uma família.
Um mundo redondamente quadrado em paredes brancas de prédios altos, imponentes e cinzas.
Apavora saber que o amor perdeu espaço para o dinheiro. Apavora ainda mais saber que apreciamos o que é lúdico.


2 comentários:

  1. O seu sincero post tem a mesma vibração de meus princípios: o que é beleza real? Ternos caros ou perfumes importados? Coração pulsante de vida e história ou silhuetas cada vez mais magras? Quem somos abaixo desta pele vulgar e transitória? A beleza externa luta inutilmente contra o seu inimigo: o senhor tempo. Para aqueles desesperados por causa das rugas e das cãs, espere um pouco mais, logo um novo corpo estará animando aqui na faixa material da vida.
    Parabéns pelo post
    Edu Gomes

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  2. Edu,que ótimo que concorda com o que registrei aqui.Gostei de sua visita e o brilhante comentário,o qual enriqueceu muito este espaço.Volte sempre!
    abraço!

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